50) FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS (Forrest Gump, EUA 1994)

Direção: Robert Zemeckis
Este filme é um passeio pela contracultura, sua músicas e eventos históricos dos EUA dos anos 50 aos anos 80 vistos pelos olhos de Forrest, um homem honesto e inocente, interpretado soberbamente por Tom Hanks, que obteve o Oscar de Melhor Ator.O filme foi indicado a vários Oscar, arrebatando o de Melhor Filme, Melhor Diretor entre outros.

49) PRISCILA, A RAINHA DO DESERTO (The Adventures of Priscila, Queen of the Desert)

Direção: Stephan Elliot (Austrália, 1994)
Um dos primeiros filmes a celebrar a natureza"fabulosa" das drag queens, com figurinos que ganharam Oscar. A interpretação de um transexual pelo famoso ator inglês Terence Stamp chocou os freqüentadores de cinema.Um filme alegre e impactante que nos dá a oportunidade rara de olhar por trás dos disfarces das drag queens para ver as pessoas reais que eles escondem.

48) GRITOS E SUSSUROS (Viskingar Och Rop, Suécia, 1972)

Diretor: Ingmar Bergman
Um filme que fala da alma humana vislumbrando a vida de quatro mulheres. Considerado uma das realizações mais perfeitamente executadas de Bergman, com uma impressionante e bela fotografia e atuações extraordinárias das atrizes. Ganhou vários prêmios em Cannes e foi indicado a vários Oscar. Uma obra prima do grande cineasta Ingmar Bergman..

47) O EXORCISTA (The Exorcist, EUA, 1973)

Diretor: Willian Friedkin
O primeiro sucesso estrondoso na história dos filmes de horror. Pessoas de todas as idades ficavam horas em pé em filas para assistir a esta obra. O filme baseado no livro de Willian Peter Blatty, desafiou as regras vigentes sobre o que era aceitável mostrar nos cinemas e causou um aumento considerável de casos de possessões demoníacas "reais".
Indicado a vários Oscar, foi a origem de uma série de imitações, continuações e variações sobre o tema da possessão.

46) UM DIA DE CÃO (Dog Day Afternoon, 1975, EUA)

Diretor : Sidney Lumet
Baseado numa história real, este thriller tenso, pontuado pelo humor cínico, tem um roteiro perfeito e coadjuvantes memoráveis, além de ser um dos grandes triunfos do diretor, Sidney Lumet, um dos maiores do cinema americano moderno. O filme foi indicado a seis Oscar e foi vencedor na categoria de Melhor Roteiro Original e indicado a sete Globos de Ouro. Destaque para a atuação de Al Pacino.

45) UM SONHO DE LIBERDADE (The Shawshank Redemption, 1994, EUA)

Diretor: Frank Darabont
Baseado em um conto de Stephen King, o filme, roteirizado e dirigido com sensibilidade por Frank Darabont e com atuações marcantes de Tim Robbins, Morgan Freeman, é uma das mais belas e humanas histórias de perseverança e redenção. O filme foi indicado a sete Oscar e a dois Globos de Ouro.

44) VELUDO AZUL ( Blue Velvet,EUA, 1986)

Diretor: David Lynch
Com Isabella Rossellini no papel da femme fatale e o vilão sádico Dennis Hooper, Lynch fez um filme noir e seminal dos anos 80 gerando inúmeras imitações inferiores. A princípio sátira sobre a complacência das pequenas cidades americanas e também forte parábola sobre o mal, apontando corrupção nos locais mais improváveis. A época é vaga, e a evocativa música-tema "Blue Velvet", de Bobby Vinton, de 1963, é trilhada junto a músicas mais atuais.A cena da apresentação da Dama Azul é inesquecível.

43) OS IMPERDOÁVEIS ( Unforgiven,EUA,1992)

Diretor: Clint Eastwood
Faroeste eletrizante, deu afinal a seu diretor o merecido reconhecimento após 40 anos de carreira no cinema. Retomando as raízes temáticas e morais do gênero que lhe deu fama, Eastwood aplicou-lhe um sopro de vida. Enquanto explora o lado negro dos mitos do Velho Oeste, o filme impacta ao confrontar o efeito da violência tanto em quem a comete quanto em quem a sofre. Os Imperdoáveis tem como preocupação os confrontos armados e "resume tudo o que sinto sobre o faroeste" afirma o diretor. O filme ganhou os seguintes prêmios: Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Gene Hackman), Edição (Joel Cox).

42) FARGO, UMA COMÉDIA DE ERROS ( Fargo, EUA, 1996)

Diretor: Joel Coen
Franscis MacDormand, mulher de Coen, ganhou o prêmio de Melhor Atriz por este filme. Com excelente fotografia, uma tundra inóspita que lembra a Sibéria e inteligente suspense ambientado em Minnesota, o filme combina humor negro, crime violento e comédia sagaz narrando uma boa história. Sexto título dos irmãos Coen que mostra credenciais de herdeiros legítimos dos mestres do noir americano, mas com marca própria.

