Os medicamentos de origem vegetal representam uma fatia de 10% do mercado farmacêutico mundial, movimentando cerca de 20 bilhões de dólares por ano em todo o mundo.
O setor cresce também 10% ao ano. No Brasil, o mercado de fitoterápicos mobiliza, em média, R$ 2 bilhões, um número pequeno diante do potencial deste segmento e da riqueza da flora nacional.
A pesquisadora de Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Maria Behrens, falou sobre o apresentou a palestra Da Planta ao Medicamento, realizada na Coleção Temática de Plantas Medicinais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
O encontro reuniu profissionais do setor farmacêutico, principalmente interessados na área das plantas medicinais, como pesquisadores, médicos, estudantes, e atraiu visitantes do parque localizado na Zona Sul carioca.
Especialista no assunto, Maria Behrens falou sobre o uso de plantas medicinais no desenvolvimento de medicamentos e fitoterápicos. Ela abordou toda a cadeia produtiva, desde a identificação das espécies, passando por pesquisa e chegando até ao desenvolvimento.
“São quatro etapas relacionadas à P&D na área de produtos naturais: botânica, farmacêutica, ensaios biológicos e a etapa clínica”, explicou.
De acordo com a pesquisadora, os fitoterápicos são uma alternativa para diminuir o déficit da balança comercial brasileira no setor farmacêutico. Para isso, o país deve superar algumas dificuldades.
“Entre os pontos críticos, existe uma pequena quantidade de fitoterápicos no mercado farmacêutico; os produtos possuem baixo valor agregado devido à falta de status de medicamentos. Além disso, é elevado o custo de produção”, pontuou.
Maria Behrens disse, ainda, que outro problema é a falta de foco nas pesquisas. “Falta um direcionamento para o mercado produtivo. Atualmente, há poucas espécies brasileiras com derivado registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É necessário investir na pesquisa, envolvendo avaliação da eficácia e segurança de espécies medicinais nacionais”, ressaltou.
Além de todos esses pontos considerados críticos, Maria Behrens disse também que é necessário superar a resistência médica em prescrever esses produtos.
Outro aspecto que a pesquisadora destacou está relacionado às políticas públicas para plantas medicinais e fitoterápicos. Segundo ela, o Estado brasileiro tem procurado estimular a adoção desses produtos nos programas de saúde pública.
“Uma das ações é a criação da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus), que traz uma lista de plantas medicinais com potencial para gerar produtos”, explicou. A lista é composta por 71 plantas de interesse do Sistema Único de Saúde.
O objetivo é orientar estudos e pesquisas que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria 533, de 28/3/2012, estabeleceu um elenco de 12 fitoterápicos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) também do âmbito do SUS.
Com informações da Agência Fiocruz de Notícias (Alexandre Matos)
Publicada em 07/02/2014