O BRASIL DO DESPERDíCIO » É muito remédio que vai para o lixo

Descarte de medicamentos chega a R$ 13 bilhões, ou 20% do que é vendido no país. Falta a lei para o fracionamento

Marinella Castro e Victor Martins

Publicação: 27/08/2013 04:00

Belo Horizonte e Brasília – O Brasil do desperdício mostrado pelo Estado de Minas nos últimos dias, também chega aos hospitais e aos remédios consumidos em casa. O desleixo com medicamentos é preocupante. Todos os anos o brasileiro e o poder público juntos jogam na lixeira bilhões de reais com o descarte de produtos impróprios para o consumo. São remédios que vencem antes de serem consumidos. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o desperdício de medicamentos, incluindo os comprados no varejo pelos hospitais e pelo poder público, gira em torno de 20%. Considerando que o setor movimenta perto de R$ 65 bilhões ao ano, R$ 13 bilhões vão para o ralo.

A questão econômica esbarra no Projeto de Lei 7.029, de autoria do governo, que desde 2006 está tramitando no Congresso Nacional, atualmente na comissão de Constituição e Justiça. A lei tornaria obrigatório o fracionamento dos remédios, viabilizando o consumo de acordo com a necessidade. Decreto presidencial de 2006 já libera a venda fracionada mas a norma não pego. “Fabricar em frações com as informações necessárias à segurança na embalagem é possível e alguns laboratórios já fazem isso. Mas no geral a regra não vingou com prejuízos para o país”, diz Rilke Novato presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais (Sinfarmig-MG). Segundo ele, é comum o consumidor levar para casa 30 comprimidos quando precisaria de 20. “O restante ele joga fora ou repassa para outro usuário, o que é um risco grande à saúde.”

O TEMPO DA EDUCAÇÃO O desperdício no Brasil não se resume a perdas vultosas de dinheiro, a exemplo dos prejuízos estimados em R$ 1 trilhão ao ano com os gargalos de logística e falhas de planejamento. O país, que aspira uma cadeira entre as nações ricas, joga fora também oportunidades. O bônus demográfico, momento na história em que a maior parte da população está em idade de trabalhar, tem sido soterrado pelas nossas ineficiências. Os especialistas são unânimes: a omissão com o ensino e a capacitação pode tirar do Brasil uma chance única.

A pirâmide social deve favorecer o Brasil até 2030. A partir daí, a força de trabalho começa a envelhecer. Em 2040, teremos idosos demais para tomar conta e, se não aproveitarmos essa janela de oportunidade para resolver problemas na previdência e formar poupança robusta para os desafios futuros, o passivo social pode se tornar insustentável. “Parte desse bônus foi desperdiçado. Temos, na melhor das hipóteses, até 2040 para tirar proveito”, avalia José Luís Oreiro, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Este momento é decisivo, pode mudar os nossos rumos”, ressalta José Matias-Pereira, professor da Universidade de Brasília (UnB).

A maioria das populações hoje ricas, aproveitou esse período para dar um salto rumo ao desenvolvimento. Chegaram a esse período da história com as reformas necessárias para colher os frutos do bônus demográfico, situação diferente da observada no Brasil. Aqui há desperdício da força de trabalho. “A palavra chave é produtividade. Se queremos mudar o perfil desse país, o trabalhador tem de ter um nível de produtividade elevado”, diz Matias-Pereira. Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), alerta que a situação é alarmante. O país reserva as piores vagas para os jovens, que são o público que deveria construir um Brasil melhor. “Grande parcela dos brasileiros sai da escola analfabeto funcional. É um nível de desinformação básica. Uma pessoa pouco treinada tem dificuldade de ter emprego produtivo, vai varrer rua.”

Reproduzido do Jornal Estado de Minas
 

 

A coordenação de Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado da Saúde (SES/MG) está com as inscrições abertas e gratuitas para o Curso Práticas Integrativas e Complementares.  As inscrições podem ser feitas no endereço:  http://www.canalminassaude.com.br/cursos/extensao/introducao-as-praticas-integrativas-e-complementares As aulas, virtuais, começam no dia 10 de setembro.

Conforme a farmacêutica homeopata Heloísa Monteiro, coordenadora do serviço, o objetivo do curso é levar mais conhecimento sobre os princípios básicos da homeopatia, da fitoterapia/plantas medicinais, da medicina tradicional chinesa (acupuntura, práticas corporais, meditação e orientação alimentar), da medicina antroposófica e do termalismo/crenoterapia. Os conhecimentos relativos a cada modalidade serão disponibilizados em módulos separados num total de cinco. 

Ela lembra que as práticas integrativas constam na Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares SUS/MG do estado de Minas Gerais e que é importante que os gestores e demais interessados tenham mais conhecimento sobre a possibilidade de sua implementação nos municípios. “Além de gestores e funcionários da saúde, será importante que usuários também se inscrevam e conheçam seus direitos de buscar as práticas alternativas no Sistema Único de Saúde”, ressalta.

