A Anvisa aprovou, nesta sexta feira (11/12), o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) enviado pelo Instituto Butantan a respeito da vacina contra a dengue. Desse dossiê, constam os resultados dos ensaios clínicos fase II, além do cumprimento das exigências técnicas que haviam sido feitas pela Agência para comprovar a segurança do produto. A documentação, enviada à Anvisa no último dia 08/12, possibilita o sinal verde para que o Instituto Butantan inicie os estudos fase III. Esta é a última etapa necessária para que o Instituto protocole o pedido de registro da vacina à Anvisa, que avaliará a qualidade, segurança e eficácia do produto.

 

A Agência ressalta que todo o desenvolvimento da vacina vem sendo acompanhado junto ao Instituto Butantan, o que contribuiu para o processo de análise fosse realizado dentro dos padrões internacionais de qualidade, uma vez que a liberação de uma vacina para teste em milhares de pessoas, como ocorre na fase III, exige que se tenha absoluta certeza da segurança do produto. A complexidade do processo tem exigido que a Anvisa solicite todas as informações técnicas que são necessárias e a análise tem sido, para qualquer comparação internacional, séria e célere.

 

O Instituto Butantan deu entrada no pedido para aval ao estudo de fase III da vacina da dengue, etapa onde é verificada a eficácia do produto, em 10 de abril de 2015. O processo teve análise priorizada pela Anvisa, pela importância de que seja logo disponibilizada uma vacina segura e eficaz para a população, e já no dia 26 de maio foram enviadas as primeiras exigências técnicas ao Instituto.

 

Não havia no processo, àquele momento, nenhuma informação sobre os resultados dos ensaios clínicos fase II e tampouco o parecer de aprovação do Comitê de Ética. Porém, considerando a relevância da vacina da dengue, a Anvisa deu andamento à avaliação, mesmo na ausência de documentos essenciais para o início do estudo fase III.

 

A Anvisa realizou, então, uma reunião com o Instituto Butantan, prestando orientações sobre os documentos técnicos que faltavam, principalmente considerando o fato de que se tratava de processo submetido nos trâmites de uma nova resolução de ensaios clínicos (RDC 09/2015), o que trouxe expressivas modificações na avaliação de ensaios desta natureza pela Anvisa.

 

Naquela ocasião, foi informado pelo Instituto Butantan que o ensaio clínico fase II seria finalizado em junho de 2015.

 

Em nova reunião, o Instituto Butantan informou que o ensaio clínico fase II sofreria atraso e que somente seria finalizado em julho de 2015. Neste mesmo mês, o Instituto Butantan enviou novos documentos à Anvisa. Porém, desta documentação não constavam:

 

•      Dados completos a respeito da segurança da vacina, oriundos do ensaio clínico fase II, o que é essencial para suportar o início de um ensaio fase III; Dados de estabilidade suficientes para embasar a utilização da vacina após reconstituição.
•      Comprovação da estabilidade e qualidade da vacina.
•      Parecer do Comitê de Ética aprovando o estudo (esse documento somente foi enviado à Anvisa em agosto).

 

Em outubro, a Anvisa solicitou novamente o status do estudo fase II. O Butantan informou que a previsão era que os dados de segurança dessa fase estariam disponíveis no início de dezembro de 2015. Já os resultados completos seriam apresentados no final de janeiro de 2016. O Instituto ainda informou que o atraso na finalização da fase II se deu por problemas de replicação dos Sorotipos 2 e 3 dos vírus contidos na vacina. A Anvisa ainda fez novos questionamentos em relação à estabilidade da vacina ao Instituto.

 

A Anvisa ainda fez novos questionamentos em relação à estabilidade da vacina ao Instituto, que solicitou formalmente autorização para início do estudo da fase III apenas com os resultados de segurança da etapa anterior.

 

O Butantan cumpriu essas exigências em novembro. Após a avaliação das respostas, a Anvisa realizou nova reunião com a instituição no dia 26, visando a complementação das informações enviadas para que a Agência pudesse se manifestar com a maior brevidade possível. Os documentos com as informações completas somente foram enviados pelo Instituto na última terça-feira (08/12). Após análise dos dados, o início da fase III está autorizado.

