Mais de duas mil pessoas que representam diversos segmentos do movimento social, sindical, estudantil e de partidos de esquerda do País se reuniram neste sábado (05/09) em Belo Horizonte para lançar a Frente Brasil Popular. Um dia de intenso debate marcou a unificação da esquerda em defesa da democracia, contra a pauta conservadora e medidas de austeridade em curso no Congresso Nacional. A Conferência Nacional Popular, realizada no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou a primeira agenda de mobilização nacional para o dia 05 de outubro.
 

A Federação Nacional dos Farmacêuticos esteve presente no evento que aponta uma agenda política de luta em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. O presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, representou a Fenafar.
 

A abertura do encontro contou com a participação da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, e o presidente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. Estiveram na capital mineira dezenas de lideranças nacionais de entidades sociais, sindicais e de partidos políticos que comemoraram o lançamento da Frente. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB esteve representada por dirigentes nacionais e estaduais.
 

A escolha da capital mineira para sediar o lançamento nacional da Frente Brasil Popular também coloca na trincheira os projetos em disputa no país. O presidente da CTB- Minas, Marcelino Rocha, chama atenção para o poder simbólico de Minas Gerais, "um estado que derrotou fragorosamente o retrocesso em busca de avanços democráticos", afirmou, referindo-se à rejeição do eleitorado mineiro ao então candidato presidencial Aécio Neves, no ano passado.
 

Além da defesa clara da democracia, contra o golpe planejado por setores reacionários brasileiros, os participantes bombardearam a política econômica de ajuste fiscal, corte de direitos e elevação dos juros. Carina Vitral apontou a necessidade de se fazer um contraponto ao movimento golpista no país. “As elites do país vão para as ruas defender a volta da ditatura militar e uma série de ideias conservadoras que nós não compactuamos. Essa frente é um contraponto não só para as políticas econômica do governo mas também às ideias conservadoras que a direita está levando para as ruas”, pontuou.
 

Stédile comemorou a promessa de unificar o calendário de luta do movimento progressista no país, alertou para a crise que ocorre no mundo e os caminhos encontrados para supera-las. “É indiscutível que a sociedade brasileira vive uma grave crise de caráter econômico e político. Frente à esta crise, as classes precisam apresentar propostas. A burguesia brasileira, o poder econômico, tem a sua proposta que é voltar ao neoliberalismo. É Estado mínimo, cortar ministério, cortar gastos sociais, elevar juros, e realinhar nossa economia aos Estados Unidos. Nós, como classe trabalhadora, somos contra a este projeto porque achamos que isso não vai tirar o Brasil da crise. Estamos aqui hoje para construirmos uma proposta da classe trabalhadora.”
 

Grupos de debate
 

Após a mesa de abertura os delegados e delegadas da Conferência se organizaram em oito grupos para debater os temas abordados para o enfrentamento político. Os eixos debatidos entre os grupos foram: a defesa dos direitos dos trabalhadores e dos direitos sociais; defesa da democracia e por outra política econômica; soberania nacional e processos de integração latino-americanos; reformas estruturais e populares.
 

Entre os participantes dos grupos de trabalho, a militância e dirigentes da CTB, parlamentares do PT, PCdoB, PMDB e PSB. Para a coordenadora geral do Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), dirigente da CTB, e diretora da Fenafar, Gilda Almeida de Souza, a unidade é uma necessidade histórica para os movimentos sociais. “A CTB se integra totalmente a esta Frente, participando e sendo protagonista no processo de construção desse movimento.”
 

O jornalista e coordenador do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, Altamiro Borges, destaca a importância dos dois pontos centrais que unificam a criação da Frente, além do respeito irrestrito ao resultado das eleições de 2014.
 

“Daqui saem as principais bandeiras contra o retrocesso deste cerco midiático e judicial das organizações fascistas que poluem a sociedade brasileira. Outro ponto de unidade é de pressão por mudanças na política econômica, contra a ortodoxia neoliberal da política de juros e austeridade fiscal.”
 

Ao final do dia foi realizado um ato político com o pronunciamento dos representantes dos movimentos que integram a Frente. Novamente a defesa da democracia e a pressão por mudanças na politica econômica foram lembradas pelas lideranças. O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana esteve no palco acompanhado pelos representantes de diversos segmentos. “Para combater as maquinações golpistas e defender a democracia é o melhor caminho para avançar no atendimento das nossas reivindicações. Para construir uma política econômica que valorize o trabalho, que distribua renda e que tenha como norte uma estratégia de desenvolvimento e não de ajustes recessivos”.
 

