O Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha é uma oportunidade para impulsionar o enfrentamento da combinação entre racismo e sexismo
 
 
Escrito por: Maria Julia R Nogueira
 
 
A discriminação racial e de gênero são eixos extremos de exclusão, aprisionando as mulheres negras nos extratos mais baixos da pirâmide social. Ainda que a população negra tenha sido a grande beneficiada pelas políticas inclusivas dos últimos anos, ela permanece como a principal vítima das desigualdades e da violência, fruto da discriminação e do racismo.
 
 
O salário médio da mulher negra com emprego formal, por exemplo, é menos da metade do que o salário de um homem branco, geralmente elas se inserem no mercado de trabalho em condições precárias e de informalidade, são maioria no trabalho doméstico, e as poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente necessitam se empenhar mais e abdicar de outros aspectos de suas vidas, como lazer, relacionamento, maternidade.
 
 
É preciso, portanto, insistirmos na denúncia tenaz do racismo, operação pela qual se subalterniza e, portanto, se cria cidadãos de segunda classe. Esta realidade, que manifesta resquícios do período de escravidão, tem sido transformada através da luta e da organização das mulheres negras  que apesar estar ainda em desvantagem, cada vez mais estão se inserindo na universidade e no mercado de trabalho, estão conquistando espaços importantes na economia, na sociedade, na política.
 
 
No ano de 2015 terá início a década dos afrodescendentes e marcará os 320 anos da morte de Zumbi. Neste contexto as mulheres negras realizarão uma grande marcha, da qual a CUT fará parte, que marcará estas importantes datas. Esta marcha, que traz como enunciado “contra o racismo e pelo bem viver”, será um processo liderado pelas mulheres afro-brasileiras, com foco no debate e no posicionamento político e público sobre o racismo, a violência e o bem viver.
 
 
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha é mais do que uma data comemorativa; é um marco da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.
 
 
A CUT seguirá trabalhando pela melhoria das condições de vida e de trabalho das mulheres negras para transformar a realidade, superar as desigualdades e construir uma nova cultura na sociedade, de combate à opressão de gênero e ao racismo.
 
 
 
Maria Júlia Reis Nogueira é secretária de Combate ao Racismo da CUT Nacional
 
 

Fonte: CNTSS-CUT

Tivemos sorte por não ver visionários como Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula. Com dificuldade de aprendizado, seriam transformados em bons alunos, diagnosticados e medicados

 

Por Matheus Pichonelli — publicado em Carta Capital em 04/08/2014

 

“Foco” é a palavra de ordem nas escolas e no mercado de trabalho. Para vencer na vida, a dispersão de atenção para outros interesses além das tarefas do dia a dia é não apenas mal vista: é diagnosticável como um transtorno mental passível de cura. De acordo com uma ala da psiquiatria, essa ideia de “transtorno” parte de duas premissas. Uma é semântica. Ela suaviza a ideia de “doença mental” e passa a ser usada como uma espécie de identidade psíquica por meio de nomenclaturas como “TOC”, “TDAH”, “hiperatividade”, “bipolaridade”, “ansiedade” e “transtornos de humor”.

 

A outra é que, por trás da desordem, existe uma ordem. Nesta ordem, o estudante estuda, o trabalhador trabalha, e a ausência de questionamentos sobre suas funções é a garantia da ausência da dor e do sofrimento em sua vida. Em nome dessa “ordem”, nos medicamos. Cada vez mais e, segundo especialistas, sem que sejam levados em conta os impactos, para as crianças e suas famílias, do diagnóstico e da medicação.

 

Quem analisa os índices de tratamento à base de drogas psicoativas imagina que o planeta enfrenta hoje uma “epidemia” de transtornos mentais. Nos EUA, uma em cada 76 pessoas são hoje consideradas incapacitadas por algum tipo de transtorno – em 1987, este índice era de uma em cada 184 americanos. O número de crianças nessa situação aumentou 35 vezes desde então.

 

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 46% da população se enquadrariam nos critérios de doenças estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Tais diagnósticos criaram um mercado poderoso de medicamentos psicoativos – o que significa medicar tanto pacientes com crises agudas de ansiedade até crianças diagnosticada com grau leve de “hiperatividade” ou “espectro de autismo”, a chamada síndrome de Asperger. Essas crianças precisam manter o “foco” na sala de aula se quiserem ter alguma chance de passar no vestibular e ser alguém na vida.

