Todo mundo sabe que cursos de pós-graduação não são baratos e quando surge uma oportunidade de qualificação em universidade pública, de graça, é preciso aproveitar. Então confira: a Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com o Ministério da Saúde, representado pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), está organizando o Curso de Gestão da Assistência Farmacêutica – EaD: Especialização, Aperfeiçoamento e Estudos de Aprofundamento.


Um dos objetivos do Curso é contribuir para a formação dos novos profissionais, por meio da capacitação dos docentes de cursos de graduação em Farmácia. Considerando que as mudanças curriculares nos cursos de graduação em Farmácia ainda são muito tímidas, a capacitação de farmacêuticos permanece como uma necessidade.


Seguindo esse objetivo, a possibilidade de capacitação de docentes poderia contribuir para fomentar as mudanças requeridas na graduação e ampliar o potencial de formação de profissionais com habilidades para atuar no e para o Sistema Único de Saúde. Na mesma direção, o envolvimento maior dos docentes pode ser um fator facilitador para a posterior replicação do Curso nas respectivas regiões.


Nessa edição do Curso, 25% das vagas serão prioritariamente destinadas para farmacêuticos que exerçam atividade docente em disciplinas de cursos de graduação em Farmácia reconhecidos pelo MEC ou pelo Conselho Estadual de Educação. Serão 400 vagas, distribuídas em 13 polos Regionais por todo o Brasil. O pólo regional em Minas é Divinópolis, no centro-oeste do estado.

No dia 10 de outubro, quinta-feira, às 19h, o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais vai sediar a segunda reunião do Núcleo sobre Medicalização de BH e Região Metropolitana. Os núcleos sobre medicalização vêm sendo criados sistematicamente em todo o Brasil desde 2010, a partir da fundação do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade que tem abrangência nacional.



O Núcleo de BH e Região é o terceiro a ser criado no estado, que já conta com os Núcleos do Triângulo Mineiro e do Leste de Minas. O Sinfarmig, juntamente com o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), idealizador do Núcleo e vários conselhos regionais de classe são entidades que participam do Núcleo de BH e RMBH desde sua criação em 07 de agosto deste ano.       



A reunião de quinta-feira é aberta a todos os profissionais de saúde e a todos que se interessarem pelo assunto.    



O objetivo da criação dos núcleos, em todo o Brasil, é a abordagem e discussão do fenômeno da medicalização que consiste em tratar, equivocadamente, como doença, alterações de comportamento sem origem orgânica, que são decorrentes do convívio social e/ou cultural.



A tendência crescente de medicalizar a sociedade – notada, por exemplo, no elevado consumo atual de tranqüilizantes e ansiolíticos - seria, conforme estudiosos do assunto, uma maneira de “corrigir” comportamentos de crianças e adultos, promovendo uma sociedade ajustada à produção capitalista.



Profissionais como psicólogos, farmacêuticos e pediatras vêm alertando para os riscos que a medicalização pode trazer tanto para o indivíduo, como dependência e outros efeitos colaterais, como para o desenvolvimento da sociedade.



Como diz a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) Beatriz de Paula Souza, também membro da executiva nacional do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, pesquisadora do assunto há mais de 15 anos: “o que tem acontecido é que as pessoas se assustam de estarem tristes ou nervosas. Com muita freqüência usam calmantes. Elas têm uma ideia de que infelicidade, raiva, desespero, são emoções a serem evitadas, mas esses sentimentos são positivos porque são importantes para o desenvolvimento do ser humano”.  

Júnia Lelis e Rilke Públio, diretores do Sinfarmig e respectivamente, diretora da Regional Sudeste e vice-presidente da Fenafar, em ato durante Congresso da Abrasco em BH
 
   

O 2º Congresso Nacional sobre Política, planejamento e Gestão em Saúde, promovido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) até ontem (03/10), na capital mineira, teve como marco a revisitação dos 25 anos da implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) comemorado no dia 05 de outubro. Diversos cenários foram avaliados por estudiosos e pesquisadores da saúde coletiva de nosso país. Os avanços e retrocessos, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, que institucionalizou o SUS, foram apontados e discutidos por cerca de 2 mil participantes do evento, vindo dos quatro cantos do país, além dos convidados estrangeiros.

 
A Federação Nacional dos Farmacêuticos  esteve representada no Congresso pelo seu vice-presidente, e também diretor do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais (Sinfarmig), Rilke Novato Públio e, juntamente com o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte e Abrasco, organizaram em frente ao Minascentro (local do evento) o Ato Saúde+10, (coordenado nacionalmente pela Fenafar), com caminhão de som, grande participação dos congressistas, representantes e lideranças de diversos movimentos sociais, acadêmicos e sindicais, parlamentares, convidados estrangeiros do evento, enfim, em plena avenida no centro de BH, o grito por mais recursos da união para a saúde pública ecoou para além das serras das Minas Gerais.
 

