Amanhã 10 de julho, dia marcado para ser o Dia Nacional da Mobilização pela Coleta de Assinaturas, que viabilizará o Projeto de Lei de Iniciativa Popular assegurando 10% da receita nacional bruta para a saúde, deverá ser de comemoração. “Acredito que já estejamos na casa das 1,8 milhão de assinaturas, bem acima do 1,5 milhão necessário”, informa o coordenador do Movimento Nacional em Defesa da Saúde, Ronald Ferreira dos Santos, também presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar). Mas a meta, segundo Ronald é chegar a dois milhões de assinaturas para que o projeto siga para as casas legislativas expressando com força o desejo popular.

 

Ronald esteve em Belo Horizonte, hoje, participando do ato de entrega de assinaturas em defesa de mais recursos para a saúde proposto pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais é o estado com maior participação no número de assinaturas com 588 mil apoiadores. Quatorze entidades, representantes de atividades diversas como Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e Conselho de Pastores e Ministros do Estado de Minas Gerais, estiveram presentes na solenidade.

 

 

O que dá para fazer com os 10% a mais para a saúde - Antes do evento, o presidente da Fenafar conversou com a reportagem do site do Sinfarmig. Segundo Ronald, se o projeto de iniciativa popular for aprovado no Congresso, serão R$ 130 bilhões que a União passará a destinar à saúde (R$ 43 bilhões a mais), fora a contribuição de estados e municípios. “Esse dinheiro dá para atacar o maior gargalo da saúde no Brasil que é a escassez de recursos humanos”. Segundo ele, não faltam só médicos no país, mas profissionais de todas as formações. “O principal recurso que falta é o olho humano que vai examinar a lâmina”, pondera, dizendo que todos os anos um conjunto de soluções para a saúde bate a porta, mas deixa de ser colocado em prática por falta de recursos humanos e financeiros.

 

 

Baixos investimentos em saúde – O Brasil investe cerca de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, enquanto a média de países pesquisados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aplica 5% do PIB.  Na avaliação de Ronald Ferreira, a opção por políticas econômicas e monetárias tem feito com que o Brasil invista cada vez menos recursos na saúde, em proporção à demanda da população.

 

 

 “Em 1995, 18% do orçamento da União foram para a amortização de dívidas e pagamento de juros; 42% foram para gastos sociais como segurança e saúde. Em 2012, os juros e amortizações da dívida consumiram 47% do orçamento. Para os demais gastos, sociais, inclusive, foram destinados 26%”, pontuou. Segundo ele, falta uma reforma política que atualize a correlação de forças no país.

 

 

“Se alguém quer ser deputado, recorre ao financiamento privado. Uma vez eleito, esse parlamentar atenderá os interesses privados e não da população. Tendo recursos financeiros, alguém utilizará ao seu favor o sistema Judiciário”. O Executivo, por sua vez, fica preso aos parlamentares que procuram atender os interesses privados, completou. “Essa correlação de forças não favorece a população”, destaca.  

 

 

Ato Médico – “Assim como a mobilidade urbana não avançou, nem a reforma agrária, nem a reforma política e a reforma tributária, mesmo sustentadas pela Constituição de 1988, o modelo multiprofissional de saúde conquistado com o Sistema Único de Saúde (SUS), há 25 anos, não conseguiu prevalecer sobre o imaginário brasileiro que entende a saúde como médico, hospital e remédio”, analisa o presidente da Fenafar. De acordo com Ronald, essa estagnação terminou por culminar na aprovação do Ato Médico, que da forma como foi aprovado pelo Congresso, significa ingerência em todas as outras profissões da saúde.          

       
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Foi publicada na edição desta terça-feira (9) do Diário Oficial da União a medida provisória(MP) que institui o Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa do governo prevê a contratação de médicos para atuar na saúde básica em municípios do interior e na periferia das grandes cidades. Além da MP, também foi publicada a portaria conjunta do ministérios da Educação e da Saúde que fixa as diretrizes do programa.