41) CINEMA PARADISO (Cinema Paradiso, Itália, 1989)

Diretor: Giuseppe Tornatore
Nostálgico e comovente o filme mostra o charme do cinema e a morte dos palácios de filmes, tudo pelos olhos de uma criança, Salvatore Cascio que aprende com o mentor Philippe Noiret a editar filmes e a projetá-los. Um dos títulos mais populares das últimas décadas dentro e fora da Itália, Cinema Paradiso evoca nossas memórias de cinema mais antigas. Ganhou vários prêmios em Cannes e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

40) UM ESTRANHO NO NINHO/ (One Flew over the Cuckoo's Nest) EUA 1975

Diretor: Milos Forman
Ambientada num hospital psiquiátrico, comédia dramática ganha peso de libelo contra a repressão... e Jack Nicholson é o interno que desafia as regras de um manicômio. O realismo com o qual Forman constrói seu filme e sua direção de atores renderam resultados no Oscar de 1976. A Academia premiou o filme com vários prêmios: Melhor Ator, Melhor Atriz,Melhor Filme, Melhor Direção e Roteiro Adaptado.

39) PULP FICTION/TEMPO DE VIOLÊNCIA ( Pulp Fiction) EUA 1994

Diretor: Quentin Tarantino
Com um espírito diletante e à variedade de influências ( quadrinhos,videogames, seriados de televisão, filmes obscuros de ação e orientais kung-fu, westerns, revistas baratas de histórias policiais e referências à cultura pop) Tarantino conseguir a façanha de produzir uma das obras mais cultuadas e influentes dos últimos anos. Pulp Fiction gerou uma infinidade de imitadores, nenhum à altura do original. Foi indicado a sete Oscar. Também saiu premiado com a Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes.

38) A COR PÚRPURA-(The Color Purple, EUA 1985)

Diretor: Steven Spielberg
Dirigido com maestria por Spielberg, o filme conta com atuações intensas e mostra de forma emocionante a luta de uma jovem mulher que não desiste de viver, mesmo tendo sofrido grandes traumas. O elenco é composto por atores negros como Whoopi Goldberg ( que recebeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática), Danny Glover e Oprah Winfrey entre outros. O filme foi indicado a 11 Oscar.

37) AMADEUS –(Amadeus, EUA, 1984)

Diretor: Milos Forman
A história do jovem prodígio Wolfgang Amadeus Mozart, foi vencedor de 8 Oscar, incluindo Melhor Filme, vencedor de 4 Globos de Ouro, vencedor dos prêmios Cesar(França) e David(Itália). Com interpretações memoráveis, figurinos e cenários deslumbrantes, Amadeus é uma superprodução que mistura drama, suspense, música e comédia que agrada a qualquer tipo de público, revelando o imenso talento de Mozart.

36) BRAZIL – O Filme/ Brazil

Diretor: Terry Gilliam (Inglaterra, 1985)
O diretor norte-americano Terry Gillian realiza aqui uma mistura de humor, ficção científica e filme político misturando realidade e fantasia. Um visual delirante acompanhado de "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso, faz desta ficção científica uma obra única. A opção pela música de Ary Barroso gerou controvérsias no Brasil. O filme é visto por alguns como uma referência à burocracia nacional nessa irônica fábula política.

35) CIDADE DE DEUS/ Cidade de Deus

Diretor: Fernando Meirelles (Brasil, 2002)
A realidade da favela carioca serve como palco para uma história eletrizante sobre a guerra de gangues no tráfico de drogas. O longa de Meirelles foi um dos mais populares trabalhos nacionais( o filme foi visto por mais de 3.5 milhões de brasileiros), além de aparecer com destaque na mídia internacional. O filme fomentou uma larga discussão acerca de qual seria o "o filme ideal" capaz de representar o Brasil e seus problemas sociais.O mundo enxergou na "estética da fome"e na violência extrema um modelo de "realismo" a ser seguido.

34) MATRIX (Matrix, EUA 1999)

Diretor: Andy Wachowski
Matrix revolucionou a ficção científica, bateu recordes de bilheteria com a história de um mundo virtual criado pelas máquinas que dominam o planeta . Uma profecia anuncia que há um predestinado a salvar a espécie humana.... Matrix foi o vencedor de quatro Oscar e foi um marco dos efeitos especiais no cinema.

33) LIGAÇÕES PERIGOSAS (Dangerous Liaisons, Inglaterra,1988)

Diretor: Stephen Frears
O elenco afiado e a impecável reconstituição de época ( França século 18) são o suporte perfeito para a trama conduzida com inteligência e bom gosto pelo diretor. Um filme requintado e irresistível mostrando um jogo de sedução, luxúria e traição...

32) BEN-HUR/ BEM-HUR – EUA 1959

Diretor: William Wyler
Ben-Hur é um filme grande sob todos os aspectos:3 horas de meia de duração,o longa mais caro feito até então, 100 mil figurinos, 300 sets de filmagem, 8 mil extras. Até a versão final 40 roteiros diferentes foram trabalhados e o filme detém até hoje o recorde de 11 Oscar, fora a influência que exerceu sobre praticamente todos os épicos feitos posteriormente, de Spartacus(1960) a Gladiador(2000).

31) SEM DESTINO – EASY RIDER-EUA 1969

Diretor: Dennis Hopper e Peter Fonda
Ao Jimi Hendrix e Steppenwolf, entre outros e regada a aditivos químicos e sexo livre, a história de dois motoqueiros em busca de liberdade se tornou símbolo do espírito hippie e da contracultura que marcaram a época. A exibição do filme no Festival de Cannes de 1969 rendeu uma Palma de Ouro de Melhor Diretor para Dennis Hopper. Uma sequencia do filme que se tornou memorável é o delírio dos personagens pela ação do LSD...

