Médicos brasileiros que trabalham na África contam as dificuldades do tratamento e falam sobre o risco da doença chegar no Brasil.
 
Os Estados Unidos anunciaram o envio de 50 especialistas em saúde pública a países africanos que estão sofrendo com o vírus ebola. O surto de ebola que está atingindo a África atualmente é o mais devastador de todos os tempos. Já matou centenas de pessoas.
 
Conheça a luta dos médicos para salvar vidas em um cenário de extrema dificuldade. E saiba também se o Brasil está preparado para o caso de o vírus ebola aparecer no país.
 
O ritual de gente protegida e desinfecção no enterro das vítimas de ebola é um choque na cultura local, mas essencial. Os funerais no oeste da África envolvem as famílias beijando e tocando os corpos por horas seguidas. E assim uma comunidade inteira era contaminada, a partir de um morto.
 
 
Pior epidemia de ebola já registrada
Esta é a pior epidemia de ebola já registrada, tanto em número de casos quanto em mortes.
Começou em fevereiro, no interior da Guiné, matando 346 pessoas. Em dois meses, atingiu a capital, Conacri.
 
Em maio, a epidemia chegou a Serra Leoa, deixando 252 mortos.
Em meados de junho, o vírus se espalhou para a Libéria e matou 227 pessoas.
No mês seguinte, julho, foi a vez da Nigéria anunciar o primeiro doente. Já existem casos não confirmados em Gana, Mali e na Costa do Marfim.
 
 
Cientistas acreditam que o vírus viva nos morcegos da fruta
O vírus ebola foi descoberto apenas nos anos 70, nas florestas da África. Os cientistas acreditam que o vírus viva nos morcegos da fruta, que ocupam as cavernas da região. Nele o vírus não provoca doença. Mas uma fruta meio comida por um morcego e encontrada por outro animal pode dar início à epidemia.
Primatas são muito vulneráveis. Em apenas uma epidemia, mais de cinco mil gorilas morreram. Humanos contraem o vírus ao comer frutas ou caça contaminadas, ou ao manipular um animal morto.
 
 
 
Vírus passa de uma pessoa para outra entrando pelas mucosas
O vírus passa de uma pessoa para outra, entrando pelas mucosas, como os olhos, por exemplo. Por isso os médicos usam tanta proteção.
Em uma vila no interior da Guiné, durante um mês, a médica brasileira Raquel Esteves Soeiro esteve na linha de frente do combate à doença. Todos os médicos e enfermeiros usam roupas de proteção de borracha, cobrem até os olhos.
“Nenhuma parte do corpo fica exposta. E a gente ainda põe um avental na frente, porque se por acaso o paciente que estiver internado tiver vomitando ou tiver diarreia e a gente tiver esse contato com secreção vai ficar ali no avental não vai chegar nem no macacão de borracha.”, explica a média Raquel Esteves Soeiro, do Médicos Sem Fronteiras.  
A cada entrada e saída, um rito. Tudo é desinfectado com cloro. São quase cinco minutos só para tirar a roupa de proteção de maneira adequada.
Hoje, a maior parte dos doentes é atendida pela organização Médicos Sem Fronteiras. O brasileiro Paulo Reis está em Serra Leoa, onde a epidemia está mais forte hoje.
“A situação é muito grave. Muitas pessoas contaminadas, a doença está se espalhando. É uma doença que está destruindo muitas famílias. E isso demanda muitos recursos por parte da nossa organização.”, lamenta o médico Paulo Reis, do Médicos Sem Fronteiras.
 
