A América Latina tem cerca de 45 milhões de indígenas em 826 comunidades que representam 8,3% da população, revela o relatório Povos Indígenas na América Latina: Progressos da Última Década e Desafios para Garantir seus Direitos. O documento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) foi apresentado hoje (22), na sede das Nações Unidas, em Nova York, onde ocorre a 1ª Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas.
Segundo a Cepal, o número de 45 milhões de indígenas em 2010 representa aumento de 49,3% em dez anos. Em relatório de 2007, a Cepal estimou que havia 30 milhões de indígenas no ano de 2000 na América Latina, quando foram identificados 642 povos. A Cepal atribui esse aumento à melhoria da informação estatística nos últimos anos e à maior autoidentificação por parte dos povos em sua luta por reconhecimento.
O relatório mostra que, dos 45 milhões de indígenas, 17 milhões vivem no México e 7 milhões, no Peru. Entretanto, os países com maior proporção de população indígena são Bolívia (62,2%), Guatemala (41%), Peru (24,0%) e México (15,1%).
O Brasil, com 900 mil indígenas, tem o maior número de comunidades (305), seguido pela Colômbia (102), Peru (85), México (78) e Bolívia (39). De acordo com o estudo, muitas estão em perigo de desaparecimento físico ou cultural, como no Brasil (70 povos em risco), na Colômbia (35) e na Bolívia (13).
A Cepal estima ainda que existem 200 povos indígenas em isolamento voluntário na Bolívia, no Brasil, na Colômbia, no Equador, no Paraguai, no Peru e na Venezuela.
O estudo indica que têm ocorrido avanços na maioria dos países da região em relação ao reconhecimento dos direitos territoriais, principalmente na demarcação e titulação de terras, mas permanecem importantes desafios relacionados com o controle territorial, incluindo os recursos naturais. Por este motivo, foram detectados, entre 2010 e 2013, mais de 200 conflitos em territórios indígenas ligados a atividades extrativas de petróleo, gás e mineração.
“Os movimentos indígenas estão cada vez mais atuantes e governos e setor privado têm negociado cada vez mais com eles. É preciso fortalecer o marco legal e institucional dos países para incluir os indígenas”, disse a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena. Para ela, as comunidades devem ser consultadas na questão da governança dos recursos naturais.
A Cepal observou também aumento da participação política dos indígenas, com um contínuo fortalecimento de suas organizações e o estabelecimento de alianças para a atuação política, mas permanece escassa a representação desses povos em órgãos dos Poderes do Estado.
Em educação, a Cepal constatou aumento nas taxas de frequência escolar, com porcentagens de comparecimento entre 82% e 99% para crianças de 6 a 11 anos. Segundo o relatório, persistem, entretanto, diferenças significativas na conclusão do ensino médio e no acesso aos níveis superiores em relação aos indicadores da população não indígena.
Fonte: Agência Brasil – Autor: Ana Cristina Campos
22/09: RIBEIRÃO DAS NEVES SELECIONA FARMACÊUTICOS POR MEIO DE PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO
A Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves abriu processo seletivo simplificado para a contratação de 04 farmacêuticos, entre outros profissionais de saúde.
Para uma jornada de 20 horas semanais, a remuneração oferecida é de R$ 1.762,85.
As inscrições deverão ser feitas até o dia 28 de setembro de 2014 neste endereço.
22/09: ACEITAÇÃO DO DIAGNÓSTICO DE FENILCETONÚRIA É DESAFIO PARA TRATAMENTO, DIZ TESE DA UFMG
Doença genética crônica que atinge um em cada 12 mil bebês que nascem no país, a fenilcetonúria (PKU), causada por uma mutação do cromossomo 12, leva à ausência ou deficiência da enzima hepática fenilalanina hidroxilase, que resulta no acúmulo do aminoácido fenilalanina no sangue. Os pacientes precisam aprender a conviver com a doença e com o tratamento – baseado em dieta restrita em proteínas – e não é permitido o consumo de carnes, ovos, leguminosas, leite e derivados.
Para entender as dificuldades em aceitar o diagnóstico e manter o tratamento, pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da UFMG entrevistou mães de crianças e equipe multidisciplinar que atua no Ambulatório de Fenilcetonúria do Hospital das Clínicas. “Quando diagnosticado com a doença por meio do teste do pezinho, o bebê é rapidamente encaminhado para o atendimento especializado. Logo no início do tratamento, percebemos que as atividades de toda a sua família passam a ser centradas na existência da doença, uma vez que são exigidos exames sanguíneos frequentes e deslocamentos constantes dos pacientes e familiares para as consultas”, explica Rosângelis Del Lama Soares, autora da tese Convivendo com a fenilcetonúria: a percepção materna e da equipe multiprofissional.
O trabalho foi realizado em duas etapas. Na primeira, foram entrevistadas 14 mães de crianças fenilcetonúricas com idade de dois a seis anos que realizam tratamento no Hospital das Clínicas. Por meio de questionários e entrevistas, a pesquisadora acompanhou o tratamento das crianças, observando como reagiam à dieta e como o tratamento interferia no cotidiano das famílias. No segundo momento, foi estruturado grupo focal com a equipe multidisciplinar do ambulatório, que inclui nutricionistas, médicos, assistente social, auxiliares e servidores técnico-administrativos.
“Como o tratamento é centralizado em Belo Horizonte, as crianças vêm de todo o estado. Muitas vezes, a ausência da mãe que sai do interior para trazer o filho acarreta um distanciamento, o que traz problemas para todos os integrantes do núcleo familiar”, diz a pesquisadora.
