O grande aumento na demanda de registros de medicamentos e produtos para saúde verificado nos últimos anos está associado ao forte crescimento econômico recente do país. Atualmente, este é o grande desafio colocado diante da Anvisa, que tem a missão de conciliar a segurança sanitária ao desenvolvimento econômico e social do pais.


A Anvisa está trabalhando para compatibilizar esse crescimento com a estrutura da Agência. As estratégias adotadas para solucionar este desafio envolvem três ações principais:


1) A primeira é a revisão dos marcos regulatórios, o que implica na atualização das normas vigentes, simplificação de processos e eliminação de etapas desnecessárias no processo de registro.  A Anvisa possui normas equivalentes às das mais importantes agências reguladoras e isso tem permitido ao Brasil estabelecer parcerias internacionais que darão mais celeridade a questão das inspeções internacionais.


Um exemplo são as parcerias firmadas com agências sanitárias de outros países a fim de permitir a troca de informações estratégicas que contribuem para otimizar o trabalho das equipes que certificam fábricas fora do Brasil. Entre estes países de referência estão os EUA (FDA), Canadá, França, Austrália, Argentina, Inglaterra, entre outros.


2) A segunda iniciativa é a reestruturação que a Anvisa tem conduzido nos últimos três anos e que tem possibilitado um aproveitamento mais efetivo de sua estrutura e de sua força de trabalho. Um exemplo disso é a criação de áreas que se dedicam exclusivamente a atender as demandas de registros de medicamentos que são prioritários para o Sistema Único de Saúde.


A Anvisa já permite que medicamentos para os SUS, medicamentos inovadores e genéricos para segmentos que ainda não tenham concorrência recebam prioridade de análise. Isso permite que os produtos considerados mais importantes para a saúde pública cheguem antes ao consumidor.


Entre 2009 e 2012 foram protocolados 214 pedidos de registro de moléculas novas na Anvisa. Deste total, 87% foram analisados pela agência. Sendo que destas 214 solicitações, 62% (133 pedidos) já tiveram a decisão final (deferimento, indeferimento ou encerramento do processo a pedido) publicada pela Anvisa; 25%  (54 pedidos) encontram-se em análise e apenas 13% (27 pedidos) aguardam o início da análise.


Cabe ressaltar que a petição mais antiga ainda sem manifestação da Anvisa é de março de 2012, ou seja, deste ano. Os pedidos de registro que aguardam análise, até o momento, deverão ser encaminhados até o final de 2012.


Das 54 moléculas novas ainda sem decisão final e  que já tiveram sua análise iniciada na Anvisa, 81% encontram-se em exigência técnica, em análise do cumprimento de exigência ou arquivadas, aguardando adequação dos pedidos de registro já protocolados por parte das empresas para que a Anvisa possa finalizar a análise.


Quando as petições encontram-se em exigência ou arquivadas significa que as informações iniciais apresentadas no momento do protocolo do registro não forma suficientes para o seu deferimento, sendo necessário solicitação de informações complementares acerca da qualidade, eficácia ou segurança do produto. As empresas devem apresentar informações complementares das petições arquivadas e em exigência para que a Anvisa possa tomar a decisão final.


Destacamos ainda que 10% das petições encontram-se em análise de recurso administrativo, o que significa dizer que a Anvisa já se manifestou contrariamente ao registro das mesmas e os recursos interpostos pela empresas estão em fase de análise pela Anvisa.


Considerando os processos arquivados, em exigência, em análise do cumprimento de exigência e em recurso, concluímos que dos processos que deram entrada na Agência e tiveram sua análise realizada, 91% não atendiam em sua totalidade os requisitos sanitários para comprovação de qualidade, eficácia e segurança, sendo necessário que a Anvisa solicitasse complementação de dados ou negasse o registro sanitário aos mesmos.


3) A terceira ação é a implantação do registro eletrônico de medicamentos que trará um ganho de tempo significativo para o setor, eliminando o trâmite de documentos em papel e permitindo que a análise dos processos seja iniciada em menor tempo. Este sistema começará funcionar ainda este semestre.


Os números da indústria apontam para um cenário que é de pleno conhecimento da Anvisa, mesmo porque o diálogo da instituição com o setor regulado é transparente. A própria Interfarma tem participado diretamente da formatação do sistema de registro eletrônico.


Discordamos que o cenário atual implique na falta de produtos no mercado. Essa é uma afirmação incorreta. O tempo de análise hoje no Brasil é compatível com o das demais agências reguladoras do mundo.


As regras impostas ao registro de fármacos são semelhantes às melhores referências mundiais.


Acima de tudo é importante ressaltar que por trás de todo o esforço empreendido pela Anvisa está a segurança sanitária dos produtos utilizados pela população brasileira. Podemos afirmar categoricamente que a população tem plena confiança em relação aos medicamentos disponíveis no mercado, não havendo nenhum quadro de contestação relativo à efetividade dos produtos disponíveis.