 
Médicos africanos também foram infectados
Esta semana a situação ficou ainda mais grave. O governo de Serra Leoa decretou estado de calamidade. Por telefone, o brasileiro desabafou: “Um projeto normal, mesmo que você veja muitas pessoas morrendo em uma emergência, a maioria sobrevive. O ebola, infelizmente, a maioria não sobrevive”, diz Paulo Reis.
Por falta de material e treinamento, muitos médicos africanos também foram infectados.
“Está mais complicado. Agora a gente está com um problema, alguns funcionários da saúde do governo ficaram doentes também, então eles estão fechando o centro deles. Então basicamente está mais complicado. Agora o único centro é o nosso. Então, as coisas não estão indo muito bem por enquanto”, conta o médico Paulo Reis.
A Organização Mundial de Saúde fez um alerta para o agravamento da epidemia.
O risco é no mundo todo, um passageiro assintomático que viaje carregando o vírus. Mas isso não significa que haverá epidemia.
 
 
Infectologista fala sobre o risco do ebola chegar ao Brasil
 
Fantástico: O ebola vai chegar ao Brasil?
Otília Lupi, infectologista: Tem uma chance grande da gente ter casos e certamente a gente vai investigar casos suspeitos.
 
Fantástico: Qual é o risco que nós temos que isso se torne uma epidemia grave como está nesses países Serra Leoa, Guiné e Libéria?
Otília Lupi: Muito pequena. Praticamente nenhum. A gente não precisa ficar tão assustado assim. Está fora do controle em uma pequena região de muito difícil controle na verdade de qualquer doença. Esse é apenas mais uma.
Esta semana os Estados Unidos mandaram buscar um médico e uma missionária americanos, que foram infectados tratando pacientes na África e já estavam bastante doentes.
 
Médicos garantem que o Brasil está preparado para evitar epidemia
Cuidados por médicos protegidos, os americanos levam o ebola para o país, sabendo que podem impedir que o vírus se espalhe. O Brasil também está preparado para evitar uma epidemia, garantem os médicos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio.
Nossa rede de prevenção e contenção de epidemias que está entre as melhores do mundo.
 
Fantástico: A gente precisa ter medo de ebola?
Otília Lupi: A gente deve ter muito respeito. A gente deve se preparar com muita seriedade, porque certamente vai ser o desafio de lidar com o medo da população como um todo. Porque tem todo um imaginário por trás disso. Mas a gente tem que saber também que a gente tem uma estrutura que é capaz de vencer esse desafio.
Um mito é que o contágio acontece pelo ar.
 
Fantástico: Se eu estivesse contaminada com o vírus, eu poderia só na conversa passar esse vírus para você?
Otília Lupi: Na verdade, não. Não é assim. Precisa realmente um contato. Nesses países até se aboliu o hábito de se abraçar as pessoas, de se beijar.
“É um vírus bem contagioso, ele pega por secreção, então é vômito, diarreia, suor, sangue, lágrima”, diz Raquel.
 
Sintomas parecidos com a gripe ou dengue hemorrágica
O ebola começa com sintomas parecidos com a gripe ou dengue hemorrágica: dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, febre alta, dor de garganta. Em seguida vem vômitos, diarreia, coceiras e manchas no corpo. Fígado e rins são afetados. Nos casos mais graves, há hemorragia, tanto nos órgãos internos como sangramento pelo nariz e pela gengiva. Quanto mais avançada a doença, maior a concentração de vírus e mais fácil o contágio.
Não há remédio contra o vírus que atinge igualmente adultos e crianças.
“Essa foi a parte mais difícil. Porque a criança se ela é suspeita, a mãe não pode entrar com ela, ela pode se contaminar”, diz Raquel.
 