O curso terá a duração de dois meses e as vídeoaulas serão transmitidas via Canal Minas Saúde para pontos de recepção do sinal do canal que hoje totalizam mais de 11.000 (onze mil) entre estabelecimentos de saúde, escolas, centros de referência de assistência social, presídios e unidades socioeducativas. Haverá distribuição de certificados para quem participar de todas as fases do curso, incluindo as respostas às avaliações propostas em cada um dos cinco módulos.

 

Enquanto o país procura soluções para suprir a falta de médicos no atendimento à população, um encontro de gestores em saúde em Belo Horizonte demonstrou que é crescente o interesse em implementar ações de promoção da saúde por meio de práticas complementares como a acupuntura, a homeopatia, a fitoterapia e as práticas corporais da medicina chinesa no Sistema Único de Saúde (SUS).

A discussão também é pertinente por ocasião da manutenção dos vetos ao Ato Médico pelo Congresso Nacional em votação realizada na  semana passada. O gesto demonstra o reconhecimento da importância do atendimento multiprofissional no SUS e preserva a autonomia dos profissionais de saúde.

Enquanto o país procura soluções para suprir a falta de médicos no atendimento à população, um encontro de gestores em saúde em Belo Horizonte demonstrou que é crescente o interesse em implementar ações de promoção da saúde por meio de práticas complementares como a acupuntura, a homeopatia, a fitoterapia e as práticas corporais da medicina chinesa no Sistema Único de Saúde (SUS).

A discussão também é pertinente por ocasião da manutenção dos vetos ao Ato Médico pelo Congresso Nacional em votação realizada na  semana passada. O gesto demonstra o reconhecimento da importância do atendimento multiprofissional no SUS e preserva a autonomia dos profissionais de saúde.

“O I Fórum Estadual de Práticas Integrativas e Complementares teve excelente resultado ao atrair 500 participantes entre gestores municipais, profissionais de saúde e representantes do movimento social”, informa a coordenadora das Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a farmacêutica homeopata Heloísa Helena Monteiro Braga. Concomitante ao Fórum também foi realizado o I Seminário Sudeste de Práticas Integrativas e Complementares.     

O bom número de participantes no Fórum é explicado pelo esforço da Coordenação de Práticas Integrativas e Complementares  da Secretaria de Estado de Saúde MG que passou quatro meses, de março a junho deste ano, realizando oficinas para explicar aos gestores da possibilidade de implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares que existe desde 2006 e que foi respaldada pelo Governo do estado em 2009 por meio da Resolução SES/MG nº 1885 de 27 de maio de 2009. Conforme Heloísa, a equipe realizou oficinas de mobilização do conhecimento sobre o tema nos municípios de São João Del Rei, Alfenas, Uberlândia, Teófilo Otoni, Montes Claros. Em Belo Horizonte foram realizadas duas oficinas.

O que mais surpreendeu a equipe durante as visitas foi o grau de desconhecimento sobre a existência da Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares. De acordo com a política pública, o atendimento municipal no âmbito do SUS pode oferecer homeopatia, fitoterapia, acupuntura, as práticas corporais chinesas como tai chi chuan e lian gong, o termalismo e a antroposofia – prática que considera o ser humano nas suas dimensões física, psíquica, emocional e espiritual. “A oferta dos serviços é encargo do município, mas o estado pode dar diretrizes, mostrar o caminho para alcançar resultado”, detalha Heloísa.

Eventualmente, recursos financeiros podem ser remanejados pelo estado para contribuir na implementação das práticas integrativas e complementares. Para isso acontecer, basta que a demanda pelos serviços se fortaleça e o interesse verificado no Fórum mostra que o caminho está aberto para que isso venha a acontecer até porque 18% dos municípios mineiros já adotam pelo menos uma dessas práticas segundo resultado parcial de diagnóstico que está sendo realizado este ano.

“A participação dos conselhos de saúde: municipal, estadual e nacional é decisiva para que haja consolidação da política das práticas integrativas e complementares”, ressalta a coordenadora da SES/MG.

Segundo Heloísa, com a consolidação da política nos municípios, a população é beneficiada porque as práticas complementares levam o indivíduo a assumir mais responsabilidade com a própria saúde. “Esses tratamentos contribuem para estimular o autocuidado porque incentivam a consciência corporal e mental levando a pessoa a menor dependência de medicalização, diz.

Ela ressalta também que, como o nome diz, as terapias integrativas devem ser vistas dentro de um contexto de complementaridade: “São cuidados multiprofissionais de saúde que se complementam na busca pela saúde integral do paciente”.     

Para o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais, Rilke Novato Públio, que esteve presente na Roda de Conversa que encerrou  o Fórum Estadual de Práticas Integrativas e Complementares, é muito importante que a Política Nacional seja implementada.

“A participação da sociedade, de forma organizada, por meio de atuação nos conselhos e conferências de saúde é fundamental para que a política seja efetivada porque sem essa pressão e só aguardando a decisão dos gestores ela pode demorar a funcionar na prática”, diz Rilke. Ele acrescenta que aumentar a oferta de tratamentos complementares e alternativos à medicina convencional é uma forma de combater o uso indiscriminado e irracional de medicamentos.“Elas podem fazer um contraponto à medicalização estimulada pela indústria farmacêutica”, salienta o diretor do Sinfarmig.         

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