01/03: DIRETORA DA OPAS CONSIDERA MODELO DE SAÚDE BRASILEIRO EXEMPLO PARA OUTROS PAÍSES

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Em visita pelo Brasil, a nova diretora da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), Carissa Etienne, conversou  com o Blog da Saúde. Primeiro país visitado oficialmente pela diretora, o Brasil é considerado por ela “líder em oferecimento ao acesso à saúde”. Etienne também destacou a atenção dada pelo Ministério da Saúde às populações residentes em áreas remotas, como as indígenas.

Blog da Saúde – De forma geral, como você vê o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro?
Carissa Etienne – Eu acho que o Brasil é um líder em oferecimento ao acesso à saúde para a população. Uma saúde que não é apenas do cuidado, mas também está baseada na promoção, na prevenção e na reabilitação. É importante que o SUS tenha sido institucionalizado, estando na Constituição Federal com regulamentações que garantem o acesso da população ao atendimento de alta qualidade. É importante o envolvimento tanto no nível federal, como estadual e municipal. Esse modelo de estrutura de governança, além de garantir a participação, aponta o nível de responsabilidade de garantir que esse acesso seja oferecido.

Acho que, nos últimos anos, o SUS conseguiu ter muito sucesso ao fazer uma extensão desse cuidado, uma extensão a populações bastante remotas, como suas populações indígenas que vivem em áreas distantes. É importante destacar esse compromisso com todas as pessoas.

BS – É possível dizer que o Brasil tem avançado em políticas de saúde pública?
CE – Vocês já responderam a muitas questões de desenvolvimento. Através da instituição desse sistema, vocês têm conseguido resolver questões de pobreza e desigualdade. Então, eu acho que é um grande sucesso, que os brasileiros podem ter orgulho e também é muito importante dizer que o Brasil pode ajudar outros países. O Brasil pode apresentar alguns dos seus melhores casos, experiências, para que os outros também possam aprender com o que vocês têm a oferecer.

BS – Como o exemplo brasileiro pode contribuir com as prioridades de ação da OPAS para a América Latina e Caribe?
CE – Nas reuniões da OPAS, os países membros decidem as prioridades, e temos agenda para as Américas – o que nos leva até 2017. Nesse planejamento, a ênfase está na redução da desigualdade, atenção às questões sociais da saúde, como as doenças não-transmissíveis e as doenças transmissíveis, o acesso ao serviço de saúde. Ou seja, muitas das questões que o Brasil já está trabalhando e que está obtendo bons resultados. Estas são as prioridades para o resto da região e outros países.

Não é sempre que se pode implementar tudo que acontece em um país para outro país. Mas, com base na região Pan-Americana e na solidariedade que existe entre os países, existe uma troca ativa de experiências e uma troca de informações. O Brasil tem um programa muito bom de cooperação SUL-SUL. E através desse programa, ele ajuda a contribuir com a região da América Latina e do Caribe. E, muito além disso, com os países de língua portuguesa na África.

Eu acho que a cooperação social no Brasil constrói dignidade, constrói capacidade, mas é uma experiência de aprendizado para o Brasil e para os países que estão recebendo essa cooperação técnica. Acho que isso deixa capacidades nos países onde esta cooperação está acontecendo. É verdade que o Brasil tem influência positiva nesses países da cooperação Sul-Sul.

BS – Aproveitando a proximidade do Dia Internacional da Mulher, Diretora, como a senhora enxerga as políticas de saúde da mulher desenvolvidas no Brasil?
CE – Não posso dizer que eu conheço todas as políticas de saúde da mulher desenvolvidas aqui, mas eu sei que, na Saúde, a Rede Cegonha prioriza a saúde das mulheres. Que presta atenção especial para trazer os cuidados para a mulher, garantido que suas necessidades especiais sejam atendidas.

Eu acho que isso também está representado nos sucessos na redução de desnutrição, com a redução da mortalidade materna e também diminuindo as taxas de mortalidade infantil. Eu acho que tudo isso indica que vocês realmente deram prioridade na saúde da mulher.

Jéssica Macêdo / Blog da Saúde