Organizam a Frente a CTB, CUT, MST, Via campesina, MPA, MMC, MAB, MAM, MCP, FUP (Federação Única dos Petroleiros), CONEN, UNE, Levante Popular da Juventude, FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) , Consulta Popular, Marcha Mundial das Mulheres, Rede de Médicas/os Populares, Associação de Juizes pela Democracia, RENAP, SENGE-Rio, Sindicato de Professores, Metalúrgicos do RS, Pastorais Sociais, igrejas, Central de Movimentos Populares-CMP.
 

Manifesto ao Povo Brasileiro
 

Vivemos um momento de crise. Crise internacional do capitalismo, crise econômica e política em vários países vizinhos e no Brasil.
 

Correm grave perigo os direitos e as aspirações fundamentais do povo brasileiro: ao emprego, ao bem-estar social, às liberdades democráticas, à soberania nacional, à integração com os países vizinhos.
 

Para defender nossos direitos e aspirações, para defender a democracia e outra política econômica, para defender a soberania nacional e a integração regional, para defender transformações profundas em nosso país, milhares de brasileiros e brasileiras de todas as regiões do país, cidadãos e cidadãs, artistas, intelectuais, religiosos, parlamentares e governantes, assim como integrantes e representantes de movimentos populares, sindicais, partidos políticos e pastorais, indígenas e quilombolas, negros e negras, LGBT, mulheres e juventude, realizamos esta Conferência Nacional onde decidimos criar a Frente Brasil Popular.
 

Nossos objetivos são:
 

1- Defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: melhorias das condições de vida, emprego, salário, aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público!
 

Lutamos contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiram direitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas de serviços públicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. Defendemos uma política econômica voltada para o desenvolvimento com distribuição de renda.
 

Lutamos contra a especulação financeira nacional e internacional, que transfere para uma minoria, por vias legais ou ilegais, através da corrupção e de contas bancárias secretas, parte importante da riqueza produzida pelo povo brasileiro!
 

Lutamos por uma reforma tributária que – por meio de medidas como o imposto sobre grandes fortunas e a auditoria da dívida – faça os ricos pagarem a conta da crise.
 

2.Ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país.
 

Lutamos contra o golpismo – parlamentar, judiciário ou midiático – que ameaça a vontade expressa pelo povo nas urnas, as liberdades democráticas e o caráter laico do Estado!
 

Lutamos por uma reforma política soberana e popular, que fortaleça a participação direta do povo nas decisões políticas do país, garanta a devida representação dos trabalhadores, negros e mulheres, impeça o sequestro da democracia pelo dinheiro e proíba o financiamento empresarial das campanhas eleitorais!
 

Lutamos contra a criminalização dos movimentos sociais e da política, contra a corrupção e a partidarização da justiça, contra a redução da maioridade penal e o extermínio da juventude pobre e negra das periferias, contra o machismo e a homofobia, contra o racismo e a violência que mata indígenas e quilombolas!
 

3. Promover reformas estruturais para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular: reforma do Estado, reforma política, reforma do Poder Judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização do Sistema Único de Saúde, reforma educacional e reforma tributária!
 

Lutamos pela democratização dos meios de comunicação de massa e pelo fortalecimento das mídias populares, para que o povo tenha acesso a uma informação plural, tal como está exposto na Lei da Mídia Democrática.
 

4.Defender a soberania nacional: o povo é o dono das riquezas naturais, que não podem ser entregues às transnacionais e seus sócios!
 

Lutamos em defesa da soberania energética, a começar pelo Pré-Sal, a Lei da Partilha, a Petrobras, o desenvolvimento de ciência e tecnologia, engenharia e de uma política de industrialização nacional!
 

Lutamos em defesa da soberania alimentar e em defesa do meio ambiente, sem o qual não haverá futuro.
 

Lutamos contra as forças do capital internacional, que tentam impedir e reverter a integração latino-americana.
 

Convidamos a todas e a todos que se identificam com esta plataforma a somar-se na construção da Frente Brasil Popular.
 

O povo brasileiro sabe que é fácil sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Mas sabe, também, que sonho que se sonha junto pode se tornar realidade.
 

