O Ministério da Saúde, por meio de parceria do laboratório público Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com a empresa brasileira Biomm, promoverá a retomada da produção nacional de insulina, medicamento vital para o controle de diabetes. A previsão de investimento é de R$ 430 milhões nos próximos cinco anos – R$ 80 milhões do Ministério da Saúde e Fiocruz, e o restante via financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O anúncio ocorreu na manhã desta terça-feira (16) em Belo Horizonte, em cerimônia com a presidenta da República, Dilma Rousseff, e os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.

“Vivemos um momento importante de ressurgimento que muito tem a ver com o momento do Brasil, da forma como olhamos o país. Impossível um país como o Brasil ter a indústria fragilizada. Temos uma grande vantagem: quase 200 milhões de habitantes. Temos de transformar esse mercado em plataforma para o mundo. Consumo e investimento andam de mãos dadas”, ressaltou a presidenta Dilma.

A fábrica da Biomm pode começar a produzir a partir de 2014. A produção nacional de insulina – interrompida em 2001 – representa avanço não apenas na assistência, mas também confere ao Brasil autonomia e reduz a vulnerabilidade do país frente a potenciais crises internacionais de produção. “Hoje, política industrial tem de competir no mercado global com preço, prazo e qualidade. Não é admissível que o Brasil faça substituição de importação. Este é um passo importante: unir área industrial, ciência e tecnologia, e educação para aumentar a produtividade”, acrescentou a presidenta.

Com a retomada da produção, o Brasil volta a fazer parte do seleto grupo de grandes produtores de insulina, ao lado de França, Dinamarca e Estados Unidos. “A retomada só se tornou viável porque o programa Farmácia Popular, do Ministério da Saúde, criou um mercado que sustenta a produção. Aumentou cinco vezes o número de pessoas com acesso a medicamentos de graça. Subiu de 15 mil para 25 mil o número de farmácias que ofertam esses medicamentos”, afirmou o ministro Padilha. “Mercado garantido no Brasil, podendo ousar no mercado global”.

Assistência

Atualmente, há cerca de 10 milhões de diabéticos no país. Desses, 1,1 milhão utilizam a insulina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2012, o consumo médio de medicamentos antidiabéticos pela rede pública de saúde foi de cerca de 15 milhões de frascos NPH e cerca de 1,7 milhão de frascos de insulina – 1,2 milhão de frascos do tipo NPH e 145 mil frascos da regular. A Biomm produzirá 50% da insulina distribuída no SUS.

“O Brasil está entre o segundo e o quarto mercado do mundo para todo e qualquer produto que se consuma: de grampo de cabelo a avião a jato. Quem tem mercado desses tem obrigação de deter produção de qualidade, com domínio tecnológico. Aqui estamos diante de um exemplo vitorioso”, acrescentou o ministro Fernando Pimentel. O Ministério da Saúde ampliou o acesso dos diabéticos aos medicamentos para diabetes por meio do Saúde Não Tem Preço – ação lançada em 2011 pelo governo federal – que tornou gratuitos os medicamentos para diabetes, além de hipertensão e asma, nas farmácias credenciadas ao programa Farmácia Popular.

Em pouco mais de dois anos, o número de diabéticos atendidos pelo Saúde Não Tem Preço passou de 306 mil (em janeiro de 2011) para 1,5 milhão (em março de 2013). No total, 4,8 milhões de pessoas foram atendidas em dois anos. O programa também contribuiu para reduzir as internações por diabetes. Em 2012, houve 6,6 mil menos pacientes internados do que em 2010 – queda de 148,6 mil para 142 mil.

Complexo de Saúde

A construção de uma fábrica nacional de insulina está inserida na estratégia do governo federal de aumentar a autonomia do país em relação ao mercado externo de medicamentos e equipamentos de Saúde. Na semana passada, o ministro Alexandre Padilha anunciou uma série de medidas para impulsionar a indústria brasileira no setor Saúde. Foram firmadas oito parcerias entre laboratórios públicos e privados para a produção nacional de medicamentos e equipamentos, que vão gerar economia de R$ 354 milhões em cinco anos.

Com os novos acordos, estão em vigor um total de 63 parcerias entre 15 laboratórios públicos e 35 privados para a produção nacional de 61 medicamentos e seisequipamentos. Estima-se que essas parcerias resultem em uma economia anual aproximada de R$ 2,8 bilhões para o Ministério da Saúde. O governo federal também vai disponibilizar R$ 7 bilhões para a concessão de crédito a empresas brasileiras com projetos inovadores no campo da saúde, além da injeção de R$ 1,3 bilhão na infraestrutura de laboratórios públicos.

