SES promove 3º Encontro Estadual de Saúde

 

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS/MG), promovem o 3º Encontro Estadual de Saúde, nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro, no Expominas, em Belo Horizonte.
O objetivo do evento é acolher os novos gestores e técnicos de saúde dos 853 municípios do Estado e permitir a esse público vislumbrar, de maneira geral e abrangente, as políticas públicas de saúde e intersetoriais desenvolvidas pelo Governo de Minas, bem como as experiências exitosas de municípios, consórcios e hospitais.
Paralelamente, funcionará no local uma feira com mais de 25 estandes. Em salas de apoio, serão realizados ainda encontros temáticos, com a finalidade de aprofundar tópicos importantes com os convidados. Cerca de 2 mil pessoas ligadas ao setor são esperadas.
O encontro acontece a cada quatro anos e está em sua terceira edição. Os encontros anteriores (em 2005 e 2009) tiveram alta adesão e participação dos representantes municipais e outros entes, o que resultou num momento rico de aproximação e troca de experiências.
Mais detalhes e a programação completa do evento podem ser acessados no site www.encontrodasaude.com.br. As inscrições para participar do encontro também podem ser feitas no mesmo endereço.

A (hiper) medicalização dos conflitos sociais

 

 Rilke Novato Públio*  

 

   Os brasileiros continuam, a cada ano, batendo recordes quanto ao consumo de medicamentos ansiolíticos. Desde o ano de 2006 com a coleta de dados registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de  sistema eletrônico informado pelas farmácias e drogarias que comercializam esses medicamentos em todo o país, o clonazepam, medicamento ansiolítico utilizado para tratamento de vários transtornos mentais, como síndrome do pânico, distúrbio bipolar, depressão (usado como coadjuvante de antidepressivos) é o campeão de vendas entre todos os medicamentos  popularmente conhecidos como  “tarja preta” no Brasil. Medicamentos que apresentam a tarja preta em suas embalagens são aqueles que podem causar dependência física e psíquica e por isso só podem ser comercializados mediante uma série de exigências legais. Existe algo de estranho no ar quando um medicamento que só pode ser adquirido com receita especial (receituário azul), torna-se o segundo medicamento mais consumido no Brasil. O clonazepam está no mercado brasileiro há mais de 35 anos, mas ultimamente vem escalando o ranking dos mais vendidos. Em 2010, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas da marca mais vendida desse ansiolítico.


Ele só perdeu em vendas para um anticoncepcional utilizado diariamente pelas mulheres em idade fértil. Para se ter ma ideia do alto consumo, o clonazepam foi mais vendido que pomada usada para assadura ou analgésico para dor de cabeça. Vale ressaltar que a pesquisa de consumo desse medicamento não considerou o elevado consumo na rede pública de saúde, pois também nos postos de saúde onde é distribuído, o clonazepam é cada vez mais prescrito e consumido. Segundo informações dos serviços de saúde nas três maiores cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, em 2012, o clonazepam foi disparado, o ansiolítico mais consumido.


Até nas redes sociais, o clonazepam é glamourizado como “remedinho maravilhoso”. Além da possibilidade de causar dependência com poucos meses de uso, o clonazepam também pode causar efeitos colaterais como sonolência, movimentos anormais dos olhos, movimentos involuntários dos membros, fraqueza muscular, fala mal articulada, tremor, vertigem, perda de equilíbrio, dificuldades no processo de aprendizagem e de memorização. Logo, cabe perguntar: Como um medicamento com todas essas características preocupantes é cada vez mais utilizado por um número tão elevado de pessoas? A resposta parece estar no modo como a sociedade “encara seus demônios” ou melhor, na verdade, foge deles e teima em buscar sempre a solução mais rápida e confortável para seus problemas.

Assim, vamos (hiper) medicalizando nossos conflitos, pois não há tempo para relaxar e tentar dormir sem medicar-se, não há tempo para sentar e conversar com o (a) cônjuge e filhos, não temos amigos com quem falar, e a correria da vida continua cada vez mais rápida, tudo é “pra ontem”.Certamente algumas medidas podem ajudar a diminuir esse consumo irracional e desenfreado do ansiolítico, a exemplo de um maior rigor na fiscalização das vendas pelas farmácias e melhor capacitação dos prescritores médicos para que possam ter mais critérios na receita, evitando a banalização das prescrições para esse medicamento.No entanto, sabemos que a reversão dessa situação só se dará quando a nossa sociedade superar seus medos, sobretudo o medo do fracasso, e discutir um pouco mais seus problemas e assim encontrar saídas reais e não na forma de pílulas mágicas.
   *Rilke Novato é Farmacêutico, mestre e especialista em saúde pública,  Vice-Presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e Diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig).

 

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O Plenário do Conselho Federal de Farmácia (CFF), reunido no dia 22 de fevereiro de 2013, em Brasília/DF, manifesta REPÚDIO ao parecer normativo nº 001 de 2013, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) que aprova a competência do enfermeiro para realizar testes rápidos para diagnósticos de HIV, sífilis e outros agravos.

Para o CFF, o parecer normativo do COFEN, apesar de justificar que o objetivo seja ampliar o acesso ao diagnóstico do HIV, sífilis e hepatites virais, é deveras equivocado, posto que o enfermeiro não está apto a atuar no âmbito das análises clínicas, em razão da inexistência de formação acadêmica e de previsão legal, o que poderá caracterizar exercício ilegal da profissão e, ainda, ensejar a emissão de laudos incorretos, com graves consequências à saúde pública.

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