Vamos lutar juntos por nossos sonhos!
 

Viva a Frente Brasil Popular!
 

Viva o povo brasieiro!
 

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, Setembro de 2015

A participação dos farmacêuticos na 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais foi marcante. Essa foi a impressão do farmacêutico Denyr Jeferson Dutra, primeira vez numa conferência de saúde – segundo ele, haviam tanto recém-formados como ele quanto farmacêuticos com longa trajetória profissional. Uma das lideranças do movimento estudantil da UFMG nos últimos anos, Denyr ficou impressionado com o peso das propostas privatizantes que chegaram dos municípios para serem apreciadas na etapa estadual. “Apesar disso, acho que as pessoas que estão aqui para debater as propostas estão qualificadas, disse.

 

A farmacêutica Bárbara Furtado, de Betim, mostrou-se preocupada com a atuação dos profissionais nas farmácias privadas que trabalham com o Programa Farmácia Popular.  Para ela, que trabalha em uma unidade de saúde pública municipal, o programa amplia o acesso aos medicamentos na rede privada gerando impactos no financiamento do SUS: “Ficamos sem receber medicamentos na unidade de saúde durante cinco meses e o pior é que a população que vai lá e não encontra o medicamento não sabe o que está acontecendo”.                                                 

  
Farmacêuticos confraternizam durante a 8ª CESMG

          

 Bárbara conclama os colegas de profissão a se manifestarem: “os farmacêuticos precisam acordar. Esse esquema acaba com a nossa profissão e com o SUS”, criticou. Ela foi eleita delegada para representar o município de Betim na etapa nacional em dezembro.      

 

Já a farmacêutica Kelli Engler, da cidade de Muriaé, defendeu que o funcionário do SUS use o Sistema Único de Saúde como forma de se comprometer com o trabalho. “Se você sente que trabalha para você também, seu trabalho fica mais qualificado”, afirma, contando que ela não tem plano de saúde. 

Farmacêuticos Kelli Engler e Nivaldo Júnior 

 

Kelli gostou da diversidade de representações na Conferência, mas acha que é preciso ampliar as discussões para que haja mais entendimento sobre a saúde pública. “É preciso que seja entendido como o sistema funciona no todo e não ficarmos restritos à saúde. Precisa haver mais preparação nas etapas municipais para que as pessoas cheguem mais capacitadas para a etapa estadual”, disse. A farmacêutica disse que estava satisfeita com a participação, inclusive por ter oportunidade de identificar os pontos positivos e negativos do evento.

 

Representante dos gestores, o diretor de Medicamentos Básicos do Governo do Estado, Nivaldo de Souza Júnior, gostou de ver a expansão de novos segmentos representados na Conferência. “Vemos idosos, pessoas com doenças específicas e participantes de movimentos sociais. É interessante ver que quando se está debatendo, podemos identificar o participante pela proposta que ele defende”, observou. Ele destacou que o debate fica mais legítimo por agregar representantes das diversas regiões do Estado.

 

Celso Carmo, farmacêutico da saúde pública de Bonfim, acompanha as conferências de saúde há 12 anos, num total de três edições. Ele diz ter gostado de ver a renovação nos debates: “Achei que quem está entrando agora está enxugando o texto das propostas, aquilo que já vem repetido de outras conferências”.  Segundo o farmacêutico, na 8ª Conferência ele optaria por ter um papel de observador. “Quero aprender com eles e assistir de fora a esse novo processo”, disse. Ele acrescentou que essa revitalização é benéfica para a atualização das questões da saúde que costumam se repetir de uma conferência para a outra sem que haja de fato, mudanças.   

 

 Farmacêutico Celso Carmo

 

O farmacêutico Albano Verona, diretor do Sinfarmig para a regional de Divinópolis, avaliou a experiência de mais uma participação. “Como trabalhador da saúde, a conferência é um momento de discutir a problemática do SUS, do trabalho que a gente faz e do trabalho que o usuário quer que a gente faça. A gente vai discutindo e melhorando cada vez mais essa dinâmica”, avaliou.

 

Estado deve acolher diretrizes nas políticas de saúde   

 

Presente na abertura, durante a Conferência e no encerramento, quando apresentou a prestação de contas do evento, o Secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos, defendeu a efetividade das propostas aprovadas. “Elas vão orientar as políticas. São quase 500 propostas que devem dar diretrizes para os planos estaduais de saúde nos próximos três anos”, disse.

