Uma aula sobre Saúde Pública e Assistência Farmacêutica. Assim foi a abertura oficial do 4º Encontro Nacional de Farmacêuticos no Controle Social da Saúde, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na capital paulista, na noite de quinta-feira (21/11).


Entre as diversas falas, ficou evidente a contribuição dos farmacêuticos na luta por um Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade. Acompanhe outras notícias sobre o evento no site da Escola Nacional dos Farmacêuticos aqui.
Neste primeiro dia do encontro, promovido pela Escola Nacional de Farmacêuticos em parceria com a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), que acontece no Hotel Lorena, também houve o Curso de Formação para Acompanhamento da Política Nacional de Assistência Farmacêutica na Saúde.


Silvana Nair Leite, presidenta da Escola Nacional dos Farmacêuticos, fez a saudação de abertura oficial do Encontro, que foi seguida da Sessão Comemorativa: Os 10 anos da 1ª Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica: A Força do Controle Social, que também lembrou os 25 anos do SUS também comemorados em 2013.


“Os motivos que nos trazem hoje aqui para comemorar são mais do que dois momentos da história do Brasil. A promulgação da Constituição instituindo um sistema de saúde único, universal, descentralizado, de atenção integral a todos os brasileiros e caracterizado pela participação social em sua gestão é um divisor de água no desenvolvimento de nossa nação, inaugurando uma nova concepção do cidadão brasileiro de seus direitos”, destacou Silvana, que fez parte da mesa formada para o evento.


A vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB-SP) deu as boas-vindas a todos à cidade e falou da importância da militância, dos que se dispõem a “cerrar fileiras em comemoração aos 25 anos da nossa Constituição, em particular a criação do SUS, é para celebrar mesmo.” “É uma luta de fôlego, já foi uma luta muito grande para alcançar a implantação do Sistema Único de Saúde. Mas, nós, por incrível que parece, apesar dos ataques feitos à Saúde Pública do país, vimos neste ano, com satisfação, que tanta gente que participou das manifestações pelo país no primeiro semestre, reivindicava saúde e educação públicas, de qualidade”, disse a vice-prefeita.


A vice-prefeita Nádia Campeão presente na sessão comemorativa que abriu o 4º Encontro
Ela comemorou o fato de hoje poder contar com o apoio popular para que os três níveis do Estado brasileiro realize investimentos maiores na área. “Perseguir esse objetivo é dar condições aos trabalhadores e cidadãos brasileiros, independente da camada social, de ter assegurado o atendimento público de saúde com qualidade. Muitos países gostariam de estar no patamar que o Brasil se encontra, com uma proposta, um sistema estruturado que sabe o que é preciso fazer do ponto de vista público. E o que vemos por aí fora, em outros países, é o absoluto controle da saúde pelo sistema privado”, enfatizou Nádia Campeão, que se lembrou do papel do farmacêutico no setor que aprendeu a admirar bastante e com a dignidade com que defendem sua profissão e o setor da saúde, participando com muita competência do debate público nacional não somente da saúde, mas em diversos assuntos do movimento sindical”.


Maria Eugênia Cury, que fez parte da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional e atualmente é chefe de Núcleo da Anvisa, enfatizou a participação popular no encontro, que possibilitou a troca de experiências e a renovação da visão dos trabalhadores do setor, que aprenderam a ver as situações a partir do usuário. , que também lembrou que a comissão organizadora da conferência chegou a passar uma noite em claro no último dia do evento para dar conta de ler e encaminhar todas as propostas recebidas durante o encontro.


“Nós permitimos pela primeira vez trazer para a discussão a população. Antes se discutia assistência farmacêutica e politica de medicamentos em gabinetes, definida por técnicos e profissionais”, destacou Maria Eugênia, lembrando a importância do diálogo com a população para ampliar o acesso ao medicamento. “É um marco dessa conferência e trouxe para nós, para nossas entidades a visão da população. Depois dessa conferência não foi mais possível fazer a discussão da politica de medicamentos e assistência farmacêutica sem ter em seu bojo o controle social”, completou.