 
Diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura
Como numa gripe, o diagnóstico precoce e cuidados básicos como manter o paciente hidratado e alimentado, aumentam muito as chances de cura. Na epidemia de 1995, no antigo Zaire, a mortalidade era de 90%. Hoje está em 56%.
“Não é sempre que o paciente vai conseguir sair vivo do centro de tratamento. Então quando a gente pode dar uma alta, é uma alegria”, conta Raquel.
O adolescente recebe a notícia de que está curado. Antes da alta tem um banho de água clorada e roupa nova. A velha será queimada. 
“E aí fica sempre alguém da equipe esperando do lado de fora, do centro de tratamento, para poder abraçar esse paciente e mostrar que ele não é mais contagioso, que ele não vai mais contaminar ninguém, para ele não ficar estigmatizado pela comunidade”, explica Raquel.
Antes de ir embora, um rapaz é treinado para ser agente de saúde. A cura o deixou imune a esse vírus. É como ele estivesse vacinado. A felicidade do rapaz é distribuída em acenos na chegada à vila. O atestado de alta é exibido com orgulho. Afinal, ele enfrentou a morte, e venceu.
 
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

A Anvisa determinou, nesta quarta-feira (06/08), a suspensão da distribuição, comércio e uso, em todo o país, dos lotes nº 322549A, 322549B e 322549C do produto Ganciclovir Sódico 500mg – Pó Liófilo para Solução Injetável. 
 
 
A empresa Eurofarma Laboratórios S.A, fabricante do produto, comunicou o recolhimento voluntário dos lotes, que apresentaram dificuldade de solubilização e suspeita de cristalização.
 
 
A Agência também interditou cautelarmente, pelo prazo de 90 dias, o lote n° 03239 do produto Asseptcin Gel 70 (álcool em gel). O lote foi fabricado pela empresa Cinord Sudeste Química Ltda em 05/2013 e apresentou resultados insatisfatórios nos ensaios de análise de rotulagem e determinação de pH.
 
 
Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

Risco de Alta Potência
 
 
Álvaro Nascimento e Suely Rozenfeld*
 
Será que estamos assistindo a um surto silencioso de morte súbita de homens associada ao uso de sildenafil, medicamento usado para disfunção erétil? Há relatos isolados de profissionais que atendem casos de morte súbita em motéis que encontram, entre os pertences da vítima, embalagens de produtos farmacêuticos indicados para disfunção erétil, contendo a substância sildenafil. Desconhecemos registros das equipes de emergência (sejam órgãos da Defesa Civil, do Samu ou do Corpo de Bombeiros) que poderiam ajudar a esclarecer a dimensão do problema. Desconhecemos relatos de parceiros, amigos e familiares dos que morreram. Tampouco médicos ou outros profissionais de saúde têm se pronunciado sobre o assunto. Desconhecemos alertas públicos das autoridades sanitárias para prover a população de informações sobre o produto ou seus riscos.
 
A aparente ocorrência de aumento de casos de morte súbita de homens em uso do sildenafil — paralelo ao extraordinário crescimento das vendas no país, de 2 milhões de unidades/ano para 30 milhões, com o fim da vigência de sua patente — merece investigação de caráter público.
 
O sinal de alerta tem a ver com a saúde da nossa coletividade. O sildenafil é fármaco usado para duas indicações terapêuticas diferentes: hipertensão pulmonar e disfunção erétil. Recomendações técnicas preconizam comprimidos de 5mg ou 20mg no primeiro caso e de 25 a 100mg no segundo. Recente episódio relacionando o Ministério da Saúde, o laboratório do Ministério da Marinha e o laboratório Labogen, do doleiro Alberto Youssef, resultou em grande confusão e desinformação sobre as duas condições.
 
A hipertensão pulmonar reflete estados patológicos e a disfunção erétil associa-se a mudanças relacionadas ao envelhecimento, embora haja notícias de uso recreativo em adultos jovens. Assim como outras condições de saúde com importantes componentes culturais, tais como a anorexia, as cirurgias plásticas estéticas, o uso abusivo de tranquilizantes, antidepressivos e outros, a disfunção erétil é tema silenciado. Seja o silêncio resultado do eventual constrangimento pela perda funcional, ou do forte machismo da nossa sociedade, que associa desempenho sexual a vigor e poder.
 