 

Os fatos demonstram o total comprometimento da Anvisa com o desenvolvimento da vacina contra a dengue. A velocidade da análise de um processo como esse depende, essencialmente, da completitude e da qualidade das informações técnicas que são fornecidas pelo solicitante.

 

Fonte: Imprensa Anvisa

A Anvisa revogou, parcialmente, a Resolução RE 2.260/2015. Com isso, a Agência liberou os lotes produzidos a partir de novembro de 2015 da preparação enzimática à base de lactase das marcas Lactosil 10.000 e Lactosil 4.000 FCC, em sachês. Os produtos são fabricados por Vida Forte Nutrientes Indústria e Comércio de Produtos Naturais Ltda e distribuídos por Aspen Farmacêutica Ltda.

 

Como a revogação foi parcial, a Anvisa manteve a proibição da distribuição e venda da preparação enzimática à base de lactase da marca Lactosil fabricada em datas anteriores a novembro deste ano.

 

Confira a tabela com os lotes que tiveram a fabricação, distribuição e comercialização liberadas AQUI

 

 

Fonte: Imprensa Anvisa

Por Cláudia Collucci / Jornal Folha de S. Paulo / 10-12-2015

 

Há muitas suposições e quase nenhuma certeza em tudo o que envolve hoje os casos do vírus zika e os surtos de microcefalia que ocorrem no Nordeste do país.

 

Quase a totalidade dos registros de zika são tidos como suspeitos porque não há testes sorológicos suficientes para comprová-los.

 

O diagnóstico da infecção tem sido feito com base nos sintomas, que, no início, confundem-se com os da dengue.

 

Assim, as projeções do Ministério da Saúde sobre o zika são baseadas em casos descartados de dengue e chegam a números alarmantes -mínimo de 497.593 e máximo de 1.482.701 casos.

 

Mas como confiar nessas projeções se em regiões epidêmicas para dengue, como São Paulo, o teste sorológico (para dengue) não é feito em todos os casos suspeitos? E os casos de zika assintomáticos (que representam 80% do total), entram nesse cálculo?

 

Pelas estimativas mais otimistas do ministério, o Estado de São Paulo deveria ser o campeão em casos de zika, com 236.494 registros. Mas, segundo o governo paulista, o Estado só tem quatro casos, sendo dois autóctones.

 

Para os infectologistas, é possível que muitos dos casos de dengue registrados no último verão em São Paulo já tenham sido do vírus zika. Mas, de novo, são suposições.

 

Em relação à microcefalia, as incertezas se repetem. Os 1.761 registros de má-formação ainda são considerados suspeitos porque os bebês precisam passar por exames mais complexos para comprová-la. Até agora, o vírus só foi encontrado em três do total de casos investigados.

 

Quando teremos essas confirmações de fato? O que é preciso? Mais especialistas, mais equipamentos?

 

A própria seleção dos casos de microcefalia pode apresentar vieses que preocupam neurologistas e especialistas em medicina fetal.

 

Ao estabelecer como principal critério de triagem a circunferência da cabeça do bebê (menor que 32 cm), o real tamanho do problema pode demorar para aparecer.

 

Em geral, a microcefalia ocorre quando uma lesão cerebral extensa leva à redução do volume do cérebro e, consequentemente, à diminuição da medida da circunferência da cabecinha do feto.

 

Mas exames de imagem feitos em bebês de mães que teriam sido infectadas pelo zika durante a gestação têm demonstrado várias lesões do tecido cerebral sem, contudo, levar a uma microcefalia.

 

Ou seja, a cabeça do bebê tem medidas normais, mas o cérebro apresenta problemas como calcificações e diminuição dos giros (gomos), ficando com um aspecto liso. "Tem que olhar o cérebro, não só a cabeça", alertam os médicos.

 

A própria associação entre o zika e a microcefalia carece de mais investigação pelos critérios da medicina baseada em evidência. Qual o risco de a grávida infectada pelo zika gerar um bebê com microcefalia? Ninguém sabe. O que existe até agora é medicina baseada em suposições.

 

A falta de respostas para muitas das questões que envolvem o zika e suas consequências é esperada pelo ineditismo da situação.

