A Anvisa determinou, nesta segunda-feira (27), a suspensão de todas as publicidades do produto Loção Hidratante Corporal Glukderm Plus que possuírem indicação de uso para o tratamento da psoríase. O produto estava sendo anunciado irregularmente, por meio de página na internet, por Victor de Oliveira Gontijo.
A medida foi publicada no Diário Oficial da União.
Fonte: Imprensa Anvisa
27/10: FIOCRUZ OBTÉM PATENTE POR MÉTODO INÉDITO DE DESENVOLVIMENTO DE VACINAS
No final de 2012, um estudo publicado na revista científica Nature comprovou que uma abordagem inovadora poderia ser utilizada para buscar uma vacina contra a Aids. Por trás da descoberta, estava um método desenvolvido na Fiocruz para elaborar imunizantes contra diversas doenças utilizando como base a vacina para a febre amarela. Recém-patenteada nos Estados Unidos, esta tecnologia – criada pelos pesquisadores Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e Ricardo Galler, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) – agora é reconhecidamente uma invenção brasileira, com propriedade intelectual protegida pelo United States Patent and Trademark Office (UPTO).
A patente foi concedida à Fiocruz no dia 09 de setembro, após quase dez anos de tramitação. Este prazo é avaliado como normal por Myrna, que considera o reconhecimento da invenção uma conquista da ciência brasileira. “O processo é naturalmente demorado. Nós fizemos o depósito da patente no Brasil no final de 2005 e, em seguida, solicitamos a proteção da inovação no próprio Brasil, nos Estados Unidos e na União Europeia. O registro norte-americano foi o primeiro concedido. Além dos benefícios práticos, a patente é um reconhecimento de que a Fiocruz tem capacidade técnica e de inovação nesta abordagem”, afirma a pesquisadora. Após a concessão da patente, os interessados em utilizar a metodologia desenvolvida na Fiocruz para produzir vacinas precisarão de autorização da instituição, que pode ser remunerada por isso. O prazo de proteção da invenção é de 20 anos.
Aplicada desde 1937, a vacina contra a febre amarela está na base da metodologia patenteada. Para prevenir a infecção, este imunizante utiliza vírus vivos atenuados, capazes de se multiplicar no organismo do paciente em quantidade limitada, que não é suficiente para provocar a doença. Assim, as células de defesa podem aprender a reconhecer o patógeno, ficando prontas para responder rapidamente em caso de uma possível infecção. Considerando a segurança e a eficácia desta vacina, os pesquisadores da Fiocruz decidiram utilizar os vírus atenuados da febre amarela para prevenir outros agravos. Através de engenharia genética, eles desenvolveram um método para inserir genes de outros micro-organismos no material genético destes vírus. O resultado é a criação dos chamados ‘vírus recombinantes’, que podem ‘ensinar’ as células de defesa dos pacientes a reconhecer outras infecções.
Aids como exemplo
A pesquisa sobre vacinas contra a Aids é um bom exemplo de funcionamento da estratégia. O trabalho é liderado pelo cientista David Watkins, da Universidade de Miami, e realizado em parceria por pesquisadores americanos e brasileiros. Os testes divulgados na revista Nature foram realizados nos Estados Unidos, com macacos, que são considerados o melhor modelo de estudo da doença. Para produzir os imunizantes, alguns genes do vírus SIV (que provoca nos primatas uma infecção semelhante à causada pelo HIV em humanos) foram inseridos no material genético dos vírus atenuados da febre amarela. Quando a vacina foi aplicada, estes vírus recombinantes se multiplicaram no organismo dos animais, apresentando ao sistema imune deles tanto proteínas típicas dos vírus da febre amarela, como do SIV. Com isso, as células de defesa aprenderam a reconhecer este patógeno, passando a atuar de forma mais eficiente contra a doença.
