Especialista condena o uso do remédio sem antes considerar as necessidades da criança;

 

Brasil é o 2º maior consumidor mundial

 

Por Ingrid Matuoka — Carta Capital  - 05/10/2015

 

A busca por soluções fáceis, o diagnóstico equivocado e a incompreensão dos pais acerca da agitação natural das crianças elevou o Brasil ao posto de segundo maior consumidor de Ritalina do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

 

O dado, do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, é alarmante. Ritalina é o nome comercial do metilfenidato, medicação que promete tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH, e os principais consumidores da droga tarja preta são crianças e adolescentes.

 

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), de 8% a 12% das crianças no mundo foram diagnosticadas com TDAH, e a suspeita dos pais de que os filhos tenham o transtorno é o principal motivo que os leva aos médicos. Em 2010 foram vendidas 2,1 milhões de caixas de metilfenidato. Em 2013, foram 2,6 milhões.


Para conversar sobre o uso indiscriminado de Ritalina e sua consequências, CartaCapital entrevistou Wagner Ranña, médico psiquiatra com experiência em saúde mental da infância e docente do Sedes Sapietiae, um instituto dedicado à saúde mental, à educação e à filosofia.

 

CartaCapital: O Brasil é o segundo maior consumidor de Ritalina do mundo. A que se deve isso?

 

Wagner Ranña: No Brasil, a rede voltada para assistência aos problemas de saúde mental da criança e do adolescente é muito precária -- o que não é privilégio do Brasil, este problema afeta a quase todos os países. As crianças com dificuldades de comportamento, agitadas e irrequietas são vistas como doentes pelos profissionais da psiquiatria biológica e da neurociência, e então eles receitam remédios. Como consequência, temos um número elevadíssimo de crianças recebendo medicação, mas sem se discutir se a ela é mesmo necessária ou se é a melhor forma de cuidado.

 

Na visão do nosso grupo de trabalho no Sedes Sapientiae, que tem um histórico no cuidado com a saúde mental da criança, é de tentar entender o sofrimento psíquico e os problemas de comportamento. E não ver isso de pronto como um problema, porque a maioria são só crianças agitadas. E, no mundo da rapidez, ironicamente, elas são colocadas como doentes. Estamos desperdiçando jovens que poderiam ser sujeitos muito ágeis, como atletas e músicos.

 

CC: Há efeitos colaterais no uso do remédio?

 

WR: Além de causar dependência, a Ritalina provoca muitos outros efeitos colaterais: as crianças emagrecem, têm insônia, podem ter dor de cabeça e enurese [incontinência urinária]. E, apesar de sua fama, não tenho uma experiência de eficácia da droga, mesmo em casos em que ela deveria ser usada. Percebo que o trabalho de terapia, de orientação e cuidado real com a criança dá muito mais resultado.

 

Começamos a passar para a criança a cultura de que um comprimido resolve tudo na vida, de que não existe mais solução pelo pensamento, pela conversa, pelo afeto e pela compreensão. O mundo todo é agitado, as pessoas são desatenciosas umas com as outras, e as crianças é que acabam tachadas de hiperativas.

 

Outra coisa, as crianças falam assim para mim: “eu sou um TDAH” ou “eu sou o da Ritalina”. Elas se colocam nesse lugar de alguém doente, com um déficit. A vida deles vira isso.

 

Tratar com drogas as crianças agitadas ou com dificuldade de aprendizagem é deixar de questionar o método de ensino, o consenso da escola, e a subjetividade da criança diante do aprendizado. É uma atitude muito imediatista.

 

CC: E quais são as alternativas ao tratamento com a droga?

 

WR: Tenho visto muitas crianças que, por trás da agitação, estão submetidas a uma violência, um abuso, ou a uma situação psicopedagógica não adequada. Colocar tudo como sendo um problema do cérebro da criança é muito antiético, é não levar em conta sofrimentos e as necessidades que ela está expressando.

 

Por exemplo, outro dia atendi uma menina que a mãe dizia ser hiperativa e precisava de Ritalina. Em cinco minutos de conversa descobri que ela tinha vivido uma situação em que o pai tentou matar a mãe. Essa criança estava angustiada, não era hiperatividade.

