Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada hoje (9) no Diário Oficial da União suspende a distribuição, a comercialização e o uso, em todo o território nacional, do Lote 140763B (val. 06/16) do medicamento Dipirona Sódica, 500 mg/ml, genérico, solução oral, fabricado por Mariol Industrial Ltda.


De acordo com o texto, o próprio fabricante enviou um comunicado de recolhimento voluntário depois de ter verificado, por meio de reclamação, que algumas caixas continham descrição e lote referente ao produto mas, ao abri-las, foi detectada a presença de produto rotulado como cloridrato de metoclopramida.

 

Dessa forma, a Anvisa também suspendeu o medicamento rotulado como cloridrato de metoclopramida, 4 mg/ml, genérico, solução oral, que tenha o mesmo número de lote da dipirona sódica.

 

A agência determinou ainda que a empresa promova o recolhimento do estoque existente no mercado.

 

Em nota, a Mariol Industrial Ltda. solicitou aos consumidores dos medicamentos citados que suspendam o uso e entrem em contato imediato com o laboratório por meio do telefone 0800 7748582 (de segunda a sexta, das 8h às 17h) ou por meio do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Se existirem relatos de eventos adversos, a empresa informou que os consumidores podem buscar atendimento também por meio do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Fonte: Agência Brasil

Representação dos trabalhadores na Câmara é a menor desde 1988. Trabalhadores temem retrocesso em direitos.

 

Com a menor bancada sindical no Congresso Nacional desde 1988, quando 44 sindicalistas compunham a representação no Legislativo, segundo levantamento do Sindicato de Servidores Públicos Federais (Sindsep), trabalhadores temem o retrocesso de direitos adquiridos ao longo dos últimos anos. O número de representantes da categoria no Legislativo caiu pela metade, de acordo com os resultados das urnas em outubro, e passará dos atuais 83 parlamentares para 46 a partir deste ano.


Por outro lado, a bancada empresarial que defende interesses de diversos setores manteve composição significativa na Câmara e no Senado, apesar de perder mais de 50 representantes na próxima legislatura. Os empresários passarão dos atuais 246 parlamentares para 190 no dia 1º de fevereiro.


Todos os números no Congresso podem mudar com as definições do Planalto sobre os cargos no Executivo, mas, ainda que nomes sejam cotados, o equilíbrio de forças dificilmente será alcançado. Do lado dos sindicalistas estão outros setores considerados vulneráveis como os movimentos indígenas e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis).


Diante dos resultados das urnas, especialistas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) concluíram que a nova composição do Congresso é a mais conservadora desde 1964, pelo número de parlamentares eleitos ligados a segmentos militares, policiais, religiosos e ruralistas. O analista político do Diap Antônio Augusto de Queiroz prevê que, com essa composição, a tendência é que “algumas conquistas, como a garantia dos direitos humanos, sejam interrompidas ou até regridam”.


Levantamento do Diap mostrou, por exemplo, que, enquanto nenhum dos candidatos que se autodeclarou indígena foi eleito para a Câmara dos Deputados, a bancada ruralista cresceu. Números da Frente Parlamentar da Agropecuária revelam que os representantes do setor passarão dos atuais 14 senadores e 191 deputados para 16 senadores e 257 deputados.


O novo cenário pode significar a retomada de matérias como a proposta de emenda à Constituição (PEC 215/00) que é alvo de protesto de grupos indígenas. O texto, que deve ser arquivado sem votação com o fim da atual legislatura, transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso e possibilita a revisão das terras já demarcadas.


No caso de policiais e setores vinculados, como o de apresentadores de programas policialescos, foram eleitos 55 deputados, como o delegado da Polícia Federal Moroni Torgan (DEM), candidato mais votado do Ceará, com 277 mil votos, e o coronel da reserva da Polícia Militar Alberto Fraga (DEM), o mais votado no Distrito Federal, com 155 mil votos. Parte desses nomes defende propostas como a revisão do Estatuto do Desarmamento.


Na mesma linha, mais de 464 mil eleitores do Rio de Janeiro decidiram reeleger o atual deputado Jair Bolsonaro (PP), militar da reserva que segue para o sétimo mandato. Por outro lado, no mesmo estado, a população também elegeu, com mais de 144 mil votos, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), principal nome ligado ao movimento LGBT.


Para o cientista político Wagner de Melo Romão, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), esse tipo de contradição que se repetiu em outros estados reflete o “movimento múltiplo e plural” que se manifestou nos protestos de junho de 2013. “Não podemos ser muito alarmistas. Acho que o novo Congresso acaba expressando o que está presente na sociedade brasileira. Se por um lado a gente fala de crise de representação, por outro lado, nossas instituições estão funcionando, dando sentido a algo que está presente no eleitorado”, afirmou.


Romão reiterou que “junho significou a exposição mais clara de um acirramento que vem ocorrendo na sociedade, em que as posições políticas estão cada vez mais evidenciadas e radicalizadas”. Ele alertou para a diluição de partidos que comporão o Legislativo no próximo ano, considerando que na Câmara, por exemplo, o número de legendas representadas passará das atuais 22 para 28, a relação de parlamentares ligados a grupos de interesses específicos pode dificultar avanços de matérias sociais consideradas prioritárias pelo governo. “Vão acabar impondo seu poder de veto a eventuais modificações”, disse.


