03/12: FARMACÊUTICOS VOLTAM AO CENTRO DE BH CONTRA A MP 653/14

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Os farmacêuticos deram seu recado à população belo-horizontina no início da tarde desta quarta-feira (03), na Praça Sete, em Belo Horizonte. Os profissionais portaram faixas e cartazes contra a aprovação da Medida Provisória que tem previsão de votação nesta semana no Congresso Nacional. O movimento dos farmacêuticos transcorreu juntamente com a manifestação da CUT-MG contra o uso abusivo de agrotóxicos na agricultura brasileira. Hoje, em todo o mundo é comemorado o Dia do Não Contra o Agrotóxico.  

 

O diretor do Sinfarmig Rilke Novato Públio ocupou o microfone para dizer à população que a luta dos farmacêuticos vai além de defender a categoria. “Estamos também defendendo a saúde pública ao exigir que o profissional farmacêutico permaneça nas farmácias orientando o uso racional dos medicamentos”, disse o diretor.

 

A resposta da população não tardou a chegar por meio da professora aposentada Lourdes Oliveira. Ela pediu a palavra e discursou em favor dos farmacêuticos: “Quando vou ao médico ele me fala: _ dona Lourdes, não tenho tempo suficiente para atender a senhora. Então eu saio do consultório com dúvidas sobre o remédio que vou tomar. É o farmacêutico que tira as minhas dúvidas sobre o medicamento que o médico não teve tempo de tirar. Por isso ele não pode sair da farmácia”, alertou.

 

A professora de Farmacologia da Nova Faculdade, Fabiana de Almeida, teme pelo futuro da profissão se a MP for aprovada. “Meus alunos estão ficando desmotivados”, contou.     

 

A farmacêutica Fabiana Correa Borges, da Maternidade Odete Valadares, disse que se a MP for aprovada será um atraso para a profissão e para o país. “Se com os avanços que conseguimos até hoje, ainda não é fácil para o próprio farmacêutico fazer assistência farmacêutica no Brasil, imagina essa dificuldade para um técnico (que poderá ocupar o lugar do farmacêutico, segundo a MP 653/14)”.

 

Proprietária de estabelecimento farmacêutico e também farmacêutica, Tamara Silveira protestava: “se a alegação da dispensa do farmacêutico é usada pela Medida Provisória com o pretexto de apoiar as micro e pequenas empresas, por que não dar esse apoio de outra forma, por exemplo reduzindo impostos das empresas e a tributação sobre os medicamentos”?

 

O advogado Otamir Saccheto, que parou para falar com os farmacêuticos, analisou: “é um absurdo falarem em tirar o farmacêutico da farmácia. É preferível que ele esteja lá para nos orientar”, declarou.