Por que algumas pessoas infectadas pelo HIV não apresentam sintomas de Aids mesmo após dez anos sem tratamento, enquanto outras adoecem rapidamente? A resposta para esta pergunta pode ser a chave para o desenvolvimento de vacinas contra a infecção ou de medicamentos capazes de otimizar o tratamento da doença. Entre as possíveis explicações investigadas pelos cientistas estão as diferenças genéticas entre os indivíduos, em especial aquelas que acontecem em uma região altamente variável do DNA chamada de Complexo Principal de Histocompatibilidade ou Antígenos Leucocitários Humanos (HLA, na sigla em inglês). Foi neste trecho do genoma que um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) investigou, de forma inédita, a ocorrência do perfil genético HLA- B*52 em pacientes brasileiros. Foi verificado que esta variedade tem uma característica muito especial: está associada à chamada ‘não progressão de longo termo’ da doença, quando os sintomas da síndrome não são desenvolvidos mesmo após dez anos de infecção. O trabalho, coordenado pela pesquisadora Sylvia Teixeira e pela chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular, Mariza Morgado, foi publicado na revista Genes & Immunity.
 
 
Genética e imunidade
“Como os genes definem a produção de moléculas que atuam na resposta imunológica, é possível relacionar a genética do indivíduo ao desfecho da doença”, explica Sylvia. Nesta dinâmica entre genes e imunidade, as proteínas HLA atuam indicando quais células estão infectadas e devem ser atacadas. Para isso, apresentam, do lado de fora da superfície celular, fragmentos de proteínas – chamados de antígenos – que são extraídos de micro-organismos invasores, como bactérias e vírus. Trata-se de um tipo de sinalização: as células de defesa reconhecem os antígenos como estranhos ao corpo, desencadeando a reação do organismo contra a infecção.
 
O mecanismo do HLA funciona da mesma forma em todas as pessoas, mas, dependendo de pequenas variações genéticas, a molécula pode se ligar a antígenos distintos. Ou seja: para sinalizar uma mesma infecção, os indivíduos utilizam fragmentos diferentes das proteínas dos vírus ou das bactérias, o que pode impactar na capacidade de reagir às doenças. No caso do HIV, estudos têm indicado que a variedade genética do HLA pode acarretar diferentes graus de eficácia na sinalização da infecção pelo vírus. “Talvez as moléculas HLA dos pacientes classificados como não progressores de longo termo – aqueles que passam mais de dez anos infectados sem desenvolver sintomas de Aids – estejam apresentando os antígenos ideais para o controle da doença”, pondera Mariza. Esta sinalização certeira poderia ser o ponto de partida para a produção de uma vacina ou de um novo medicamento.
Região mais variável do DNA
Alguns tipos de HLA associados à ‘não progressão’ da Aids já foram identificados por cientistas, assim como algumas variedades ligadas aos casos de evolução rápida – quando os sintomas da Aids aparecem menos de três anos após o paciente contrair o vírus. No entanto, a busca por estes genes é difícil, especialmente por causa da grande diversidade entre eles.
 
“Estamos falando da região mais variável do nosso genoma. Até hoje, não foi encontrado outro trecho do DNA com mais variação entre os indivíduos do que o dos genes HLA”, destaca Sylvia. Com tanta diversidade, é como buscar uma agulha em um palheiro: apenas na chamada Classe I locus B, região na qual está incluído o HLA-B*52, existem 3.455 variações do gene HLA.
 
Análise na população brasileira
No estudo que conseguiu encontrar, pela primeira vez no Brasil, a associação entre a variedade HLA-B*52 e a "não progressão" da Aids, os pesquisadores do IOC/Fiocruz partiram da análise do histórico médico de 3.809 pacientes atendidos no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), parceiro na pesquisa. A primeira etapa do trabalho foi separar os pacientes entre os diferentes perfis de evolução da doença (rápida, típica ou não progressão de longo termo), o que só é possível quando a infecção é diagnosticada no começo e há um acompanhamento regular do caso, com exames clínicos e laboratoriais. Seguindo estes critérios, foi possível classificar 496 casos como de progressão rápida, típica ou não-progressão de longo termo. Com a aplicação de técnicas moleculares, em 218 deles os pesquisadores conseguiram identificar a variação do genótipo HLA-B, encontrando 29 variedades ao todo. Por fim, ferramentas de estatística mostraram que a variante HLA-B*52 tinha uma presença significativamente maior entre os indivíduos que não apresentam sintomas mesmo após dez anos de infecção.
 
“O resultado foi uma surpresa boa. A associação do perfil genético com a evolução da doença não é uma relação de causa e efeito. Um indivíduo que tem determinada variação genética, como o HLA-B*52, não está automaticamente protegido, mas tem uma probabilidade maior de evoluir para um quadro de ‘não progressão”, afirma Mariza, ressaltando ainda a importância de estudar a associação no Brasil por conta de suas características demográficas. “Os aspectos genéticos dependem muito da população em que estão inseridos. Há genes associados à proteção contra a Aids em caucasianos que não apresentam este mesmo efeito em estudos realizados na África. Especificamente no caso do Brasil, a população é muito mais miscigenada do que em outros países, por isso é importante realizar a análise no nosso contexto”, justifica.
 
Incógnita
O HLA-B*52 havia sido identificado em outros países como um gene associado à ‘não progressão’ da Aids, mas também já foi descrito como um perfil genético ligado à evolução rápida da doença. De acordo com Sylvia, estes resultados situaram esta variedade genética entre aquelas sobre as quais “há um ponto de interrogação na literatura científica”. O estudo que acaba de ser publicado indicando a correlação com o perfil de ‘não progressão’ em pacientes brasileiros deve contribuir para elucidar esta questão.
 
