O CFF aprovou resolução que permite aos farmacêuticos fazerem prescrição de medicamentos isentos de receituário. A medida gera polêmica na categoria, entre profissionais de saúde e na sociedade.



Segundo a resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicada nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial e que tem 180 dias para ser implantada, os farmacêuticos estarão autorizados a prescrever analgésicos, antitérmicos, ou seja, medicamentos sem tarja (de venda livre), plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos. Prevê, também renovar receitas já existentes para doenças crônicas, desde que medicamentos já prescritos não tenham sido alterados e diante do aval de entidades médicas. A prescrição em colaboração deverá se restringir a situações específicas, como o acompanhamento de doentes crônicos inseridos nos Programas do Ministério da Saúde e atendidos na rede pública.



Para o presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Ronald Ferreira dos Santos, a medida tem aspectos positivos e negativos para a profissão e para a sociedade e precisaria passar por um debate mais amplo. Durante a Consulta Pública que o Conselho Federal de Farmácia fez sobre o assunto, a Fenafar encaminhou contribuição na qual explicitava sua contrariedade com a possibilidade de o mesmo profissional que comercializa o medicamento poder prescrevê-lo. “Na nossa opinião, há um conflito preocupante de interesses quando se trata deste ponto da proposta. Sabemos como é a situação do farmacêutico que atua nas farmácias privadas, que são pressionados a observarem metas de venda, por exemplo”, ressalvou o presidente da Fenafar.



A contribuição da Federação à consulta pública do CFF destacava que: “A Fenafar reafirma a autoridade técnica do farmacêutico na decisão terapêutica, mas com o compromisso legal e ético de que quem faz a clínica e prescreve está impedido de comercializar; ressalta que a atribuição profissional compreende várias possibilidades de ação do farmacêutico, por suas atribuições precípuas, como a DISPENSAÇÃO do medicamento, ao prestar atendimento ao paciente, prover com seus conhecimentos e no âmbito de sua competência profissional a realização da orientação profissional, atuando frente as situações que exijam intervenção, como ao detectar uma interação medicamentosa ou reação adversa; combater a propaganda de medicamentos e práticas de profissionais que tem prescrito e comercializado no mesmo local, como no caso do médico alergologista e administração de vacinas na mesma clínica”.



Na avaliação de Ronald, o farmacêutico está apto para participar do processo de prescrição, desde que isso não ocorra em espaços comerciais. “Podemos participar sim deste processo nas unidades básicas de saúde, nos programas de atenção básica como o Saúde da Família e outros, nas unidades de farmácias hospitalares. Esta é uma iniciativa que contribui para superarmos o modelo da saúde centrado no médico e avança para a concepção da saúde como atividade multidisciplinar. As entidades médicas têm tido uma postura de um certo monopólio do serviço de saúde, mas acho que a vida vai demonstrar na prática o quanto é acertado dividir essa orientação com outros profissionais.”, afirmou Ronald.

 

CFM considera medida ilegal

O CFM (Conselho Federal de Medicina) informou, também quarta-feira (25), que vai à Justiça contra a resolução do Conselho Federal de Farmácia.Para o CFM a medida desrespeita a lei do ‘Ato Médico’, sancionada em julho, e incentivaria o hábito da automedicação.

“A lei não prevê o diagnóstico de doenças e a prescrição de tratamentos”, defendeu o primeiro secretário do Conselho de Medicina, Desiré Callegarim, baseado no veto da presidenta Dilma Rousseff ao item que daria a exclusividade destas atividades aos médicos. O texto, porém, não prevê quais outros profissionais também poderiam exercer este tipo de função.



O presidente da Fenafar não vê irregularidade na medida e acredita que o CFF pode sim regulamentar esta atividade, diferentemente do que colocam os médicos. “A lei não proíbe, desde que não entre em conflito com as normas legais já estabelecidas”, afirmou.

Reproduzido do site da FENAFAR com agências
Publicado em 25/09/2013

Por meio da diretoria colegiada, o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (SINFARMIG) parabeniza a categoria pelo Dia Internacional do Farmacêutico, comemorado hoje, dia 25 de setembro. A data é reconhecida pela Federação Internacional dos Farmacêuticos (FIP, na sigla em inglês) desde 2011.


Hoje, a partir das 19h, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) realiza solenidade alusiva ao Dia Internacional do Farmacêutico no Hotel San Marco, em Brasília, com a participação do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do presidente da FIP, Michel Buchmann.