 

A pressão sobre elas em um mundo cada vez mais competitivo cria um consumidor fidelizado: a criança que hoje precisa de medicamento para se manter em alerta será, no futuro, o adulto dependente de medicamentos para dormir. Essa pressão, apontam estudos, tem origem na sala de aula, passa pela sala da direção, chega aos pais como advertência e desemboca na sala do psiquiatra, incumbido da missão de enquadrar o sujeito a uma vida sem desordem. Uma vida ordinária, portanto, sem grandes “transtornos” ou sofrimentos provocados por questionamentos rotineiros como quem ele é, o que pensa, o que quer e quais as consequências de suas ações no mundo.

 

A medicalização de uma dor inevitável é a consequência mais nítida da ideia de que o que sentimos é resultado apenas de uma predisposição genética, passível a tratamento, e não de nossas escolhas subjetivas, nossa cultura, nossa forma de lidar com o mundo. A resposta para essas questões, inevitavelmente dolorosas, se tornou, no mundo atual, uma busca por um milagre na clínica psiquiátrica, a única capaz de fazer o indivíduo a passar a vida imune à dor, ao sono, à desatenção, à insônia, à ansiedade.

 

Mas como cada categoria de transtorno mental é construída e delimitada? Quais pressupostos fazem com que determinados comportamentos e/ou estados emocionais sejam considerados normais e outros, não? Quem definiu que uma criança com foco na sala de aula é normal e uma desconcentrada é anormal? Qual é, enfim, a “ordem” que a prática psiquiátrica visa a garantir?

 

Medicalização em debate. Essas questões serão temas de debates em um ciclo de encontros do Café Filosófico CPFL, sob curadoria do professor livre-docente em Psicopatologia do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira, a partir de 8 de agosto. As palestras serão gravadas todas as sextas-feiras ao longo do mês, às 19h, e os interessados de todo o País podem acompanhar as gravações e enviar perguntas ao vivo pelo portal http://www.cpflcultura.com.br/

Além de Costa Pereira, participam do módulo o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Uerj Rossano Cabral Lima, o professor da Universidade da Califórnia Naomar Almeida Filho e o psiquiatra da infância e adolescência e consultor do Ministério da Saúde Fernando Ramos.

 

Se for esta a normalidade que tanto buscamos, o mundo teve sorte por não ver visionários como Bill Gates, Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula nos dias atuais. Todos eles tinham dificuldade em socialização, comunicação e aprendizado. Sofriam, em algum grau, de espectro de autismo, e seriam facilmente transformados em bons alunos, diagnosticados, tratados e medicados. O mundo perderia quatro gênios, mas ganharia excelentes funcionários-padrão, contentes e domesticados.

 

Serviço:

 

O que é transtorno mental?

palestrante: mário eduardo costa pereira

local: instituto cpfl | cultura (rua jorge figueiredo corrêa, 1632, chácara primavera, campinas – sp);

data: 8 de agosto de 2014;

horário: 19h;

transmissão online pelo cpflcultura.com.br/aovivo;

entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h. vagas limitadas;

informações: instituto cpfl  (19) 3756-8000 ou em www.cpflcultura.com.br;

 
Pesquisa realizada em 25 países mostra, que no Brasil, o farmacêutico é a 5ª profissão mais confiável para 76% dos entrevistados. O levantamento pesquisou a opinião pública em torno de 32 profissões. No ranking geral, a profissão farmacêutica também ocupa a 5ª posição.
 
 
Uma pesquisa divulgada neste mês pelo instituto alemão GFK Verein classificou o nível de confiança da população brasileira em uma lista de 32 profissões. Os farmacêuticos ficaram em quinto lugar, com um índice de 76% de confiança, atrás dos bombeiros, que aparecem no topo da lista com 92% de confiança, seguido dos professores (82%), paramédicos (81%) e pilotos (80%). O estudo teve participação de 28 mil pessoas em 25 países (mil no Brasil).
 
 
Para o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, o dado revela que a sociedade passa a ter uma percepção do papel do farmacêutico como profissional de saúde que está em uma das pontas do serviço, prestando atendimento à população seja nas farmácias, hospitais, postos de saúde, laboratórios e em programas de atenção básica. E essa presença do farmacêutico é fruto de uma luta da qual a Fenafar tem sindo uma das principais protagonistas. "Não é à toa que aprovamos, a cerca de um mês, o projeto que transforma a farmácia em estabelecimento de saúde com a presença obrigatória do profissional farmacêutico. Isso foi possível graças à luta incessante da categoria, mas também de uma mudança de qualidade na visão que todos têm da nossa profissão", avaliou Ronald.
 