Segundo Rosângelis Del Lama Soares, além das viagens constantes para tratamento na capital, a dieta é o maior obstáculo enfrentado pela família. Como todos os alimentos contêm fenilalanina, e cada paciente possui uma tolerância individual ao aminoácido, toda dieta precisa ser planejada separadamente, processo que mobiliza, além do principal círculo familiar da criança, escola, avós e outros parentes. “Essa criança nasce com expectativa de vida normal, mas com limitações na dieta e um tratamento para o resto da vida. A dificuldade é que, muitas vezes, a mãe consegue controlar bem a dieta dentro de casa, mas o círculo familiar, os avós ou coleguinhas da escola acabam favorecendo transgressões, oferecendo um alimento que a criança não pode ingerir.”
Assintomática
É grande a dificuldade para aceitar a fenilcetonúria e tratá-la de forma disciplinada. Quando recebe o diagnóstico e começa a ser tratada nos primeiros dias de vida, a criança não apresenta sintomas, o que pode levar familiares a acharem que ela nunca esteve doente. “De modo geral, as pessoas, por falta de esclarecimento, podem, ao ver que a criança se desenvolve normalmente, querer dar a ela algum alimento proibido. Como ocorre com qualquer enfermidade crônica, constata-se uma dificuldade em aceitar o diagnóstico. Caso a doença não seja identificada e tratada precocemente, a sequela mais grave é o retardo mental”, afirma Rosângelis Del Lama Soares.
O recomendado é que as crianças com suspeita diagnóstica iniciem o tratamento com até 21 dias de vida. Nos primeiros seis meses, o bebê é identificado com um diagnóstico provisório, de “provável fenilcetonúria”. Em seguida, é realizado um teste de sobrecarga para precisar o tipo de hiperfenilalaninemia que apresenta. É fundamental que a doença seja identificada durante a triagem neonatal e o tratamento, iniciado imediatamente. Caso contrário, os sintomas clínicos da doença aparecerão do terceiro ao sexto mês de vida, e as sequelas instaladas já serão definitivas.
Para Rosângelis Soares, a pesquisa é importante para divulgar a doença, ainda pouco conhecida e que pode atingir qualquer pessoa, independentemente da classe social ou sexo. “Existem mais de 300 pacientes em tratamento em Minas Gerais e, considerando a incidência da doença, estima-se que, a cada mês, um novo caso seja diagnosticado no estado. Precisamos divulgar a fenilcetonúria para ampliar a compreensão da doença e as possibilidades de adaptação do fenilcetonúrico a seu meio”, defende a autora.
Tese: Convivendo com a fenilcetonúria: a percepção materna e da equipe multiprofissional
Autora: Rosângelis Del Lama Soares
Orientador: Marcos José Burle de Aguiar
Co-orientadora: Lúcia Maria Horta Figueiredo Goulart
Defendida no Programa Saúde da Criança e do Adolescente, na Faculdade de Medicina da UFMG, em 27 de maio de 2014
Fonte: Boletim da UFMG – Autor: Luana Macieira
22/09: RIO DOBRA NÚMERO DE TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS E TECIDOS
O Rio de Janeiro conseguiu dobrar o número de transplantes de órgãos e tecidos após a criação do Programa Estadual de Transplantes (PET), em 2010. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, entre 2006 e 2009, foram feitos 1.594 transplantes no estado, dos quais 1.150 de órgãos e 444 de tecidos.
Entre 2010 e 2013, o número de operações subiu para 3.416. Destes, 1.715 transplantes de órgãos e 1.701 de tecidos. Segundo o coordenador do PET, Rodrigo Sarlo, a criação do programa permitiu um aumento das doações e de transplantes.
“Conseguimos aumentar progressivamente o número de doações e, consequentemente, de transplantes, salvando aquelas pessoas [que precisavam desses órgãos]. Criamos um vínculo com a Universidade de Barcelona, aumentamos o número de equipes de cirurgia, equipes clínicas, de terapia intensiva. Estamos criando organizações de procura de órgãos. É uma série de ações que estamos fazendo para aumentar o número de doações”, disse Sarlo.
Ainda segundo a Secretaria de Saúde, com o aumento de transplantes, a fila de espera por órgãos caiu 70% nos últimos seis anos, passando de 7.580 pessoas para 2.369. Entre as filas que mais diminuiram foram as de transplantes de fígado (73%), rim (70%) e córnea (65%).
A Secretaria de Saúde homenageou hoje os hospitais que mais se destacaram na captação de órgãos e nos transplantes no período 2013/2014. Os três principais captadores são hospitais estaduais: Adão Pereira Nunes, Getúlio Vargas e Alberto Torres. Já as principais unidades de transplante são os hospitais particulares São Francisco de Assis, onde funciona o Centro Estadual de Transplantes, e Adventista Silvestre.
Também houve uma homenagem à família do cinegrafista Santiago Andrade, morto ao ser atingido por um rojão durante a cobertura jornalística de uma manifestação no início deste ano. Ao saber da morte do cinegrafista, sua esposa Arlita Andrade e os demais parentes, resolveram doar os órgãos de Santiago, que salvaram cinco vidas.
“O que vale é o nosso espírito. Tudo o que tem dentro da gente vai se deteriorar. A doação é muito importante. Ele foi cremado, então não adiantaria ele ficar com os órgãos. Apesar da dor da gente, sabemos que alguns de nossos 'irmãos' vão ser beneficiados com os órgãos. Por que um 'irmão' não ajudar o outro?”, disse Arlita.
Fonte: Agência Brasil – Autor: Vitor Abdala