NOTA DE ORIENTAÇÃO
AOS CONSELHEIROS FEDERAIS, DIRIGENTES DE CRFS E SINDICATOS
 
SOBRE A MEDIDA PROVISÓRIA 653/14
 
Reunidos na tarde de ontem (13.08) os membros do Fórum Nacional de Luta Pela Valorização da Profissão Farmacêutica (CFF, Fenafar, Feifar, ABEF e Enefar) e da Comissão Parlamentar/CFF analisaram o escopo jurídico e legislativo que envolve a MP 653/14. E, diante do grande número de notícias, algumas com análises precipitadas, conflitantes e até distorcidas, definiram, como primeira estratégia de ação, a orientação aos dirigentes de conselhos regionais e sindicatos quanto às manifestações à imprensa (entrevistas), bem como, em seus próprios meios de comunicação, para atentar aos seguintes pontos:
 
- A Lei 13.021/14 é, sim, uma conquista para a categoria: 
1.1 – É preciso reforçar o novo conceito de farmácia, como unidade de prestação de serviços de saúde e os benefícios que isso traz para a saúde da população;
1.2 – Destacar as diferentes possibilidades de serviços clínicos que serão oferecidos à população, tais como: acompanhamento farmacoterapêutico, aplicação de soro e vacinas, farmacovigilância; 
1.3 – Salientar a importância da assistência farmacêutica em todo horário de funcionamento das farmácias para garantir a qualidade dos serviços prestados. Por isso o farmacêutico precisa estar presente, pois ele é o profissional com condições de garantir essa qualidade;
1.4 – lembrar que a Lei, em seu artigo 5º, deixa clara a importância do farmacêutico como profissional da saúde envolvido na promoção e recuperação da saúde; 
1.5 – Explicar, ainda, que a Lei também se aplica às farmácias hospitalares, um avanço para o setor;
1.6 – Lembrar que o farmacêutico e o proprietário dessas unidades de saúde (farmácias) agirão sempre de forma solidária, na promoção do uso racional de medicamentos. 
 
MP653/14
Quando questionados, explicar que a Medida Provisória 653/14 não altera, em nada, o que já vem sendo aplicado pela 5.991/73. A Medida Provisória diz que as farmácias e drogarias, que são micro ou pequenas empresas, devem seguir o disposto no artigo 15 da Lei 5991 de 1973, que já era aplicado antes da publicação da Lei e da Medida Provisória. Dessa forma, não tem mudança. Todas essas farmácias e drogarias continuarão agindo como sempre agiram em relação à responsabilidade técnica e inscrição no Conselho.
 
 
PROVIDÊNCIAS
Os membros do Fórum Nacional de Luta Pela Valorização da Profissão Farmacêutica (CFF, Fenafar, Feifar, ABEF e Enefar) e da Comissão Parlamentar/CFF, com o apoio da consultoria jurídica e assessoria parlamentar do CFF, estão tomando as devidas providências para provar aos poderes Executivo e Legislativo que a saúde da população deve estar em primeiro lugar. 
 
É importante lembrar que o artigo 5º, da Lei 13.021/2014, afirma que todas as farmácias e drogarias terão que ter farmacêutico como Responsável Técnico, sem exceção. E o Parágrafo único do artigo 11 diz que “é responsabilidade do estabelecimento farmacêutico fornecer condições adequadas ao perfeito desenvolvimento das atividades profissionais DO FARMACÊUTICO”.(grifo nosso)
 
Por favor, as dúvidas devem ser encaminhadas à Consultoria Jurídica do CFF. 
 
Fórum Nacional de Luta Pela Valorização da Profissão Farmacêutica 
Comissão Parlamentar/CFF

A Anvisa determinou, na sexta-feira (15/08), a proibição da distribuição e comercialização, em todo o país, do lote 32966047S1 do produto Água Mineral Natural da marca São Lourenço, produzido pela empresa Nestlé Waters Brasil - Bebidas e Alimentos Ltda. O lote, que possui validade até 23/10/2014, apresentou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa acima do limite estabelecido na legislação sanitária.
 