 
Para todas as profissões, os pesquisados tinham as seguintes opções de resposta: "Eu confio completamente"; "Em geral, eu confio"; "Não confio muito"; "Não confio nada"; e "Nenhum comentário".
 
 
No levantamento global, os farmacêuticos também ocupam a quinta colocação, alcançando o total de 87% de confiança na somatória dos índices apurados nos 25 países em que a pesquisa foi realizada. Os farmacêuticos lideraram o ranking de confiança apenas da Turquia, país em que o índice de aprovação atingiu 90%.
 
 
As profissões menos confiáveis
 
As profissões com menor índice de confiabilidade, segundo a pesquisa realizada no Brasil, são as da áres de negócio e os empreendedores (42%), à frente de advogados (41%), agentes de seguro (30%), prefeitos (14%) e políticos (6%).
 
 
No geral, o índice de confiança dos brasileiros nos profissionais é de 56%, o que coloca o país na penúltima posição, à frente apenas da Argentina (55%). As taxas mais altas aparecem na África do Sul (81%), na Índia (78%) e no Canadá (77%).
 
 
Os bombeiros são os profissionais mais confiáveis no mundo, segundo a pesquisa, pois lideram o ranking em 15 dos 25 países.
 
 
Veja abaixo a lista completa do índice de confiança dos brasileiros nos profissionais
 
Bombeiros – 92%
Professores – 82%
Paramédicos – 81%
Pilotos – 80%
Farmacêuticos – 76%
Enfermeiros – 72%
Arquitetos – 72%
Médicos – 66%
Jornalistas – 66%
Engenheiros e técnicos – 64%
Soldados – 61%
Juízes – 59%
Motoristas de táxi – 57%
Atores – 57%
Condutores de trens ou metrô – 56%
Especialistas em computação e software – 56%
Artesãos – 55%
Fazendeiros – 55%
Publicitários – 53%
Profissionais de pesquisa de opinião e mercado – 53%
Vendedor de varejo – 53%
Pastores e padres – 50%
Atletas profissionais – 49%
Apresentadores de TV – 48%
Funcionários públicos – 48%
Profissionais do setor bancário – 46%
Policiais – 44%
Profissionais de negócios e empreendedores – 44%
Advogados – 41%
Agentes de seguros – 30%
Prefeitos – 14%
Políticos – 6%
 
 
Da redação da Fenafar com agências
Publicado em 04/08/2014
 

A notícia de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ficará sem profissional da área da saúde na sua diretoria, ainda que temporariamente, preocupa as organizações da área. A Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) está mobilizando entidades farmacêuticas para um movimento capaz de pressionar a Presidência da República a corrigir rapidamente esta lacuna.
 
 
O atual diretor-presidente da Anvisa, o farmacêutico Dirceu Barbano, encerra em outubro a sua segunda e última gestão. Além dele, há outros quatro diretores que são profissionais de Direito e Economia. Segundo lembrou o jornal Folha de São Paulo, no passado, a agência chegou a ficar mais de três anos sem substituir membros que deixaram a diretoria por terem seus mandatos vencidos.
 
 
A Anvisa é responsável por regular processos estratégicos para todos os setores relacionados a produtos e serviços que possam afetar a saúde da população brasileira. Regras de comercialização e uso de produtos e serviços como alimentos, cosméticos, insumos farmacêuticos, laboratórios e medicamentos são determinadas pela agência.
 
 
Para o presidente da Fenafar e diretor do SindFar (SC), Ronald Ferreira dos Santos, o contato com a prática é determinante para a tomada de decisões. "As decisões políticas precisam ser assentadas em bases técnicas. Nos últimos anos, foi possível contar com um farmacêutico à frente de regramentos envolvendo medicamentos, hemoderivados, agrotóxicos, cosméticos e alimentos, dentre outros com grande carga de polêmicas eminentemente técnicas. Foi um período em que a Anvisa teve importante participação nos processos de transferência de tecnologia. É a continuidade deste desempenho da Agência que desejamos garantir", justifica o farmacêutico.
 
 
Reproduzido do site da Fenafar em 04/08/2014
 

Mais Artigos...