Levantamento realizado pelo Instituto Datafolha em conjunto com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), realizado no final de dezembro de 2012, mostra que a presença dos farmacêuticos e farmacêuticas nas farmácias e drogarias é considerada importante para 95% dos entrevistados e, 90% consideram estes profissionais importantes para a saúde do consumidor. A pesquisa ouviu 1.611 pessoas em 12 capitais brasileiras.
De acordo com o estudo Datafolha/ICTQ, os entrevistados de São Paulo foram os que mais reconheceram o valor dessa especialidade ao julgar a presença do farmacêutico nos estabelecimentos muito importante (87%).
O papel do medicamento
Para o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, o resultado da pesquisa mostra que as ações dos movimentos sociais e do governo no sentido de combater a visão de que o medicamento é uma mercadoria e a farmácia um ponto de venda têm contribuído para mudar a visão das pessoas sobre o papel do medicamento e da farmácia.
“Há anos lutamos para transformar a farmácia em um estabelecimento de saúde. Nossas campanhas tem como foco a valorização do farmacêutico como um profissional de saúde. Medidas recentes de restrição e maior controle de venda de medicamentos também levam as pessoas a refletirem sobre o uso do medicamento. Então, considero que isso vem alterando a percepção das pessoas sobre a importância do farmacêutico”, comenta Ronald.
A presença obrigatória do farmacêutico nos estabelecimentos também ajuda a alterar a relação do usuário com o medicamento, uma vez que aonde este profissional está presente o atendimento e a orientação são mais qualificadas.
Mas ainda há um longo caminho a ser seguido para garantir a valorização e as condições adequadas de trabalho para o farmacêutico. “Na contramão da valorização desse profissional, existem empresários e patrões que não reconhecem o trabalho do farmacêutico e oferecem péssimas condições de trabalho, além de baixa remuneração”, alerta Pedro
Menegasso, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP).
Heriton Estefanio, de 26 anos, que desde 2009 trabalha como farmacêutico responsável em drogarias defende que, “durante o atendimento, quando apresentam o receituário, é muito importante saber se a pessoa está iniciando o tratamento, quais outros medicamentos utiliza para avaliar se há algum risco de potencializar ou inibir seus efeitos, descobrir se há risco de alergias, etc.”, diz o profissional. “Não queremos vender o produto, mas oferecer maior segurança ao consumidor.”
Uso Racional
Como se sabe, medicamentos podem salvar e matar. A automedicação é a responsável pela morte de 20 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). A maioria dos casos está relacionada à intoxicação e às reações alérgicas. Não é à toa que 68% dos entrevistados na pesquisa Datafolha/ICTQ acreditam que a presença do farmacêutico é muito importante para a saúde.
Em todas as 12 capitais que participaram do estudo, os índices para essa questão superam os 50%. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife e Belém foram as que mais veem como muito importante a relação do farmacêutico com a saúde. “Em lugares mais remotos do Brasil, os números seriam infinitamente mais expressivos, pois são locais onde há deficiência de atendimento médico e o farmacêutico acaba assumindo essa função, se tornando fundamental nas comunidades mais carentes”, observa Marcus Vinícius Andrade, diretor do ICTQ.
Fonte: Fenafar e ICTQ