 

O Secretário de Estado de Saúde Fausto Pereira e a diretora do Sinfarmig, Júnia Lelis

 

A diretora do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) Júnia Lelis, delegada representante dos trabalhadores é uma das que cobram que as propostas debatidas na 8ª Conferência sejam colocadas em prática.  “O Sinfarmig espera que elas não fiquem só no papel uma vez que muitas nem são novidade, já que foram discutidas em outras conferências de saúde. Neste ano, especialmente, as propostas se revestem ainda de maior representatividade da população porque a Conferência incluiu segmentos excluídos da sociedade e suas reivindicações”.

 

Júnia observou que duas propostas aprovadas em Minas Gerais que serão encaminhadas à 15ª Conferência Nacional colocam a Assistência Farmacêutica em destaque. Uma exige cumprimento rigoroso da Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) e a atualização da lista de medicamentos especializados. Outra propõe o fortalecimento da AF plena e pública com a responsabilidade e estruturação pelas três esferas de Governo. “Podemos citar proposta aprovada que insiste na estruturação dos laboratórios oficiais para facilitar a produção de medicamentos”, contou a diretora lembrando que outras boas propostas estão sendo encaminhadas pelas conferências de saúde de outros estados.

 

“Ainda que algumas propostas não tenham sido aprovadas para a etapa nacional, elas poderão contribuir para as políticas de saúde do Estado”, analisou a diretora.   
Júnia diz ter notado que os participantes foram para os debates bem preparados e informados e falavam, com propriedade, sobre os oito eixos propostos pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) para a Conferência.

 

O diretor do Sinfarmig e atual Superintendente de Vigilância Sanitária do Estado, Rilke Novato Públio, destacou a participação de setores da sociedade com dificuldade de participação em eventos de discussão da saúde pública. “Houve plenárias de incentivo à participação e plenárias alternativas que contemplaram também os movimentos sociais”, apontou.  Ele disse que a participação dos movimentos foi acontecendo numa crescente durante a Conferência durante as plenárias concorridas, nas reivindicações e manifestações apresentadas fossem como moções ou propostas. “Por tudo isso podemos dizer que a 8ª Conferência Estadual de Saúde cumpriu o objetivo de inclusão e de aprovação de diretrizes para dar norte às ações de saúde do Estado”, observou o diretor. Os diretores Júnia e Rilke ainda celebraram a participação da categoria na Conferência. “Esses colegas compareceram representando segmentos diversos, como gestores, trabalhadores e usuários”, conclui Rilke.  


Leia mais notícias sobre a 8ª Conferência Estadual de Saúde clicando nos links abaixo          

http://www.sinfarmig.org.br/?op=conteudo&id=2929

http://www.sinfarmig.org.br/index.php?op=conteudo&id=2928

http://www.sinfarmig.org.br/index.php?op=conteudo&id=2927

 

 

 

           

Farmacêutico Francisco Júnior foi um dos palestrantes do evento

 

Farmacêutica Christiane Lima de Juiz de Fora

Seminário da Confederação Nacional dos Trabalhadores Universitários Regulamentados (CNTU), realizado nos dias 27 e 28 de agosto em São Paulo, abordou temas fundamentais para o desenvolvimento da América Latina, as oportunidades existentes no Bric's, as megaobras em estudo para a região e o papel dos trabalhadores universitários neste debate. A atividade apontou os desafios da organização sindical.

 
 

Da esq. para direita: Júnia Lélis, diretora da Regional Sudeste da Fenafar e do Sinfarmig, Murilo Pinheiro, presidente da CNTU, Maria Marusa Carlesso, diretora da Fenafar, Stanley Gacek, diretor adjunto do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil e Lavínia Magalhães


Com o objetivo de traçar um panorama sobre o trabalho e organização sindical na América Latina e no Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), profissionais de formação universitária do Uruguai, Argentina, Nicarágua e Peru, além do Brasil, participaram do II Seminário Internacional de Integração dos Trabalhadores Universitários. Realizado em 27 e 28 de agosto, em São Paulo, o evento foi promovido pela CNTU, por intermédio de seu Departamento de Relações Internacionais. Na ocasião também foi lançada mais uma edição da revista Brasil Inteligente.

