A participação dos farmacêuticos na 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais foi marcante. Essa foi a impressão do farmacêutico Denyr Jeferson Dutra, primeira vez numa conferência de saúde – segundo ele, haviam tanto recém-formados como ele quanto farmacêuticos com longa trajetória profissional. Uma das lideranças do movimento estudantil da UFMG nos últimos anos, Denyr ficou impressionado com o peso das propostas privatizantes que chegaram dos municípios para serem apreciadas na etapa estadual. “Apesar disso, acho que as pessoas que estão aqui para debater as propostas estão qualificadas, disse.
A farmacêutica Bárbara Furtado, de Betim, mostrou-se preocupada com a atuação dos profissionais nas farmácias privadas que trabalham com o Programa Farmácia Popular. Para ela, que trabalha em uma unidade de saúde pública municipal, o programa amplia o acesso aos medicamentos na rede privada gerando impactos no financiamento do SUS: “Ficamos sem receber medicamentos na unidade de saúde durante cinco meses e o pior é que a população que vai lá e não encontra o medicamento não sabe o que está acontecendo”.

Farmacêuticos confraternizam durante a 8ª CESMG
Bárbara conclama os colegas de profissão a se manifestarem: “os farmacêuticos precisam acordar. Esse esquema acaba com a nossa profissão e com o SUS”, criticou. Ela foi eleita delegada para representar o município de Betim na etapa nacional em dezembro.
Já a farmacêutica Kelli Engler, da cidade de Muriaé, defendeu que o funcionário do SUS use o Sistema Único de Saúde como forma de se comprometer com o trabalho. “Se você sente que trabalha para você também, seu trabalho fica mais qualificado”, afirma, contando que ela não tem plano de saúde.

Farmacêuticos Kelli Engler e Nivaldo Júnior
Kelli gostou da diversidade de representações na Conferência, mas acha que é preciso ampliar as discussões para que haja mais entendimento sobre a saúde pública. “É preciso que seja entendido como o sistema funciona no todo e não ficarmos restritos à saúde. Precisa haver mais preparação nas etapas municipais para que as pessoas cheguem mais capacitadas para a etapa estadual”, disse. A farmacêutica disse que estava satisfeita com a participação, inclusive por ter oportunidade de identificar os pontos positivos e negativos do evento.
Representante dos gestores, o diretor de Medicamentos Básicos do Governo do Estado, Nivaldo de Souza Júnior, gostou de ver a expansão de novos segmentos representados na Conferência. “Vemos idosos, pessoas com doenças específicas e participantes de movimentos sociais. É interessante ver que quando se está debatendo, podemos identificar o participante pela proposta que ele defende”, observou. Ele destacou que o debate fica mais legítimo por agregar representantes das diversas regiões do Estado.
Celso Carmo, farmacêutico da saúde pública de Bonfim, acompanha as conferências de saúde há 12 anos, num total de três edições. Ele diz ter gostado de ver a renovação nos debates: “Achei que quem está entrando agora está enxugando o texto das propostas, aquilo que já vem repetido de outras conferências”. Segundo o farmacêutico, na 8ª Conferência ele optaria por ter um papel de observador. “Quero aprender com eles e assistir de fora a esse novo processo”, disse. Ele acrescentou que essa revitalização é benéfica para a atualização das questões da saúde que costumam se repetir de uma conferência para a outra sem que haja de fato, mudanças.
Farmacêutico Celso Carmo
O farmacêutico Albano Verona, diretor do Sinfarmig para a regional de Divinópolis, avaliou a experiência de mais uma participação. “Como trabalhador da saúde, a conferência é um momento de discutir a problemática do SUS, do trabalho que a gente faz e do trabalho que o usuário quer que a gente faça. A gente vai discutindo e melhorando cada vez mais essa dinâmica”, avaliou.
Estado deve acolher diretrizes nas políticas de saúde
Presente na abertura, durante a Conferência e no encerramento, quando apresentou a prestação de contas do evento, o Secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos, defendeu a efetividade das propostas aprovadas. “Elas vão orientar as políticas. São quase 500 propostas que devem dar diretrizes para os planos estaduais de saúde nos próximos três anos”, disse.

O Secretário de Estado de Saúde Fausto Pereira e a diretora do Sinfarmig, Júnia Lelis
A diretora do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) Júnia Lelis, delegada representante dos trabalhadores é uma das que cobram que as propostas debatidas na 8ª Conferência sejam colocadas em prática. “O Sinfarmig espera que elas não fiquem só no papel uma vez que muitas nem são novidade, já que foram discutidas em outras conferências de saúde. Neste ano, especialmente, as propostas se revestem ainda de maior representatividade da população porque a Conferência incluiu segmentos excluídos da sociedade e suas reivindicações”.
Júnia observou que duas propostas aprovadas em Minas Gerais que serão encaminhadas à 15ª Conferência Nacional colocam a Assistência Farmacêutica em destaque. Uma exige cumprimento rigoroso da Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) e a atualização da lista de medicamentos especializados. Outra propõe o fortalecimento da AF plena e pública com a responsabilidade e estruturação pelas três esferas de Governo. “Podemos citar proposta aprovada que insiste na estruturação dos laboratórios oficiais para facilitar a produção de medicamentos”, contou a diretora lembrando que outras boas propostas estão sendo encaminhadas pelas conferências de saúde de outros estados.
“Ainda que algumas propostas não tenham sido aprovadas para a etapa nacional, elas poderão contribuir para as políticas de saúde do Estado”, analisou a diretora.
Júnia diz ter notado que os participantes foram para os debates bem preparados e informados e falavam, com propriedade, sobre os oito eixos propostos pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) para a Conferência.
O diretor do Sinfarmig e atual Superintendente de Vigilância Sanitária do Estado, Rilke Novato Públio, destacou a participação de setores da sociedade com dificuldade de participação em eventos de discussão da saúde pública. “Houve plenárias de incentivo à participação e plenárias alternativas que contemplaram também os movimentos sociais”, apontou. Ele disse que a participação dos movimentos foi acontecendo numa crescente durante a Conferência durante as plenárias concorridas, nas reivindicações e manifestações apresentadas fossem como moções ou propostas. “Por tudo isso podemos dizer que a 8ª Conferência Estadual de Saúde cumpriu o objetivo de inclusão e de aprovação de diretrizes para dar norte às ações de saúde do Estado”, observou o diretor. Os diretores Júnia e Rilke ainda celebraram a participação da categoria na Conferência. “Esses colegas compareceram representando segmentos diversos, como gestores, trabalhadores e usuários”, conclui Rilke.
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http://www.sinfarmig.org.br/?op=conteudo&id=2929
http://www.sinfarmig.org.br/index.php?op=conteudo&id=2928
http://www.sinfarmig.org.br/index.php?op=conteudo&id=2927

Farmacêutico Francisco Júnior foi um dos palestrantes do evento

Farmacêutica Christiane Lima de Juiz de Fora