Correio Braziliense (publicado no jornal Estado de Minas – 04/09)

Augusto Pio

Consideradas doenças negligenciadas em todo o mundo, as hepatites já atingem 2,3 milhões de brasileiros. Expectativa é de que as drogas em estudo alcancem 100% de eficácia

Milhares de pessoas em todo o mundo têm algum tipo de hepatite e não sabem, por ser uma doença silenciosa e negligenciada. Cerca de 325 milhões de pessoas são portadoras crônicas da hepatite B e 170 milhões da hepatite C, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Estima-se que 2,3 milhões de brasileiros sejam portadores de hepatites dos tipos B e C. Em Minas Gerais, há 245 mil indivíduos infectados com a hepatite C. No geral, 75% deles não têm o diagnóstico e, dos 25% que sobram, em torno de 75% não fazem tratamento.


De acordo com a professora de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Alfa do Hospital das Clínicas, Rosângela Teixeira, há também uma tendência de aumento de cirrose, atingindo boa parcela dos jovens que abusam do consumo do álcool. A boa notícia é que há diversas classes de drogas em estudo avançado e, num prazo de cinco a sete anos, espera-se que tenham 100% de eficácia na cura. “A hepatite C crônica é, atualmente, considerada a única infecção viral crônica que tem cura. Mas isso ainda não é a nossa realidade. É possível que seja nos próximos cinco anos”, afirma a especialista.

A infecção pelo vírus C se adquire por meio do contato do sangue de uma pessoa que tem a doença com outra pessoa que não tem. Assim, o sangue é o principal meio de transmissão do vírus C. “As hepatites agudas têm sintomas inespecíficos e passageiros. Cerca de 75% das pessoas que adquirem a hepatite C aguda têm a doença evoluída para a hepatite C crônica sem sentirem nada por anos e até décadas”, diz Rosângela. Ela explica que a infecção crônica do fígado leva progressiva e lentamente à inflamação e à fibrose, que é a cicatrização. “Em fases avançadas de cirrose há perversão da arquitetura do fígado, que fica endurecido e passa a trabalhar mal, ou seja, ocorre disfunção hepática. É o que ocorre na cirrose.”


Durante o simpósio, vamos discutir a experiência do nosso centro de referência no novo tratamento da hepatite C crônica - Eric Bassetti Soares, subcoordenador do Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Alfa de Gastroenterologia do HC/UFMG
Para discutir tratamento, prevenção e novidades em relação à cura da doença, serão realizados, amanhã e depois, no Hotel San Diego, em Belo Horizonte, o 4º Simpósio de Hepatites Virais de MG e o 2º Fórum de Carcinoma Hepatocelular, que reunirá médicos, pesquisadores hapetologistas e infectologistas de várias partes do país

Segundo o médico Eric Bassetti Soares, subcoordenador do Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), “durante o simpósio, vamos discutir a experiência do nosso centro de referência no novo tratamento da hepatite C crônica, além de políticas públicas em saúde, tratamento da hepatite B e do carcinoma hepatocelular, complicações e manejo de pacientes com cirrose hepática e, apesar de o simpósio ser de hepatites virais, não poderíamos deixar de discutir a doença hepática gordurosa não alcoólica e a esteatoepatite não alcoólica, que é a principal causa de doença hepática, suplantando inclusive as causadas pelos vírus B e C.”

Hepatite significa inflamação do fígado, que se caracteriza, laboratorialmente, por elevação das enzimas hepáticas, podendo resultar em disfunção das células do fígado e, clinicamente, por sintomas inespecíficos, como mal-estar, febre baixa, falta de apetite, dor vaga no abdome. Contudo, é um nome genérico, pois as hepatites têm diversas causas, como as viróticas, que afetam predominantemente o fígado, e as consequentes do abuso do álcool, medicamentos e doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. “As hepatites podem ser agudas e crônicas. Entre as crônicas, as causadas pelos vírus B e C têm assumido maior importância, pois, juntamente com a hepatite por álcool, constituem hoje, em todo o mundo, as principais causas de transplante hepático e câncer do fígado. Em geral, as crônicas são silenciosas por anos ou décadas e só são descobertas nas fases mais avançadas quando, por exemplo, a cirrose e suas complicações se instalam.”