 

A Federação Nacional dos Farmacêuticos, filiada à CNTU, participou do evento com a presença de vários diretores, que ressaltaram a importância da iniciativa para pensar alternativas para o desenvolvimento do Brasil e da região num cenário de crise econômica internacional.

 

Representaram a Fenafar no seminário Gilda Almeida, diretora de relações internacionais da federação, Cecília Motta, diretora regional Norte, Lavínia Magalhães, diretora regional Nordeste, Júnia Dark, diretora regional Sudeste, Larissa Utsch, diretora regional Centro-Oeste e Lia Almeida, diretora regional Sul. Também estiveram na atividade os diretores Maria Maruza Carlesso, Maria Soraya Pinheiro, Isabela Sobrinho, Jorge Luiz Pereira, Maria Fani Dolabela.

 

Gilda Almeida destacou a presença da Federação no Seminário. “Foi muito representativa a nossa presença e reforça a necessidade de se aprofundar no âmbito da categoria farmacêutica estes temas de integração, além de aproveitar estes momentos para ampliar a nossa compreensão da realidade internacional que tem implicações importantes no contexto nacional”.

 

O pioneirismo da CNTU ao realizar esta iniciativa, que já está na sua segunda edição, também foi ressaltado por Gilda Almeida. “O seminário foi muito bom, estamos nos aprimorando na realização de debates que dizem respeito aos trabalhadores, mas que ainda são poucos discutidos no movimento sindical. Somos uma das poucas entidades, senão a única, que abordamos o tema da integração internacional do movimento sindical. Discutir, por exemplo, a importância do canal interocêanico da Nicarágua, que pode representar uma transformação para a geopolítica e economia da América Latina – em particular para a América Central – não só pela integração entre os países, mas também para os trabalhadores. Além disso, ele é um contraponto ao canal do Panamá. Que aparentemente é do Panamá, mas que sabemos que é controlado pelos Estados Unidos. Então, os profissionais universitários debatendo sobre estes temas é muito importante, porque são assuntos que os trabalhadores universitários deveriam se envolver mais, pela contribuição que estes podem dar, especialmente as categorias que estão relacionadas diretamente com a infraestrutura”, avalia a diretora de relações internacionais da Fenafar.

 

Lia Almeida, diretora regional Sul da Fenafar, disse que participar do evento foi “extremamente proveitoso e importante porque ele aconteceu num momento delicado da conjuntura mundial. O seminário trouxe a reflexão sobre o trabalho, o movimento sindical, e o desenvolvimento sustentável no mundo através dos vários temas abordados pelos palestrantes. A CNTU e suas entidades filiadas mostram a relevância das ações em torno desta integração das categorias profissionais e da união dos povos como um desafio que ainda temos que conquistar. A nossa parte já estamos fazendo”, avaliou.

 

Larissa Utsch, diretora regional Centro-Oeste, disse que “o evento foi de suma importância para estreitar as relações internacionais e sindicais e também para fortalecer o movimento sindical e nos interar dos assuntos com relação ao Mercosul, Brics, o canal interoceânico da Nicarágua, a questão da valorização do trabalho que nos ajuda no debate sobre o crescimento global. É importante os trabalhadores se empoderamento destes assuntos”.

 

Fortalecer as organizações

 

Inaugurando as palestras do seminário, Gacek destacou: “O fortalecimento das organizações sindicais e a reivindicação de seus direitos no mundo são absolutamente imprescindíveis para a consolidação e o aprofundamento do diálogo social.”. O diretor da OIT salientou ainda que o movimento sindical, sobretudo diante da crise econômica global, tem o desafio de interferir nas políticas públicas em cada país – uma das vertentes de atuação da confederação, em especial através de proposições relacionadas na campanha “Brasil Inteligente”.

 

Boa parte da palestra foi dedicada à análise sobre o direito de liberdade sindical, previsto na Convenção 87 – a qual ainda não foi ratificada pelo Brasil, o que, segundo Gacek, não o isenta de respeitar seus princípios, enquanto estado-membro da OIT. O expositor salientou a bandeira da OIT de promoção do trabalho decente como “ponto de convergência de quatro de seus objetivos estratégicos: a promoção dos direitos fundamentais no trabalho, que inclui a liberdade sindical e o direito à organização, a geração de emprego, a extensão da proteção social e o fortalecimento do diálogo social.”