 

É claro que cada caso é um caso, há crianças realmente hiperativas e que precisam de um cuidado. Ainda assim têm muitas medicadas de maneira incorreta. E estamos vivendo uma epidemia de transtornos, ou supostos transtornos. Então além dessa medicalização excessiva, há uma falta de projetos terapêuticos para o sofrimento psíquico na infância, que é grande. Isso facilita a medicalização da infância, pois sem equipes treinadas é mais fácil só dar o remédio.

 

CC: Há quem exagere ou finja sintomas para conseguir a receita?

 

WR: Sou totalmente contrário o uso de questionários com pontos para o diagnóstico de sofrimento psíquicos [como fazem muitos psiquiatras]. Isso não é ver a criança eticamente. E os adolescentes podem fingir mesmo, porque querem tomar Ritalina para ter um bom desempenho na prova, ter mais energia para estudar.

 

A Ritalina é uma anfetamina associada a drogas com ação na atividade cerebral. A cocaína e as anfetaminas são consumidas por atletas que querem mais rapidez, pelos executivos que querem ficar acordados para trabalhar mais, pelos motoristas que querem fazer uma viagem e não dormir. É um verdadeiro doping.

Uma doença rara e basicamente feminina, a linfangioleiomiomatose, mais conhecida como LAM, não é facilmente diagnosticada e tem sintomas muito parecidos com os de outras doenças pulmonares, como asma, bronquite e enfisema. Segundo o pneumologista Bruno Baldi, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, até seus colegas de especialialidade muitas vezes têm dificuldade para perceber o quadro.


No ano passado, quando foi diagnosticada com a doença aos 39 anos, a bióloga Verônica Borges disse que toda a família ficou assustada. “Ficamos todos em choque. Descobrir que se tem uma doença progressiva e sem cura não é fácil, ainda mais tendo filho de nove anos”, lembrou.


“Eu sentia um cansaço sem fim, mas pensava que era estresse”, contou Verônica. Ela só buscou ajuda médica quando começou a sentir dores abdominais, fez uma tomografia que pegou parte dos pulmões e o especialista viu que havia algo errado. Geralmente, a pessoa com LAM procura ajuda médica quando sente falta de ar, dor no tórax ou nas costas. O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada do tórax e biópsia do tecido pulmonar. “Ela pode não sentir nada, às vezes vai fazer uma radiografia, tomografia de tórax por qualquer motivo e descobre que tem lesões características no pulmão”, disse Baldi.


Ele explicou que a LAM é um tumor de multiplicação lenta, que atinge principalmente mulheres na faixa etária de 20 a 30 anos. “Em quem tem LAM ocorre uma multiplicação de células diferentes, que leva à obstrução e lesão do pulmão e, eventualmente, pode estar associada a lesões em outros órgãos.


O especialista disse que a estimativa é que de 400 e 500 mulheres tenham a doença no Brasil. Em alguns casos, a paciente só precisa fazer o controle, com exames a cada seis meses. Não se sabe ao certo o que causa a LAM e não existe cura mas, em algumas mulheres, a progressão é muito lenta. Em outras, no entanto, a doença inabilita até para atividades rotineiras, como tomar banho. Segundo Baldi, referência no tratamento, cerca de 30% das pacientes precisam de medicação, as demais apenas fazem controle semestral.


A recomendação da Associação LAM do Brasil (Alambra) para as pacientes é seguir o mesmo estilo de vida saudável recomendado a todos, inclusive praticar exercícios físicos. Não é recomendado viajar para lugares onde não há ajuda médica por perto ou para regiões muito altas, onde as bolhas do pulmão tendem a se expandir, podendo provocar a ruptura.


Verônica, que também é vice-presidenta da Alambra, disse que as pacientes que precisamde medicamentos muitas vezes não conseguem pela rede pública, já que a doença não tem protocolo específico. Segundo a bióloga, em muitos casos é preciso entrar na Justiça para conseguir o remédio  sirolimus, que na rede pública é destinado a pacientes transplantados e que nas farmácias custa cerca de R$ 2 mil por mês de tratamento.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que o medicamento precisa ter a eficácia comprovada para o tratamento da LAM, antes de ser disponibilizado para o tratamento da doença e que essa avaliação deve ser feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, o que não foi feito nesse caso.

