A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (29), uma série de propostas para impulsionar o mercado brasileiro de medicamentos e produtos de saúde, diminuindo a dependência externa. As propostas estão contidas no relatório final da subcomissão especial de desenvolvimento do complexo industrial em saúde, produção de fármacos, equipamentos e outros insumos, que funcionou desde março de 2013.


Uma das preocupações da subcomissão é promover o acesso a medicamentos a preços acessíveis para o sistema de saúde brasileiro. Segundo a relatora da subcomissão, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o alto preço dos medicamentos de nova geração – por exemplo, para tratamento das hepatites virais e dos variados tipos de câncer – tem impacto significativo no orçamento do sistema de saúde.


De acordo com o relatório, o governo federal gasta entre R$ 7 e R$ 8 bilhões por ano em compras de produtos relacionados ao complexo industrial de saúde, incluindo vacinas, medicamentos, equipamentos e kits de diagnóstico, para o Sistema Único de Saúde (SUS). Jandira salienta que hoje a priorização da produção nacional faz parte da política estratégica de compra do governo para essa área. “No entanto, deve-se avançar cada vez mais para orientar essa imensa capacidade de compra no sentido de fomentar a pesquisa, a inovação tecnológica e o empreendedorismo, especialmente em áreas e produtos estratégicos para o SUS”, disse Jandira.


Conforme o relatório, o deficit comercial associado à indústria farmacêutica atingiu, em 2010, o montante de mais de R$ 10 bilhões, grande parte correspondente à importação de insumos fármacos. De acordo com o texto, 80% dos medicamentos consumidos no Brasil são produzidos aqui. No entanto, menos de 20% deles são fabricados com insumos farmacêuticos ativos produzidos no Brasil.

 

Fonte: Agência Brasil

Na tentativa de diminuir a obesidade e o avanço das doenças crônicas no país, o Ministério da Saúde lançou hoje (5) o Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação prioriza uma alimentação caseira, com consumo de alimentos frescos, como frutas, carnes e legumes, e minimamente processados, como arroz, feijão e frutas secas.


Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico de 2013 indicam que 50,8% dos brasileiros estão acima do peso e 17,5% são obesos. Os percentuais são 19% e 48% superiores aos registrados em 2006, quando a proporção era 42,6% e 11,8%, respectivamente. A obesidade é considerada fator de risco para doenças crônicas como diabetes e hipertensão e para alguns cânceres.


O guia é uma atualização da publicação lançada em 2006 e acentua a importância da alimentação caseira, com regularidade de horários, ambientes apropriados, sem televisão, celular ou discussões de trabalho. A pasta aconselha ainda que alimentos ultraprocessados, como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes, assim como produtos prontos, como sopas de pacote, pratos congelados e molhos industrializados sejam evitados.

 

Outras recomendações incluem o uso moderado de óleos, gorduras, sal e açúcar ao temperar e cozinhar alimentos e o consumo limitado de alimentos processados, como queijos, embutidos e conservas.

 

"O guia passa a ser um manual que prioriza a qualidade dos alimentos ingeridos. Não há mais, por exemplo, uma predefinição de porções", disse o ministro. "Há também a valorização dos hábitos culturais", completou.

 

Dirigido às famílias brasileiras e também a profissionais de saúde, educadores, agentes comunitários e outros trabalhadores cujo ofício envolve a promoção da saúde, o guia terá uma versão impressa distribuída nas unidades de saúde de todo o país. A versão digital do documento estará disponível no portal do ministério.

 

"Trata-se de um guia bastante completo em um momento em que a obesidade se transforma, não só no Brasil mas em todo o mundo, em um problema de saúde pública", concluiu Chioro.