 

Este foi, na opinião da diretora regional Nordeste, Lavínia Magalhães, o painel mais importante de todo o seminário. “É fantástico conhecer a realidade dos trabalhadores universitários no Mercosul, é uma visão ampla que nos nossos sindicatos dificilmente temos. Mas o ponto forte foi a palestra de abertura sobre a importância dos trabalhadores universitários no sindicalismo internacional. É muito importante estarmos sempre nos atualizando, conhecendo as convenções do OIT que tratam sobre o tema, debatendo a questão da contribuição assistêncial”, destacou. Lavínia disse que estes eventos também são espaços de troca de informações privilegiadas. “Ficamos sabendo aqui de uma reunião que vai acontecer em Brasília entre entidades – inclusive com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego e a OIT – para discutir estabilidade, contribuição assistencial, só ficamos sabendo porque estivemos aqui. Então, nós não teríamos essa riqueza de informações que o Stanley [Gacek] trouxe para a gente e é importante levar isso para os nossos estados. Todo dirigente sindical tem que ter isso na ponta da língua”, alertou.

 

Mercosul e Brics

 

Abordando a importância dos profissionais no Mercosul, Leonardo Batalha Pereira, do Departamento de Relações Internacionais da Central Sindical Uruguaia PIT-CNT, defendeu uma nova formação dos trabalhadores universitários, sobretudo dos jovens e mulheres, visando a solidariedade entre os povos. Propugnou ainda pelo estreitamento do vínculo entre universidade e movimentos sociais.

 

Também apontando a premência de se discutir os programas de formação superior, Julio Gambina, professor do Instituto de Estudos e Formação da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), afirmou ser papel das categorias de nível universitário unir conhecimento profissional ao saber popular na busca de alternativas a um sistema que tem resultado em precarização das condições de vida em todo o mundo.

 

O protagonismo desses trabalhadores no âmbito do Brics foi outro tema em pauta. Participaram desse painel Otávio Cançado Trindade, primeiro secretário da Divisão Ibas (Índia, Brasil, África do Sul) do Brics do Ministério das Relações Exteriores; André Roberto Martin, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP); e Divanilton Silva, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que concluiu: “O sindicalismo tem que disputar um espaço nessa construção.”

 

Junia Dark, que participou do primeiro seminário internacional, destacou que o segundo evento foi tão bom quanto o primeiro. “Esse seminário nos dá oportunidades para sabermos mais sobre a importância do Mercosul”. Ela lembra que “durante muitos anos nós demos as costas para os países da América Latina, principalmente no período do governo neoliberal, depois retomamos esta aproximação nos governos Lula e Dilma. Mas a grande questão feita aqui é se o ingresso do Brasil dos Brics não está tirando a importância e atenção do país com relação ao Mercosul?”, questiona a partir de uma provocação feita na palestra de um professor da USP que trouxe um olhar um pouco mais crítico sobre o bloco. Júnia ainda registrou que a “integração é um sonho antigo, que vem desde Bolívar até agora, mas ela não pode ser apenas econômica tem que ser também política econômica e cultural. No seminário foi reiterado que só vamos alcançar isso com a solidariedade entre os povos”.

 

A diretora Júnia Lelis fala durante o evento  

 

 

Megaobras

 

No âmbito do desenvolvimento latino-americano, tiveram destaque na programação a ferrovia bioceânica – que ligará o Centro-Oeste e Norte do País ao Peru – e o canal interoceânico da Nicarágua. Previsto no Programa de Investimentos em Logística (PIL 2), o primeiro projeto foi abordado por Gustavo Saavedra Garcia, presidente da Sociedade de Engenheiros do Peru. Na sua concepção, ao impulsionar a logística da América Latina, a bioceânica contribuirá “tanto ao desenvolvimento regional quanto mundial”. Mas ponderou que especialistas têm advertido para o risco de atrasos na entrega da obra – o projeto seria concluído em 2016 e, posteriormente, executado em cinco anos. Enfatizou ainda que o projeto de engenharia precisa vir acompanhado de plano de “educação”, para que a bioceânica não seja lugar de exploração informal de minérios. E alertou para os riscos de que a China, país de origem dos recursos que serão investidos na obra, beneficie-se social e economicamente em detrimento do Brasil e Peru

 

O gigante asiático também está envolvido na construção do canal da Nicarágua, que conectará o Caribe ao Pacífico. O projeto foi defendido por Fredy Franco, dirigente da Frente Nacional dos Trabalhadores daquele país, como “estratégico não só à América Latina e Caribe, mas ao mundo”. O empreendimento foi apresentado por Telémaco Talavera, porta-voz da Comissão Grande Canal Interoceânico da Nicarágua.

