Jornal Folha de S.Paulo - 22/09

Cláudia Collucci
De São Paulo


Uma nova resolução do CFF (Conselho Federal de Farmácia) autoriza os farmacêuticos a prescreverem remédios que não exijam prescrição médica, como analgésicos e antitérmicos.


A medida será publicada na próxima quarta no "Diário Oficial da União" e tem 180 dias para ser implantada.
Com a norma, eles poderão tratar o que chamam de "transtornos menores", como uma dor de cabeça ou diarreia. O cliente que chegar ao balcão da farmácia para comprar um analgésico poderá passar por uma "consulta" e receber um receituário com a assinatura e o carimbo do farmacêutico. A prescrição, no entanto, não será obrigatória.


Outra ideia, mas que ainda depende de acordos para vigorar, é que os farmacêuticos possam renovar receitas médicas em casos de algumas doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

O paciente passaria pelo médico, receberia o diagnóstico e a primeira receita. A partir daí, o farmacêutico poderia orientar e assumir os cuidados do doente (medir a glicemia ou a pressão arterial) e, se tudo estiver bem, repetir a receita do médico.
A medida é polêmica e deve provocar reação das entidades médicas. "A lei do Ato Médico abriu brecha para qualquer um prescrever medicamentos. É bem complicado", reagiu Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo).


A lei, aprovada em junho, deixou de prever como exclusivo do médico o ato de prescrever tratamentos após os vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff.


Para Azevedo, o diagnóstico de "qualquer doença" e os respectivos tratamentos são atribuições exclusivas do médico. "Uma simples aspirina pode matar. Pode causar reação alérgica, sangramentos. De quem será a responsabilidade legal por esse doente?"


Do farmacêutico, garante o presidente do CFF, Walter Jorge João. "Estamos tendo essa coragem de dar mais responsabilidade ao farmacêutico. Ele não é profissional só do medicamento, ele também tem que cuidar do paciente."


Segundo ele, tendo um papel mais ativo, o farmacêutico poderá reverter a cultura da automedicação do brasileiro. "O Brasil é o quinto país que mais se automedica no mundo. E isso resulta em muitos casos de intoxicação por medicamentos."


REPETIR RECEITA


Sergio Mena Barreto, presidente-executivo da Abrafarma (Associação Brasileira de Rede de Farmácias e Drogarias), discorda do argumento. "Isso é bobagem. Só 3% das intoxicações são por automedicação. Prescrever receita para medicamentos isento de prescrição é um paradoxo. São drogas seguras, de baixíssimo risco", diz.
Para ele, os farmacêuticos deveriam concentrar esforços para poder renovar o receituário médico, função que já desempenham nos EUA.


"Lá eles podem, inclusive, mudar a dosagem de um remédio prescrito pelo médico. O farmacêutico brasileiro precisa ser mais bem visto. Ele é muito desvalorizado, especialmente pelos médicos."


Em nota, o CFM (Conselho Federal de Medicina) informa que "aguardará a publicação da norma e tomará a providências cabíveis".

Folha de S.Paulo, 23/09

Leandro Colon
De Londres

Relatório divulgado nesta segunda-feira(23/09)pela ONU (Organização das Nações Unidas) mostra uma redução de 33% de novos infectados pela Aids em todo o mundo entre 2001 e 2012, incluindo crianças e adultos.

O resultado mantém a tendência de queda que vem ocorrendo desde 1997, conforme relatórios divulgados pela ONU neste período.

Em 2011, por exemplo, o órgão estimava em 2,5 milhões de novos infectados. O relatório liberado hoje diz que esse número caiu para 2,3 milhões pessoas infectadas em 2012. A ONU ressalta que em pelo menos 26 países o percentual caiu mais de 50%.

A Unaids, órgão da ONU que cuida do combate à Aids, celebra a redução de novos infectados entre crianças. Ao todo, 260 mil crianças contraíram Aids no ano passado, uma queda de 52% desde 2001.

De acordo com o relatório, hoje cerca de 35 milhões de pessoas vivem com Aids no mundo.

O documento ressalta que o aumento do acesso ao tratamento têm dado mais sobrevida aos infectados, o que faz crescer o número de pessoas registradas com Aids. Segundo a ONU, a expectativa é que em 2015 ao menos 15 milhões estejam recebendo tratamento. Até o fim de 2012, o número era de 9,7 milhões.

A ONU comemora também a redução no número de mortes, em torno de 30% em relação a 2005. Em 2012, 1,6 milhão de pessoas morreram por causa da Aids, ante 2,1 milhões sete anos antes.

Na quarta-feira, 18, o Presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, recebeu representantes do Movimento Saúde+10 e assumiu o compromisso de liderar as negociações com o governo para garantir a tramitação do Projeto de Lei Popular - PLP 321/2013, que prevê a destinação dos 10% das Recursos Correntes Brutos da União para Saúde.


Representantes do movimento, entre os quais o coordenador do Saúde + 10 e presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, destacaram no encontro que a Câmara dos Deputados e o governo brasileiro precisam ouvir e dar uma resposta aos 2,2 milhões de eleitores brasileiros assinaram o projeto de lei de iniciativa popular exigindo mais recursos para a Saúde.


As entidades que compõem o Saúde+10 lutam para o projeto tramite na Câmara em regime de Urgência e estão mobilizados para pressionar deputados e governo para que isso ocorra.


Agora é mobilizar, mobilizar e mobilizar as centenas de entidades que participam do #Saúdemais10 por que o PLP 321/2013 é URGENTE é URGENTÍSSIMO!!


Da redação do site da Fenafar
Publicado em 19/09/2013

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) encaminhou ofício ao Sinfarmig em retorno à denúncia do Sindicato sobre o não-pagamento do incentivo financeiro de R$ 1,2 mil aos farmacêuticos do Programa Farmácia de Minas em vários municípios do Estado.


O documento informa que a representação foi encaminhada ao Centro de Apoio Operacional (CAO) de Defesa da Saúde do Ministério Público para avaliação e que, após esse passo, poderá ser repassada a membros do órgão que atuem nas curadorias das regiões dos municípioa citados nos dois ofícios encaminhados ao MP pelo Sinfarmig. No entendimento do Sindicato, essa providência é quase certa.


Tendo em vista a resposta dada a essa ação, a diretoria colegiada do Sindicato decidiu, na sua reunião semanal de terça-feira, 17/09, avançar em outras frentes de forma a discutir o assunto em todas as esferas possíveis.



O próximo passo do Sinfarmig será enviar solicitação de agendamento de audiência com o secretário de Estado da Saúde de MG, Antônio Jorge de Souza Marques, para discussão da mudança da legislação sobre o repasse do incentivo e valorização do profissional.

Mais Artigos...