30) BONNIE AND CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS ( Bonnie y Clyde, EUA, 1967)

Diretor: Arthur Penn
"Eles são jovens. Eles se amam. Eles matam gente". Faye Dunaway e Warren Beatty arrasam como o casal de criminosos, pouco convencionais que causou assombro no centro-oeste americano no fim dos anos 20. Os assaltantes de bancos são tratados como heróicos e românticos... O filme ganhou vários prêmios e destacou o ator Gene Hackman que foi indicado ao Oscar.

29) JUVENTUDE TRANSVIADA (Rebel Whithout a Cause EUA, 1955)

Diretor: Nicholas Ray
James Dean, um ícone do cinema, está neste filme com as imagens e a história de um adolescente frustrado mostrando uma juventude alienada do mundo adulto e desencantada... Filme consagrou a fugaz carreira de James Dean que juntamente com outros astros do filme tiveram morte prematura: James Dean em acidente de carro, Sal Mineo, assasinado e Natalie Wood afogada em circunstâncias misteriosas.

28) O IMPÉRIO DOS SENTIDOS / Ai No korida – Japão (1976)

Diretor: Nagisa Oshima
Conhecido como integrante da Nouvelle Vague japonesa , Oshima acumula 46 títulos em sua filmografia. Com a repercussão desse filme seu nome tornou-se mais conhecido nos países ocidentais. A exposição crua de cenas de sexo levou o filme a ser considerado obsceno em vários países, mas também atraiu um público enorme que correu aos cinemas para ver situações eróticas até então limitadas ao mercado da pornografia. Oshima fez um filme polêmico, dramático e de alta carga erótica, narrando os encontros sexuais de um casal, do amor à destruição...

27) A LISTA DE SCHINDLER – ( Schindler' List -EUA, 1993)

DIRETOR: STEVEN SPIELBERG
Quando realizou a Lista de Schindler , o cineasta e produtor deu o passo mais importante rumo à consolidação de sua imagem e de sua carreira, o que se traduziu em 8 Oscar em 1994, incluindo Melhor Filme e Direção. Sua abordagem do Holocausto mostra as formas cruéis de extermínio utilizadas pelos nazistas, concentrando e transferindo sua visão humanista para o personagem real ( o filme é baseado na obra homônima de Thomas Keneally) Oscar Schindler, industrial que aproveitava a fachada de suas indústrias de munição para resgatar judeus dos campos de concentração. Steven Spielberg é considerado por muitos, um gênio da indústria cinematográfica de Hollywood.

26) O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968) - EUA

Diretor: Franklin J. Schaffner
Este se tornou o primeiro filme com uma premissa pertubadora e sua técnica assombrosa, que exigiu investimentos inéditos em maquiagem e cenografia. Charlton Heston desempenha como ninguém, o papel do terráqueo atônito que descobre o segredo por trás de tudo. Nas entrelinhas, corre um sátira feroz ao mundo dos homens. O filme foi indicado a três Oscar, vencendo na categoria Maquiagem.

25) O Iluminado (The Shining, 1980) – EUA

Diretor: Stanley Kubrick
Maio sucesso de bilheteria de Kubrick, este clássico do terror se baseia em uma história de outro mestre, Stephen King. É impossível ficar imune à interpretação alucinada e arrepiante de Jack Nicholson e à delirante transformação de seu personagem. O filme arrecadou só nos EUA US$40 milhões.

24) O SILÊNCIO DOS INOCENTES (The Silence of the Lambs, EUA, 1991)

Diretor: Jonathan Demme
Na pele de Anthony Hopkins, Hanibal Lecter invade a tela como a verdadeira e apavorante encarnação do mal – para assumir o lugar de maior vilão da história do cinema.

23) TITANIC (Titanic, EUA,1997)

Diretor: James Cameron
O diretor James Cameron conseguir reunir tudo neste filme (drama, suspense, romance e efeitos especiais) arrebatou 76 prêmios e arrecadou U$1,8 bilhão em todo o mundo.

22) A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM/ The Graduate

Diretor: Mike Nichols Estados Unidos (1967)
A Primeira Noite de um Homem mergulha no embate entre duas gerações distintas e na revolução sexual da década de 1960.
O filme causou polêmica pelas cenas de nudez e sexo e pela relação entre uma mulher de meia idade com um rapaz. Benjamin (Dustin Hoffman) e Mrs.Robinson (Anne Bancroft) protagonizaram alguns dos diálogos mais divertidos e sensuais de suas carreiras.
Ao som de The Sound of Silence, da dupla Simon&Garfunkel entre outros sucesso o filme é uma história apaixonante.

21) MORTE EM VENEZA/Morte a Venezia

Diretor: Luchino Visconti( Itália e França (1971)
"Viagem de um artista em crise discute a existência suprema nessa obra musicada pelas sinfonias de Gustav Mahler" O italiano Luchino Visconti consegue filmar a obra do alemão Thomas Mann, transformando em imagens e trilha sonora belíssimas o que é tratado em palavras na obra homônima.
O pensamento dos filósofos Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer são outras referências na discussão estética que é desenvolvida no correr da história.