 

Cecília Mota, diretora regional Norte, ficou impressionada com o número de projetos para a região amazônica. “Este seminário nos trouxe grandes ideias internacionais e grandes projetos. Mas um em especial me preocupou, que é um projeto que vai rasgar a Amazônia saindo do Peru e passando pela nossa região. Isso trará um grande impacto na flora e fauna e pode causar uma grande invasão e ocupação de terras, podemos ter muitos problemas de impacto ambiental. Como ainda é um estudo, e não está aprovado é o caso de repensarmos. O debate sobre o canal da Nicarágua foi ótimo”, salientou.

 

Fonte: Redação da Fenafar com informações da CNTU

 

Publicado em 31/08/2015

O trabalhador brasileiro também sofre com a expansão privatista da saúde. “Nos últimos anos, sindicatos e centrais de trabalhadores passaram a defender a concessão dos convênios médicos como se eles fossem suficientes para garantir a saúde dos trabalhares, mas isso não é verdade”. A afirmação é da diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) e representante dos trabalhadores no Conselho Municipal de Saúde de Vespasiano, Lionete dos Santos Pires, presente na 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais, que termina hoje (04/09) em Belo Horizonte. 
 
 
 
Lionete diz que a postura das entidades sindicais reflete a pressão da propaganda dos convênios sobre os trabalhadores que acreditam fazer a melhor escolha com os planos de saúde e acabam prejudicados. “A saúde do trabalhador envolve muito mais do que atendimento em caso de doença, caso que o plano de saúde pode atender, mas diz respeito ao ambiente de trabalho e até ao maquinário obsoleto que os empresários costumam importar da Europa, situação que podemos ver nas atividades de metalurgia”, exemplifica. Ela explica que o desamparo em Minas Gerais vem alimentando situações onde os acidentes e o adoecimento dos trabalhadores registram piora ao longo dos anos.
 
 
 
 Lionete: convênios não garantem saúde do trabalhador  
 
Os acidentes e mortes nas indústrias de fogos, concentradas na região de Santo Antônio do Monte, região Oeste, acontecem toda semana conforme a sindicalista, assim como as ameaças de  depressão, uso de drogas lícitas e ilícitas e o autoextermínio constituem um drama diário para os trabalhadores em saúde. O setor da saúde é um dos que mais empregam no estado sendo que só na rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) são 15 mil trabalhadores.
 
 
 
Para a diretora de saúde do trabalhador do governo estadual, Marta de Freitas – representante dos gestores na Conferência, a situação para os trabalhadores mineiros é difícil, mas ela diz ver avanços. “Neste ano, em todos os fóruns promovidos pelo governo para definir ações prioritárias para as regiões do estado, foi pedida a inclusão da pauta da saúde do trabalhador e para o problema dos agrotóxicos”. Sobre as queixas de que as propostas votadas em Conferências de Saúde de outros anos não resultam em ações dos governos para implementá-las, a gestora sugere que é preciso haver monitoramento e fiscalização das propostas aprovadas. Marta considera que a tradição de luta dos movimentos sociais convidados a integrar a Conferência Estadual de Saúde neste ano pode fazer a diferença desta vez.
 
 
 
A lição que vem dos trabalhadores do campo
 
 
 
Quem luta pelo direito à terra traz consigo uma inabalável convicção nos seus direitos, especialmente se eles estão assegurados na Constituição Federal que garante a função social da propriedade rural.  A força para essa convicção persistir frente a desafios gigantescos – como o de ocupar um terreno com a família exposto a riscos de vida constantes -  está na ação coletiva e solidária. É a certeza de falar em nome de um objetivo e uma causa comum que deixa o líder geral do acampamento da Fazenda Carinhosa, de Uberlândia, José Rubens Laureano da Conceição, livre para entabular uma conversa direta e franca, encarando o interlocutor com sorriso aberto. 
 
