Brasília – O Brasil tem tido alta, durante os últimos sete meses, do nível de empregos com carteira assinada e registrou, em fevereiro, um número de formalizações que, embora ainda não computado em sua totalidade, já se sabe que é maior do que o de janeiro – que chegou próximo a 30 mil (29.595 registros de novos trabalhadores com carteira assinada).


Mas, apesar de boas perspectivas com as novas vagas a serem oferecidas por conta da Copa do Mundo e da estimativa, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de criação de 1,1 milhão de vagas este ano, o país ainda apresenta grande rotatividade do mercado de trabalho, que entrava o desenvolvimento e leva a preocupações na formulação de políticas públicas.

Segundo o ministro do Trabalho, Manoel Dias, que abriu hoje (11), em Brasília, seminário sobre o tema, com a elaboração de uma proposta com sugestões para ajudar a enfrentar o problema, a rotatividade termina pressionando os gastos com o seguro-desemprego. E, apesar de ainda não existirem estudos de medição do impacto negativo dessa rotatividade, o governo está preocupado com o tema e quer encontrar mecanismos que possam levar a um controle do quadro. O evento segue até amanhã (12).

"Atingimos o pleno emprego, agora falta melhorar esse nível de emprego para, em consequência, melhorar a renda real dos trabalhadores", destacou Dias, ao acentuar que dentre os vários setores responsáveis por essa rotatividade, o que mais cria problema é o de construção civil, com a demissão de trabalhadores a cada final de obras – um índice de rotatividade de 115% nos últimos anos. Por conta disso, uma das alternativas propostas durante o evento foi de as construtoras passarem a ser obrigadas a efetuar pagamento de salários entre uma obra e outra, com a manutenção dos quadros. Dessa forma, o salário substituiria o seguro-desemprego, além de garantir estabilidade para tais empregados.

Outra alternativa seria a apresentação de uma proposta do Executivo ao Congresso para regulamentação do artigo 239 da Constituição Federal, que prevê a criação de uma contribuição adicional para as empresas cujo índice de rotatividade superar a média do setor.

Construção e agricultura

Mas a questão, que ainda precisa ser melhor discutida, tem de levar em conta outras áreas que também apresentam gargalos significativos. Dados divulgados durante o evento mostraram que a rotatividade, nos últimos anos, chegou a ser de 92% na agricultura; 64% no setor de comércio; 60% no de serviços; e de 53% em algumas áreas da indústria de transformação. De um modo geral, a taxa de rotatividade no país foi de 65%, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), com dados referentes a 2012.

O seminário está reunindo técnicos do governo, entidades sindicais, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), federações, confederações, representantes do Fórum Nacional de Secretários do Trabalho (Fonset), entidades de pesquisa – caso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Associação Brasileira de Estudos do Trabalho – e representantes de universidades diversas para discutir o tema. É promovido pela Secretaria de Políticas Públicas do Ministério do Trabalho, em parceria com o Dieese.

De acordo com os estudos apresentados pelo ministério, em conjunto com o Dieese, a taxa de rotatividade do país, que ficou neste percentual de 64% em 2012, tem apresentado aumento gradativo desde 2003, quando tal percentual era de 52%, o que é acarretado por problemas como a flexibilidade dos contratos, precarização de serviços e terceirização.

Entrave na terceirização

Durante a abertura do evento um dos destaques foi a fala do representante do Ministério Público do Trabalho, Roberto Macedo, que criticou a terceirização e o projeto que tramita sobre o tema na Câmara dos Deputados. Para Macedo, a forma como é feita a terceirização hoje, no país, cria uma situação de invisibilidade para o trabalhador. “O terceirizado não é visto como um trabalhador, mas como uma pessoa agregada. Sabemos que o mundo inteiro pratica a terceirização, mas precisamos tomar cuidado e melhorar as condições de terceirização no país. Da forma como está, o projeto de lei sobre o tema não pode passar, sob risco de nos trazer sérios problemas”, acentuou.

Ao falar sobre a rotatividade, Roberto Macedo deu um depoimento duro e disse que o trabalhador não pode ser tratado como "uma coisa". “Nossa preocupação maior é preservar a dignidade da pessoa humana sem que haja permanência do desemprego”, frisou.

Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual

97% das pessoas assistem TV pelo menos uma vez por semana, 61% ouvem rádio e 47% acessam a internet, mas só 6% leem jornais e 1%, revistas.
Brasília - A internet já é o principal meio de informação para metade dos brasileiros (47%), segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2014, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. A TV continua como o meio de comunicação que mais atinge a população do país (97%), seguida pelo rádio (61%), mas ambos perdem terreno entre o público mais jovem, justamente onde a internet avança. Já os veículos impressos patinam em todas as faixas etárias: só 6% dos brasileiros leem jornal diariamente e apenas 1%, revistas.