Ao mesmo tempo em que persistem as perguntas sobre os efeitos antagônicos da variedade HLA-B*52 em cada população, a relevância dos estudos sobre a região HLA do genoma parece estar bastante clara. Desde o sequenciamento do genoma humano, em 2003, a facilidade cada vez maior para estudar o código genético dos indivíduos estimulou as pesquisas sobre associações entre as variações do DNA e a suscetibilidade ao HIV. Contrariando a expectativa dos cientistas, estes estudos acabaram por reforçar a importância dos genes HLA na reação à doença. “Obviamente, existem vários fatores que influenciam na progressão da Aids, e pensávamos que, ao analisar o genoma completo, seriam encontrados muitos genes envolvidos neste processo. No entanto, um estudo americano extensivo, com milhares de pacientes HIV positivos, apontou que a maioria dos genes associados à progressão da doença está situada no cromossomo 6, que é justamente onde estão localizados os genes do HLA”, diz a pesquisadora. Tudo indica que muitos esforços ainda serão dedicados a este trecho tão variado quanto promissor do genoma humano.
 
Fonte:  Agência Fiocruz de Notícias – Maíra Menezes

A Anvisa determinou, nesta quarta-feira (13/08), a suspensão da distribuição, comércio e uso do lote 572420 do produto Clo 25mg comprimido revestido(cloridrato de clomipramina), fabricado pela empresa Ems Sigma Pharma Ltda e com validade até 08/2015. A medida foi adotada por conta do resultado insatisfatório obtido nos ensaios de aspecto e descrição da amostra, em que se constatou uma mancha escura na superfície do comprimido.
 
 
Também foi determinado a suspensão da distribuição, comércio e uso do lote74GD1441 do produto Glicose 5% Solução Injetável 500mL, fabricado pela empresa Fresenius Kabi do Brasil Ltda. O lote citado, que possui validade até 03/2015, apresentou resultado insatisfatório no ensaio de aspecto, onde foi constatado a presença de um corpo estranho de coloração escura no interior da embalagem.
 
 
Fonte: Imprensa Anvisa
 

Elaborar orientações e subsídios para o desenvolvimento de ações de vigilância em saúde do trabalhador a populações expostas a agrotóxicos, visando contribuir para a efetivação dessas ações pelos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) rurais. Esse foi o objetivo do estudo desenvolvido pelo aluno do Mestrado Profissionalizante em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Roque Manoel Perusso Veiga, sob orientação do pesquisador Carlos Minayo Gómez. 
 
 
O  foco da pesquisa foi o Cerest do município de Primavera do Leste (MT), um dos berços do agronegócio no país, que detém altas extensões de plantio em áreas de soja, milho e algodão e utiliza de forma maciça agrotóxicos. "Isso vem trazendo consequências danosas à saúde da população brasileira, além de causar danos à natureza pela degradação dos recursos naturais não renováveis, destruição da flora e fauna e poluição das águas, solos e do ar", alerta o aluno.
 
 
Para Veiga, esse processo de desenvolvimento de ações de vigilância em saúde do trabalhador deve ser contínuo, inclusive a capacitação e qualificação dos profissionais das unidades e de toda a rede de serviços do Sistema Único de Saúde, a identificação dos trabalhadores expostos a agrotóxicos e a qualificação das ações de promoção, prevenção, diagnóstico, atenção e vigilância em saúde. A pesquisa utilizou como norte as Diretrizes da Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. 
 
 
De acordo com Veiga, as questões de vigilância em saúde no Brasil estão diretamente vinculadas aos modelos e práticas sanitárias que o país vem tentando implantar nos últimos 30 anos. “A proposta de vigilância à saúde supera os modelos assistenciais vigentes, implicando uma redefinição do sujeito, do objeto e das formas de organização dos processos de trabalho.”
 
 
A saúde pública brasileira, a partir dos anos 1980, impulsionada pelo Movimento da Reforma Sanitária, explica o aluno, vem construindo caminhos para mudanças na prática sanitária vigente, com ênfase na atenção curativa, especializada, médica e medicamentosa e centrada no hospital, para uma atenção que priorize a proteção e a promoção da saúde e a prevenção dos agravos e enfermidades, cuja porta de entrada do sistema e organizadora do sistema é a Atenção Primária à Saúde.
 
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde, relata o estudo, ao dar ênfase à atenção curativa, os cuidados em saúde são mal direcionados, visto que os recursos são concentrados nos serviços curativos a elevado custo, negligenciando o potencial da prevenção primária e da promoção da saúde, que, se bem praticados, poderiam reduzir até 70% da carga da doença. Quanto aos agrotóxicos, a pesquisa informa que o Brasil é um dos líderes mundiais em consumo desse pesticida, ocupando o primeiro lugar desde 2008, consumindo quase 1/5 de todo o agrotóxico produzido no mundo, e respondendo na América Latina por 86% dos produtos comercializados.
 
 
O autor
 
Intitulada Bases para a implementação de ações de vigilância em saúde do trabalhador em setores do agronegócio, a dissertação do aluno Roque Manoel Perusso Veiga foi defendida no dia 12/05. Ele possui graduação em matemática pela Faculdade Estadual de Filosofia Ciências Letras de Cornélio Procópio (2004), com licenciatura em ciências pela mesma faculdade. Atualmente é assistente técnico do Ministério da Saúde.
 
 
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias / Ensp

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