20) CANTANDO NA CHUVA-EUA-1952 (Singin' in the Rain)

Direção: Gene Kelly, Stanley Donen
Considerado o apogeu dos musicais da MGM, o filme é uma mistura de nostalgia e sátira sobre os tumultos e triunfos de transição do cinema mudo ao sonoro, época evocada por cenários e figurinos, além de belos números musicais.
Uma das cenas de dança mais lembradas e imitadas do cinema só poderia estar naquele que é considerado, de forma quase unânime, o maior musical de todos os tempos.

19) BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES – EUA-1937(Snow White and the Seven Dwarfs)

Direção: Walt Disney
"Disney assumiu enorme risco artístico e financeiro ao produzir o primeiro longa de animação em Technicolor de três películas, mas o resultado confirmou-o como mestre do gênero" Foi o filme de animação mais popular da história, arrecadando US$8 milhões só no lançamento nos EUA.
Suas músicas viraram grandes sucessos na história de uma princesa que foge de sua madrasta e refugia-se na casa de sete anões na floresta .... Em 1938, Disney ganhou um prêmio especial da Academia pela "importante inovação que encantou milhões e inaugurou um grande campo para os desenhos animados".

18) JULES E JIM – UMA MULHER PARA DOIS/ JULES ET JIM

DIRETOR: FRANÇOIS TRUFFAUT – FRANÇA – (1962)
Um dos diretores mais amados e aclamados do cinema francês, Truffaut filma uma celebração do amor e da sinceridade em tempos em que valores como esses parecem extintos. A trama é baseada em um romance autobiográfico de Henri-Pierre Roché que Truffaut comprou em um sebo anos antes e ficou encantado com o que chamava de "perfeito hino ao amor e, talvez, à vida". Impossível não se encantar com Catherine e sua alegria, graça e independência, somados com a honestidade com os próprios sentimentos. Tragédias humanas como a guerra e o nazismo chegam e vão, e ela se mantém coerente com único objetivo – ser feliz. Jeanne Moreau nunca esteve tão bem, tão bela, tão senhora de si.

17) NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA/ ANNE HALL

DIRETOR: WOODY ALLEN¬EUA-(1977)
Dirigido e protagonizado por Woody Allen, esta comédia, narra a história de um casal, explorando os distúrbios e as razões dos fracassos dos relacionamentos. As complicações psicológicas, as neuroses e a personalidade complicada do casal mostram que " o prazer sem razão e sem motivo fica perdido em sua reflexão obcecada pela racionalidade".

16)... E O VENTO LEVOU/ GONE WITH THE WIND – EUA(1939)

Diretor: Victor Fleming
A" paixão monumental" ambientada em plena Guerra Civil Americana, pelos atores Clark Gable e Vivien Leigh, é um filme de superlativos: é o mais caro em produção e propaganda, o mais popular e o mais bem sucedido da história. Seus diretores e produtores não imaginavam o estrondoso sucesso. Com cenas espetaculares o filme foi ganhador de vários Oscar: Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante, Diretor, Roteiro, Uso de Cor, Fotografia, Direção de Arte, Edição, Realização Técnica.
Hoje ninguém questiona a importância e a dimensão de ...E o Vento Levou.

15) FITZCARRALDO/FITZCARRALDO

Diretor: Werner Herzog – Alemanha ( 1982)
A história do imigrante irlandês que anseia ficar milionário com a extração da borracha para construir um imenso teatro de ópera no coração da floresta amazônica é filmada com toda a obsessão do diretor alemão. Herzog se recusava a utilizar efeitos especiais e nesse filme uma das cenas mais marcantes é a que mostra um barco – de verdade –( de mais de cem toneladas) sendo arrastado na Amazônia... A produção problemática (ele almejava rodar o filme no meio da selva, com uma equipe e aparatos gigantescos) foi tão falada quanto o próprio resultado final.
Fitzcarraldo tornou seu trabalho mais aplaudido, vencedor do prêmio de Direção no Festival de Cannes(1982) sendo também indicado à Palma de Ouro.

14) TAXI DRIVER-MOTORRISTA DE TAXI (TAXI DRIVER) EUA 1976

DIRETOR: MARTIN SCORSESE
"Um pungente tratado sobre solidão, foi o filme que transformou o cineasta de revelação ascendente em filme de primeiro escalão do cinema americano" O longa, cujo roteiro foi escrito em cinco dias por Paul Schrader, recebeu quatro indicações ao Oscar em 1977-Filme, Ator, Atriz Coadjuvante e Trilha Sonora(de Bernard Herrman, que faleceu horas depois de terminar a gravação!) e não levou nenhum. Mas, ainda em 1976, Taxi Driver levaria a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Robert de Niro passou 12 horas por dia trabalhando como taxista, e seu melhor momento é a inesquecível cena em que começa a falar com o espelho: "Você está falando comigo?". A passagem foi totalmente improvisada por De Niro.
O filme também revelou a atriz Jodie Foster aos 13 anos!

13) O LEOPARDO( IL GATTOPARDO) ITÁLIA, FRANÇA (1963)

DIRETOR: LUCHINO VISCONTI
Nascido em uma das famílias mais ricas da Itália, Luchino Visconti começou a carrreira virando as costas para o berço aristocrático e abraçando sua grande paixão, a causa comunista. Nesse filme Visconti narra a decadência da aristocracia e ascensão da burguesia na visão de um nobre comunista mostrando um refinado épico. Além do rigoroso tratamento histórico, o filme é um espetáculo, com fotografia e figurinos suntuosos (categoria vencedora do Oscar em 1964), além da música elegante de Nino Rota.
A obra venceu a Palma de Ouro em Cannes, em 1963.