A internet ganha mais peso quando os entrevistados indicam o meio de comunicação preferido, ainda que a quase totalidade deles usem mais de um para se informar. A TV continua na dianteira (76,4%), seguida pela internet (13,1%), pelo rádio (7,9%), pelos jornais impressos (1,5%) e pelas revistas (0,3%). Na internet, 32% dos entrevistados apontam as redes sociais como meio preferido, inclusive, para se informar.


“Todos nós tínhamos ideia clara que a importância da internet na informação vinha crescendo. Como não temos pesquisa anterior do mesmo tamanho, não se pode fazer uma comparação, mas se pode hoje dizer que sim, quase metade dos brasileiros se informa e usa a internet como meio cotidiano e rotineiro da informação. Isso é muito importante tanto para as políticas de comunicação quanto como retrato de como o brasileiro se informa”, afirmou o ministro-chefe da Secom, Thomas Traumann.


A pesquisa é a maior do gênero já realizada no país e a primeira que mostra de forma clara em que meio o brasileiro busca informações. O trabalho de campo deu-se entre os dias 12 de outubro e 6 de novembro de 2013, quando 200 pesquisadores aplicaram 75 perguntas a 18.312 brasileiros em 848 municípios, de todas as unidades da federação. A elaboração do questionário, a coleta de dados, a checagem e o processamento dos resultados estiveram a cargo do IBOPE Inteligência, contratado pela Secom, por meio de licitação.


O estudo mostra que a maior parte dos brasileiros assiste TV todos os dias da semana (65%). A pesquisa aponta também que 31% dos lares brasileiros são atendidos por um serviço pago de TV, em contraste com a ampla presença da TV aberta, que está em 91% dos domicílios. Em  24% dos casos, há os dois serviços.
 

No caso do rádio, um em cada cinco brasileiros (21%) ouve todos os dias, enquanto dois quintos (39%) nunca o fazem. Tal como a TV, o hábito é maior entre os mais velhos: sobe de 15% entre os mais jovens para 26% entre a população com mais de 65 anos.


O estudo mostra ainda que a mídia impressa desaparece aceleradamente da preferência dos brasileiros: 76% nunca leem jornais e 85%, revistas. Enquanto 24% ainda leem jornais pelo menos uma vez por semana, no caso das revistas o índice cai para 7%. Entre os jornais mais citados pelos entrevistados, figuram os meios regionais, que priorizam notícias locais. O Extra, do Rio de Janeiro, foi o mais lembrado, contando com 7,5% dos leitores. O Globo foi citado por apenas 3,5% dos entrevistados, a Folha de S. Paulo, por 1,3%, e o Estado de São Paulo, por 1,1%. Dentre as revistas, a Veja foi lembrada por 25,5% dos leitores, seguida pela Caras, citada por 9,3%.



Najla Passos – Agência Carta Maior

A coordenadora da bancada feminina da Câmara dos Deputados, Jô Moraes (PCdoB-MG), reconhece avanços, mas diz que ainda há um longo caminho a percorrer para a valorização da mulher no Brasil.


Segundo ela, a bancada vislumbra sentimentos contraditórios. “Temos uma mulher na presidência, vimos crescer em 25% a presença de mulheres nos ministérios, aumentar o número de doutoras. Ao mesmo tempo, enfrentamos essa luta cotidiana da falta de infraestrutura para as brasileiras trabalharem, dificuldades de creches”, explica. “Nossa preocupação é fazer com que as mulheres ocupem mais espaços de poder."

De fato, as mulheres ocupam hoje apenas 9% das vagas da Câmara e 13% das cadeiras do
Senado. Para tentar reverter essa proporção, a bancada feminina listou como prioridade para 2014 a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 590/06) apresentada pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) que determina a presença de pelo menos uma mulher na composição das Mesas Diretoras e das comissões permanentes das duas Casas.

Em 2012, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) ocupou a 1ª vice-presidência da Câmara, mas, no ano passado, a bancada feminina voltou a ficar sem representante na Mesa Diretora. A situação se repetirá neste ano, porque o mandato é de dois anos.
Políticas públicas

Segundo Jô Moraes, ao ocupar esses "cargos de poder", as mulheres vão ajudar a resolver questões que também afetam homens, idosos e crianças."Serão definidas políticas públicas que atendam a metade da humanidade: creches, assistência à saúde, apoio ao enfrentamento à violência e, sobretudo, esse empoderamento da mulher. A mulher é capaz; ela é que não sabe da sua força."

A PEC 590/06 foi aprovada por comissão especial em 2009 e chegou a ser incluída na pauta do Plenário em 2010, mas não houve acordo para votação. Apesar das resistências, Jô Moraes assegura que a bancada feminina vai continuar empenhada na apreciação desse e de outros projetos que permitirão maior participação das mulheres na política.

A bancada também quer a aprovação de propostas que garantam a equidade de gênero no trabalho e que preveem punição mais rígida para quem praticar violência contra as mulheres.

Fonte: Agência Câmara
Publicado em 10/03/2014

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