Enquanto o país procura soluções para suprir a falta de médicos no atendimento à população, um encontro de gestores em saúde em Belo Horizonte demonstrou que é crescente o interesse em implementar ações de promoção da saúde por meio de práticas complementares como a acupuntura, a homeopatia, a fitoterapia e as práticas corporais da medicina chinesa no Sistema Único de Saúde (SUS).
A discussão também é pertinente por ocasião da manutenção dos vetos ao Ato Médico pelo Congresso Nacional em votação realizada na semana passada. O gesto demonstra o reconhecimento da importância do atendimento multiprofissional no SUS e preserva a autonomia dos profissionais de saúde.
Enquanto o país procura soluções para suprir a falta de médicos no atendimento à população, um encontro de gestores em saúde em Belo Horizonte demonstrou que é crescente o interesse em implementar ações de promoção da saúde por meio de práticas complementares como a acupuntura, a homeopatia, a fitoterapia e as práticas corporais da medicina chinesa no Sistema Único de Saúde (SUS).
A discussão também é pertinente por ocasião da manutenção dos vetos ao Ato Médico pelo Congresso Nacional em votação realizada na semana passada. O gesto demonstra o reconhecimento da importância do atendimento multiprofissional no SUS e preserva a autonomia dos profissionais de saúde.
“O I Fórum Estadual de Práticas Integrativas e Complementares teve excelente resultado ao atrair 500 participantes entre gestores municipais, profissionais de saúde e representantes do movimento social”, informa a coordenadora das Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a farmacêutica homeopata Heloísa Helena Monteiro Braga. Concomitante ao Fórum também foi realizado o I Seminário Sudeste de Práticas Integrativas e Complementares.
O bom número de participantes no Fórum é explicado pelo esforço da Coordenação de Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria de Estado de Saúde MG que passou quatro meses, de março a junho deste ano, realizando oficinas para explicar aos gestores da possibilidade de implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares que existe desde 2006 e que foi respaldada pelo Governo do estado em 2009 por meio da Resolução SES/MG nº 1885 de 27 de maio de 2009. Conforme Heloísa, a equipe realizou oficinas de mobilização do conhecimento sobre o tema nos municípios de São João Del Rei, Alfenas, Uberlândia, Teófilo Otoni, Montes Claros. Em Belo Horizonte foram realizadas duas oficinas.
O que mais surpreendeu a equipe durante as visitas foi o grau de desconhecimento sobre a existência da Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares. De acordo com a política pública, o atendimento municipal no âmbito do SUS pode oferecer homeopatia, fitoterapia, acupuntura, as práticas corporais chinesas como tai chi chuan e lian gong, o termalismo e a antroposofia – prática que considera o ser humano nas suas dimensões física, psíquica, emocional e espiritual. “A oferta dos serviços é encargo do município, mas o estado pode dar diretrizes, mostrar o caminho para alcançar resultado”, detalha Heloísa.
Eventualmente, recursos financeiros podem ser remanejados pelo estado para contribuir na implementação das práticas integrativas e complementares. Para isso acontecer, basta que a demanda pelos serviços se fortaleça e o interesse verificado no Fórum mostra que o caminho está aberto para que isso venha a acontecer até porque 18% dos municípios mineiros já adotam pelo menos uma dessas práticas segundo resultado parcial de diagnóstico que está sendo realizado este ano.
“A participação dos conselhos de saúde: municipal, estadual e nacional é decisiva para que haja consolidação da política das práticas integrativas e complementares”, ressalta a coordenadora da SES/MG.
Segundo Heloísa, com a consolidação da política nos municípios, a população é beneficiada porque as práticas complementares levam o indivíduo a assumir mais responsabilidade com a própria saúde. “Esses tratamentos contribuem para estimular o autocuidado porque incentivam a consciência corporal e mental levando a pessoa a menor dependência de medicalização, diz.
Ela ressalta também que, como o nome diz, as terapias integrativas devem ser vistas dentro de um contexto de complementaridade: “São cuidados multiprofissionais de saúde que se complementam na busca pela saúde integral do paciente”.
Para o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais, Rilke Novato Públio, que esteve presente na Roda de Conversa que encerrou o Fórum Estadual de Práticas Integrativas e Complementares, é muito importante que a Política Nacional seja implementada.
“A participação da sociedade, de forma organizada, por meio de atuação nos conselhos e conferências de saúde é fundamental para que a política seja efetivada porque sem essa pressão e só aguardando a decisão dos gestores ela pode demorar a funcionar na prática”, diz Rilke. Ele acrescenta que aumentar a oferta de tratamentos complementares e alternativos à medicina convencional é uma forma de combater o uso indiscriminado e irracional de medicamentos.“Elas podem fazer um contraponto à medicalização estimulada pela indústria farmacêutica”, salienta o diretor do Sinfarmig.