"Os procedimentos em relação aos pacientes idosos no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) tendem a ser executados, sem discussão, com os enfermos e com os responsáveis, os quais têm estado alheios à maioria das decisões e acolhem aquelas tomadas pelos médicos de forma autoritária". A observação é da aluna do doutorado em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Edna Estelita Costa Freitas. De acordo com ela, vem aumentando rapidamente o número de pacientes idosos com demência - inclusive em grau avançado - necessitando, com isso, de cuidados no CTI. A partir disso, seu estudo buscou desenvolver a Bioética de Proteção (BP) como modelo de tomada de decisão moral na medicina clínica em relação ao paciente idoso vulnerado. Segundo a doutora, os médicos intensivistas estão pouco familiarizados com os conhecimentos bioéticos necessários para lidar com a conflituosidade moral implícita na prática durante os cuidados da internação de pacientes geriátricos.
 

"Com frequência, os médicos se defrontam com cenários em que se torna necessária a tomada de uma decisão difícil, tanto em relação a diagnósticos como para condutas terapêuticas. Esse processo relativo a pacientes idosos remete à questão da alocação de recursos. A discussão moral pelos profissionais de saúde, entretanto, corre o risco de ficar restrita ao campo técnico da medicina para abordá-la. Assim sendo, fica a proposta de ampliar o campo do debate moral a uma parcela maior da sociedade. Este poderia ser o caso, por exemplo, de uma política que não prolongasse a qualquer custo a sobrevida sem qualidade dos pacientes de CTI, que só leva ao sofrimento evitável e ao aumento dos custos hospitalares quando fosse o resultado de um consenso moral, ou de uma 'convergência', da sociedade como um todo", explicou Edna.
 

Assim, na busca de solucionar conflitos de decisão relacionados ao fim de vida e, em algumas situações, de evitar um desnecessário prolongamento do processo de morrer, conforme destacou a aluna, os decisores substitutos ou as Diretrizes Antecipadas (DA) podem contribuir para proteção da autonomia prévia do paciente com demência avançada diante da finitude. Também os Cuidados Paliativos (CP) colaboram com o enfermo crítico e ou terminal, com o alívio de sintomas que tragam o sofrimento evitável, pois têm como planejamento da assistência o controle de vários tipos de sintomas (físicos e psíquicos), considerando também os interesses existenciais e as relações sociais.
 

Segundo Edna, os CP estão ligados aos cuidados de fim de vida. Entretanto, os profissionais intensivistas – em relação aos CP – postergam, terapeuticamente, esta alternativa na condução da enfermidade crítica. Ademais, tal fato ocorre apenas após todas as tentativas de perpetuar a vida terem sido experimentadas e, muitas vezes, por meio de procedimentos infrutíferos. Sendo assim, antes de o doente atingir o estágio terminal, torna-se necessário implementar um planejamento de cuidados de fim de vida, para orientar os pacientes quanto à opção de prosseguir, ou não,  na busca do prolongamento da vida por procedimentos artificiais invasivos. "De fato, os CP são importantes para o contingente total de pacientes críticos que estejam com sintomas que devem ser melhor manejados, como desconforto respiratório, dor, delirium e constipação intestinal. São importantes, igualmente, para os enfermos que apresentam necessidades de ajuda para solucionar conflitos na tomada de decisão moral do médico em relação ao paciente".
 

Para a aluna, em relação à constituição dos CP, é importante aprofundar o conhecimento dos médicos intensivistas. Além disso, o engajamento do grupo do CTI na discussão em relação à finitude e a necessidade de tratamento curativo, que em determinados casos poderá ser estéril, é fator que deve ser debatido nas várias situações que se estabelecem perante o paciente geriátrico com demência avançada. "É fundamental elucidar que a proteção fornecida por meio de ações paliativas demonstra que a terapia não é interrompida, mas contínua, no sentido de  melhorar o desalento de qualquer proveniência do enfermo".
 

Por conseguinte, o conceito novo, comentado pela aluna é a transformação da medicina intensiva, entendida, exclusivamente, no sentido curativo tradicional, para o advento de novas condutas no sentido de amenizar os sintomas de desalento e desconforto no enfermo crítico, grave e/ou terminal. Entretanto, de acordo com Edna, é fundamental enfatizar perante os intensivistas que os CP não contrariam e, também, não são incompatíveis com o CTI. "O CP ajuda no cuidado de pacientes críticos e/ou em fase terminal de vida admitidos no CTI. Conclui-se que qualquer que seja o processo de tomada de decisão moral escolhido – por exemplo, os baseados em princípios ou consequencialistas –, a BP terá sempre muito a contribuir, devendo, em determinadas situações, ser considerada como complementar a outras abordagens."
 