A especialista ressalta que há pelo menos cinco tipos de vírus que causam hepatites por vírus. “As A e E são agudas, autolimitadas e, na maioria dos casos, não causam problemas sérios. As B e C têm potencial de evolução para as crônicas e constituem hoje um sério problema de saúde pública em todo o mundo, devido à sua alta prevalência e por serem silenciosas. A hepatite C é causada pelo vírus C, ou HCV. Trata-se de doença também silenciosa que evolui assim por décadas. Há vários estágios, ou seja, diversos graus de inflamação e de fibrose do fígado, ou cicatriz, causados por, pelo menos, seis subtipos de vírus C, sendo que o subtipo 1 é o mais prevalente em todo o mundo, seguido pelos subtipos 2 e 3. O subtipo 1 é mais frequente e difícil de tratar.

O governo federal publicou, no início deste ano, uma atualização do protocolo de tratamento da hepatite C crônica para pacientes infectados pelo genótipo 1, que é o mais comum e responsável por aproximadamente 70% dos casos de hepatite C. “Os novos medicamentos, boceprevir e telaprevir, somente têm ação no vírus do tipo 1. Iniciamos os primeiros tratamentos no fim de 2012, mas apenas no mês passado é que iniciamos a utilização dessas novas drogas no ambulatório, em um número maior de pacientes. Inicialmente, seguindo o protocolo, estamos tratando pacientes com fibrose mais avançada, isto é, em evolução para cirrose ou com cirrose já instalada, tanto os que já haviam feito tratamento anterior, sem sucesso, quanto aqueles que nunca haviam sido tratados. Pacientes com doença mais inicial não foram contemplados nesse protocolo”, explica Bassetti.

“Esses medicamentos são a primeira geração do que denominamos DAAs – sigla em inglês para agentes antivirais diretos –, já que os medicamentos anteriormente disponíveis atuam no sistema de defesa do organismo para combater a infecção. Com uma ação direta contra o vírus foi possível aumentar a chance de curar o paciente, que era de aproximadamente 40%, para 65% a 75%. O tratamento novo é uma adição de um desses novos medicamentos ao tratamento já disponível desde 2001, isto é, durante parte do tratamento usaremos três medicamentos. Os dois novos têm eficácias semelhantes, mas diferentes formas de utilizar. O principal benefício dessas novas opções de tratamento é a maior probabilidade de ficar curado da hepatite C, o que denominamos de end point primário. Mas há outros benefícios que podem ser alcançados com o tratamento, como a melhora na inflamação e na fibrose do fígado, além da melhora da função hepática.”

 

Conforme estimativas do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfamig), neste ano, pelo menos 17 milhões de comprimidos de Clonazepam (ansiolítico) devem ser distribuídos  em postos de saúde de apenas 10 dos 34 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Isso sem falar nas vendas do Rivotril na rede privada medidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Entre 2006 e 2010, elas aumentaram 36%.


A pesquisa realizada pelo Sinfarmig no início do ano teve repercussão nacional e pôs em evidência a chamada medicalização da vida. O fenômeno se configura quando problemas sociais e até mesmo culturais levam ao consumo de medicamentos como forma de tratamento. “Uma pessoa desempregada que anda irritada, sem dormir, pode facilmente ser diagnosticada com ansiedade e medicada”, detalha o diretor do Sinfarmig Rilke Novato Públio.


“A pesquisa do Sindicato dos Farmacêuticos servirá de base para orientar nossas primeiras ações no Núcleo sobre Medicalização de Belo Horizonte e Região Metropolitana”, explica a conselheira do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG), Lourdes Machado. O CRP-MG é o idealizador do Núcleo de BH e RMBH por meio das comissões de saúde e de educação.


Conforme Lourdes, a medicalização da educação, denunciada por professores e comprovada pelo aumento do uso da Ritalina por crianças e jovens, também será assunto a ser tratado pelo Núcleo. O medicamento vem sendo prescrito com grande freqüência para o diagnóstico (alvo de polêmicas) do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).