Célia Chaves
Célia Chaves, dirigente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), que fez parte da comissão de relatoria da Conferência de Assistência Farmacêutica, lembrou que nunca tanta gente se reuniu num país para discutir o tema, o que trouxe um volume de propostas incomensurável’. “Passamos duas, três noites em claro num processo de relatoria para sistematizar todas as propostas e, mesmo assim, o relatório ficou imenso. Mas ficou imenso porque retratou o anseio da sociedade sobre a questão. Foi uma participação ampla, democrática. Temos um documento final de referência para o que vem daqui para frente. E se pegarmos o que está nesse relatório, muito do que está ali conquistamos, mas, ainda temos que avançar muito. É neste sentido que esperamos dar continuidade ao processo de conferência, seja numa segunda edição da Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica, seja no processo de avaliação da Ciência e Tecnologia, enfim, seja onde for, que consigamos fortalecer essa política e o SUS”, conclui.


Luta contra o Estado capitalista

Em um dos momentos mais emocionantes da sessão, a professora e militante farmacêutica e feminista Clair Castilho (na foto acima), que foi coordenadora geral da 1ª Conferência Nacional, puxou pela memória o primeiro momento do país em que os farmacêuticos apareceram de forma expressiva na cena pública, como protagonistas e membros da equipe multidisciplinar de saúde, que processam a saúde e a doença, a doença e a cura - a remediação da doença. “A Conferência significou o protagonismo do farmacêutico e sua vinculação ao processo de implementação do SUS. Já vínhamos de uma longa jornada do movimento sanitário, desde 1974, quando foi decretado o fim do chamado Milagre Econômico da ditadura militar, quando se percebeu a absoluta falência do modelo assistencial que vinha sendo implementado no país”, recordou Clair, que contextualizou aos presentes os momentos que antecederam a Conferência, como a Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) dos Medicamentos, da Câmara, em 2000, que entregou seu relatório final ao Conselho Nacional de Saúde (CNS).


Na ocasião, Clair era conselheira do CNS, que não considerou o voto em separado da oposição quanto aos resultados da CPI e por conta disso pediu vistas. “Chamei o Ronald, o Norberto, o Miguel e outros que entendiam sobre o assunto. E nos juntamos para escrever uma resposta ao voto em separado. Passamos uma noite de conchavo no sindicato dos Farmacêuticos de Santa Catarina. E quando apresentei foi um impacto geral no CNS porque eu era representante do movimento feminista no Conselho, não estava como farmacêutica. Defendi a proposta, colocamos em votação e ganhamos por 19 a 4. A partir daí estava consolidada a Conferência”, comemorou Clair, que representava a Rede Nacional Feminista de Saúde. Em sua fala, ela se referiu ao atual presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos; ao assessor especial da presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Norberto Rech; e ao diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DAF/SCTIE/MS), José Miguel do Nascimento Júnior, também presentes na mesa que compôs o evento.


Nasce a Conferência

Grupo participante da Sessão Solene e do Curso, no primeiro dia do 4º Encontro Nacional dos Farmacêuticos  


Foi somente em 2003, no primeiro governo Lula, que foi aprovada a realização da Conferência Nacional. “Foi uma conferência plural, dentro de um CNS que também era e é representante de todos os tipos e formas de representação popular”, destacou Clair que fez uma reflexão sobre o que é o controle social: “É importante refletir que nós temos que entender que o controle social é de dupla interpretação. Uma que é o controle do Estado sobre a sociedade, que é o que acontecia durante a ditadura militar, através da repressão tortura, mortes, privação da liberdade. E tem o que a gente atravessa agora, que também é do Estado sobre nós, porque saímos da ditadura miliar e continuamos na ditadura do capital, e se dá através de um terrível estímulo a alienação, a futilidade, ao consumo, a culpabilização dos movimentos sociais, a uma superficialidade nas análises dos processos que passamos.”