Entre os objetivos listados estão diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS), de modo a reduzir as desigualdades regionais nesta área; fortalecer a prestação de serviços na atenção básica em saúde no país; e ampliar a inserção do médico em formação nas unidades de atendimento do SUS, desenvolvendo seu conhecimento sobre a realidade da saúde da população brasileira.

De acordo com o governo federal, a prioridade é contratar médicos formados no Brasil. Caso as vagas não sejam preenchidas pelos brasileiros, o governo contratará médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, sendo que os últimos terão preferência dentro deste grupo. A estimativa inicial do Ministério da Saúde é a abertura de cerca de 10 mil vagas, mas o número pode mudar, já que os municípios ainda vão se inscrever no programa.

Durante solenidade de lançamento do programa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que faltam médicos no país e que a população não pode esperar pela maior quantidade de profissionais que irão ingressar no mercado com a ampliação dos cursos e residências.

Além de salário de R$ 10 mil, os médicos que atuarem no interior do país e nas regiões metropolitanas vão receber auxílio para deslocamento. A jornada de trabalho será 40 horas semanais na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS), sob a supervisão de instituições públicas de ensino.

Na Região Norte, os profissionais vão receber o auxílio deslocamento equivalente a R$ 30 mil. Os médicos que forem para a Região Nordeste receberão R$ 20 mil e para as regiões metropolitanas, será R$ 10 mil. Tanto o salário quanto os auxílios serão pagos pelo governo federal. O auxílio não é contínuo.

No lançamento do programa, a presidenta Dilma Rousseff disse que o objetivo do Mais Médicos para o Brasil não é trazer profissionais estrangeiros, e sim levar médicos às cidades com carência.

A contratação de médicos integra o pacote de medidas para a saúde, lançado por Dilma no fim de junho em resposta às manifestações que pediam melhoria nos serviços públicos do país. O pacto pela saúde também prevê investimentos de R$15,8 bilhões para construção e melhoria de hospitais, unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e unidades básicas de Saúde.

Fonte: Agência Brasil, Thais Leitão

Publicado em 09/07/2013

Os alunos que ingressarem nos cursos de medicina a partir de 2015 terão que atuar dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o diploma. A medida é válida para faculdades públicas e privadas e faz parte do Programa Mais Médicos, anunciado hoje (8) pelo governo federal. Com isso, o curso passará de 6 anos para 8 anos de duração.

Os estudantes irão trabalhar na atenção básica e nos serviços de urgência e emergência da rede pública. Eles vão receber uma remuneração do governo federal e terão uma autorização temporária para exercer a medicina, além de continuarem vinculados às universidades. Os profissionais que atuarem na orientação desses médicos também receberão um complemento salarial. Os últimos dois anos do curso, de atuação no SUS, poderão contar para residência médica ou como pós-graduação, caso o médico escolha se especializar em uma área de atenção básica.

Leia também: MP do Programa Mais Médico é publicada no Diário Oficial

Com a mudança nos currículos, a estimativa é a entrada de 20,5 mil médicos na atenção básica. "Esse aumento será sentido a partir de 2022, quando os médicos estarão formados", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

De acordo com os ministérios da Educação e Saúde, as instituições de ensino terão que acompanhar e supervisionar o aluno. Após o estudante ser aprovado no estágio no SUS, a autorização temporária de exercício será convertida em inscrição no Conselho Regional de Medicina. Por haver recursos federais no programa, os alunos das escolas particulares deverão ficar isentos do pagamento de mensalidade. Esse trabalho na rede pública não acaba com o internato, no quinto e no sexto anos do curso.

Até 2017, a oferta de vagas nos cursos de Medicina terá um aumento superior a 10%. Com o programa Mais Médicos, serão abertas 3.615 vagas nas universidades públicas e, entre as particulares, devem ser criadas 7.832 novas matrículas.

O aumento deve ser sentido este ano, com a abertura de 1.452 vagas. Em 2014, serão 5.435, anunciou Mercadante. De acordo com o ministro, haverá uma descentralização dos cursos que serão instalados em mais municípios. A residência médica terá de acompanhar o ritmo de vagas abertas na graduação.