Fonte: Anvisa

O Ministério da Saúde vai promover um levantamento nacional para avaliar o impacto e a eficiência das políticas públicas de medicamentos no país. A Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (Pnaum) vai envolver 35 mil residências de 300 municípios de todos os estados.

A pesquisa será realizada em parceria com 11 universidades federais e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Ela pretende traçar uma radiografia sobre o consumo e o acesso a medicamentos pela população brasileira. O principal objetivo é coletar dados e indicadores para estabelecer os rumos estratégicos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com José Miguel do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, a pesquisa tornou-se necessária a partir do aumento dos gastos do governo com medicamentos, que passaram de 6%, em 2003, para 12,6%, em 2012.


O Ministério da Saúde, por meio de pesquisa em 35 mil residências, que deve começar no início de 2013, vai avaliar o uso e o acesso aos remédios. “Vamos verificar se a pessoa adoeceu no último mês e se precisou de medicamento. Se precisou, onde ela teve acesso esse medicamento, onde ele estava disponível, se ela teve que comprar, se pegou na farmácia popular ou no posto de saúde” esclareceu José Miguel.


Ele explicou que, além do inquérito residencial, a pesquisa terá outra etapa, que começa em novembro deste ano e deve durar cerca de três meses. Nesta fase, serão coletadas informações sobre o atendimento prestado ao paciente desde a prescrição e a retirada do medicamento até o acompanhamento durante o tratamento nas unidades de saúde.


Nesta fase, em que serão entrevistadas mais de 4 mil pessoas, vão ser analisadas também as receitas médicas quanto à qualidade, letra, posologia e prescrição racional do uso do medicamento.


De acordo com Ministério da Saúde, os resultados da pesquisa serão divulgados até o fim de 2013.


Fonte: Agência Brasil

Entrevista

Fernanda Silva Gonçalves
Mestre em Educação e coordenadora pedagógica de curso preparatório para concursos

 

 

 



SINFARMIG: Qual deve ser o critério na escolha de um concurso público?

Fernanda Silva Gonçalves
: A primeira coisa é ter foco. Depois avaliar: Posso mudar de cidade? De Estado? Tenho tempo para dedicação integral ou vou trabalhar e estudar? Depois de definir essas questões você pode escolher o concurso. Lembrando que um concurso federal o tempo de estudo é bem maior.

S: Mesmo porque os concursos federais ...

FSG
: ... são dificílimos, com níveis elevados e concorrência pesada. Dedicação quase que exclusiva e horas de estudo para acompanhar o conteúdo.

S: Como deve ser a rotina de estudo?

FSG: Se você for estudar sozinho, em casa você tem que ser muito disciplinado. Quem está desempregado deve dedicar cerca de 08h por dia para os estudos, planejar e criar um cronograma de estudos baseado no edital anterior do concurso. Para quem está em cursinho, além de assistir às aulas deve também fazer os simulados e as questões das provas anteriores.

S: Em tempos de concursos a preparação vai além de estudo?

FSG: Sim. Tem que ter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos que ajudam na concentração. O candidato tem que deixar de ser “baladeiro”. Não precisa ser antisocial, mas a rotina deve ser focado no estudo e abrir mão do divertimento por um período faz toda diferença.

S: O que fazer então?

FSG: Programe-se. Se seu objetivo é o serviço público, você tem que ter consciência que tem muitos concorrentes que estão se dedicando em tempo integral.

S: Quem são os “concurseiros”?

FSG: São aquelas pessoas que estão se preparando há muito tempo para concursos. Já conhecem as bancas (empresas responsáveis pela realização dos concursos), tem noção do que será descrito nos editais, esses são os verdadeiros concorrentes.

S: Há muito diferença entre as entre bancas?

FSG: Sim, esteja certo disso. A diferença reside na estrutura de prova. Concursos estaduais e municipais pautam por questões objetivas (quatro ou cinco opções), já os federais são aqueles de marcar verdadeiro ou falso, com o complicativo de que uma questão errada anula uma certa.

S: É uma matemática perversa?

FSG: Sim, mas o intuito é esse. As provas são mais complexas, por isso mais concorrência.

S: É confiável estudar os editais anteriores?

FSG: Depende. Sabemos que os concursos federais são realizados por bancas de renome. Mais devido às mudanças constantes nas legislações, não podemos seguir à risca. Os editais passados servem como norteadores, mas não são regras. 

S: Nos concursos da área de Farmácia, quais são os conteúdos mais exigidos?

FSG
: Ultimamente temos visto muito biossegurança, gestão da qualidade, controle de risco, farmacovigilância, as novas portarias, RDCs, sempre a NR 17 e muito mais.


S: E o material de estudo?