Na ocasião, também foram assinados acordos de cooperação entre Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e Associação Brasileira de Notas Técnicas (ABNT) para dar celeridade ao processo de concessão de patentes e registro a produtos prioritários para a saúde pública. Com isso, será possível reduzir o déficit do setor, que atualmente está em R$ 10,5 bilhões.

Fonte: Portal da Saúde

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A diretoria da Anvisa encaminhou para consulta pública proposta que cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos. A proposta de resolução está publicada na edição de quarta-feira (3/4) do Diário Oficial da União.

O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) institui os mecanismos e procedimentos que vão garantir o rastreamento dos medicamentos. O sistema propõe que o controle comece na produção e acompanhe o medicamento até a prescrição destes produtos. 

A Diretoria Colegiada da Anvisa definiu que a tecnologia a ser adotada para o SNCM é  o código de barras bidimensional, a Datamatrix. Trata-se do mecanismo de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados necessários ao rastreamento de medicamentos no Brasil.

A proposta encaminhada para consulta pública por 30 dias determina que a responsabilidade de zelar pela qualidade, pela segurança e pela eficácia dos medicamentos deve ser compartilhada entre todos os agentes que atuam na cadeia de produção, distribuição e consumo desses produtos.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, explica que “as empresas detentoras de registro junto à Anvisa serão responsáveis por gerar e dispor em cada embalagem de medicamento um número chamado de Identificador Único de Medicamento (IUM), que é formado pelo número do registro do medicamento junto à Anvisa, contendo 13 (treze) dígitos, além do número serial, a data de validade e o número do lote”.

O número serial é uma espécie de “RG” dos medicamentos, correspondente a cada unidade do medicamento a ser comercializada no território brasileiro. O serial é representado em um código de barras bidimensional e inscrito de forma legível na embalagem de comercialização.

As embalagens secundárias de todos os medicamentos – como, por exemplo, as cartelas de pílulas - e as embalagens hospitalares devem conter os mecanismos de identificação estabelecidos nesta norma da Anvisa.

Para a indústria, o prazo sugerido de adaptação às novas regras é de 180 dias e para o comércio varejista, de 360 dias.


Participação

Consulta Pública nº 10/2013 irá receber contribuições entre os dias 10 de abril e 9 de maio de 2013. As sugestões podem ser enviadas por meio eletrônico, com  preenchimento de formulário específico ou por escrito, para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilâ ncia Sanitária/GADIP, SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050.

Já as contribuições internacionais devem ser encaminhadas para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ Núcleo de Assessoramento em Assuntos Internacionais (Naint), SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050.

As contribuições recebidas são consideradas públicas e estarão disponíveis a qualquer interessado por meio de ferramentas contidas no formulário eletrônico, no menu "resultado", inclusive durante o processo de consulta. A Anvisa deve promover uma audiência pública no mês de maio para subsidiar posteriores discussões técnicas e a deliberação final da diretoria colegiada.

Fonte: Anvisa

No mesmo dia que a Câmara dos Deputados instalou a Comissão Especial para discutir o Financiamento Público da Saúde, o Movimento Saúde+10, com a presença de centenas de entidades de trabalhadores ligadas ao setor e da sociedade civil, parlamentares, conselhos estaduais e municipais de saúde, além de manifestantes vindos de todos os recantos brasileiros realizou, em Brasília, um importante Ato em Defesa da Saúde Pública, com o objetivo de fortalecer o Sistema Único de Saúde, através de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, que pretende assegurar o repasse de 10% dos recursos brutos do orçamento da União para a saúde.A atividade, ocorrida nesta quarta-feira, 10 de abril de 2013, foi coordenada pelo presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos e coordenador do Movimento Saúde+10, Ronald Ferreira dos Santos e iniciou com a concentração de delegações de diversos Estados do país, na Catedral de Brasília. 

Após a recepção das bancadas, cerca de dois mil representantes seguiram em caminhada até as imediações da Câmara Federal, onde realizaram outro Ato público, desta vez contando com a representação de parlamentares, de diversas legendas partidárias, que se dirigiram ao Movimento para manifestarem seu apoio. 

Entre os deputados federais que usaram o microfone estiveram João Ananias, Jô Moraes e Alice Portugal do PCdoB, Chico Alencar do Psol, Darcísio Perondi do PMDB, Fábio Ramalho do PV e Toninho Pinheiro do PP. Os manifestantes decidiram entrar na Casa Legislativa para realizar um trabalho de sensibilização dos deputados mobilizando-os por mais recursos para a saúde. 

Durante a realização do Ato, o Coordenador do Movimento foi anunciando o resultado da coleta das assinaturas. Somente a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB coletou mais de 500 mil assinaturas. Marca parecida foi atingida pelas organizações mineiras, com importante contribuição da Assembleia Legislativa daquele Estado. 