 

Confira os dez passos citados pela publicação para uma alimentação adequada e saudável:

 

Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.
Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.
Limitar o consumo de alimentos processados.
Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.
Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia.
Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.
Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.
Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece.
Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora.
Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

 

 Clique aqui para acessar o Guia

 

Agência Brasil - Aline Leal e Paula Laboissière

Um estudo elaborado pelo aluno de doutorado em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Cleber Cremonese, observou que grande parte dos agrotóxicos apresenta capacidade de desregulação do sistema endócrino humano, o que altera os níveis de hormônios sexuais e causa efeitos adversos, principalmente sobre o sistema reprodutor. Câncer de mama e ovário, desregulação de ciclo menstrual, câncer de testículo e próstata, infertilidade, declínio da qualidade seminal e malformação de órgãos reprodutivos são alguns dos exemplos dessas complicações. Segundo Cleber, com o aumento do consumo nacional de agrotóxicos, tanto no agronegócio como na agricultura familiar, crescem as evidências de que a utilização destas substâncias não está apenas relacionada especificamente à produção agrícola, mas se transforma em um problema de saúde pública.


Para avaliar a exposição aos agrotóxicos e os possíveis impactos desta exposição nos níveis de hormônios sexuais de homens e mulheres, além da qualidade do sêmen de adultos e jovens, o doutorando pautou sua pesquisa na observação de moradores da área rural do município de Farroupilha-RS. Foram feitos dois estudos transversais, com objetivos específicos, populações e metodologias de coleta particulares. A tese investigou, no primeiro estudo, adultos de ambos os sexos, trabalhadores rurais e seus familiares, com idades compreendidas entre 18 e 69 anos. No segundo estudo, participaram da investigação jovens moradores rurais e urbanos, com idade entre 18 e 23 anos.


Na pesquisa, conforme explicou o aluno, foram coletadas amostras de sangue e sêmen para mensurar níveis de atividade de colinesterases, níveis hormonais sexuais e outros parâmetros bioquímicos, além de parâmetros espermáticos. Também foram aplicados questionários para identificar possíveis fatores associados aos desfechos reprodutivos, além de análises descritivas e bivariadas e regressões multivariadas, realizadas para identificar possíveis associações.


No primeiro estudo, os homens que tinham maiores contatos com agrotóxicos apresentaram aumento de 14% na concentração de testosterona e redução de hormônio luteinizante (LH) de 20%; a globulina transportadora de hormônio sexual (SHBG) apresentou associação positiva e significativa com os níveis de butirilcolinesterase (BChE). Em relação aos que trabalhavam há mais de 25 anos na agricultura, observou-se uma redução de 20% nos níveis desse hormônio. Nas mulheres que trabalharam nos últimos três meses foi constatado menores níveis de prolactina. Na regressão logística, homens usando inseticidas e pesticidas organofosforados, respectivamente, tiveram menor chance de ter a prolactina reduzida. Da mesma forma, foi observada nas mulheres associação inversa entre contato com agrotóxicos autorreferido alto e a chance de apresentar a prolactina reduzida.


No segundo estudo, as alterações nos níveis de hormônios sexuais estiveram associadas às características de gestação e nascimento, com maiores níveis de exposição a agrotóxicos e com local de moradia. Quanto aos parâmetros espermáticos, a motilidade foi significativamente menor nos jovens rurais do que nos urbanos, naqueles que relataram contato com agrotóxicos alto e nos que usavam fungicidas no momento da coleta. A morfologia mostrou-se reduzida entre 15% e 32% nos moradores rurais e com maiores contatos com agrotóxicos. Também foram observadas diferenças significativas nas medidas anatômicas sexuais (volume testicular e distância anogenital) quanto ao local de moradia, exposição a agrotóxicos e características de gestação.

A partir dessas observações, Cleber concluiu que os achados são sugestivos de que exposições crônicas a agrotóxicos interferem na regulação dos hormônios sexuais em adultos, bem como na qualidade seminal dos jovens da área de estudo.