Considerando que o material genético é um código que orienta a produção de moléculas, qualquer alteração na sua sequência pode prejudicar a leitura pela maquinaria celular – da mesma forma que a alteração na sequência das letras prejudica a interpretação de um texto. Desta forma, inserir uma sequência de genes de outra espécie em um genoma não é uma tarefa simples. Em parceria com o pesquisador Ricardo Galler, os estudos de Myrna com engenharia genética sobre os vírus da febre amarela começaram em 1997, e um primeiro método para realizar a inserção de genes foi publicado em 2002. Segundo a pesquisadora, além de ideias inovadoras, foram necessários anos de esforços para chegar à metodologia atual. “Tivemos que estudar muito para definir um local de inserção em que os genes inseridos fossem expressos adequadamente, sem perturbar a replicação do vírus. Além disso, os vírus têm a tendência de ‘expulsar’ as sequências exóticas do seu material genético e nós conseguimos uma metodologia que se destaca pela estabilidade”, diz a cientista.
De acordo com Myrna, a metodologia pode ser usada contra diversas doenças. No momento, estudos no Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus são desenvolvidos com vírus recombinantes com genes do parasito Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. Além disso, as pesquisas relacionadas a uma possível vacina contra a Aids prosseguem em colaboração com os cientistas dos Estados Unidos. Um dos objetivos do trabalho é manipular o genoma viral para que o patógeno tenha uma proliferação mais intensa e se torne ainda mais capaz de estimular o sistema imune. “Nós já temos uma metodologia que gera vírus recombinantes estáveis e capazes de induzir a imunidade, mas trabalhamos com o aprimoramento contínuo dessa estratégia. Considerando o êxito da vacina contra a febre amarela e a forma excelente como ela atua sobre o sistema imune, acredito que esta plataforma pode ser cada vez mais efetiva”, destaca a cientista.
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias - Maíra Menezes
24/10: ACORDO DE COOPERAÇÃO PODE REDUZIR CESARIANAS EM HOSPITAIS PARTICULARES DO PAÍS
O Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Hospital Israelita Albert Einstein firmaram hoje (24), na capital paulista, uma parceria que pretende mudar a trajetória de crescimento no número de cesarianas em hospitais particulares do Brasil. Atualmente, 86% dos partos nessas unidades são feitos nessa modalidade cirúrgica, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que esse percentual não deve ultrapassar 15%.
O acordo de cooperação técnica prevê a utilização de metodologia desenvolvida pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), dos Estados Unidos. O projeto começa a ser implementado em fevereiro e tem previsão para entrega de resultados em 2017. Outras instituições médicas que desejarem acessar o método poderão aderir ao projeto e receber capacitação do Hospital Albert Einstein. De acordo com a ANS, o modelo do IHI dobrou o percentual de partos normais em experiência já adotada em uma unidade particular no país.
Ministro da Saúde, Arthur Chioro esteve presente na assinatura do acordo. Segundo ele, a alta taxa de cesarianas configura quadro epidêmico, para o qual se busca uma solução. “Essa é uma questão que não pode ser enfrentada por meio de instrução normativa. A definição do tipo de parto se dá em um encontro do médico com a gestante,. Os hospitais têm o papel fundamental de reorganizar suas práticas assistenciais, de gestão”, avaliou.
Entre as estratégias que podem ser utilizadas, Martha Oliveira, diretora da ANS, aponta a necessidade de informar melhor as mulheres sobre procedimentos médicos. Também destacou a formação de equipes para o acompanhamento do pré-natal, evitando que somente um profissional esteja diretamente comprometido com a hora do parto, e a disponibilização de obstretas plantonistas, dando segurança à gestante na chegada ao hospital.
Chioro ressaltou que, embora o projeto esteja voltado para a rede privada, na qual o percentual de cesarianas é mais preocupante, a medida deve ter impacto também no Sistema Único de Saúde (SUS). “Muitas instituições privadas atendem ao SUS. Da mesma forma, profissionais que trabalham na rede privada também atuam no sistema público”, comentou. Acrescentou que, na rede pública, a taxa de cesariana é de aproximadamente 40%.
Em outra estratégia para reduzir o número de cesarianas na rede privada, a ANS começou a recolher sugestões hoje. Uma consulta pública no site da agência foi aberta no último dia 15, para que a sociedade opine sobre duas resoluções. Elas tratam de medidas que podem se tornar obrigatórias para as operadoras de saúde. As contribuições podem ser envidas de hoje até o dia 23 de novembro. A expectativa do governo é que as mudanças entrem em vigor em dezembro.