A amostra foi coletada pela Vigilância Sanitária de Campinas após denúncia de um consumidor que relatou gosto estranho do produto. A Pseudomonas aeruginosa causa alterações de odor e sabor nos alimentos, mas normalmente não representa risco preocupante à saúde da população em geral. No entanto, em crianças, gestantes e pessoas com sistema imunológico fragilizado, a bactéria pode causar infecções.
 
A vigilância sanitária de Minas Gerais, onde está localizada a fábrica do produto, já foi acionada para adotar as medidas necessárias junto à empresa.
 
A medida tem validade imediata. O lote em questão não pode ser comercializado e o recolhimento é de responsabilidade do fabricante.
 
Agulha descartável
 
Também foi suspenso o lote 1111125 do produto Agulha Descartável0,7x25/22g1, fabricado pela empresa Hangzhou Tongji Medical Instruments Co. Ltda. China e importado e distribuído pela Embramac - Empresa Brasileira de Materiais Cirúrgicos, Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda. O lote apresentou resultado insatisfatório no ensaio de aspecto, onde se constatou a presença de uma das unidades no interior da embalagem sem a capa protetora da cânula.
 
Fonte: Imprensa Anvisa

Está marcada para o dia 19 de agosto, terça-feira – amanhã -, às 9h, a reunião de negociações coletivas de Farmácia Hospitalar com intermediação da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE), entre Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) e Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Minas Gerais (Sindhomg). 
 
O endereço da SRTE é rua Curitiba - de 0947/948 a 1479/1480 - 3º andar, 832 Centro - Belo Horizonte/MG.

A 20ª Conferência Internacional de Aids teve início sob forte sentimento de tristeza, após o acidente aéreo que causou a morte de diversos ativistas, pesquisadores e profissionais da saúde que participariam do evento. Durante cinco dias de atividades, aproximadamente 12 mil pessoas se reuniram em Melbourne, na Austrália, para discutir as ações já realizadas e o que ainda precisa ser posto em prática a afim de diminuir a prevalência do HIV/Aids no mundo. Na ocasião, ressaltou-se que, apesar dos esforços de todos os envolvidos na luta contra a doença nos últimos 30 anos, ainda há muito o que ser feito. Com o lema Ninguém deve ser deixado pra trás, o encontro culminou na Declaração de Melbourne, elaborada para dar visibilidade ao impacto das leis discriminatórias e estigmatizantes que aumentam a vulnerabilidade de determinados grupos frente ao HIV/Aids.
 
A pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Monica Malta destacou alguns pontos debatidos durante a conferência. Entre eles, o lançamento do RelatórioGap, elaborado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). O documento faz um alerta: das 35 milhões de pessoas vivendo com HIV/Aids no mundo, 19 milhões não sabem que possuem o vírus. Além disso, ressalta a importância de uma análise mais profunda das epidemias locais, visando elaborar respostas mais eficazes e adequadas para cada região/país.
O relatório investiga também as razões para a crescente lacuna entre as pessoas que possuem acesso ao tratamento, prevenção, cuidado e apoio e aquelas que não possuem. Neste contexto, o documento indica que a única possibilidade para o fim da epidemia de Aids é focar as ações nas populações mais vulneráveis. De acordo com dados do Unaids estima-se que a prevalência de HIV seja 28 vezes maior entre as pessoas que usam drogas injetáveis; 12 maior entre os profissionais do sexo; e até 49 vezes mais entre transexuais femininas quando comparado ao restante da população adulta.
 
O documento identifica que é possível alcançar a cura da Aids, porém é preciso preencher importantes lacunas como a quase inexistência de dados sobre as pessoas mais afetadas pela doença, o estigma e descriminação e a criminalização de grupos mais vulneráveis. Segundo Monica Malta, a conferência deu voz aos mais afetados pela epidemia, que participaram ativamente de diversas mesas e debates relatando suas experiências de vida e violações de direitos humanos sofridas.
 
The Lancet lança volume especial sobre impactos do HIV/Aids em trabalhadores sexuais
Durante o evento, a revista The Lancet apresentou um volume especial com sete artigos que discutem o impacto do HIV/Aids entre trabalhadores sexuais. De acordo com os pesquisadores responsáveis pela publicação, com maior vulnerabilidade frente ao HIV e por outras Infecções Sexualmente Transmitidas (ISTs), os trabalhadores sexuais enfrentam barreiras substanciais de acesso a informações de prevenção, ao tratamento e a serviços de saúde devido ao estigma, a discriminação e a criminalização. Desta forma, essas injustiças sociais, legais e econômicas contribuem para o alto risco de contaminação desta população, que permanece mal atendida ao redor do mundo, além de sofrer diariamente violência e abusos.
 
