Do Estado de S. Paulo - 11/11/2015

 

Paciente vindo da Guiné procurou unidade de pronto-atendimento com febre e dores; local foi fechado

 

SÃO PAULO - O Ministério da Saúde informou na manhã desta quarta-feira, 11, que investiga um caso suspeito de Ebola em Belo Horizonte (MG). O paciente, de 46 anos e vindo da Guiné, procurou a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Pampulha na noite de ontem com febre alta, dor muscular e dor de cabeça. Ele chegou ao Brasil no dia 6 de novembro.
Ao ser constatada a suspeita da doença, o paciente foi isolado. Ele será encaminhado na tarde de hoje para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio, referência nacional para casos de Ebola. O transporte será feito em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).


A UPA da Pampulha foi fechada e os pacientes e funcionários que tiveram contato com o imigrante estão sendo monitorados pela Secretaria Municipal da Saúde de Belo Horizonte. A UPA fica no bairro Santa Terezinha, na região norte da cidade, e atende cerca de 300 pessoas por dia.

O Ministério da Saúde lançou nessa terça-feira (10) o Plano de Eliminação da Malária do Brasil. O documento fornece orientações para os municípios e define estratégias para o diagnóstico, tratamento e controle da doença. A medida faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que têm como meta a redução de pelo menos 90% dos casos até 2030 e da eliminação da malária em pelo menos 35 países.

 

Em 2014, o Brasil registrou 143.250 casos de malária, o menor número nos últimos 35 anos. Desde 2000, houve uma redução de mais de 50% no número de casos. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Nardi, afirmou que apesar dos resultados já alcançados, as ações precisam continuar para que o Brasil possa, no futuro, alcançar a meta de total eliminação da doença.

 

A malária é uma doença característica da região da Amazônia e está presente nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, de Rondônia, Roraima, do Tocantins, de Mato Grosso e do Maranhão. A região é responsável por 99% dos casos autóctones do país. Fora da região amazônica, mais de 80% dos casos registrados são importados dos estados pertencentes à área endêmica brasileira, de outros países amazônicos, do Continente Africano ou do Paraguai.



Fonte: Agência Brasil

O medicamento Letrozol está com o lote 397733 suspenso em todo o país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a distribuição, comercialização e o uso do produto desse lote.

 

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União, depois de reclamações sobre falhas na selagem do alumínio do blíster (a cartela com os comprimidos) no lote, que tem prazo de validade até junho de 2017. A caixa contém 30 comprimidos de 2,5 miligramas.

 

O Letrozol é indicado para o tratamento de câncer de mama avançado em mulheres que já passaram pela menopausa, que já foram tratadas com medicamentos inibidores do hormônio estrogênio.

 

A Anvisa determinou que o laboratório fabricante do lote, o Eurofarma, recolha todo o estoque que está nas farmácias.

 

Em nota, o Eurofarma informou que recolheu todo o lote, de forma voluntária, antes mesmo da recomendação da Anvisa, e que todos os clientes foram informados sobre a suspensão. Segundo o laboratório, medidas para corrigir o problema foram tomadas e novos lotes já foram produzidos e distribuídos em setembro.

 

Fonte: Agência Brasil, repórter Sayonara Moreno

Estigma, mulheres, direitos reprodutivos e os sentimentos após o diagnóstico do HIV.

 

 

 

Por Jean Wyllys — publicado 10/11/2015


Ceder este espaço, de grande visibilidade, para que uma mulher fale de questões importantes ao feminismo é a ideia central da campanha #AgoraÉQueSãoElas, e tenho grande prazer em colaborar.

 

Não apenas porque considero importante dar maior visibilidade às pautas das mulheres, mas também porque o que elas têm a dizer é aquilo que eu também tenho a dizer.

 

Hoje o espaço é da Priscilla Soares, pesquisadora com um importante trabalho sobre DST/Aids, Sexualidade, Gênero e Relações Raciais para a formulação de políticas de atendimento à saúde pública.

 

Aids: Silêncio e invisibilidade

 

O vírus da Aids foi apontado pela Organização Mundial da Saúde, em 2009, como a principal causa de morte entre mulheres em idade reprodutiva no mundo. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, a taxa de infecção entre mulheres jovens é duas vezes mais alta do que em homens na mesma faixa etária. O cenário indica não apenas a maior vulnerabilidade biológica da mulher ao HIV, mas as implicações das desigualdades socioeconômicas e de gênero.

 

Grande parte dos diagnósticos é realizado durante a gestação, nos exames pré-natais. Em muitos casos eles ocorrem na maternidade, de forma compulsória, não sigilosa e num contexto marcado por julgamentos morais por parte da equipe de saúde.

 

O diagnóstico é o primeiro contato com as representações sociais do HIV, que se misturam à simbologia da maternidade e seu valor no campo do feminino, a reflexão sobre ameaça à própria vida e à do filho, os sentimentos de culpa e medo.

 

Esse é o sentimento mais forte. Medo de morrer, de adoecer, de sofrer ou de trazer sofrimento às pessoas próximas, de não poder cuidar dos seus filhos, da discriminação, do abandono do parceiro e da família. Ele é fruto da ausência de segurança nas relações afetivas, na sua força de trabalho, na fonte de recursos materiais.

 

Ao revelarem sua condição, essas mulheres são obrigadas a gerir o estigma. No que tange às relações afetivas e sexuais, as mudanças são ambíguas. Alguns casais estabelecem um forte vínculo. Mas muitas mulheres sofrem com abandono e violências física e psicológica.

 

A experiência da estigmatização varia de acordo com outras identidades sobrepostas, como classe, raça, gênero, sexualidade. Entretanto, a marca de serem gestantes soropositivas as expõe ao julgamento moral não somente por serem portadoras do HIV, mas pelo risco à vida do filho.

 

É preciso compreender os modos pelos quais mulheres enfrentam esses problemas. Alguns estudiosos enfatizam o peso da pobreza e dos abusos, ao enquadrá-las como vítimas impassíveis de fatores sociais e culturais. Mas elas não devem ser tratadas desta forma, e sim como agentes que perseguem estratégias criativas e efetivas.

 

A invisibilidade só será superada quando as mulheres não forem mais tratadas como objetos e números. É preciso desconstruir as relações de poder entre homens e mulheres, pacientes e profissionais de saúde que impõem comportamentos que marginalizam. É preciso atuar nos demais processos de discriminação provocados pelas hierarquias socioeconômicas e de gênero, que influenciam o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos.

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