Efeitos dos agrotóxicos se estendem a problemas neurológicos, respiratórios e hepáticos


No Brasil, a utilização dos agrotóxicos é extremamente relevante no modelo de desenvolvimento do setor agrícola. Em consequência disso, o país é hoje o maior consumidor mundial das substâncias. Segundo o aluno, o uso destes agentes também têm sido associado ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como parkinson, distúrbios cognitivos, transtornos psiquiátricos, alterações respiratórias e imunológicas e problemas hepáticos e renais. “Estudos apontam ainda associação entre exposição intrauterina aos agrotóxicos e efeitos teratogênicos, tais como malformações congênitas, aborto e baixo peso ao nascer.”, citou.


Para Cleber, a exposição crônica aos agrotóxicos, adicionalmente com a falta de proteção pessoal durante manuseio, além da carência e conhecimento no que diz respeito aos riscos do contato e a escassez de programas públicos com objetivo de diminuir o uso intenso e que tragam alternativas no cultivo de alimentos, estão entre os principais problemas associados ao crescente uso dessas substâncias e, consequentemente, ao aumento na ocorrência de desfechos adversos na saúde reprodutiva da população rural, especialmente trabalhadores agrícolas organizados sob o regime da agricultura familiar.

Visando solucionar essas questões implicadas pelo uso de agrotóxicos, o aluno sugere a realização de novos estudos para melhor avaliar a exposição da população investigada e outras populações rurais brasileiras, utilizando delineamento longitudinal, que possam melhor medir e compreender a complexidade da exposição crônica aos agrotóxicos, seus efeitos sobre a saúde humana e possíveis implicações nas gerações futuras. "É importante que sejam realizadas intervenções a curto, médio e longo prazo para reduzir ou minimizar os prejuízos à saúde das populações sob risco", pontuou.

Fonte: Informe Ensp

Em 2013, um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde ouviu 53 mil pessoas, entre homens e mulheres. Desse total, cerca de sete por cento dessas pessoas disseram que foram diagnosticadas com diabetes, doença crônica causada pela falha na ação ou na produção alta de glicose no sangue. De acordo com a coordenadora-geral de atenção às pessoas com doenças crônicas, Patrícia Chueiri, a alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade são fatores de risco para desenvolver o diabetes. "Uma pessoa que tem uma má alimentação, ou é uma pessoa sedentária ou tem obesidade, tem uma série de recomendações. Que vão desde a prática da atividade física, pelo menos 30 minutos, 5 vezes na semana, controle da alimentação, alimentar várias vezes por dia, não fazer grandes períodos de jejum, balancear a alimentação dentro de carboidratos, proteínas, gordura, ampliar a ingesta de verduras e legumes, são algumas delas".

 

O estudante de medicina, Ronaldo Pineda, sabe bem disso. Ele conta que controla o diabetes com hábitos saudáveis. "Eu tive que ter alimentação saudável. Invés de você precisar restringir alimentos, você sabe o momento e a quantidade de consumir cada um. Eu tinha muita sede, muita fome e comecei a perder peso. Depois de algumas semanas eu acabei entrando em coma diabético, fui trazido para a Santa Casa de São Paulo e ali mesmo me diagnosticaram com diabetes. Hoje eu uso análogo de insulina que é disponibilizado pela Secretária de Saúde e faço também a contagem de carboidratos.

 

A coordenadora-geral de atenção às pessoas com doenças crônicas, Patrícia Chueiri, cita algumas complicações que podem aparecer em decorrência do diabetes. "Os principais riscos do diabetes são as doenças cardiovasculares. Ela é um fator de risco para ter infarto, para ter o acidente vascular cerebral, mais conhecido como derrame. Além disso, você pode ter alteração na retina que podem prejudicar a visão e alterações renais, se você não controlar a pressão e o diabetes da pessoa diabética, você pode ter a insuficiência renal ao longo do tempo". Os medicamentos para tratar o diabetes podem ser retirados gratuitamente nas Farmácias Populares em todo país.

 

Fonte: Agência  Saúde - Karina Chagas

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