O volume especial da revista reforça como a parceria entre pesquisadores e grupos mais afetados é importante e necessária. Na edição temática muitos trabalhadores sexuais participaram ativamente das pesquisas e são, inclusive, coautores dos artigos publicados. Conforme disse Monica, os autores fizeram um apelo pela descriminalização do trabalho sexual como parte do esforço global para o controle da epidemia de Aids. Todos os artigos publicados estão disponíveis para leitura na internet.
 
A possível cura da Aids
Outro assunto bastante debatido nos cinco dias de atividades foi a possível cura da Aids. Muitos palestrantes enfatizaram que a cura funcional do HIV, que consiste em supressão viral do HIV sem tratamento antirretroviral, é possível, apesar de requerer múltiplas estratégias. Segundo muitos palestrantes, a combinação de tratamento iniciado oportunamente - para muitos pesquisadores o início do tratamento deve ser assim que se descobre a infecção - deve estar aliado a intervenções adicionais, voltadas para evitar que o vírus do HIV se esconda em reservatórios no organismo; a utilização de alguma terapia para aumentar a resposta imune de pessoas HIV positivo; e ampla participação de grupos mais afetados para elaborar intervenções que não sejam apenas medicamentosas, culturalmente mais adequadas e voltadas para as diversas necessidades e especificidades de pessoas vivendo com a doença. Monica citou também que dificuldades adicionais foram discutidas para oferecer tratamento adequado às pessoas vivendo com HIV/Aids e coinfectadas pela tuberculose, uma das principais causas de óbito em portadores do vírus, além do alto custo do tratamento de pessoas com HIV/HCV - coinfecção prevalente entre pessoas que usam drogas injetáveis.
 
Pesquisadora da Fiocruz participa ativamente das discussões
Pela primeira vez uma pesquisadora brasileira integrou a plenária de abertura da Conferência Internacional de Aids. A pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) Beatriz Grinsztejn, foi a única brasileira a participar das sessões plenárias da 20ª Conferência como palestrante. Segundo Monica, as sessões plenárias são o espaço mais nobre do evento, sendo realizadas sempre no início do dia, e abordando temas de importância que acabam se replicando aos debates do decorrer do dia. De acordo com ela, Beatriz Grinsztejn ressaltou em suas apresentação a alta prevalência de HIV entre jovens gays e o baixo acesso ao teste nesta população, além de destacar a importância de implementar estratégias de combate à discriminação e mesmo criminalização entre grupos mais vulneráveis.
 
O cenário brasileiro frente ao HIV/Aids
Ainda na 20ª Conferência Internacional de Aids, o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, apresentou o atual plano brasileiro de combate à doença. A meta do plano é dobrar o número de pessoas que atualmente tomam medicamentos antirretrovirais no país. Em dezembro de 2013 o Ministério adotou a estratégia conhecida como tratamento como prevenção (TASP). A política de tratamento como prevenção é um resultado da pesquisa considerada pela revista Science como a descoberta científica de 2011.
 
O estudo mostrou que pacientes com HIV adequadamente tratados, ou seja, com o vírus não detectável no sangue, transmitem 96% menos que os não tratados. Um estudo posterior (Partner Study) realizado com 760 casais sorodiscordantes (um soronegativo e o outro soropositivo, em tratamento) divulgado este ano não identificou nenhum caso de transmissão entre os casais após dois anos de acompanhamento, confirmando a eficácia do tratamento como prevenção da transmissão. Gradualmente, a estratégia vem sendo adotada pelos governos sob a forma de antecipação do tratamento.
 
Segundo Monica, o tratamento antirretroviral era recomendado anteriormente quando a contagem de células de defesa (CD4) caía para menos de 350, o que significa uma queda moderada da imunidade. Desde junho do ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou que o procedimento fosse realizado a partir de 500, ou seja, apenas uma leve queda já justificaria o início do tratamento. “O Brasil optou por uma solução mais radical. Em dezembro de 2013, o novo protocolo clínico de tratamento recomenda o início dos antirretrovirais para qualquer pessoa diagnosticada com HIV, independentemente da imunidade. Foi o terceiro país a optar por esse tratamento universal, depois de Estados Unidos e França”, explicou a pesquisadora da Ensp.
 