Por causa da data, o CFF resolveu estabelecer a semana de 25 de setembro como a Semana do Farmacêutico em todo o território nacional. A resolução 583 é do dia 29 de agosto passado.

Folha de S.Paulo – 25/09


Proposta alternativa destinaria 15% da receita líquida da União para o setor, que teria ao menos R$ 35 bilhões a mais


Planalto pretende usar royalties do petróleo e emendas parlamentares para cumprir índice

 

DE BRASÍLIA

O Palácio do Planalto deu aval ontem à proposta em tramitação no Congresso que destina 15% da receita líquida da União para a saúde.


A previsão é que a regra geraria novos repasses de ao menos R$ 35 bilhões anuais para o setor, que hoje tem um orçamento de R$ 90 bilhões. A maior parte seria bancada com verba federal.


Trata-se de uma alternativa ao projeto de iniciativa popular que propõe destinar 10% da receita bruta da União para a saúde.

 

A Folha mostrou há duas semanas que o Planalto considera a proposta impagável, além de arriscada do ponto de vista jurídico, porque a receita bruta tem vinculações estabelecidas constitucionalmente, que não podem ser facilmente remanejadas.

 


A ideia de ampliar os repasses para a área, no entanto, passou a ganhar força no governo federal por se tratar de uma bandeira "das ruas", além de ser um potencial legado do ministro da Saúde Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo de São Paulo.

 

Junto com o vice-presidente Michel Temer, o ministro encampou a proposta e fecharia no fim da noite de ontem, em reunião com os senadores Eduardo Braga (PMDB-AM) e Humberto Costa (PT-PE), um texto final.

 

Para alcançar os 15% da receita líquida, o governo quer direcionar 50% das emendas parlamentares para a saúde, a partir de alterações no texto da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) das emendas impositivas.

 

A PEC, antes vista com maus olhos pelo Planalto, é uma reivindicação do Congresso, pois obrigaria o Executivo a pagar projetos financiados pelas emendas parlamentares. No mês passado, a proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados e, agora em tramitação no Senado, poderá sofrer mudanças.

 

Também vão entrar no cálculo dos 15% os recursos dos royalties do petróleo destinados à saúde e gastos do governo com farmácia popular.

 

A Folha apurou que o governo estuda duas possibilidades para financiar a ideia. A primeira, da preferência do Planalto, é escalonar os reajustes até 2018. Nessa opção, o orçamento da saúde chegaria progressivamente a R$ 147 bilhões em 2018.

 

Na segunda opção, defendida por aliados no Congresso, a ideia é escalonar os valores pelos próximos três anos, com soma de R$ 34,8 bilhões a mais em recursos.
(TAI NALON)

 

Colaboraram GABRIELA GUERREIRO e MÁRCIO FALCÃO

CATEGORIA INCLUI ANALGÉSICOS E ANTITÉRMICOS; CFM CRITICA A RESOLUÇÃO

DE O ESTADO DE SÃO PAULO - 24/09

 

ALLAN NASCIMENTO - ESPECIAL PARA O ESTADO


A partir de quarta-feira, 25, Dia Internacional do Farmacêutico, profissionais da categoria em todo o País vão poder receitar medicamentos que não exigem prescrição médica, como alguns analgésicos e antitérmicos. A resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) será publicada nesta quarta-feira, 25, no Diário Oficial da União.


Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Pedro Menegasso, a medida vai formalizar o que já era um hábito de parte da população brasileira. "As farmácias já são obrigadas a ter um farmacêutico e esse auxílio já era dado informalmente."


A regulamentação foi aprovada pelo CFF nove dias depois de o Congresso Nacional aprovar os vetos feitos por Dilma Rousseff à Lei do Ato Médico. A lei prevê que o ato de prescrever tratamentos não seja exclusivo para formados em Medicina.


Para o presidente do CRF-SP, a aprovação das mudanças poucos dias depois da aprovação dos vetos ao Ato Médico foi coincidência. "A decisão de prescrever medicamentos que não exigem receita médica não entra na área deles (dos médicos). Todo medicamento oferece riscos. O farmacêutico é o profissional que melhor pode orientar os pacientes, já que é nosso campo de estudo."


O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda não se pronunciou sobre a medida. O primeiro-secretário, Desiré Callegari, disse que "a lei que regulamenta a profissão do farmacêutico não prevê o diagnóstico de doenças e a prescrição de tratamentos". O CFM espera a publicação para tomar providências cabíveis.

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