Câmara aprova subemenda aglutinativa ao PL 4385/94, num dia histórico para os farmacêuticos e para saúde no Brasil.

 

O dia 02 de julho entra para a história da profissão farmacêutica e da Fenafar com a aprovação da subemenda aglutinativa ao PL 4385/94 que alça a farmácia ao status de estabelecimento de saúde.

 

Neste dia, a Câmara dos Deputados deu um passo fundamental para que o Brasil efetive o direito da população à Assistência Farmacêutica, ao reconhecer o farmacêutico como o profissional qualificado para prestar a orientação sobre o uso adequado do medicamento nas farmácias e drogarias. Com a aprovação deste projeto, a Câmara atende à demanda da sociedade que hoje vê o medicamento não mais como uma mercadoria, mas como um insumo de saúde.

 

Esta luta se confunde com a própria história da Federação Nacional dos Farmacêuticos, que neste ano completa 40 anos. “Desde que o projeto da então senadora Marluce Pinto chegou à Câmara dos Deputados, no final de 1994, a Fenafar se mobilizou para reverter o retrocesso que aquela proposta significava para a categoria, para a Saúde e para a sociedade. Envidamos todos os esforços para construir uma alternativa àquele projeto que atacava a própria existência da nossa profissão. Realizamos grandes manifestações e articulamos com vários atores políticos a elaboração do substitutivo, que foi apresentado pelo deputado Ivan Valente. Desde então, temos trabalhado incansavelmente pela sua aprovação. Desenvolvemos a campanha Farmácia Estabelecimento de Saúde em torno desta proposta, realizamos centenas de debates ao longo destes anos. Este processo contribuiu para alterar a visão que a sociedade tem da farmácia e do medicamento e consolidar um conceito de estabelecimento farmacêutico integrado com o cuidado e com a Saúde. Hoje, a aprovação deste projeto é o coroamento deste longo processo de luta. É um dia histórico, porque é uma nova página que começa a ser escrita para a história da farmácia brasileira. A democracia ganhou e a população ganhou com a qualificação de um estabelecimento que traz a farmácia para o século XXI”, comemora o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos.

 

O vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato, ressalta que a constatação de que a farmácia precisa ser um estabelecimento de saúde finalmente extrapolou as fileiras da categoria. “Hoje temos o reconhecimento da sociedade. As pessoas recorrem muito ao balcão da farmácia e percebem a importância da orientação correta prestada pelo farmacêutico”.

 

Dep. Ivan Valente dirigiu os trabalhos da mesa na aprovação do PL 4385/94Dep. Ivan Valente dirigiu os trabalhos da mesa na aprovação do PL 4385/94

Para o deputado Ivan Valente (PSol-SP), “está é uma vitória de uma visão de saúde pública, que combate uma visão mercadológica de saúde. Nós estamos atendendo a um direito cidadão do brasileiro de ter assistência farmacêutica integral. Estamos criando um conceito de que toda drogaria ou farmácia passe a se chamar farmácia, que será um estabelecimento onde se pratica saúde. Isso cria novas exigências para a dinâmica de funcionamento destes estabelecimentos comerciais, que devem passar a combater a auto-medicação e a prática da empurroterapia e que passe a qualificar o atendimento através da presença, em tempo integral, do profissional farmacêutico habilitado. Este projeto cria a responsabilidade solidária entre o estabelecimento sanitário e o profissional farmacêutico e esperamos que com a sua aprovação, já que agora ele volta ao Senado, nós tenhamos uma qualificação do atendimento e que a farmácia seja um estabelecimento sanitário e que se distinga de um empório ou de um supermercado”.

 

 

A coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica, deputada Alice Portugal (PCdoB/BA) comemorou a aprovação do projeto e ressaltou a importância da Fenafar para o desfecho vitorioso desta longa jornada para colocar a Assistência Farmacêutica em um novo patamar no Brasil. “Finalmente a milenar profissão farmacêutica sai dos bastidores e passa a configurar nos fazeres formais da saúde, garantindo que nas farmácias esteja um farmacêutico 24 horas orientando o uso do medicamento. Há dados que indicam que mais de 80% dos casos de intoxicação no país se dão por drogas lícitas, dentre os quais estão os medicamentos. A presença do farmacêutico nas farmácias concorrerá de maneira decisiva para garantir o uso racional do medicamento. Tudo isso só foi possível graças ao empenho, a mobilização e a motivação da Fenafar. Mudou a mobilização dos farmacêuticos no Brasil, uma categoria que trabalha isolada, cada farmacêutico no seu horário, cada farmácia de manipulação com sua equipe. Mas conseguimos fazer uma grande mobilização, com o papel da Fenafar, com um Conselho Federal de Farmácia renovado e também com a existência da Frente Parlamentar, que motivou o debate com os deputados. Então, este foi um feito construído por várias mãos”.