Concluindo, a aluna defende que a bioética e a sua vertente, representada pela BP, devem ser difundidas, por meio da educação, como disciplina do curso médico, ou com o treinamento de médicos discutindo casos conflituosos do CTI, pelo profissional de saúde com os comitês de bioética. "Em conjunto é necessário difundir as DA para doentes crônicos ambulatoriais, antes de serem admitidos no CTI, além de integrar os CP no CTI, garantindo ações paliativas a todos os pacientes críticos e, principalmente, aos vulnerados, como os idosos com demência avançada. Institucionalmente, as comissões de bioética devem contribuir, protegendo os interesses das populações vulneradas frente ao não cumprimento dos direitos do paciente, e, no âmbito macropolítico, deve-se promover políticas públicas de incentivo aos CP e ao cadastro nacional de DA", opinou.
       

Edna Estelita Costa Freitas tem graduação em Medicina pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques (1989) e mestrado em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004). Sua tese de doutorado foi apresentada na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) em 4 de abril, sob orientação do professor Fermin Roland Schramm.

Fonte: Amanda de Sá / Informe Ensp

 

 A cidade de São Paulo sediará, em outubro, o I Congresso Farmácia Estabelecimento de Saúde. O evento é uma iniciativa do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), o Conselho Federal de Farmácia (CFF), Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sinfar-SP).
 

O objetivo do congresso é reunir farmacêuticos, empresários e lideranças para discutir o que de mais atual há em relação às diversas formas de atrelar prestação de serviços, empreendedorismo e ideias inovadoras com foco na saúde, sem deixar de lado os aspectos relacionados à gestão do negócio.
 

Para o presidente do CRF-SP, Pedro Menegasso, as entidades farmacêuticas têm se dedicado, nos último anos, “a mostrar para a sociedade que a farmácia é um estabelecimento de saúde e a importância da presença do farmacêutico”. Contudo, avalia, “o que temos visto é que não há farmácias trilhando este caminho ou tentando implantar mecanismos que se aproximem deste conceito”.
 

Menegasso explica que há uma “ojeriza por parte dos proprietários, que pensam que queremos estatizar a farmácia e acabar com o objetivo deles que é vender medicamentos. Por isso, o Congresso pretende convidar os proprietários de farmácias e as empresas que fornecem os produtos para a farmácia, e fazer um debate junto com os farmacêuticos para mostrar que existe alternativa e que você não vai ganhar menos dinheiro e que a farmácia não vai ser um fracasso, mas um sucesso. Queremos é mudar o foco do estabelecimento meramente comercial e que renega o papel do farmacêutico, gerando a precarização do trabalho do farmacêutico dentro destes estabelecimentos – ele ganha mal, tem péssimas condições de trabalho, a equipe trabalha de costas para ele, porque o dono gosta mais do balconista que empurra do que do farmacêutico que orienta”, disse.
 

Segundo o material de divulgação do evento, “a farmácia está em um momento de transformação em que a população passa a enxergá-la como um estabelecimento de saúde e não apenas como um comércio. Protagonista nesse contexto, o farmacêutico tem assumido a cada dia uma postura proativa que alia conhecimento técnico à atuação multidisciplinar e humanista. A participação no congresso irá além da discussão sobre um modelo de farmácia ideal, será o momento de conhecer experiências exitosas de farmacêuticos de várias regiões do país que nas farmácias em que atuam já exploram novos nichos e, o mais importante, com sucesso. Além disso, serão apresentadas alternativas em áreas pouco exploradas, mas que podem ser fundamentais para ratificar a farmácia como estabelecimento de saúde".

 
Luta no Congresso Nacional
 

Para a diretora de Organização Sindical da Fenafar, Débora Melecchi, “a realização do I Congresso Farmácia Estabelecimento de Saúde é estratégico para impulsionar a discussão do tema no Congresso Nacional, e se ter a vitória da aprovação da subemenda aglutinativa ao PL 4385/04”.
 

Na avaliação da diretora da Fenafar, “a categoria farmacêutica renovou e mostrou sua força de mobilização para se buscar a aprovação da transformação da farmácia em estabelecimento de saúde”. Ela citou as várias mobilizações realizadas em Brasília, o acompanhamento semanal da tramitação do projeto no Congresso, e o ato político do dia 14/5. “Atividades que comprovam o compromisso e responsabilidade dos farmacêuticos brasileiros, que trazem nesta luta muito além da valorização profissional, mas buscam o respeito ao cidadão brasileiro que tem por direito legal o acesso à assistência farmacêutica integral e de qualidade”, avalia.
 

