Aos farmacêuticos mineiros:

Segue abaixo carta com posição da Federação Nacional dos Farmacêuticos e do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas regidos pela nova Lei 13021/2014 e sobre a Medida Provisória 653/2014 que altera a lei recém-sancionada.

 

As farmácias e drogarias como estabelecimentos de saúde

 

A Federação Nacional dos Farmacêuticos e seus sindicatos filiados trazem para conhecimento público o seu entendimento em torno da publicação da Lei 13021/2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas e da Medida Provisória 653/2014, que altera a Lei 13021/2014.

 

Farmácia como estabelecimento de saúde e unidade de prestação de serviços de interesse público é um tema de alta relevância e que precisa de apoio na legislação brasileira, no sentido de ampliar o conceito para que se avance no entendimento de que a farmácia precisa estar inserida no Sistema Único de Saúde (SUS) e destinada a prestar a Assistência Farmacêutica integral, deixando de ser mero estabelecimento comercial.

 

Atualmente, muitos são os estabelecimentos que prestam serviços de baixa qualidade, com resultados que, embora ainda não avaliados na sua totalidade, apontam para sérios prejuízos à saúde do usuário e, portanto, da sociedade.

 

Somado a este fato, se tem conhecimento de que um terço da população mundial não tem acesso regular a medicamentos. Por outro lado, há também o problema da falta de racionalidade na sua utilização. Estima-se que cerca de 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inadequadamente e que, aproximadamente, 50% dos usuários não os utilizam corretamente.

 

Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas (SINITOX), os medicamentos ocupam a primeira posição entre os três principais agentes causadores de intoxicações em seres humanos desde 1996.

 

Fazer da farmácia um estabelecimento de saúde é uma atividade de interesse social. Neste sentido, o cidadão precisa ser respeitado em seus direitos fundamentais, cabendo à farmácia o papel de estabelecimento sanitário irradiador de noções básicas de cuidados da saúde e de promoção do uso racional de medicamentos.

 

É preciso que se entenda o medicamento como insumo essencial à saúde, descaracterizando-o como mera mercadoria cujo objetivo é produzir lucro.

 

Neste contexto, a luta por transformar a farmácia em estabelecimento de saúde vem sendo travada há 21 anos no Congresso Nacional. Em julho de 2014, conquistamos a sanção presidencial da Lei 13021/2014 que trouxe avanços importantes tais como: farmácia como estabelecimento de prestação de serviços de saúde; a garantia da responsabilidade técnica do estabelecimento ser do profissional farmacêutico, inscrito nos conselhos profissionais com atuação em farmácias de qualquer natureza, bem como a exigência da prestação de assistência farmacêutica durante todo o tempo de funcionamento da farmácia; a garantia da independência técnica, tendo o empregador que acatar as decisões dos profissionais farmacêuticos; e ainda, a lei reafirma as atribuições e as responsabilidades dos farmacêuticos para prestar a assistência ao paciente.

 

A Lei 13021/2014 reitera que, como parte integrante e indissociável das políticas públicas de saúde, a assistência farmacêutica é um direito do cidadão, como previsto na Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), e as farmácias devem ter por funções e serviços definidos e serão responsáveis pelo atendimento aos usuários, com compromisso orientado pelo uso racional de medicamentos e à integralidade e resolutividade das ações de saúde.

 

Realizam, portanto, atividades consubstanciadas em atos sanitários e não apenas atos comerciais, de ética questionável. No contexto do Sistema Único de Saúde, a farmácia, que inclui estabelecimentos públicos e privados, ocupa lugar privilegiado como posto avançado de saúde. Exerce papel importante na educação em saúde e na dispensação de medicamentos.

 

Mas temos conhecimento de que os interesses mercadológicos que atuam contra os avanços na saúde, circundam a sociedade e, portanto, o Congresso Nacional. E neste sentido, mesmo com o acordo assinado por representações do comércio varejista, entidades farmacêuticas e parlamentares, fomos surpreendidos com a publicação da Medida Provisória 653/2014 que altera a Lei 13021/2014. Esta MP excluiu algumas conquistas da sociedade brasileira, como o direito à assistência farmacêutica nos pequenos locais de dispensação. Mas terá que ser submetida ao Congresso, e certamente prevalecerá o entendimento da Saúde e da Assistência Farmacêutica como direitos de todo o cidadão, independentemente de se tratar de pequenas ou de grandes redes de farmácias.

 

Seguimos unidos e na busca pela dignidade da profissão farmacêutica e, principalmente, pela melhoria da saúde da população brasileira. Por isso, a Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR), juntamente com os seus sindicatos filiados, assumem esta luta e conclamam todos os farmacêuticos, bem como todos os profissionais de saúde, entidades, instituições de ensino e poder público para juntos, com nossa população, a garantirmos os direitos constitucionais em prol da valorização da saúde e do cuidado com todo o cidadão.

 

Contamos com o compromisso de todos junto a Saúde Pública e pelo bem-estar da população brasileira.

 

Brasil, 27 de agosto de 2014.

 

Federação Nacional dos Farmacêuticos – FENAFAR

Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais - SINFARMIG

Ontem, 26/08, os diretores do Sinfarmig, Júnia Lelis e Rilke Novato, participaram de roda de conversa com alunos e professores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que comemora aniversário de 103 anos no dia de hoje, 27.
 