As resoluções incluem medidas de transparência de informações, como o fato de as beneficiárias poderem solicitar taxas de cesárea e partos normais por estabelecimento e por médico, independente de estarem grávidas. Além disso, estabelece a apresentação do partograma, que deverá conter anotações do desenvolvimento do trabalho de parto e das condições de saúde maternas e fetais. O documento será parte integrante do processo para pagamento do parto pelas operadoras.
Fonte: Agência Brasil
24/10: AUMENTA PROCURA POR ACADEMIAS PARA A PRÁTICA ESPORTIVA, MOSTRA PESQUISA VIGITEL
Pesquisa divulgada hoje (24) pelo Ministério da Saúde indica que 33,8% dos brasileiros praticam algum tipo de atividade física regularmente – um aumento de 12,6% nos últimos cinco anos. O estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) aponta ainda que a prática de exercícios em academias foi a que mais cresceu no país, superando o futebol.
Para Ricardo Munir Nahas, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o fato de os brasileiros estarem praticando mais musculação é uma boa notícia, no entanto, por outro lado, pode ser que eles estejam deixando um esporte que consideram mais prazeroso. “Tem seu lado bom, porque as pessoas começam a quantificar o treinamento, a academia permite isso, que você tenha mais noção do volume semanal de treino que você vai fazer. Por outro lado é ruim que as pessoas deixem seu lazer que é tão enraizado na cultura do brasileiro”, avalia.
De acordo com os dados, o percentual de entrevistados que disseram praticar musculação cresceu 50% entre 2006 e 2013, enquanto o índice dos que jogam bola caiu 28% no mesmo período. A pesquisa mostra que 18,97% dos adultos optam atualmente pelas academias, contra 14,87% que dizem praticar futebol. Para Deborah Malta, diretora de Vigilância e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, isso mostra que as pessoas estão levando mais a sério a prática de atividade física.
Para professores e alunos de academias de Brasília, a procura pelo espaço também se justifica pela comodidade e falta de tempo. "Como o tempo é mais corrido no dia a dia das pessoas, ter várias opções em um mesmo espaço é fundamental. Aqui em 40 ou 45 minutos você completa o trabalho de atividade física do dia. A corrida é contra o tempo", afirma o professor de educação física Altair Araújo, de 49 anos.
Entre os homens, o futebol continua sendo o esporte preferido – 26,75% da população masculina relatou recorrer à prática. Mas, mesmo nesse grupo, o índice caiu: oito anos atrás, mais de 35% diziam jogar bola regularmente. Em segundo lugar, aparecem as caminhadas e a musculação.
Para Denise Duarte, servidora pública de 25 anos, a academia funciona como um complemento às atividades físicas ao ar livre. "Acredito que haja uma conciliação entre as duas atividades. Eu mesma venho à academia durante a semana, mas nos fins de semana eu me exercito na rua, correndo".
Apesar da crescente participação da musculação entre as atividades praticadas no país, a pesquisa revela que a caminhada permanece como o exercício mais frequente entre os brasileiros. Do total de entrevistados que pratica algum tipo de atividade, 33,79% disseram fazer caminhadas. Em 2006, o índice era 10% maior. O público feminino é o mais fiel na prática desse exercício, com 43,98% das que se exercitam adeptas da caminhada, seguido pela musculação e pela ginástica.
“Todas as evidências mostram que os benefícios da atividade física independem do tipo de exercício. O que você tem que ter é regularidade na prática”, defende Déborah. Pelas considerações da Organização Mundial da Saúde (OMS), entende-se como atividade física suficiente no tempo livre a prática de, pelo menos, 150 minutos semanais de exercícios de intensidade leve ou moderada ou de, pelo menos, 75 minutos semanais de atividade física de intensidade vigorosa.
O estudo foi realizado pelo ministério em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo e ouviu 53 mil pessoas nas 26 capitais e no Distrito Federal.
A OMS estima que pessoas sedentárias aumentam entre entre 20% e 30% o risco de mortalidade, em especial por doenças crônicas. A atividade física regular reduz o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, câncer de mama e de cólon, além de depressão.
Fonte: Agência Brasil – Paula Laboissière e Aline Leal