Nunca é demais lembrar que o capítulo da lei 8080/90 que trata da Vigilância Sanitária determina ser de responsabilidade das autoridades sanitárias eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde, além de intervir nos problemas sanitários decorrentes da circulação de produtos. E que houve episódios trágicos envolvendo o uso de medicamentos. Só para citar alguns, muitas vidas foram perdidas após o uso do mercúrio contra a febre amarela, no século 19. E, no século 20, registraram-se mortes de crianças com insuficiência renal, após o uso de xaropes com dietilenoglicol, e de asmáticos por uso de aerossóis com isoproterenol. Na década de 1960, ocorreram mais de 15 mil casos de malformação congênita em crianças cujas mães usaram talidomida.
 
A falta de conhecimento completo em relação ao uso de fármacos trouxe à tona, de forma trágica, o que a ciência sustenta há décadas: não há substância farmacologicamente ativa isenta de riscos e nem todos os riscos são conhecidos antes de o produto estar no mercado.
 
Para que se tenha ideia da magnitude do problema, há contraindicação para o uso do sildenafil concomitante ao uso de nitratos usados para tratar doença cardiovascular, e para os indivíduos com hipotensão, derrame recente ou infarto do miocárdio. Vale perguntar: quantos brasileiros que estão consumindo as 30 milhões de unidades por ano de sildenafil sabem disso?
 
As consequências do uso de produtos para disfunção erétil são tema que não vem sendo tratado com responsabilidade pelos gestores do nosso sistema de saúde. Medidas reguladoras do Ministério da Saúde — tais como submeter a compra nas farmácias a controle rigoroso do receituário — são importantes para estancar os possíveis efeitos adversos. Investigar a ocorrência de complicações e mortes associadas ao uso do produto, e divulgar os resultados, permitirá prover e não privar os indivíduos da informação necessária para decidir de forma consciente e informada se desejam, ou não, correr os riscos inerentes aos fármacos. Seja ele constrangedor, obsequioso ou cúmplice, até quando aceitaremos o silêncio?
 
 
Álvaro Nascimento e Suely Rozenfeld são pesquisadores da Fiocruz. Este artigo foi originalmente publicado no jornal O Globo
 
 
 
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

O auditório da Anvisa sediou o III Simpósio Internacional Novas Fronteiras Farmacêuticas nas Ciências da Regulamentação, Tecnologia e Sistema da Qualidade. O evento, realizado nos dias 3 e 4 de agosto, é resultado de uma parceria entre a Agência, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) e a Federação Internacional de Farmacêuticos (FIP-IPS).
 
 
Durante o evento, o Diretor-Presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, descreveu as ações da Agência em relação a novas tecnologias e abordou o papel das agências reguladoras neste cenário. “Temos que fazer duas perguntas para o futuro. A primeira é qual será a necessidade das pessoas. O outro questionamento é qual será a necessidade do mercado”, sintetiza.
 
 
Ainda segundo Barbano, a tendência é que agências reguladoras em todo o mundo atuem em maior cooperação e de maneira cada vez mais articulada. ”Isso é uma fronteira e é importante que tenhamos essa percepção”, sintetiza.
 
 
O Diretor-Presidente também traçou um panorama das ações regulatórias da Agência, que deixará de presidir em outubro deste ano. “Houve uma época em que a Anvisa produziu uma série de marcos normativos. Teve anos em que  foram produzidas mais de 350 normas. Hoje, produzimos 50, 60 regulamentações anualmente. Ou seja, passou o tempo de fazer o que precisava. Agora precisamos atualizar e melhorar o marco de regulação. Este é o caminho que temos trilhado”, concluiu. 
 
 
Os regulamentos da Agência, os recentes avanços nos campos da pesquisa, os padrões de qualidade e produção industrial de medicamentos também foram objeto de debate do simpósio, que contou com a participação de profissionais e dirigentes da indústria farmacêutica, instituições acadêmicas e  de órgãos públicos da saúde.
 
Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

Mais Artigos...