O convite foi feito ao Sindicato pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Farmácia e teve como objetivo discutir as mudanças trazidas pela Lei 13021, sancionada no dia 08 de agosto e pela MP 653/2014, publicada posteriormente com alterações à Lei.  
 
O diretor Rilke, que vem se mobilizando junto com farmacêuticos de todo o Brasil há cerca de 20 anos (em cerca de 40 viagens a Brasília para tratar do assunto), destacou a importância da alteração da Lei 5991/73 – de forte conotação comercial - que em seu início dispunha “sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências”. 
 
Ele frisou que a nova Lei traz contribuição decisiva para a mudança de entendimento das atividades das farmácias no Brasil. A Lei 13021/2014 orienta em seu artigo 3º: “Farmácia é uma unidade de prestação de serviços destinada a prestar assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva”.  
 
Em decorrência dessa mudança legal, que reforça o entendimento da farmácia como estabelecimento de saúde, é que várias atividades passam a ser atribuição exclusiva dos farmacêuticos contribuindo para maior reconhecimento profissional. “Entre outras, destaco a responsabilidade técnica que caberá aos profissionais farmacêuticos em farmácias de qualquer natureza”, lembrou o diretor. Ele interpretou os vetos à Lei aprovada no Senado pela Presidência da República como equivocados. 
 
Sobre a Medida Provisória 653/2014, baixada após a sanção da Lei, e que restringe a exigência da contratação de farmacêuticos por micro e pequenas empresas, Rilke lembrou que uma das providências a serem tomadas pode ser a proposição de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) questionando a pertinência de uma MP para alterar o conteúdo da lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta da República. 

Veja no Brasil de Fato da semana matéria sobre a criação de mais uma vara de justiça para receber denúncias de violência contra a mulher. Agora serão quatro no estado. Em cinco anos de funcionamento, as três primeiras varas receberam 45 mil denúncias, 600 por mês.
 
 
Saiba mais sobre o projeto de voluntários que disponibiliza almoço grátis em casa para mulheres nos primeiros 40 dias após o parto.
 
 
Acompanhe mais uma parte da série Guia do Eleitor Cidadão, que, nesta semana, explica como funciona a votação proporcional.
 
 
Leia reportagem sobre a terceirização de serviços administrativos da Prefeitura de Belo Horizonte, ação que aumentou os gastos públicos e diminuiu a qualidade do serviço.
 
 
Confira, ainda, a criação de mais um projeto de mineração que pode acabar com Morro do Pilar e cidades da região do Médio Espinhaço.
 
 
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“As autoridades reguladoras de todo o mundo fazem mais do que cuidar da segurança dos produtos,  elas têm um papel fundamental na ampliação do acesso a esses bens, e isto é um dos pilares fundamentais da saúde”. Esta foi a afirmação da diretora da Organização Pan Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, durante a abertura da 16aConferência Internacional de Reguladores de Medicamentos, Icdra (sigla em inglês) que acontece no Brasil.
 
 
Etienee destacou que a complexidade do setor farmacêutico e a velocidade com que as tecnologias mudam exigem agências reguladoras bem estruturadas e uma cooperação internacional para a definição de regras.
 
 
A 16a edição do evento tem como foco o acesso aos produtos biológicos e biossimilares. O Ministro da Saúde, Athur Chioro, disse que a preocupação com a segurança e o acesso aos novos medicamentos foi um dos temas da última Assembleia Mundial da Saúde. Ele defendeu que a discussão seja conduzida sob a ótica de garantir que as pessoas possam ter acesso aos produtos necessários para a manutenção de sua saúde. “O Brasil está empenhado em participar deste processo a fim de que os benefícios sejam coletivos e amplos, envolvendo os países desenvolvidos e, principalmente, aqueles em desenvolvimento”, explicou o ministro da Saúde.
 
 
Na abertura da conferência, o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, destacou o esforço da Agência em trazer para o Brasil o evento mais importante do mundo para a discussão das políticas de medicamentos, além do incentivo da Anvisa para que um maior número de países  pudesse estar presente. Segundo Barbano, a inclusão da América Central e África é um reconhecimento de que as estratégias de acesso aos medicamentos devem ser pensadas de forma global e inclusiva.
 
 
“Convergir para a promoção da saúde é o grande desafio de todos, nossos esforços serão compensados com uma maior aproximação entre as agências, o que vai levar à ampliação das condições de saúde da população de nossos países”, disse Barbano.
 
 
Esta é a primeira vez que o Icdra acontece na América Latina. O Icdra é um fórum que reúne autoridades reguladoras de medicamentos dos países membros da OMS desde 1980. Seu objetivo é estreitar vínculos, debater tendências e compartilhar soluções de interesse comum, fortalecendo a colaboração mútua.

Com a troca de informações, as autoridades sanitárias internacionais contribuem para a convergência regulatória na área de medicamentos, o que resulta na melhoria da qualidade, segurança e eficácia desses produtos em todo o mundo.

Boas práticas de fabricação na indústria farmacêutica, redução de riscos em produtos derivados do sangue, regulação de dispositivos e equipamentos médicos, monitoramento da produção de vacinas e medicamentos biossimilares são algumas dos temas que estarão em debate durante o ICDRA.
 
 
Fonte: Imprensa Anvisa

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