Para Clair, é fundamental que haja um controle social da ditadura do capital a partir do controle da sociedade. “E a sociedade controlando o Estado, no estado capitalista, significa disputar passo a passo o financiamento do social em detrimento do financiamento do capital. O papel do estado capitalista é pegar o dinheiro público que é de todos para financiar o capital privado. O controle social é disputar esse quinhão do orçamento público para financiar o interesse da maioria da população, da saúde dos oprimidos”, completou.


Como feminista, Clair ressaltou que é preciso também avançar nas disputas e nas lutas de outros segmentos, também usuários do SUS, como mulheres, negros, indígenas, segmento LGBT, sem-terra, sem-teto, assentados de barragens, que na maioria das vezes não têm voz nem vez.


“O nosso papel se reveste disso. O movimento sanitário foi na contramão do processo hegemônico para chegar ao SUS”. Diante das dificuldades atuais, com poucos recursos para a saúde pública e financiamento dos planos de saúde privados por parte da Agencia Nacional de Saúde Suplementar, ela fez um apelo: “A gente não tem que desanimar e, como dizia o pessoal de maio de 1968, as revoluções são impossíveis até que se tornem imprescindíveis e inadiáveis. E é isso que vai acontecer, tenho certeza.”


Luta histórica

Foram muitas as declarações sobre a “aula” dada pelos presentes, inclusive por integrantes da mesa, como Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU) que afirmou estar “tendo uma aula aqui de participação e de civilidade.” “A Federação Nacional dos Farmacêuticos tem um trabalho brilhante de exemplo, como do uso racional dos medicamentos. Nós da CNTU enxergamos nos farmacêuticos um exemplo de trabalho, dedicação e participação nacional”, destacou Murilo. Quem também recordou o movimento para a construção da 1ª Conferência foi Norbeto Rech e José Miguel do Nascimento Júnior.


“Foi importante o processo político de combate à ditadura que levou a uma aglutinação de forças importantes e que entenderam o campo da saúde como um campo contra hegemônico importante para espraiar o entendimento daqueles que lutavam por um país livre, e alertar o que significava viver numa ditadura daquela”, declarou Norbeto Rech, que ressaltou que os reflexos de políticas adotadas naquele momento são sentidos no presente e seguirão no futuro. “Se hoje comemoramos os 10 anos da Conferência, foi durante esse processo anterior, que começamos a discutir e a traduzir o que entendíamos por assistência farmacêutica. No processo de enfrentamento da ditadura, Nos desapropriamos da nossa identidade como profissionais da saúde , que havíamos perdido nas décadas anteriores e nos desapropriamos da nossa identidade como profissionais ligados ao medicamento”, concluiu.


Tanto Norberto, quanto José Miguel, reforçaram a importância do processo iniciado na década de 1990, que desembocou na Conferência, em 2003, para a formação do conceito de assistência farmacêutica que os trabalhadores ligados à Fenafar defendem como tese para a prática, que vincula a atuação do farmacêutico ao conjunto dos demais trabalhadores e que levou a medidas atuais importantes como a obtenção de mais recursos para a assistência farmacêutica.


“Foi a partir do enorme esforço da Fenafar que se obteve recursos para qualificar a assistência farmacêutica”, destacou José Miguel que frisou um dos papeis importantes da Conferência: o de ampliar o acesso dos medicamentos à população.


José Miguel lamentou que o Senado não tenha absorvido a demanda das ruas sobre saúde, representada pelo Movimento Saúde+10, que colheu 2,2 milhões de assinaturas para o projeto de iniciativa popular que exige a aplicação de 10% das receitas correntes brutas da União no setor. Ele disse esperar que o debate e a proposta seja absorvido na Comissão Especial da Câmara criada para discutir o assunto.


“Por mais que tenhamos avançado nestes 10 anos, está acontecendo um processo de acesso da população mais recentemente. Pesquisa Nacional de Acesso e Utilização de Medicamento, que conta com apoio de 11 universidades, está visitando 40 mil domicílios brasileiros que serão ouvidos para saber o quanto o SUS contribuiu para o acesso da população ao medicamento. “Passados 10 anos da conferência e 25 do SUS, qualquer numero inferior a 80% vou ficar frustrado porque há um esforço gigantesco das gestões do SUS para o acesso”.

