Audiência pública realizada na terça-feira, 29, na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, discutiu a distribuição de medicamentos e a assistência farmacêutica no município. O Sinfarmig esteve representado pelos diretores (foto) Júnia Lelis, Ricardo Ribeiro. O diretor Sebastião Fortunato de Faria teve assento à mesa representando o Conselho Municipal de Saúde de BH.
Durante o evento, o secretário adjunto de saúde da capital, Fabiano Pimenta, admitiu que há problemas com o abastecimento de medicamentos na rede municipal. “Temos como avançar. Manter a rede abastecida é desafio cotidiano que às vezes foge à governabilidade da Secretaria Municipal de Saúde”, disse, insistindo que o desabastecimento, quando ocorre, é pontual.
O gestor foi questionado pelo representante dos usuários das nove regionais de saúde de BH no Conselho Municipal de Saúde, Ivan Martins. “Recebo reclamações diárias dos usuários e posso garantir que pelo menos 30% dos medicamentos da lista disponibilizada pela prefeitura faltam”, assegurou. Ele pediu à equipe de gestores presentes da prefeitura que sejam mais transparentes e divulguem a lista dos medicamentos em falta. “Tenho certeza que podemos lutar juntos para mudar essa situação”, ressaltou.
Mais farmacêuticos e mais autonomia
A farmacêutica Regina Lemos Silva, responsável pela Gerência de Assistência Terapêutica (Gemed) da PBH avaliou que o município tem problemas sérios para distribuir os medicamentos. Ela afirmou que o número de veículos é insuficiente para atender todas as unidades de saúde. A compra dos medicamentos seria outro gargalo criado pelas indústrias farmacêuticas que, conforme a gerente, “têm uma visão diferente quando se trata de vender para o serviço municipal de saúde”. Ela frisou que a assistência farmacêutica (pelo município) deve ser vista para além da compra e distribuição, incluindo a orientação para o uso correto dos medicamentos distribuídos. Regina ainda destacou que o termo assistência farmacêutica é relativamente novo para a sociedade.
Interpelada pelos vereadores sobre o desperdício de medicamentos, a gerente de assistência da PBH, Maria Luisa Tostes, concordou que ele acontece, especialmente pela dificuldade que pacientes com doenças crônicas têm de usar os medicamentos de forma contínua.
O secretário adjunto de saúde reforçou que, em 2014, haverá contratação de mais farmacêuticos de modo que cada centro de saúde seja atendido por um profissional. Atualmente Belo Horizonte possui 147 unidades de saúde que recebem 135 receitas médicas diárias com prescrição de medicamentos. Para o presidente da comissão de saúde da Câmara de Vereadores, Dr Nilton (PROS), um farmacêutico por unidade seria um número ainda é pequeno. “Como é que é possível para um profissional fazer assistência farmacêutica com 135 receitas por dia?”, questionou.
O diretor do Sinfarmig, Sebastião Fortunato (na foto abaixo ao microfone), argumentou que é necessário que o farmacêutico tenha mais autonomia dentro das escalas de trabalho nas equipes de saúde. “É preocupante. Em BH, o farmacêutico transita na farmácia, na enfermagem e fica sujeito à escala de trabalho”, explicou, destacando que faltam profissionais concursados, com perfil adequado para levar adiante a assistência farmacêutica. “A prefeitura tem que pensar no perfil profissional que permita ao farmacêutico outras ações”, disse, enfatizando a importância que o farmacêutico tem dentro das equipes dos centros de saúde”.