"Não basta abrir curso de medicina para fixar um médico em uma região que temos interesse para ter. É preciso residência médica, que é um fator decisivo para a fixação, além de políticas na área de saúde. Estados que têm oferta de residência médica, tem uma concentração grande de médicos, como Rio de Janeiro e São Paulo", disse o ministro.

Segundo ele, haverá uma melhor distribuição dos cursos pelo país. Atualmente, 57 municípios oferecem cursos de medicina. Com o novo programa, mais 60 passarão a ofertar, totalizando 117 municípios no país. Isso acarretará, para as universidades federais, a contratação de 3.154 professores e 1.882 técnicos-administrativos.

Nas particulares, segundo Mercadante, não haverá mais a "política de balcão", em que os institutos apresentam as propostas para a abertura de cursos. Agora, a oferta de cursos de medicina será definida por meio de editais públicos, de acordo com a necessidade do país. "Vamos verificar as áreas que têm condições e necessidade de ofertar vaga e lá ofertaremos".

Fonte: Agência Brasil, Luana Lourenço e Mariana Tokarnia
Publicado em 09/07/2013

As oito centrais sindicais do país se reuniram nesta terça-feira (25), em São Paulo, para anunciar uma decisão histórica: CTB, CUT, UGT, CSB, NCST, CGTB, CSP-Conlutas e FS irão organizar, de maneira conjunta, uma série de paralisações por todo o Brasil no dia 11 de julho, com o propósito de pressionar o governo e o empresariado a aprovar a pauta de reivindicações da classe trabalhadora.

 

A reunião das oito centrais antecedeu o encontro que seus representantes terão com a presidenta Dilma Rousseff nesta quarta-feira, em Brasília. Para o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro, foi importante o movimento sindical demonstrar unidade neste momento em que o país tem visto milhões de pessoas saírem às ruas para protestar por mudanças.

 

 

“Nosso papel será levantar as bandeiras de luta da classe trabalhadora e incorporar as reclamações das ruas. Nós vemos com bons olhos o que está acontecendo no país e já temos há tempos uma proposta de concreta para que o Brasil se desenvolva”, afirmou o dirigente da CTB, referindo-se à Agenda da Classe Trabalhadora, documento formulado pelas centrais em 2010, durante a segunda Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).

 

 

Luta pela democracia e pelos direitos trabalhistas

 

 

Ao encerramento da reunião, as centrais definiram que o 11 de julho será chamado de Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, a partir do lema “Pelas Liberdades Democráticas e pelos Direitos dos Trabalhadores”.

 

As lideranças sindicais também definiram nove bandeiras de luta como fundamentais na atual conjuntura. A lista abaixo será entregue à presidenta no encontro desta quarta-feira e ganhará destaque em cada parasalição que será realizada em 11 de julho:

 

 

- Fim do fator previdenciário

 

- 10% do PIB para a Saúde

 

- 10% do PIB para a Educação

 

- Redução da Jornada de Trabalho para 40h semanais, sem redução de salários

 

- Valorização das Aposentadorias

 

- Transporte público e de qualidade

 

- Reforma Agrária

 

- Mudanças nos Leilões de Petróleo

 

- Rechaço ao PL 4330, sobre Terceirização.

 

 

Paralisações

 

Após a reunião com Dilma, os representantes das centrais voltarão a se reunir nos próximos dias para acertar os detalhes das paralisações que devem parar o Brasil no dia 11 de julho. Para Pascoal Carneiro, será importante a regionalização dos atos, no sentido de interromper, nem que seja por algumas horas, os principais centros produtivos do país. “Iremos demonstrar nossa capacidade de articulação e contribuir para que essa onda de manifestações tome um rumo progressista, no sentido de trazer melhorias concretas para a classe trabalhadora e de impedir que qualquer movimento antidemocrático ganhe força perante a sociedade”.

 

 

Fonte: CTB, Fernando Damasceno

 

Publicado em 26/06/2013

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