O resultado da primeira contagem geral, oficial das assinaturas coletadas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular atingiu 1 milhão e 250 mil assinaturas. Para dar entrada ao PL são necessárias 1 milhão e 400 mil assinaturas. 

Desta forma, Ronald Ferreira desafiou as entidades que, em parceria com as Centrais Sindicais, farão um esforço concentrado para aproveitarem as comemorações do Dia Internacional dos Trabalhadores e ultrapassarem a meta necessária, chegando a 2 milhões de assinaturas, até junho deste ano.

O movimento Saúde+10

“O SUS é obra e graça da iniciativa popular na Constituição. Esse movimento representa que o povo brasileiro está tomando novamente em suas mãos a defesa da saúde pública. O problema do financiamento é um problema que ficou insolúvel desde sua origem. A tentativa de solucionar o problema com a Emenda Constitucional 29, que garante recursos para a saúde, frustrou a esperança dos brasileiros, que após longa tramitação e tentativas de atrelá-la a mais um imposto ou contribuição social, a emenda saiu pior que o soneto, já que a parte da contribuição da União ficou fora da regulamentação”, enfatiza o coordenador do Movimento Saúde+10, Ronald Ferreira dos Santos – presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos.

O Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública foi criado há um ano com o objetivo de realizar a coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular que assegure o repasse efetivo e integral de 10% das receitas brutas da União para a saúde pública brasileira. 

Na proposta há a prerrogativa de modificar a Lei Complementar no 141, de 13 de janeiro de 2012. Através desta iniciativa foi possível juntar variados segmentos sociais, mais de uma centena de organizações sociais, em torno de uma ampla mobilização social para a coleta das assinaturas em todo o Brasil.

Maria do Socorro de Souza, presidenta do Conselho Nacional de Saúde avalia que através do repasse de 10% das receitas brutas da União para a Saúde, seria assegurado em torno de R$ 45 bilhões por ano ao setor. 

A presidenta do Conselho considera que o montante é insuficiente, mas que já representaria um grande avanço, em especial, nas regiões onde o SUS encontra-se fragilizado, como norte e nordeste, cujos problemas se situam na atenção básica e na falta de estrutura da rede pública, particularmente no interior do país. Socorro destacou também a importância da valorização dos profissionais da saúde.

Segundo a vereadora do PCdoB de Porto Alegre e membro da coordenação do movimento Saúde+10, Jussara Cony, “se o Brasil quer desenvolvimento econômico, social, humano e sustentabilidade ambiental, a saúde é estratégica, pois um povo sem saúde não pode ser protagonista à altura da sua capacidade e sua potencialidade”. 

Ela lembrou que o SUS é a maior conquista do povo brasileiro em política pública e é um sistema que é referência em saúde para o mundo, sob a ótica gravada na Constituição que o SUS é um direito de todos e um dever do Estado e evoluindo hoje para a compreensão que é um direito humano. Para isso, enfatizou Jussara Cony, é necessário controle social com participação popular, regulação, regionalização, saúde da família, mas tudo isso só será possível com dotação orçamentária da União, dos Estados e dos municípios.

A participação parlamentar

Quase unanimidade entre os parlamentares que participaram do evento foi a opinião de que a pressão popular é fundamental para se obter conquistas. A deputada Jô Moraes e o deputado Toninho Pinheiro foram incisivos, convocando a sociedade a invadir os corredores do Congresso, conversando com cada deputado e fazendo com que os mesmos assumam o compromisso de que a bandeira da saúde é uma prioridade e que para isso é preciso haver aporte financeiro.

Ao chegar à Câmara dos Deputados, uma comissão representativa do movimento Saúde+10 foi recebida pela presidência da Casa. Durante a instalação da Comissão Especial para discutir o Financiamento Público da Saúde, o presidente Henrique Eduardo Alves, reconheceu que a regulamentação da Emenda 29, em 2012 (Lei Complementar 141/12), não produziu a solução esperada, fazendo com que o tema esteja de volta à discussão. 

Segundo Henrique Alves, o objetivo da comissão especial é construir propostas, através de um diálogo produtivo entre governo, parlamento e sociedade para que o Brasil conquiste uma saúde de respeito e altivez ao cidadão.

O presidente da Comissão Especial para discutir o Financiamento Público da Saúde será o deputado do PMDB gaúcho, Darcísio Perondi, que também é coordenador da Frente Parlamentar da Saúde e autor do Projeto de Lei Complementar para destinar 10% das receitas da União para a Saúde (PLP 123/12).

Sônia Corrêa
Jornalista MTb 14.178

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