Para Wagner Romão, a relação com o Executivo, que “é sempre muito difícil no âmbito federal,  desde o início do governo Lula [Luiz Inácio Lula da Silva]”, tende a se acirrar. “A base de governo, a maioria criada pelo Executivo, nunca foi totalmente estável. A gente pode verificar que na maioria das votações, quando há acordo e negociações, o governo tende a vencer porque constitui uma maioria, no entanto em algumas votações mais polêmicas, essa base não se mostra tão forte assim. Isso tende a se aprofundar.”


Se no Congresso o PT e o PMDB perderam parlamentares e o governo ainda contabilizou queda no apoio de legendas como o PSB, nos estados, a fragmentação se repetiu. “Mas, o que a gente vê nos estados é que os governadores conseguem manipular, com mais facilidade, nos seus rincões, essa divisão tão grande de partidos. Coisa diferente do que ocorre no plano federal”, disse Romão.

O PMDB elegeu sete governadores, entre eles, o do Rio de Janeiro e o do Rio Grande do Sul, o maior número entre as legendas. Do PT, foram eleitos cinco nomes nos estados, entre eles, os dos governadores de Minas Gerais e da Bahia. Os tucanos conquistaram cinco governos, e o PSB elegeu três governadores. O PSD conquistou a chefia de dois governos estaduais e o PDT, também de dois. Pelo PCdoB, foi eleito o governador do Maranhão, pelo PROS, o governador do Amazonas, e o PP elegeu a única governadora do país, Suely Campos, de Roraima.


Fonte: Agência Brasil

Publicado em 05/01/2015

O Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil lançou(28/11) sistema de indicadores municipais, reunindo dados que possibilitam identificar oportunidades e desafios relacionados à promoção do trabalho decente, em cada um dos 5.565 municípios do país, informou o site da organização.

 
Trata-se de um trabalho inédito no mundo, de acordo com a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, com informações completas e específicas. Segundo ela, as informações reveladas por esse sistema constituem recurso estratégico para implementação da Agenda e do Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente, bem como das agendas estaduais e municipais de trabalho decente e de programas de âmbito federal como Brasil Sem Miséria e Pronatec.

 
Baseado no Censo de 2010 e em outros dados do IBGE, além de estatísticas dos ministérios do Trabalho e Emprego, Previdência Social e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, entre outras fontes, o Sistema de Indicadores Municipais de Trabalho Decente permite análise integrada das dinâmicas laboral, espacial, econômica e social de cada município. O conceito de trabalho decente relaciona-se à promoção de oportunidades para que homens e mulheres obtenham um trabalho produtivo e de qualidade, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade.

 
Os dados do sistema de indicadores municipais estão organizados em dez áreas, que correspondem às dez dimensões de medição do trabalho decente:oportunidades de emprego; rendimentos adequados e trabalho produtivo; jornada de trabalho decente; conciliação entre o trabalho, vida pessoal e familiar; trabalho a ser abolido; estabilidade e segurança no trabalho; igualdade de oportunidades e de tratamento no emprego; ambiente de trabalho seguro; seguridade social; e diálogo social e representação de trabalhadores e empregadores.

 
O sistema revelou, entre outras informações, que um grupo de apenas 24 municípios abrigava 6,8 milhões de pessoas ocupadas em trabalhos informais, o correspondente a 20,5% do total nacional (33,2 milhões), apontando que um esforço concentrado nesses locais pode reduzir significativamente o número de trabalhadores e trabalhadoras em situação de informalidade no país. Metade dos municípios com taxa de informalidade acima de 50% localizava-se na região Nordeste.

 
Foi observado, ainda, nos dados que, ao final de 2013, todos os municípios brasileiros contavam com trabalhadores e trabalhadoras formalizados na condição de microempreendedor individual, o que contribuiu expressivamente para a redução da informalidade laboral.
 

Os menores índices de desocupação entre as capitais foram registrados em Curitiba (4,7%) e Florianópolis (4,9%), e os maiores, em Salvador (12,9%) e Recife (12,5%). A desocupação é maior entre as mulheres e a população negra. Há, ainda, informações sobre trabalho infantil (das 888,4 mil crianças e adolescentes de 14 ou 15 anos que trabalhavam, apenas 2,7% faziam isso na condição de aprendiz); jovens (um de cada cinco não trabalhava nem estudava em 2010); inclusão de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho (inexistentes em 31,5% dos municípios); e educação (em 81% dos municípios mais da metade da população de 15 anos de idade ou mais não tinha instrução ou tinha o ensino fundamental incompleto), entre outras.

 
As informações do sistema podem ser acessadas e baixadas, por município, em http://simtd.oit.org.br.

 
Fonte: Revista Radis nº 148
Publicado em 06/01/2015 no site da Fenafar

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