A primeira reunião do Núcleo sobre Medicalização de Belo Horizonte e RMBH, deverá reunir psicólogos, nutricionistas, acupunturistas, assistentes sociais, nutrólogos e farmacêuticos amanhã, 05/09, na sede do Conselho Regional de Nutrição (CRN9), às 19h.


Para Rilke Públio, do Sinfarmig, a criação do Núcleo deverá desencadear várias iniciativas de caráter educativo e político. “Uma vez formalizado, o Núcleo poderá acionar professores para participar de debates com pessoal especializado para aprofundarmos o assunto”, diz.       


A criação do Núcleo de Belo Horizonte faz parte do movimento brasileiro contra a medicalização iniciada com a criação do Fórum (nacional) sobre Medicalização da Educação e da Sociedade em maio de 2011. Em Minas Gerais, há mais dois Núcleos em funcionamento, o de Uberlândia e o do Leste de Minas, com sede em Governador Valadares.    

30/08/2013 - 02h52 - Folha de S.Paulo

DÉBORA MISMETTI
EDITORA DE "CIÊNCIA+SAÚDE"

Uma pesquisa publicada hoje pelo "British Medical Journal" pode amargar o café da manhã de muita gente: o consumo diário de um ou mais copos de suco de fruta eleva em até 21% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

A doença, que é considerada uma epidemia mundial, afeta 347 milhões de pessoas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

O estudo, liderado por Isao Muraki, da Escola Médica de Harvard (EUA), analisou dados de mais de 187 mil homens e mulheres acompanhados por 24 anos para saber se o consumo de diferentes tipos de fruta poderia influenciar positiva ou negativamente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Mais de 12 mil participantes (6,5%) receberam diagnóstico da doença durante o estudo. O diabetes tipo 2, diretamente relacionado à obesidade, é caracterizado pela resistência do corpo à ação da insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue, ou pela produção insuficiente do hormônio.

Trabalhos anteriores já haviam tentado averiguar se o consumo de frutas poderia reduzir o risco de diabetes, mas, segundo os autores, não havia sido encontrada ligação forte entre uma coisa e outra.

Por isso eles decidiram analisar cada fruta separadamente. Mirtilo, uva e maçã, consumidos três vezes por semana, foram as frutas que mais diminuíram o risco de diabetes, em 26%, 12% e 7%, respectivamente.

Já o melão foi a única fruta cujo consumo esteve ligado a um aumento dos casos de diabetes. Os autores também notaram um aumento no risco de desenvolver a doença entre os que tomavam suco de fruta.

Segundo os cálculos do estudo, trocando os sucos por um consumo frequente de quaisquer frutas inteiras, o risco de diabetes cai 7%; a queda pode ser maior dependendo da escolha de cada um (de novo, uva e mirtilo deram os melhores resultados).

De acordo com Daniela Jobst, nutricionista funcional e membro do Instituto de Medicina Funcional dos EUA, a diferença de resultado entre as frutas tem a ver com seu índice glicêmico (potencial de cada uma de gerar "picos" na produção de insulina) mas, talvez principalmente, aos nutrientes que cada uma delas tem.

"O diabetes envolve um processo de estresse oxidativo, aumenta a quantidade de radicais livres. Frutas como mirtilo e uvas têm fitoquímicos antioxidantes."
O problema dos sucos é que, em relação à fruta inteira, eles têm muito menos fibras, o que eleva a velocidade da absorção do açúcar, gerando os picos que podem ser prejudiciais ao organismo.

Melhor eliminar o suco da dieta? "Não precisa. Dá para acrescentar fibras ao suco, para tornar a digestão mais lenta. Uma folha, como couve, ou grãos como linhaça e chia são boas opções."

No dia 02 de setembro, a partir das 16h, o diretor do Sinfarmig, Rilke Novato Públio, falará sobre Prescrição Farmacêutica na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A participação será durante o primeiro dia do Simpósio Acadêmico de Estudos Farmacêuticos que vai até o dia 06 de setembro. O tema do evento é “A prática na educação – essencial ao farmacêutico”.

A Faculdade de Farmácia da UFMG está localizada no Campus Pampulha - Avenida Antônio Carlos, 6627. 

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