 

Categoria farmacêutica manteve mobilização intensa na CâmaraCategoria farmacêutica manteve mobilização intensa na Câmara

Segundo avaliação do presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter Jorge João, com a aprovação da subemenda aglutinativa ao PL 4385/94, “passa a haver um reconhecimento do farmacêutico e da sua importância como profissional de saúde, que dentro do estabelecimento vai poder prestar assistência farmacêutica e assistência à saúde ao usuário. Fica claro que o projeto foi trabalhado de tal forma que mostrou ao parlamento brasileiro o alcançe social desta matéria e que quem vai sair ganhando muito é a sociedade, com uma assistência farmacêutica de mais qualidade com profissional mais qualificado, na orientação do uso do medicamento. Portanto, é um marco para a nossa profissão, porque foi possível construir em todo o país um sentimento de união na categoria. Caminhamos unidos, Fenafar, CFF, Feifar, Enefar, e outras entidades. Esse trabalho que foi construído com essa perspectiva que possibilitou essa grande vitória. Que deixa claro que com a união vamos avançar cada vez mais”. 

 

Um dos participantes do grupo que elaborou a primeira versão do substitutivo apresentado pelo deputado Ivan Valente, em 1997, o ex-presidente da Fenafar e atual gerente geral de medicamentos da Anvisa, Norberto Rech destaca que “se hoje nós conseguirmos aprovar a emenda aglutinativa é porque a Fenafar, junto com outras entidades e com outros seguimentos, conseguiu no processo político e institucional dentro da Câmara dos Deputados gerar um entendimento dos representantes da sociedade de que essa proposta não é uma questão corporativa, mas é importante como política pública. A definição da farmácia como estabelecimento prestador de um serviço de saúde é não apenas um conceito, é uma definição cuja implementação resume grande parte da luta política que nós tivemos nas últimas décadas. Porque as políticas públicas nesta área exigem que este estabelecimento – onde se dá o processo de atenção à saúde pelo profissional farmacêutico – efetive na prática cotidiana das pessoas, todas as políticas públicas no campo da Assistência Farmacêutica das últimas décadas. De nada adiantaria se nós tivéssemos toda esta elaboração e não tivéssemos conseguido avançar na aprovação deste projeto. Isso é um passo gigantesco não para o direito dos farmacêutico, não. Mas acho que na garantia das responsabilidades dos farmacêuticos e, principalmente, do direito da sociedade a atenção à saúde, na qual está inserida a Assistência Farmacêutica. Porque, a partir disso, as políticas públicas terão que considerar que o mercado farmacêutico não pode ser visto apenas como um varejo farmacêutico. Este mercado privado terá que ter impacto de políticas públicas para que esta qualificação legal da farmácia como estabelecimento de saúde se concretize no cotidiano das pessoas”.

 

Agora, o texto aprovado pela Câmara retorna ao Senado Federal, aonde será apreciado. Se aprovado, segue para a sanção presidencial. “Por isso, nossa mobilização deve continuar, agora com ainda mais motivação e garra para termos, o mais breve possível, a lei que pela qual tanto lutamos”, alerta o presidente da Fenafar.

 

 

 

Renata Mielli, de Brasília

Publicado em 02/07/2014

O Projeto de Lei 4385/94 - Farmácia Estabelecimento de Saúde - volta à pauta da Câmara dos Deputados esta semana como informa, hoje (30) o site da instituição. De acordo com a pauta da Câmara, o PL será discutido amanhã, terça-feira, 1º/07, e poderá vir a ser votado pelos parlamentares.


Considerado um avanço para a categoria farmacêutica e para a população em geral, o PL transforma as farmácias e drogarias em estabelecimentos de saúde e obriga a presença permanente do farmacêutico como responsável técnico.


Quando estiver em vigor, a nova lei eliminará de uma vez por todas a possibilidade de técnicos pleitearem a responsabilidade técnica pelas farmácias e drogarias. E também obriga as farmácias privativas a serem inscritas nos CRFs, além de deixar expressa uma série de atividades do farmacêutico não previstas anteriormente na legislação como acompanhamento fármacoterapêutico, vigilância farmacológica entre outros.