Para Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Fenafar, que encerrou a sessão solene lembrando que são momentos como esse, da sessão, que dão razão a luta dos farmacêuticos. “O verbo melhor a ser conjugado agora é o lutar. Convido a todos a compartilhar esse sentimento de luta coletiva que foi expresso neste momento. Vamos fortalecer a Fenafar”, afirmou.


Estavam presentes representantes dos sindicatos da categoria do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Paraná, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, além do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina e do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (presente na mesa).


Deborah Moreira
Da redação da Fenafar

Durante a manhã de sábado (23/11), a diretoria executiva da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) se reuniu no Hotel Lorena, em São Paulo (SP). Na pauta, a conjuntura político-econômica do país e do mundo e os desdobramentos para o cenário de 2014, quando ocorrerão eleições em todo o país. “As ruas em junho provocaram cinco pactos propostos pela presidenta Dilma, que estão em discussão. Uma delas, é o pacto pela responsabilidade fiscal, que é uma espécie de segunda Carta aos Brasileiros, uma sinalização ao sistema financeiro que não permitirá que nenhum projeto de lei que represente acréscimo ao orçamento do governo seja aprovado no Congresso Nacional”, afirmou Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Fenafar.



Além da responsabilidade fiscal, compõem os cinco pactos: mobilidade urbana, educação, saúde e plebiscito da reforma política.



Ronald lembrou que tanto no 7º Congresso da Fenafar, quanto na última reunião da diretoria, em maio deste ano, foram definidas diretrizes da entidade as quais são muito semelhantes às que foram ecoadas nas ruas: saúde, educação e serviços públicos de qualidade. De acordo com sua análise, o que foi mais determinante no processo político do país não foi a movimentação partidária, mas sim as manifestações de junho. Portanto, toda avaliação de conjuntura deve levar em conta o protagonismo dos movimentos sociais. ”A Fenafar teve participação nesse movimento que tem ainda grande impacto na composição e mobilização das diferentes forças políticas nacionais e também nos estados”, completou, pontuando que é preciso saber quais são os interesses econômicos dessas forças nos estados e quais são as vinculações dessas forças com o debate nacional, além de ter como referencia política nacional a construção coletiva da categoria.



Diante desse panorama, duas posições estarão sendo confrontadas em 2014: as que defendem o capital financeiro como principal agente beneficiado pelo sistema econômico brasileiro e as que defendem a ampliação dos direitos sociais. Nesta semana, o governo federal já deu sinais que seguirá esse pacto anunciado pela presidenta Dilma, em rede nacional de rádio e TV, com a proposta feita pelo governo durante a votação da LDO, de redução de superávit primário, o que contraria o capital especulativo. No entanto, no dia seguinte, assistimos a ‘entrega’ dos aeroportos do Galeão e Confins à iniciativa privada. Ou seja, há um cenário bastante contraditório, o qual uma das principais medidas de boa parte das forças que se dedicam a apresentar alternativas a essa imobilidade nas questões sociais é a “resistência avassaladora, com ofensiva do capital, apontando como possibilidade de enfrentamento o crescimento econômico com aumento de renda”.



Foi colocado ainda que existe a necessidade de um novo projeto nacional de desenvolvimento, que leve em conta o crescimento econômico. “Sem conseguir produzir riqueza, o país permanecerá vulnerável. O estado de bem-estar social ruindo na Europa é o exemplo mais concreto de que quem paga a conta da crise é o povo”, alertou Ronald.



Tanto Ronald quanto Rilke expusaram a necessidade da Fenafar se manter antenada com o contexto político e econômico do país e do mundo e que a cada 3 anos temos que nos debruçar sobre ele e construir propostas coletivamente com proposições para enfrentar as forças antagônicas. "A intervenção da nossa entidade, enquanto entidade sindical, de se incorporar cada vez mais na agenda da classe trabalhadora e que, passadas as manifestações de junho, tomou para si algumas palavras de ordem: como a unidade da classe trabalhadora. É preciso construir um centro de afinidade de posições mais progressistas com partidos políticos, movimentos, organizações, intelectuais, acadêmicos para poder enfrentar a avalanche do capital financeiro", disse Ronald.