12) METRÓPOLIS/METROPOLIS

DIRETOR : FRITZ LANG (ALEMANHA, 1926)
Esse filme é apontado como a primeira obra de ficção científica da história cinematográfica. Alguns o consideram uma "ficção de antecipação", pois trata de um futuro pessimista da civilização... Classificado como uma "ficção futurista" que critica a exploração da classe trabalhadora pelos seus chefes, sendo visto também como uma alegoria ao totalitarismo. Lang trabalhou com orçamentos sem precedentes, criando cenários realistas imensos que antecipam o séc. XXI, inspirados no centro de Nova York.

11) 2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO/ 2001 A SPACE ODISSEY

DIRETOR: STANLEY KUBRICK (EUA/INGLATERRA, 1968)
"Ficção científica revolucionária discute a aventura do homem para compreender o mistério da criação..." Com tons filosóficos, a odisséia no espaço narrada pelo genial Kubrick pode parecer enfadonha quando vista por olhos acostumados às aventuras intergalácticas de Guerra nas Estrelas (1977). A trama não esconde o verdadeiro interesse de Kubrick nessa história, saída da imaginação do autor de ficção científica Arthur G. Clarke( que assina o roteiro como diretor): traçar um painel da humanidade, desde o nascimento até a morte e introduzir nessa história a visão da transcendência.
Ao som de Danúbio Azul, de Johann Strauss, e de Assim Falou Zaratustra de Richard Strauss, entre outras composições eruditas, Kubrick filma o espaço sideral como se fosse o cenário de uma ópera cósmica...
Indicado a quatro Oscar (incluindo Diretor e Roteiro Original), ficou apenas com o de Melhores Efeitos Especiais.

10) O ENCOURAÇADO POTEMKIN (BRONENOSETS POTYMKIN)

DIRETOR: SERGEI EISENSTEIN(RÚSSIA, 1925)
Eisenstein foi encarregado de produzir um filme que celebrasse os eventos da Revolução de 1905 ( revolta popular que inspirou a tomada do poder pelos bolcheviques em 1917 na Rússia). Um filme de proporções épicas, em que a cena do motim dos tripulantes do navio Príncipe Potemkin contra os maus tratos cotidianos a que estavam submetidos, foi ampliada como metáfora para a revolução, agradando público e governantes. "Para um conteúdo revolucionário, uma forma revolucionária". Sob esse lema o diretor russo Sergei Ensenstein entrou definitivamente para a história do cinema em razão da expressão inovadora de sua hora.

09) LUZES DA CIDADE (CITY LIGHTS)

DIRETOR: CHARLIE CHAPLIN – ( EUA, 1931)
Quatro anos após o cinema falado tornar-se realidade e o "must", Chaplim ousou lançar um filme mudo...
Só ele – que atuou como o inesquecível vagabundo Carlitos e que também produziu, editou, criou o cenário e compôs a música – seria capaz disso.
O público amou o filme que a crítica aclamou como seu melhor trabalho.

08) A REGRA DO JOGO / LA RÈGIE DU JEU

DIRETOR JEAN RENOIR - FRANÇA 1939
Filho do pintor impressionista Pierre-August Renoir, Jean Renoir não passaria despercebido pela história do cinema.
Escreveu François Truffaut:
"A Regra do Jogo é, certamente, ao lado de Cidadão Kane, o filme que suscitou o maior número de vocações de cineastas; assistimos a ele com um sentimento muito forte de cumplicidade, isto é, em vez de vermos um produto concluído, entregue a nossa curiosidade, experimentamos a impressão de assistir a uma história sendo filmada, acreditamos ver Renoir organizar tudo aquilo ao mesmo tempo em que a obra está sendo projetada". Segundo o teórico francês Andre Bazin "os filmes de Jean Renoir esforçam-se para encontrar, para além das facilidades da montagem, o segredo de um relato cinematográfico capaz de expressar tudo sem retalhar o mundo, de revelar o sentido oculto dos seres e das coisas sem quebrar sua unidade natural". Nesse filme , Jean Renoir mostra uma festa num castelo, onde os nobres se divertem num andar, e a criadagem se ocupa dos afazeres no subsolo... Seduções, traições e recombinação de pares...
Uma cena de caça a coelhos funciona como anúncio de uma tragédia iminente e prenúncio de uma crise na civilização... Pouco depois explodiria a Segunda Guerra Mundial. Seus filmes combinam emoções, temperamentos, realismo, fantasia, tragédia e farsa. As lições de Jean Renoir foram levadas adiante por seus discípulos reunidos então sob o nome da Nouvelle Vague.

07) Lawrence da Arábia /Lawrence of Arabia

Diretor: David Lean (EUA,1965)
Épico ambientado no deserto explora, na forma de espetáculo, os limites do indivíduo alteado à estatura de herói. Neste filme, o diretor entregou-se á difícil tarefa de traduzir em imagens as reflexões existenciais e políticas do escritor T.E.Lawrence, oficial que liderou as forças britânicas em combates contra a Turquia durante a Primeira Guerra Mundial. Omar Sharif e Peter O"Toole revivem as experiências do escritor T.E. Lawrence... Lean filmou a história "sem perder de vista nem o indivíduo nem a grandeza e aparato das paisagens do deserto, dosando na medida o volume de ação e o de reflexão e entregando ao público uma experiência visual que só na arte cinematográfica é possível..."
Indicado a dez categorias do Oscar 1963, o filme terminou a cerimônia com sete ( entre elas as de Melhor Filme, Fotografia e Direção).
 