O Governo Federal ampliou a lista de substâncias usadas na fabricação de medicamentos que ficam livres da cobrança dos tributos PIS/Pasep e COFINS. O decreto publicado no Diário Oficial da União de sexta-feira (27) inclui 174 substâncias na chamada “lista positiva”, que passa a contar com mais de mil itens sujeitos ao regime especial. Com a edição do novo Decreto, 75,4% dos medicamentos comercializados no país ficam isentos do PIS/COFINS.

A seleção das substâncias contempladas pelo crédito presumido obedece a critérios previamente estabelecidos pelo Ministério da Saúde, em conjunto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), e levam em consideração as patologias crônicas e degenerativas; os programas de saúde do governo instituídos por meio de políticas públicas e a essencialidade dos medicamentos para a população. Para fazerem jus ao benefício, os medicamentos devem estar sujeitos à prescrição médica, ser identificados por tarja vermelha ou preta e destinados à venda no mercado interno.

Com a publicação da nova lista, a Secretaria-Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (SCMED/ANVISA) realizará a atualização dos preços dos produtos daquelas empresas que já são optantes do regime especial de utilização do crédito presumido. Além disso, a Câmara de Regulação será responsável pelo monitoramento dos preços dos remédios e por garantir que as reduções tributárias sejam integralmente refletidas nos preços fixados como teto para os produtos.

As empresas produtoras de medicamentos que atendem aos critérios estabelecidos no Decreto nº 3.803/2001 que ainda não optaram pela adesão ao regime especial poderão protocolizar Requerimento de Habilitação para Concessão de Crédito Presumido no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

 

Publicada por Agência Saúde em 27/06

O Ministério da Saúde iniciou a oferta da dose tripla combinada, o chamado três em um, dos medicamentos Tenofovir (300 mg), Lamivudina (300 mg) e Efavirenz (600 mg). Atualmente, esses fármacos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consumidos, separadamente, pelos pacientes com portadores de HIV e aids. O novo tratamento será ofertado, em um primeiro momento, para dois estados que possuem as maiores taxas de detecção. A dose fixa combinada será disponibilizada gradativamente aos demais estados do país.


O principal ganho com o novo medicamento antirretroviral está na redução do número de pacientes que deixam de dar continuidade ao tratamento. Isso porque a disponibilidade das três composições em um único comprimido facilita a ingestão permitindo boa adesão ao tratamento e durabilidade do esquema terapêutico.


Essa combinação de medicamentos integra o Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids do Ministério da Saúde, publicado em dezembro de 2013, e será disponibilizado como tratamento inicial para os pacientes soropositivos. Considerado um importante avanço, o Brasil passa a garantir o tratamento três em um, a exemplo de países como Estados Unidos, China e África.
 

A partir de agora, pacientes destes dois estados passam a tomar, em dose única, os medicamentos: Tenofovir (300 mg), Lamivudina (300 mg) e Efavirenz (600 mg). O tratamento será disponibilizado, inicialmente, para pessoas que sejam identificadas como soropositivo a partir da data de publicação do anúncio do Ministério da Saúde (27 de junho de 2014). Estima-se que cerca de 11 mil pacientes devam ser atendidos nos dois primeiros estados. Os medicamentos já estão disponíveis nos estados do Rio Grande do Sul e Amazonas. A medida se estenderá gradativamente aos demais estados do país e a todos os pacientes soropositivos.


Cenário - De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV-Aids, em 2012 o Rio Grande do Sul apresentou a maior taxa de detecção do país, com 41,4 casos por 100 mil habitantes, e o Amazonas 29,2. A taxa de detecção do Brasil é de 20,2 registros da doença.


Em dezembro de 2013, o Ministério da Saúde passou a garantir a todos os adultos com testes positivos de HIV, mesmo que não apresentem comprometimento do sistema imunológico, o acesso aos medicamentos antirretrovirais contra a aids pelo SUS. A medida também integra o novo Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV e Aids.


Desde o início da oferta do antirretroviral no SUS, há 17 anos, 313 mil pessoas foram incluídas no tratamento. Com o novo protocolo, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar os medicamentos a mais 100 mil pessoas, apenas em 2014. Isso significa um aumento de 32% no número de pacientes vivendo com HIV com acesso ao antirretroviral.


A rede de assistência conta hoje com 518 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), 712 Serviços de Assistência Especializada (SAE) e 724 Unidades de Distribuição de Medicamentos (UDM). Gradualmente, as Unidades Básicas de Saúde estão sendo incorporadas na atenção aos pacientes vivendo com aids e HIV.
 

Fonte: Agência Saúde

Mais Artigos...