 
 
“Fiquei encantado quando fomos convidados a participar desta Conferência (o contato foi feito pela secretaria municipal de saúde de Uberlândia). Durante a plenária que antecedeu a Conferência também fiquei encantado com a diversidade de pessoas: sem terra, pessoas da agricultura familiar, representantes dos negros, moradores de rua e de  todos os níveis culturais”, diz o trabalhador.
 
 
 
Para José Rubens, tratar da saúde pública é ver que é a vida que está em jogo 
 
 
 
A observação vem qualificada por uma sólida formação comunitária que preza o respeito pela opinião do outro o tempo todo. E também da necessidade de união da coletividade diante das ameaças de todo tipo que rondam o grupo.
 
 
 
Desde o primeiro dia de ocupação de uma área no campo, cada ação de interesse coletivo é submetida à assembleia e registrada em ata. A destinação de cada lote da terra é feita por merecimento, por pontos. Assim , quem ajuda o companheiro do outro lote em alguma dificuldade ganha ponto e os pontos vão sendo somados. As regras são rigorosas para as 56 famílias que vivem na Carinhosa, divididas em oito grupos de sete famílias, cada grupo com um líder.
 
 
 
O líder geral não tem poderes exclusivos, mas funciona como um mobilizador e integra a liderança colegiada composta por todos os líderes. E se a avaliação da coletividade é da impossibilidade de algum membro seguir no projeto, depois da ampla defesa concedida ao dissidente, ele é expulso. “Tem gente que não aceita os limites exigidos pela vida em sociedade e acha que o movimento dos sem terra ele vai poder viver sem regras”, resume José Rubens. 
 
 
 
Sobre a participação na Conferência mineira que defende a saúde pública nesses dias em Belo Horizonte , o líder dos Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra (MLST) tem ideia clara: - é nossa vida que está em jogo. 
 
 
 
Trabalhadores sem terra conquistaram primeiro PSF do campo e da floresta de Minas Gerais  
 
 
 
Para os sem terra que lidam com a exclusão da sociedade o jogo de defender a vida é duro. Mas a marginalização intensifica o senso de sobrevivência e se uma lei ou política pública é identificada pelo grupo, é buscada sem perda de tempo e com muita garra. A representante dos trabalhadores do campo no Conselho Municipal de Saúde de Uberlândia, Cleiciane Wellingta Ferreira, também integrante do movimento dos sem terra de Uberlândia, só soube da existência do Conselho Municipal de Saúde há cerca de quatro anos, quando participava de um fórum de segurança alimentar. 
 
 
 
Cleiciane: determinação resultou em conquistas para saúde dos trabalhadores do campo de Uberlândia  
 
 
No fórum, os trabalhadores sem terra fizeram demandas relacionadas à saúde e foram informados que deviam ser buscadas no conselho de saúde. O desafio a seguir seria o assento no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uberlândia para conseguir representação no Conselho. A candidatura foi registrada e a eleição de Cleiciane confirmada, mas impugnada pela gestão. Nova eleição realizada e a confirmação da camponesa não pode ser mais contestada.
 
 
 
“Quando a coordenação do Programa de Saúde da Família de Uberlândia anunciou, há mais de três anos, no Conselho Municipal de Saúde que todos os PSF´s seriam para a zona urbana e disse que não havia chance de instalar algum no campo, eu respondi que não aceitava e que minha exigência era de cinco, pelo menos. Que iria ver quantos eles iam implantar a partir dessa minha proposta”, conta Cleiciane. 
 
 
 
Referendada pelas comunidades de 17 assentamentos do município de Uberlândia, a trabalhadora venceu a batalha e dois PSFs atualmente estão em funcionamento na área rural da cidade, o terceiro está sendo instalado. Há pouco tempo conseguiram estabelecer um dia na semana para a coleta de material para exames, para que não seja preciso o paciente se deslocar do campo.
 
 
 
Esse exemplo de luta Cleiciane deixa para os participantes da 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais, que insistem na defesa da saúde pública: “Se as massas não forem para a rua, para a frente dos ministérios e do Congresso defender o Sistema Único de Saúde, o câncer da privatização só vai evoluir”, alerta. Do lado e ouvindo a conversa da companheira trabalhadora, José Rubens, da Fazenda Carinhosa, concorda: “ela me representa”.
 
 
 
Elionice Silva – Imprensa Sinfarmig

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