A estratégia conhecida como test and treat é controversa e tem sido criticada por ONGs, ativistas pelos direitos humanos e por alguns pesquisadores. Na opinião do especialista do Imperial College de Londres, Geoffrey Garnett, essa estratégia reflete o melhor e pior da saúde pública. Para ele os pontos positivos incluem a prevenção de morbidade e mortalidade da população através do início precoce do tratamento e redução da disseminação do HIV. Por outro lado, os pontos negativos incluem o que ele chamou de over-testing, over-treatment, que se traduzem na possibilidade de efeitos colaterais, resistência aos medicamentos e potencial redução da autonomia do indivíduo.
 
Diversos representantes de ONGs têm receio de que essa política possa levar à adoção de testagem ou até mesmo tratamento compulsório. Geoffrey Garnett aponta ainda que um sucesso parcial desta estratégia de testar e tratar poderia levar a uma concentração ainda maior do HIV/AIDS em grupos mais vulneráveis, o que aumentaria riscos adicionais de estigma e coerção para iniciar o tratamento.
 
Autoteste para HIV
Monica citou também que outro assunto bastante controverso durante a conferência foi a apresentação do autoteste para HIV. Segundo ela, a OMS apresentou resultados de mais de 20 pesquisas que estão sendo realizadas em diversos países com o autoteste para o HIV -- aquele que a pessoa realiza em casa. Os resultados preliminares apresentados revelaram que ele tem alta aceitabilidade, confiabilidade, é de fácil administração, indolor e com alta privacidade entre a população geral. Atualmente, há dois modelos de testes caseiros disponíveis: o que usa o fluido oral, em que uma quantidade de saliva é retirada, e o que usa sangue, por meio de um pequeno furo na ponta do dedo. Segundo Rachel Baggaley, do Departamento de HIV da OMS, a necessidade de aumentar globalmente o acesso à testagem é a principal razão para se adotar o uso dessa técnica.
 
A adoção do autoteste tem gerado polêmica entre pesquisadores e organizações de base comunitárias do mundo todo. Os que são contra alegam que receber o diagnóstico positivo para HIV, sem ter tido acesso ao aconselhamento pré e pós teste pode gerar consequencias imprevisíveis. Também há o temor de que essa ferramenta aumente o estigma de quem vive com o vírus ou, ainda, encoraje o comportamento de práticas sexuais desprotegidas, uma vez que o resultado negativo pode ser interpretado como carta de alforria para continuar a transar sem camisinha.
 
Monica expôs também que há ainda aqueles que acham que comunidades mais carentes não vão conseguir realizar o procedimento nem interpretar corretamente os resultados. “Muitos representantes da sociedade civil organizada, inclusive do Brasil, tem chamado a atenção para a recente adoção de estratégias de intervenção voltadas para a medicalização e que não tem incluído aspectos psicossociais importantes em sua elaboração, nem o necessário diálogo com os grupos mais afetados pela epidemia”, apontou ela. A pesquisadora citou que ao finalizar sua apresentação na conferência o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, ressaltou o compromisso brasileiro em adotar estratégias pautadas pelo respeito aos direitos humanos, ao apresentar a lei promulgada em junho de 2014 que torna crime a discriminação de pessoas vivendo com HIV no Brasil.
 
Por fim, a pesquisadora da Fiocruz destacou que em uma Conferência Internacional que contabilizou e tornou públicas diversas formas inaceitáveis de discriminação, preconceito e mesmo criminalização dos grupos mais afetados, a pioneira lei brasileira foi aplaudida de pé. “Esta legislação representa o resultado de anos de muito trabalho de diversos representantes da sociedade civil organizada e ilustra a importância do trabalho conjunto entre governo e sociedade civil. Que este sucesso possa servir de exemplo para que todos os atores envolvidos no enfrentamento da epidemia de HIV/Aids brasileira possam dialogar e elaborar em conjunto ações mais eficazes. E que ‘Ninguém seja deixado para trás’”, concluiu Monica.
 
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias / Informe Ensp (Tatiane Vargas)

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