 

Embora o vírus tenha sido descrito pela primeira vez em 1947, só agora é que está chamando a atenção das autoridades sanitárias do mundo.

 

Ainda devem demorar as primeiras conclusões de estudos como o que vai demonstrar se o vírus sofreu mutações ao chegar ao Brasil ou se as pessoas que já tiveram dengue podem sofrer um impacto maior com o zika.

 

Mas algumas lições já podem ser tiradas desse caos sanitário. Uma delas é nunca mais subestimar um vírus desconhecido.

 

Em maio deste ano, ao confirmar a circulação do zika no país, o então ministro da Saúde, Artur Chioro, dizia que o novo vírus não preocupava: "É uma doença benigna e que tem cura." Sete meses depois, a situação já é considerada "gravíssima" pelo atual ministro, Marcelo Castro.

Zika, chikungunya e dengue estarão em discussão em um seminário, que acontece nos dias 15 e 16 de dezembro, em Belo Horizonte. O evento, que é gratuito e aberto ao público, tem por objetivo contribuir com a ampliação do conhecimento sobre as viroses emergentes, buscando o fortalecimento do SUS no enfrentamento dos atuais desafios da vigilância e da atenção à saúde.

 

O seminário é promovido pela Fiocruz Minas, em parceria com a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde e Vice Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Secretaria de Estado da Saúde de MG e Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. O evento será no auditório do Clube dos Oficiais da PM-MG, localizado na Rua Diabase, 200, Bairro Prado.



Veja a programação completa:

 

DIA 15 DE DEZEMBRO

 

9h às 09h30 – Abertura

 

José Agenor Álvares da Silva- Secretário Executivo do Ministério da Saúde
Valcler Rangel Fernandes – Vice Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz
Rodrigo Stabeli- Vice Presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz
Fausto Pereira dos Santos- Secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais
Fabiano Geraldo Pimenta Júnior – Secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte
Mauro Guimarães Junqueira- Presidente Nacional do CONASEMS
José Mauricio Lima Rezende- Presidente COSEMS MG
Zélia Profeta- Diretora da Fiocruz Minas

 

09h30 – 10h10 – Zika, Chikungunya e Dengue: desafios para a saúde pública: panorama geral

 

Apresentador – José Agenor Alvares da Silva – Secretário Executivo do MS

 

10h10 – 10h50 – Zika

 

Apresentador: Carlos Brito – Professor da Universidade Federal de Pernambuco

 

10:50 – 11:30 – Chikungunya- Apresentador: Rivaldo Venâncio da Cunha – Diretor do Escritório Fiocruz Mato Grosso do Sul

 

11h30 – 12h10 – Manejo Clínico em dengue – atualização do manual de normas
Apresentador: Carlos Brito – Pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco

12h10 às 14h – Almoço

 

14:00- 16:00 – Debatedores: Gerson Penna (Diretor da Fiocruz Brasília), Fabiano Geraldo Pimenta Júnior (Secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte), Rodrigo Said (Superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador- SES/MG), Carlos Eduardo Calzavara (Vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Minas), Marco Horta (Assessor da Vice Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz).

 

DIA 16 DE DEZEMBRO

 

09h – 09h40 – Uma bactéria na luta contra as arboviroses emergentes
Apresentador: Luciano Andrade Moreira – Pesquisador da Fiocruz Minas

 

09h40 – 10h20 – Providências necessárias à assistência e ao controle
Apresentador: Fabiano Geraldo Pimenta Júnior – Secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte

 

10h -10h40 – Desafios para comunicação e participação social no controle das viroses
Apresentadora: Denise Nacif Pimenta – Pesquisadora da Fiocruz Minas

 

10h40 – 12h15 – Debatedores – Gerson Penna (Diretor da Fiocruz Brasília), Rodrigo Said (Superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador do Estado de Minas Gerais), Carlos Eduardo Calzavara (Vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Minas), Rivaldo Venâncio da Cunha (Diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul), Carlos Brito (Pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco), Marco Aurelio Horta (Assessor da Vice Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz).

 

12h15 – 12h30 – Encerramento – Fiocruz Minas, SES-MG, SMS BH

 

Fonte: site da Fiocruz Minas

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