Fonte:  Agência Brasil – repórter Aline Leal

A Anvisa aprovou mais um genérico inédito no país: o dipropionato de beclometasona. O medicamento, cuja substância ainda não tinha concorrente no mercado, é indicado para o tratamento de asma. O registro foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (5/10). Com isso, os pacientes e médicos terão uma nova opção de tratamento da asma a um custo mais acessível, uma vez que os genéricos chegam ao mercado com um preço menor que o valor de tabela dos medicamentos de referência.

 

Este é o primeiro registro de genérico concedido para inalatórios orais. O dipropionato de beclometasona será comercializado como solução aerossol para inalação oral (solução MDI oral), atuando exclusivamente sobre as estruturas da árvore respiratória.

 

Além do dipropionato de beclometasona, a Anvisa aprovou, também, o pedido de registro de dois medicamentos novos: o Adempas® (riociguate) e o Becenun® (carmustina). O primeiro é  indicado para Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC) em adultos, grupo 4, conforme classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Será produzido como comprimido revestido de 0,5mg, 1,0mg, 1,5mg, 2,0mg e 2,5mg. O segundo é voltado para o tratamento de pacientes adultos com tumores cerebrais (glioblastoma, glioma do tronco cerebral, astrocitoma e oligodendroglioma), mieloma múltiplo, linfoma de Hodgkin e linfomas não-Hodgkin (linfoma de células do manto). Estará disponível como pó liofilizado para solução injetável de 10mg.  

 

Fonte: Imprensa Anvisa

DA REDE BRASIL ATUAL -02/10


Ministério do Trabalho e da Previdência voltam à influência do PT, após oito anos com o PDT. Ex-dirigente da CUT, José Lopez Feijóo assumirá Secretaria Nacional do Trabalho. Carlos Gabas segue na Previdência

 

Indicação de Feijóo atende antiga reivindicação da CUT, que teve três ex-dirigentes no comando do MTE de 2003 a 2007

 

São Paulo – Com a reforma ministerial anunciada hoje (2) pela presidenta Dilma Rousseff, o Ministério do Trabalho e da Previdência, que volta a ser unificado, a cargo de Miguel Rossetto, que deixa a Secretaria-Geral da Presidência, terá duas secretarias nacionais em vez de uma executiva. A de Trabalho será ocupada por José Lopez Feijóo, atual assessor especial da Secretaria-Geral, e a de Previdência, com Carlos Gabas, atual ministro da pasta.

 

No Ministério de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, que será ocupado por Nilma Gomes, haverá três secretarias nacionais em vez de uma executiva. A de Política para Mulheres ficará com Eleonora Menicucci, atual ministra. A de Igualdade Racial ficará com Ronaldo Barros, atual secretário de Políticas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e a de Direitos Humanos terá Rogério Sottili, atual secretário municipal adjunto de Direitos Humanos de São Paulo.

 

As mudanças no Ministério do Trabalho e da Previdência resultaram, também, na volta do PT ao comando da pasta. Três lideranças com origem no movimento sindical foram ministros de Lula: Jaques Wagner (2003), Ricardo Berzoini (2004-2005) e Luiz Marinho (2005-2007). Desde 2007, o órgão está sob influência do PDT. Naquele ano, Carlos Lupi assumiu no lugar de Marinho. Agora, Manoel Dias, pedetista e brizolista histórico, e que havia sucedido Brizola Neto, deixa o ministério. Em sua gestão, houve pressões para retirada do secretário de Relações do Trabalho, o cutista Manoel Messias, e também do economista Paul Singer da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Singer ocupa a secretaria desde a sua criação, em junho de 2003.

 

Já o gaúcho Rossetto é um dos fundadores do PT e da CUT. E Feijóo tem origem sindical: foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT de São Paulo. Na CUT nacional, ocupou a vice-presidência e a secretaria-geral.

 

Nos dias que antecederam a reforma, centrais sindicais manifestaram descontentamento com a notícia da fusão entre Trabalho e Previdência – que agora se consolida –, falando inclusive em retrocesso. Surgido em 1930 como Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, passou por várias mudanças. Em 1990 (governo Fernando Collor), por exemplo, tornou-se justamente Ministério do Trabalho e da Previdência, mudando dois anos para Ministério do Trabalho e da Administração Federal e, quase em seguida, para Ministério do Trabalho. Em 1999, tornou-se Ministério do Trabalho e Emprego, denominação que agora mudará novamente.

 

Fonte: Rede Brasil Atual

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