Revista Carta Capital

 

Bilhões são jogados no lixo por consumidores convencidos de que vitaminas previnem câncer, infarto e derrame

 

por Riad Younes — publicado 04/12/2013 06:22

 

Dez anos atrás, nesta coluna de CartaCapital, divulgamos os resultados da avaliação realizada por um grupo de cientistas americanos, a força-tarefa dos serviços preventivos dos Estados Unidos, financiada e organizada por órgãos dos institutos de saúde daquele país.

 

Nessa pesquisa, dois dados ficaram claros. O primeiro refere-se à quantidade imensa de multivitaminas compradas e consumidas pelos americanos, ultrapassando a cifra de 11 bilhões de dólares por ano, e a ausência de qualquer evidência clara de que essas vitaminas reduziriam as chances de um indivíduo morrer de câncer ou de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.

 

Recentemente, e uma década depois daquele relato, um estudo extenso, liderado pelo doutor Stephen Fortmann, da Universidade de Portland, Oregon, e do  Centro Kaiser Permanente para Pesquisa Médica, foi publicado na revista Annals of Internal Medicine. Os cientistas avaliaram estudos com mais de 324 mil voluntários para tentar identificar o real impacto sobre a mortalidade por câncer ou por infarto, da ingestão rotineira de vitaminas ou os micronutrientes (como cálcio e selênio), largamente difundida na população. Ao completarem o estudo, os resultados mostraram que, apesar das pesquisas de 2003, o consumo dessas vitaminas permaneceu em níveis recordes.

 

Os americanos ainda acreditavam, ou foram convencidos, de que tomar essas vitaminas ou micronutrientes vai prevenir efetivamente o aparecimento de um tumor maligno ou a obstrução de suas artérias. Por outro lado, os pesquisadores conseguiram identificar o potencial benefício de vitaminas usadas individualmente, ou associadas. Concluíram que, dez anos depois do primeiro estudo, ficaram mais claras algumas afirmações.

 

Primeiro, não se deve mais recomendar a realização de pesquisas nem o uso rotineiro das vitaminas A, C e E, assim como do betacaroteno, em pessoas normais sem deficiência comprovada dessas vitaminas. Quanto ao selênio, os estudos futuros deverão tentar separar os indivíduos com níveis baixos de selênio no sangue antes de incluí-los nas pesquisas, para conseguirmos dados mais sólidos para o seu uso.

Mais trabalhos científicos deverão ser realizados sobre os benefícios da suplementação de vitamina D, isoladamente da ingestão de cálcio, para eventualmente confirmar qualquer benefício dessa vitamina em reduzir as chances de morrer de câncer. Por fim, doutor Fortmann deixou muito clara a consistente falta de evidência científica que possa basear o uso diário de suplementação de vitaminas e de micronutrientes em pessoas saudáveis e sem exames que detectem sua falta no sangue, como prevenção de morte por câncer ou por doenças cardiovasculares, ou como promoção de melhor saúde.

 

Apesar da propaganda intensiva nos meios de comunicação leiga, os especialistas médicos ainda não conseguem identificar para que e para quem esses potes e comprimidos, comprados aos milhões por americanos – e brasileiros também – poderiam ser conscientemente recomendados.   Esses bilhões de dólares jogados fora poderiam ajudar a saúde da população de forma mais impactante. Por exemplo, apoiando pesquisas científicas sérias, na tentativa de descobrir novos métodos de prevenir ou tratar o câncer. Melhor que jogá-los, literalmente, no esgoto.

Uma aula de Assistência Farmacêutica. Assim foi a abertura oficial do 4º Encontro Nacional de Farmacêuticos no Controle Social da Saúde, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na capital paulista, na noite de quinta-feira (21/11).


Entre as diversas falas, ficou evidente a contribuição dos farmacêuticos na luta por um Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade. No primeiro dia do encontro, promovido pela Escola Nacional de Farmacêuticos, em parceria com a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), que aconteceu no Hotel Lorena, também houve o Curso de Formação para Acompanhamento da Política Nacional de Assistência Farmacêutica na Saúde.


Silvana Nair Leite, presidenta da Escola Nacional dos Farmacêuticos, fez a saudação de abertura oficial do Encontro, que foi seguida da Sessão Comemorativa: Os 10 anos da 1ª Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica: A Força do Controle Social, que também lembrou os 25 anos do SUS também comemorados em 2013.


“Os motivos que nos trazem hoje aqui para comemorar são mais do que dois momentos da história do Brasil. A promulgação da Constituição instituindo um sistema de saúde único, universal, descentralizado, de atenção integral a todos os brasileiros e caracterizado pela participação social em sua gestão é um divisor de água no desenvolvimento de nossa nação, inaugurando uma nova concepção do cidadão brasileiro de seus direitos”, destacou Silvana, que fez parte da mesa formada para o evento.



A vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB-SP) deu as boas-vindas a todos à cidade e falou da importância da militância, dos que se dispõem a “cerrar fileiras em comemoração aos 25 anos da nossa Constituição, em particular a criação do SUS, é para celebrar mesmo.” “É uma luta de fôlego, já foi uma luta muito grande para alcançar a implantação do Sistema Único de Saúde. Mas, nós, por incrível que parece, apesar dos ataques feitos à Saúde Pública do país, vimos neste ano, com satisfação, que tanta gente que participou das manifestações pelo país no primeiro semestre, reivindicava saúde e educação públicas, de qualidade”, disse a vice-prefeita.


Ela comemorou o fato de hoje poder contar com o apoio popular para que os três níveis do Estado brasileiro realize investimentos maiores na área. “Perseguir esse objetivo é dar condições aos trabalhadores e cidadãos brasileiros, independente da camada social, de ter assegurado o atendimento público de saúde com qualidade. Muitos países gostariam de estar no patamar que o Brasil se encontra, com uma proposta, um sistema estruturado que sabe o que é preciso fazer do ponto de vista público. E o que vemos por aí fora, em outros países, é o absoluto controle da saúde pelo sistema privado”, enfatizou Nádia Campeão, que se lembrou do papel do farmacêutico no setor que aprendeu a admirar bastante e com a dignidade com que defendem sua profissão e o setor da saúde, participando com muita competência do debate público nacional não somente da saúde, mas em diversos assuntos do movimento sindical”.


Maria Eugênia Cury, que fez parte da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional e atualmente é chefe de Núcleo da Anvisa, enfatizou a participação popular no encontro, que possibilitou a troca de experiências e a renovação da visão dos trabalhadores do setor, que aprenderam a ver as situações a partir do usuário. , que também lembrou que a comissão organizadora da conferência chegou a passar uma noite em claro no último dia do evento para dar conta de ler e encaminhar todas as propostas recebidas durante o encontro.


“Nós permitimos pela primeira vez trazer para a discussão a população. Antes se discutia assistência farmacêutica e politica de medicamentos em gabinetes, definida por técnicos e profissionais”, destacou Maria Eugênia, lembrando a importância do diálogo com a população para ampliar o acesso ao medicamento. “É um marco dessa conferência e trouxe para nós, para nossas entidades a visão da população. Depois dessa conferência não foi mais possível fazer a discussão da politica de medicamentos e assistência farmacêutica sem ter em seu bojo o controle social”, completou.



Célia Chaves
Célia Chaves, dirigente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), que fez parte da comissão de relatoria da Conferência de Assistência Farmacêutica, lembrou que nunca tanta gente se reuniu num país para discutir o tema, o que trouxe um volume de propostas incomensurável’. “Passamos duas, três noites em claro num processo de relatoria para sistematizar todas as propostas e, mesmo assim, o relatório ficou imenso. Mas ficou imenso porque retratou o anseio da sociedade sobre a questão. Foi uma participação ampla, democrática. Temos um documento final de referência para o que vem daqui para frente. E se pegarmos o que está nesse relatório, muito do que está ali conquistamos, mas, ainda temos que avançar muito. É neste sentido que esperamos dar continuidade ao processo de conferência, seja numa segunda edição da Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica, seja no processo de avaliação da Ciência e Tecnologia, enfim, seja onde for, que consigamos fortalecer essa política e o SUS”, conclui.


Luta contra o Estado capitalista
Em um dos momentos mais emocionantes da sessão, a professora e militante farmacêutica e feminista Clair Castilho (na foto acima), que foi coordenadora geral da 1ª Conferência Nacional, puxou pela memória o primeiro momento do país em que os farmacêuticos apareceram de forma expressiva na cena pública, como protagonistas e membros da equipe multidisciplinar de saúde, que processam a saúde e a doença, a doença e a cura - a remediação da doença. “A Conferência significou o protagonismo do farmacêutico e sua vinculação ao processo de implementação do SUS. Já vínhamos de uma longa jornada do movimento sanitário, desde 1974, quando foi decretado o fim do chamado Milagre Econômico da ditadura militar, quando se percebeu a absoluta falência do modelo assistencial que vinha sendo implementado no país”, recordou Clair, que contextualizou aos presentes os momentos que antecederam a Conferência, como a Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) dos Medicamentos, da Câmara, em 2000, que entregou seu relatório final ao Conselho Nacional de Saúde (CNS).


Na ocasião, Clair era conselheira do CNS, que não considerou o voto em separado da oposição quanto aos resultados da CPI e por conta disso pediu vistas. “Chamei o Ronald, o Norberto, o Miguel e outros que entendiam sobre o assunto. E nos juntamos para escrever uma resposta ao voto em separado. Passamos uma noite de conchavo no sindicato dos Farmacêuticos de Santa Catarina. E quando apresentei foi um impacto geral no CNS porque eu era representante do movimento feminista no Conselho, não estava como farmacêutica. Defendi a proposta, colocamos em votação e ganhamos por 19 a 4. A partir daí estava consolidada a Conferência”, comemorou Clair, que representava a Rede Nacional Feminista de Saúde. Em sua fala, ela se referiu ao atual presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos; ao assessor especial da presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Norberto Rech; e ao diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DAF/SCTIE/MS), José Miguel do Nascimento Júnior, também presentes na mesa que compôs o evento.