Além disto, lembra Débora Melecchi, “este congresso se realiza no momento em que se completam, no Brasil, 10 anos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, que claramente demonstra os avanços, tanto no aspecto de gestão geral, do trabalho multidisciplinar e transversal, e no acesso racional aos medicamentos, o que tem impacto e relação direta com o papel dos estabelecimentos farmacêuticos”.
 

A diretora da Fenafar destacou, ainda, que o Congresso acontece em um ano eleitoral “e, portanto, a pressão e qualidade das intervenções dos farmacêuticos, e pelo fato dos usuários estarem mais atentos aos seus direitos, pode mover as forças políticas no sentido de atender as demandas do povo brasileiro e, por tabela, trazer a valorização do trabalho farmacêutico. Por tudo isso, a Fenafar está participando efetivamente da organização do Congresso e nos faremos presentes”.
 

Fonte: Asessoria de Imprensa da Fenafar

A Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), por meio de sua Coordenação de Educação a Distância (EAD/ENSP-FIOCRUZ) e da Coordenação do Curso de Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente, está com inscrições abertas ao processo de seleção para preenchimento de vagas do Curso de Especialização em Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente, na modalidade à distância. As inscrições começaram no dia 18 de junho e continuam até 18 de julho.


Podem se inscrever profissionais portadores de diploma de nível superior que atuam na área de saúde, e que tenham sido indicados por representantes dos estabelecimentos e instituições de saúde (Anexos 1 e 2, respectivamente) que constam do edital – link no final da matéria. O curso terá carga horária de 408 horas, sendo 368 horas realizadas a distância e 40 horas de forma presencial. As aulas presenciais ocorrerão em três momentos do curso. O curso tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de competências e conhecimentos científicos sobre as questões da qualidade e da segurança do paciente, essenciais na prestação de cuidados em saúde.


A Educação a Distância (EAD) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) é uma iniciativa estratégica de formação de profissionais de saúde integrada a seu processo de trabalho. Visa colaborar para a construção e consolidação de um SUS cada vez mais produtor de eqüidade social e de qualidade de saúde. Os certificados dos cursos da EAD são expedidos por duas instituições: ENSP/Fiocruz, para alunos da pós-graduação latu sensu, e Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, para alunos do ensino médio. Os editais dos cursos oferecidos podem ser acompanhados na página da instituição: Fiocruz abre inscrições para especialização em segurança do paciente


A Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), por meio de sua Coordenação de Educação a Distância (EAD/ENSP-FIOCRUZ) e da Coordenação do Curso de Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente, está com inscrições abertas ao processo de seleção para preenchimento de vagas do Curso de Especialização em Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente, na modalidade à distância. As inscrições começaram no dia 18 de junho e continuam até 18 de julho.


Podem se inscrever profissionais portadores de diploma de nível superior que atuam na área de saúde, e que tenham sido indicados por representantes dos estabelecimentos e instituições de saúde (Anexos 1 e 2, respectivamente) que constam do edital (ver link). O curso terá carga horária de 408 horas, sendo 368 horas realizadas a distância e 40 horas de forma presencial. As aulas presenciais ocorrerão em três momentos do curso. O curso tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de competências e conhecimentos científicos sobre as questões da qualidade e da segurança do paciente, essenciais na prestação de cuidados em saúde.


A Educação a Distância (EAD) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP) é uma iniciativa estratégica de formação de profissionais de saúde integrada a seu processo de trabalho. Visa colaborar para a construção e consolidação de um SUS cada vez mais produtor de eqüidade social e de qualidade de saúde. Os certificados dos cursos da EAD são expedidos por duas instituições: ENSP/Fiocruz, para alunos da pós-graduação latu sensu, e Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz, para alunos do ensino médio.


Os editais dos cursos oferecidos podem ser acompanhados na página da instituição: http://www.ead.fiocruz.br/home/


Fonte: Comunicação CFF

A Anvisa determinou, nesta quarta-feira (25/06), a suspensão da fabricação, distribuição, divulgação, comércio e uso, em todo o país, de todos os produtos da marca Nutriervas que contenham em sua embalagem a informação “Embalado por Planeta Natural” ou “Fabricado por CNPJ 02.618.831/0001-57”.

 


Os produtos não possuem registro e as empresas não possuem Autorização de Funcionamento na Agência. A determinação acima foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

 

Fonte: Assessoria de imprensa da Anvisa

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