PIG



Outro ponto destacado foi o avanço da grande mídia capitalista, conhecida por Partido da Imprensa Golpista (PIG), que vem agindo de forma partidária, em oposição aos governos progressistas a frente do país nos últimos 10 anos, e que agem ocupando um espaço vazio deixado pelos partidos de direita - de oposição – como DEM, PSDB e PPS. “Quem assiste os telejornais acredita que o país enfrenta uma das maiores das crises”, lamentou o presidente da Fenafar.



O primeiro vice-presidente da entidade, Rilke Novato Públio, concorda que as manchetes da grande mídia não refletem o panorama real e alertou para o poder da grande mídia: "Quem lê e vê a grande mídia tem outra visão, percebe que os partidos de direita não estão nada fragilizados. Estão ocorrendo situações absurdas, como ao chamado propinoduto tucano e o desvio de recursos das obras do Metrô de São Paulo, juntamente com a iniciativa privada e que há inúmeras provas. Por outro lado, essa mídia contibuiu para pressionar pela condenação injusta dos envolvidos na Ação Penal 470, o chamado mensalão", exclamou, referindo-se ao PIG, que representa os interesses do capital, e que estará cada vez mais forte, diante do enfraquecimento dos partidos de oposição (DEM, PSDB por exemplo).



Mas, Rilke chamou a atenção para o fato de que as elites do país ainda dominam o cenário. “Ao contrário das manchetes da imprensa, o país está caminhando, é fato. Mas estamos em meio a uma crise de identidade e é preciso resolvê-la para continuar a avançar. Ganhar as eleições de Lula não significou ganhar o poder, que ainda está concentrado nas mãos de uma elite econômica. Fazer reverter esse quadro não se dá da noite para o dia. Mas, estamos às vésperas de uma eleição muito decisiva. E sem divida nenhuma uma entidade como a Fenafar, que tem papel relevante no cenário nacional, precisa assumir responsabilidade e o seu papel de representante da classe trabalhadora”, destacou Rilke.



Crise do capital

O capitalismo passa atualmente por uma das maiores crises de seu sistema atualmente. E sabe-se que, o primeiro a sentir, é o trabalhador que tem corte de direitos e de salário. E para superar o cenário de crise, os detentores do capital expandem mercado e avançam também na área da saúde.



Foi lembrado o cenário de crise internacional que abateu toda a União Europeia deixando a população de países, como Grécia e Portugal, em situação de desemprego, endividamento e empobrecimento.



Para reduzir os impactos sobre a população é necessário uma maior intervenção do Estado, com valorização do trabalho, investindo no setor produtivo brasileiro e, assim, revertendo o atual processo de desindustrialização. Mas, foi lembrado que o conjunto de forças está absolutamente disperso, o que vai garantir a vitória e alguns retrocessos no sentido da orientação de um projeto nacional de desenvolvimento.



“A conjuntura nos impõe algumas questões fundamentais como a formação de um centro de afinidade de forças progressista, que leve em conta as questões primordiais como aumento da taxa de investimento, valorização do trabalho, do mercado interno brasileiro, bem como a presença e fortalecimento do Estado e suas responsabilidades. Somente com a união dessas forças será possível avançar nas conquistas para o povo brasileiro”, enfatizou Ronald Ferreira.



Durante a reunião foi lembrada a importância de haver o contraponto ao capital, como a manifestação promovida pelas centrais sindicais em frente ao Banco Central, em Brasília, na terça-feira (26/11), às 10h, contra os juros altos. Atos como esse contribuem para combater o tripé da economia neoliberal, herança do governo FHC: juros altos, superávit primário e responsabilidade fiscal.



Internacional


O primeiro vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato Públio, fez uma análise da conjuntura internacional apontando as limitações do governo de Barack Obama, nos Estados Unidos, de modo que os EUA vêm reproduzindo ações do governo Bush. Lembrou, ainda, a questão da espionagem trazida à tona por Eduard Snowden, ex-técnico da empresa de vigilância NSA, braço da CIA, da existência de uma rede global de espionagem internacional, encabeçada pelo governo estadunidense, que atinge o governo brasileiro e empresas e mercados estratégicos como a Petrobras.