Dos diversos entraves que foram levantados como determinante de retrocesso ou pouco avanço no SUS, a falta de articulação entre os interessados na saúde pública de qualidade, é apontada como uma das principais causas de o Sistema Único de Saúde se encontrar em situação preocupante, como destaca a professora Lígia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma das autoridades brasileiras no estudo dos problemas da saúde pública.
 

Segundo a professora, depois de 25 anos, é preciso quase que recriar o SUS para garantir saúde pública de qualidade à população e adianta: “Isso não é impossível porque até o Barack Obama, nos Estados Unidos, com uma situação muito mais complexa que a brasileira está conseguindo”. 
 

Para que o SUS seja capaz de promover saúde com universalidade, igualdade e integralidade, ela cita cinco pontos a serem atendidos e que deverão constar no documento final do Congresso e serem apresentados à sociedade pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva.
 

“Em primeiro lugar, temos que tratar do financiamento (da saúde pública) que é vital. Precisamos ter política orçamentária clara”, esclarece a professora. O segundo ponto de atenção para revitalização do SUS, continua, é que o sistema tenha gestão qualificada. Não é possível, conforme Lígia, que o SUS continue sendo tocado por gestores indicados politicamente e que a corrupção seja aceitável. A terceira questão a ser enfrentada é a relação entre público e privado. “Temos subfinanciamento da saúde pública e sobrevalorização e sobrefinanciamento da saúde privada”, critica, emendando que estamos assistindo ao seqüestro e desvio do fundo público para financiamento dos planos de saúde privados.


A quarta medida a ser indicada pelo Congresso da Abrasco para a viabilização plena do SUS é a mudança do padrão tecnológico. Segundo a professora é um erro pensar em padrão universal de saúde quando se sabe da dependência que o país tem das indústrias para produção dos principais medicamentos, vacinas e equipamentos. “Essa dependência nos deixa cada vez mais vulneráveis a esses fornecedores”, aponta. Outro ponto decisivo para a recuperação do SUS, conforme Lígia, é o controle democrático pela população exigindo transparência no uso dos recursos destinados à saúde pública. Ela lembra que a saúde pública só entrou para a agenda política nacional depois das manifestações de rua de junho. 
 

“É preciso repensar porque as formas constituídas de participação popular, como os conselhos de saúde, não funcionam como deveriam”, finaliza. O presidente da Abrasco, professor Luis Eugenio de Souza, sugere que é preciso trabalhar pelo fortalecimento dos movimentos sociais da saúde e insistir no controle social do SUS. “Isso passa pelo compromisso das entidades em se aproximarem de suas bases levando o tema da saúde para discussão”, diz.
 

 
Gestor revela fragilidades do Sistema
 

O farmacêutico Waldemar Campos, um dos participantes do 2º Congresso, e atual  secretário de saúde de Pitangui, cidade do Oeste de Minas Gerais, sabe bem quais são os desafios do cargo tendo em vista que cerca de 90% da população depende do SUS para cuidar da saúde. São tantas as demandas que seu trabalho prossegue em casa, muito além do horário do expediente.
 

Durante o dia, sua sala na prefeitura tem porta aberta para os que procuram, aflitos, por atendimento urgente. Em boa parte das vezes, é preciso que o secretário sente com o cidadão, escute sua queixa e procure acalmá-lo, explicando que vai procurar uma solução. A relevância que um secretário de saúde ganha nesse cenário é tanta que Waldemar não tem dúvida, o titular da pasta pode eleger ou derrubar um prefeito dependendo de sua atuação com a população.
 
 
Mas nem toda habilidade, temperamento (calmo) e a formação profissional do farmacêutico, treinado em ouvir, podem dar conta de explicar o inexplicável: não é possível atender a todos, pelo menos dentro da expectativa de quem recorre ao serviço público de saúde. E não é só isso, como a cidade de 25 mil habitantes possui hospital, municípios menores, a exemplo do vizinho Onça do Pitangui, encaminha para lá seus doentes.
 
 
Lembrando que a larga maioria dos 853 municípios mineiros tem população muito abaixo de 100 mil habitantes, o secretário deduz que falta articulação entre eles. “Tendo em vista a enorme procura pelos serviços do SUS nessas cidades, não há outro caminho que não seja o de esses municípios se reunirem por regiões, discutirem suas necessidades e exigirem mudanças por parte do Governo”, diz.        
 

Um Sistema Único de Saúde eficaz, como planejam os pesquisadores é o sonho do secretário Waldemar Campos, de Pitangui: “O SUS, na teoria, é o melhor plano de saúde que existe porque ele trata os iguais como iguais e os desiguais como desiguais. Em tese, o SUS também não sujeita ninguém a horas de espera, como vemos atualmente nos planos de saúde privados, procurou assistência, a pessoa tem atendimento garantido”.

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