
Ciência e Tecnologia não são assuntos meramente técnicos e nem neutros em nossa sociedade. Elas podem ser apropriadas por um setor econômico que visa apenas o lucro, ou desenvolvidas orientadas pela promoção da qualidade de vida, olhando os interesses públicos da maioria da sociedade. Foi salientando que a Escola Nacional dos Farmacêuticos e a Fenafar se situam ao lados dos que se pautam em defesa da vida, do interesse público e do desenvolvimento nacional que aconteceu nesta quinta-feira, em Goiânia, a abertura o 1º Seminário – Farmácia: Ciência e Tecnologia a favor da vida, promovido pela Escola Nacional dos Farmacêuticos em parceria com a Fenafar – Federação Nacional dos Farmacêuticos.
por Renata Mielli, de Goiânia
Uma breve cerimônia de abertura antecedeu o primeiro debate do evento. Participaram da cerimônia o vice-presidente do Sindicato da Saúde de Goiás, que destacou a importância do seminário e a necessidade de ampliar a mobilização do povo brasileiro por direitos.
O presidente da Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico – Abenfar, Paulo Arrais, elogiou os organizadores pela escolha da temática do seminário, ressaltando que a “educação superior precisa de apoio para promover mudanças a partir dos novos paradigmas de Ciência e Tecnologia”.
O representante do Conselho Federal de Farmácia Rogério Hoefler fez sua saudação e falou da importância dos debates que ocorrerão no seminário da Escola Nacional dos Farmacêuticos, para contribuir com as discussões no sentido de superar a deficiência na formação do farmacêutico, em particular as oferecidas pelas instituições privadas. Porque, um dos papéis dos farmacêuticos é ter habilidades e competências para “pesquisar e desenvolver novos produtos para a saúde e como lidar com as novas tecnologias, já que penas 10% dos novos fármacos representa uma verdadeira inovação farmacêutica”.
Representando o presidente da Anvisa, a farmacêutica Maria Eugênia Cury parabenizou a Escola Nacional dos Farmacêuticos pela “pela promoção de eventos com temas de extrema relevância que aliam a discussão de temas políticos com a capacitação técnica do profissional, e isso é um caminho correto para fazermos esses debates, lembrando que nem ciência e nem tecnologia são neutras, e quando definimos que o recorte desta discussão é a Ciência e a Tecnologia a favor da vida, estamos estabelecendo um recorte político importante”.
Carlos Rangel, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Inovação Farmacêutica, destacou que “a área de conhecimento da farmácia demorou muito tempo para se encontrar no país. O INCT-if ter agregado diversas áreas de conhecimento em farmácia foi uma iniciativa importante para que a categoria consiga se identificar nos diferentes segmentos da atuação farmacêutica”.
O presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, destacou que os farmacêuticos têm dado uma contribuição importante para a agenda de defesa da saúde. “Tanto neste debate, como no embate político da sociedade brasileira, podemos focar a questão do trabalho dentro da discussão da ciência e tecnologia no desenvolvimento das relações capital e trabalho. Isso, porque a ciência só vira tecnologia quando ela entra na linha de produção. E o que nós temos visto ultimamente, é a necessidade de outros olhares, não só o do capital, na discussão das relações de trabalho que não esteja focado só no capital. Precisamos discutir como a ciência e tecnologia impactam no trabalho do farmacêutico, e em favor de quem esta ciência e tecnologia será aplicada. Para nós, ela tem que ser aplicada em favor da vida”.
Ao final, a presidente da Escola Nacional dos Farmacêuticos, Silvana Nair Leite, saudou os participantes do Seminário lembrando que “recentemente, publicação do jornal Folha de S.Paulo destacou as 15 profissões mais procuradas no país, entre as quais o farmacêutico aparece, principalmente em razão nas áreas da profissão que exigem maior nível de capacitação, como a área de teste de medicamentos, que tem levado a uma procura de farmacêuticos que tenham conhecimento técnico. Também uma reportagem do Jornal da USP mostra o papel dos farmacêuticos no atendimento a idosos pode melhorar a qualidade de vida. Esses exemplos mostram a importância e o grau de responsabilidade que o farmacêutico tem na sociedade, em todas as áreas – análises clínicas, desenvolvimento de medicamentos, atendimento ao usuário. Por isso, temos que ampliar o debate para discutir para que e com que finalidade estamos desenvolvendo o nosso fazer e aplicando o nosso conhecimento. Nós temos um projeto para essa área? Um projeto de nação? Estamos a serviço do mercado ou da população brasileira? Estamos a serviço do desenvolvimento do país? Estas são as questões que têm permeado nosso debate e são as preocupações da Fenafar e da Escola Nacional dos Farmacêuticos para contribuir com a discução sobre o destino para o qual estamos caminhando a nossa profissão a partir do desenvolvimento que nossa área tem apresentado nos próximos anos”.
Fonte: FENAFAR