Já Ronald falou dos ataques estratégicos dos EUA como na Síria, que nada mais é do que a reação capitalista diante da crise.



A reunião continuou durante à tarde deste sábado quando foi discutido o planejamento estratégico da gestão 2012-2015.

Deborah Moreira
Da redação da Fenafar

Folha de S. Paulo - 19/11/2013 - 03h05
Cláudia Collucci - colunista

 

 

"Eu não tomo mais [estatina]. Me deu uma gastura, doía o corpo todo", comenta uma senhora com a colega na fila do caixa de um mercado.

 

 

A conversa partiu de uma notícia na TV sobre as novas recomendações para a prevenção de infarto e derrame lançadas pelas duas principais associações americanas de cardiologia na semana passada, que vão mudar a forma como os remédios contra colesterol são prescritos nos EUA.

 

 

A notícia continua repercutindo nos EUA e foi um dos principais temas discutidos no congresso da American Heart Association, que começou em Dallas no último fim de semana.

 

 

Segundo as novas diretrizes americanas, as estatinas (como Crestor e Lipitor) devem ser prescritas para pessoas sem doença cardiovascular com um risco de 7,5% ou maior de infarto ou AVC (acidente vascular cerebral) nos próximos dez anos.

 

 

Ao ouvir o diálogo, pensei sobre a pouca importância que os médicos, os pesquisadores e a imprensa de uma forma geral dão a uma questão tão cara ao paciente: os efeitos colaterais dos remédios, que fazem com que muitos desistam deles.

 

 

No caso das estatinas, os médicos sempre fazem questão de frisar que os benefícios superam em muito os riscos. Mas muitos pacientes não pensam duas vezes em largar o medicamento para se livrar dos seus efeitos indesejáveis.

 

 

Ano passado, esses remédios foram ligados a um risco de causar diabetes tipo 2, problemas cognitivos e dores musculares, segundo alerta da FDA (agência que regula fármacos e alimentos nos Estados Unidos).

 

 

A associação do remédio com o diabetes e as dores musculares já era conhecida. O risco de ter diabetes tipo 2 é maior para quem é obeso e tem pressão, triglicérides e glicose mais altas.

 

 

As dores musculares também são comuns. Representam a maior queixa de quem toma as estatinas. Além delas, o paciente pode sentir cansaço ou fraqueza nos músculos.

 

 

Ocasionalmente, o uso da estatina também pode causar danos ao fígado, aumentando a produção de enzimas que ajudam a digerir alimentos, bebidas e medicamentos. Se o aumento for grave, será preciso trocar de medicamento. Também há relatos de náuseas, gases, diarreia ou prisão de ventre.

 

 

Já a perda de memória e a confusão mental relatadas pela FDA, que foram observados após o uso de todos os tipos de estatina e em pacientes de todas as idades, pegaram alguns médicos de surpresa porque os sintomas não aparecem em muitos dos estudos clínicos.

 

 

Ainda que as reações desapareçam após a interrupção do remédio, os pacientes precisariam estar mais bem informados sobre os efeitos colaterais dessas drogas e as providências que devem tomar caso venha a enfrentá-los. E, mais do que nunca, serem incentivados a adotar hábitos saudáveis de vida (dieta balanceada e atividade física) antes do uso das estatinas.

Está aberto até a terça-feira (26/11) o prazo para envio de sugestões para o chamamento público aberto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre prescrição e dispensação de medicamentos genéricos e similares.

O objetivo é coletar opiniões, dados e informações para que a Anvisa possa colocar em discussão a necessidade de revisão das regras atuais para este tema.

Até o momento mais de 300 pessoas já enviaram suas contribuições. O assunto corresponde ao tema 46 da Agenda Regulatória da Anvisa para o biênio 2013/2014. Para participar basta acessar o link e preencher o formulário. No mesmo documento também é possível acompanhar as sugestões já feitas por outros participantes.

Fonte: Fenafar

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