FSG: Tem que ter muito cuidado com o que vai comprar apara estudar. Sempre olhar a referência e se está atualizado. Tem candidato que vai prestar concurso em Minas Gerais e compra material produzido em São Paulo. As legislações são diferentes, o foco dos autores é diferenciado.

S: Qual o concurso mais esperado pelos Farmacêuticos?

FSG: Com certeza é o da Agência Nacional de Vigilância Santitária (Anvisa). O último foi em 2004 e está previsto cerca de 196 vagas entre o nível médio e superior, com vencimento de R$ 4.000,00, mais gratificações de cerca de R$ 6.0000,00, fora as possibilidades de crescimento dentre da instituição e em breve o do Ministério da Saúde.

S: E em nível estadual?

FSG
: A Fundação Ezequiel Dias (Funed), a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, que também terá vagas para a Vigilância Sanitária. No último concurso foram 80 vagas para farmacêuticos.

S: Para esses concursos o candidato deve focar somente nas legislações?

FSG
: Não. Além delas tem o conteúdo de políticas públicas de saúde, o código de ética da profissão, português e no caso da Anvisa tem as provas de língua estrangeira, de inglês ou espanhol.

S: Vale apena dedicar somente ao concurso?

FSG
: Só se você for disciplinado. Sair do emprego atual e focar apenas nos estudos deve ser bem avaliado. Você gosta do que faz? Tem possibilidade de crescer? Tem estabilidade? Se não, vale a pena sim e nesse caso um curso preparatório pode te ajudar a dar o direcionamento certo.

S: O curso preparatório é garantia?

FSG: Claro que não. Depende mais do candidato do que do curso ou dos professores. Quem vai te levar a conquista da tão sonhada vaga é sua dedicação e esforço nos estudos. O cursinho é parte importante por nortear os candidatos nos estudos, mas não adianta só assistir aula e ler a apostila, tem que fazer as provas, estudar, revisar o conteúdo...

S: Qual a dica para quem está esperando o edital ser divulgado?

FSG: Comece a estudar agora. Não dá para esperar o edital. Se for concurso de prefeitura, comece a estudar assistência farmacêutica e português.

S: Os editais têm surpresas?

FSG: Sim. O candidato deve ficar atento ao conteúdo programático, nos dizeres “referências bibliográficas sugeridas”, pois pode cair outras referências, artigos acadêmicos, outras fontes, fique atento a tudo sobre o tema sugerido nos editais.

S: Cabe recurso quando as provas exigem o que na foi proposto no edital?

FSG: Sim, mas somente se alguma questão não for contemplada no conteúdo programático.

S: O candidato tem que ter perfil para serviço público?

FSG: Sempre falo isso aos alunos: Tem que gostar de gente e acreditar na saúde pública, se não você será apenas mais um. Principalmente se for para trabalhar em prefeituras que tudo é mais precário e burocrático.

S: Nem todo mundo tem essa visão crítica.

FSG: Costumamos criticar o serviço público, mas o bem maior do funcionário público tem que ser o cidadão, o paciente. Ingressar simplesmente pela remuneração e estabilidade vai ser frustrante para o profissional. Ele vai falar mal do serviço, não vai desenvolver sua função da forma adequada e vai contribuir para a precarização dos serviços.

S: Já teve algum aluno/candidato que desistiu?

FSG: Sim. Quem já fez estágio durante a graduação em serviço público e não se adaptou com certeza vai para a iniciativa privada.

S: Essa sinceridade é muito melhor?

FSG: Claro. O Sistema Único de Saúde (SUS) para dar certo e se consolidar depende muito dos profissionais que acreditam nele.

S: O candidato busca estabilidade. Mas não é bem assim?

FSG: Serviço público manda embora sim, mesmo depois de cumprido os três anos de estágio probatório. Em alguns órgãos, principalmente na esfera federal, os servidores passam por avaliações de desempenho periódicas. Caso ele não exerça suas funções de forma adequada ou faça alguma coisa ilegal, ele pode passar por um processo administrativo e ser exonerado (desligado do cargo) e ser impedido de prestar outro concurso.

S: Qual a dica para quem vai estudar sozinho para um concurso?

FSG: Mais uma vez, tenha foco. Vai estudar sozinho? Tenha comprometimento. Monte seu cronograma de estudo e defina as horas de estudos por dia.

S: Quem está desempregado?

FSG: Busque os editais anteriores. Compre uma boa  apostilas e se puder contrate uma aula e um cursinho daquela disciplina que você tem mais dificuldade.

S: E se estudei muito e não passei?

FSG: Estude mais e não desista. Você viu como é a concorrência, por isso deve se dedicar mais. Concurso sempre vai ter, a cada dia um novo edital é divulgado e com certeza o que você aprendeu nos estudos anteriores vai levar para as próximas provas.

S: Podemos contar com o elemento sorte?

FSG: Só se você der sorte de ter estudado tudo que caiu na prova.

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