Nasce a Conferência

Foi somente em 2003, no primeiro governo Lula, que foi aprovada a realização da Conferência Nacional. “Foi uma conferência plural, dentro de um CNS que também era e é representante de todos os tipos e formas de representação popular”, destacou Clair que fez uma reflexão sobre o que é o controle social: “É importante refletir que nós temos que entender que o controle social é de dupla interpretação. Uma que é o controle do Estado sobre a sociedade, que é o que acontecia durante a ditadura militar, através da repressão tortura, mortes, privação da liberdade. E tem o que a gente atravessa agora, que também é do Estado sobre nós, porque saímos da ditadura miliar e continuamos na ditadura do capital, e se dá através de um terrível estímulo a alienação, a futilidade, ao consumo, a culpabilização dos movimentos sociais, a uma superficialidade nas análises dos processos que passamos.”


Para Clair, é fundamental que haja um controle social da ditadura do capital a partir do controle da sociedade. “E a sociedade controlando o Estado, no estado capitalista, significa disputar passo a passo o financiamento do social em detrimento do financiamento do capital. O papel do estado capitalista é pegar o dinheiro público que é de todos para financiar o capital privado. O controle social é disputar esse quinhão do orçamento público para financiar o interesse da maioria da população, da saúde dos oprimidos”, completou.

Como feminista, Clair ressaltou que é preciso também avançar nas disputas e nas lutas de outros segmentos, também usuários do SUS, como mulheres, negros, indígenas, segmento LGBT, sem-terra, sem-teto, assentados de barragens, que na maioria das vezes não têm voz nem vez.

“O nosso papel se reveste disso. O movimento sanitário foi na contramão do processo hegemônico para chegar ao SUS”. Diante das dificuldades atuais, com poucos recursos para a saúde pública e financiamento dos planos de saúde privados por parte da Agencia Nacional de Saúde Suplementar, ela fez um apelo: “A gente não tem que desanimar e, como dizia o pessoal de maio de 1968, as revoluções são impossíveis até que se tornem imprescindíveis e inadiáveis. E é isso que vai acontecer, tenho certeza.”


Luta histórica
Foram muitas as declarações sobre a “aula” dada pelos presentes, inclusive por integrantes da mesa, como Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários (CNTU) que afirmou estar “tendo uma aula aqui de participação e de civilidade.” “A Federação Nacional dos Farmacêuticos tem um trabalho brilhante de exemplo, como do uso racional dos medicamentos. Nós da CNTU enxergamos nos farmacêuticos um exemplo de trabalho, dedicação e participação nacional”, destacou Murilo. Quem também recordou o movimento para a construção da 1ª Conferência foi Norbeto Rech e José Miguel do Nascimento Júnior.


“Foi importante o processo político de combate à ditadura que levou a uma aglutinação de forças importantes e que entenderam o campo da saúde como um campo contra hegemônico importante para espraiar o entendimento daqueles que lutavam por um país livre, e alertar o que significava viver numa ditadura daquela”, declarou Norbeto Rech, que ressaltou que os reflexos de políticas adotadas naquele momento são sentidos no presente e seguirão no futuro. “Se hoje comemoramos os 10 anos da Conferência, foi durante esse processo anterior, que começamos a discutir e a traduzir o que entendíamos por assistência farmacêutica. No processo de enfrentamento da ditadura, Nos desapropriamos da nossa identidade como profissionais da saúde , que havíamos perdido nas décadas anteriores e nos desapropriamos da nossa identidade como profissionais ligados ao medicamento”, concluiu.


Ronald Ferreira dos Santos durante abertura
Tanto Norberto, quanto José Miguel, reforçaram a importância do processo iniciado na década de 1990, que desembocou na Conferência, em 2003, para a formação do conceito de assistência farmacêutica que os trabalhadores ligados à Fenafar defendem como tese para a prática, que vincula a atuação do farmacêutico ao conjunto dos demais trabalhadores e que levou a medidas atuais importantes como a obtenção de mais recursos para a assistência farmacêutica.


“Foi a partir do enorme esforço da Fenafar que se obteve recursos para qualificar a assistência farmacêutica”, destacou José Miguel que frisou um dos papeis importantes da Conferência: o de ampliar o acesso dos medicamentos à população.


José Miguel lamentou que o Senado não tenha absorvido a demanda das ruas sobre saúde, representada pelo Movimento Saúde+10, que colheu 2,2 milhões de assinaturas para o projeto de iniciativa popular que exige a aplicação de 10% das receitas correntes brutas da União no setor. Ele disse esperar que o debate e a proposta seja absorvido na Comissão Especial da Câmara criada para discutir o assunto.


“Por mais que tenhamos avançado nestes 10 anos, está acontecendo um processo de acesso da população mais recentemente. Pesquisa Nacional de Acesso e Utilização de Medicamento, que conta com apoio de 11 universidades, está visitando 40 mil domicílios brasileiros que serão ouvidos para saber o quanto o SUS contribuiu para o acesso da população ao medicamento. “Passados 10 anos da conferência e 25 do SUS, qualquer numero inferior a 80% vou ficar frustrado porque há um esforço gigantesco das gestões do SUS para o acesso”.


Para Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Fenafar, que encerrou a sessão solene lembrando que são momentos como esse, da sessão, que dão razão a luta dos farmacêuticos. “O verbo melhor a ser conjugado agora é o lutar. Convido a todos a compartilhar esse sentimento de luta coletiva que foi expresso neste momento. Vamos fortalecer a Fenafar”, afirmou.


Estavam presentes representantes dos sindicatos da categoria do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Paraná, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, além do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina e do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (presente na mesa).

Deborah Moreira
Da redação da Fenafar

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