Leia abaixo o depoimento do farmacêutico Leandro Farias, cuja luta o Sinfarmig apóia

 


Me chamo Leandro Farias, sou farmacêutico, tenho 25 anos e acabo de me tornar viúvo. Minha falecida esposa Ana Carolina Domingos Cassino, tinha 23 anos e também era farmacêutica. Ana veio a óbito por conta da demora por uma simples cirurgia de Laparoscopia para a retirada do apêndice, e com isso desenvolveu uma infecção generalizada e não resistiu. O caso gerou grande repercussão e comoção pública. Agora estou utilizando o caso como exemplo de luta contra o descaso na saúde desse país. Nessa semana, uma outra jovem em Belo Horizonte também morreu por conta de apendicite, em pleno 2014. Abaixo deixarei links das principais reportagens, link do abaixo-assinado que criei e peço ajuda para a divulgação, e o link para o meu facebook. Precisamos nos unir. Pagamos impostos e temos direito a saúde pública. Sabemos das dificuldades e migramos para o privado, e quando precisamos é essa total falta de respeito. Saúde não é comercio. Em breve estarei divulgando a próxima manifestação que ocorrerá no dia 18/10/2014 (Dia Nacional do Médico). Vamos à luta!
 

 

Atenciosamente,
 

 

Leandro Farias
Cel. (21) 99377-2159

 

 
Link Facebook
 
Link Jovem morta em Belo Horizonte

Link Abaixo-assinado

Link reportagens caso Ana Carolina

G1 -GLOBO

Rádio Globo 

Portal Fio Cruz

RJTV

CRF-RJ

Band

 

A Prefeitura Municipal de Recreio, na Zona da Mata, recebe inscrições – entre os dias 26 e 29/09 - para preenchimento de uma vaga temporária para farmacêutico.

O candidato aprovado deverá atender ao programa "Núcleo de Apoio à Saúde da Família", com salário de R$ 1.804,08, por jornada de 20 horas.

Interessados podem se inscrever na sede da prefeitura, localizada à rua Prefeito José Antônio, nº 126, no Centro, das 13h às 17h. A taxa é de R$ 150,00.

Mais informações no link:
http://www.diariomunicipal.com.br/amm-mg/materia/1616736

De amanhã (24) a 27 de setembro, a cidade maranhense de Alcântara recebe o seminário 'Promoção da Saúde, Integralidade da Atenção e Práticas De Cuidado nas Comunidades Remanescentes de Quilombos e o Controle Social'. Promovido pelo Ministério da Saúde em parceria com a prefeitura de Alcântara e outras instituições, o evento irá reunir cerca de 150 pessoas, entre lideranças quilombolas, gestores e profissionais de saúde para debater estratégias para a implementação de políticas de saúde para comunidades quilombolas.

Na programação do seminário estão previstas mesas redondas, palestras e rodas de conversa que irão discutir, entre outros temas, sobre o modo de fazer 'Saúde nos Quilombos'; prevenção das DST/AIDS e hepatites virais e outros agravos; a redução de situações de vulnerabilidade dessa população e o fortalecimento da participação das representações quilombolas nos espaços de controle social do Sistema Único de Saúde (SUS), como os conselhos de saúde e os comitês de equidade em saúde.

Os participantes também formarão grupos de trabalho para discutir a realidade e especificidades regionais. A ideia é identificar os principais problemas de saúde de cada grupo e também as potencialidades para resolução desses problemas a partir da própria comunidade. Ao final do evento, será elaborado documento com as principais proposições e encaminhamentos do seminário. Essas propostas serão entregues aos representantes do governo presentes no evento.

 

Ouvidoria Itinerante – Outra ferramenta para identificar os principais problemas de saúde e dificuldades de acesso aos serviços das comunidades quilombolas será a Ouvidoria Itinerante. Durante todo evento, técnicos do Departamento de Ouvidoria-Geral do SUS (DOGES/SGEP) e pesquisadores do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade de Brasília (NESP/UnB) estarão ouvindo lideranças quilombolas e gestores sobre temas como acesso, qualidade de atendimento e participação social das comunidades quilombolas no SUS. Os resultados dessa escuta qualificada irão compor relatório com subsídios para os participantes da 15ª Conferência Nacional de Saúde que será realizada em 2015.

Políticas de equidade – A partir do diálogo entre os gestores e a sociedade civil, durante o seminário serão propostas ações locais para a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e também da Politica Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas. Estas duas políticas de equidade em saúde incluem entre suas diretrizes a garantia do acesso aos serviços de saúde de acordo com as necessidades e perfil epidemiológico de populações específicas como é o caso das comunidades quilombolas.

Além disso, o respeito e a valorização dos saberes e práticas tradicionais de saúde desse grupo populacional fazem parte dos objetivos dessas duas políticas, já que reconhecidamente as comunidade quilombolas tem atuado e contribuído no acolhimento e promoção da saúde da população negra.

Comunidades Quilombolas – O Brasil possui 2.394 Comunidades Remanescentes de Quilombos oficialmente reconhecidas, sendo o Nordeste a região com maior numero de comunidade num total de 1.483. O Maranhão é o estado que abriga o maior número de territórios quilombolas da região, com 43 comunidades reconhecidas.

O processo de reconhecimento dessas comunidades é feito pela Fundação Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, responsável por formalizar a existência destas comunidades e fazer a regularização fundiária das áreas onde vivem. Para isso, além de apoio técnico, a Fundação Palmares concede título coletivo de posse das terras tradicionalmente ocupadas por descendentes de africanos escravizados que mantiveram suas tradições culturais, de subsistência e religiosas.


Fonte: Aedê Cadaxa / Agência Saúde

Cuba decidiu mandar um contingente de 165 médicos e outros funcionários da saúde para Serra Leoa; OMS louva gesto sem precedentes

Por Salim Lamrani, do Opera Mundi publicado 22/09


Paris - Segundo as Nações Unidas, a epidemia do ebola de tipo Zaire, febre hemorrágica que atinge atualmente uma parte do oeste da África, particularmente a Serra Leoa, a Guiné e a Libéria, constitui a mais grave crise de saúde dos últimos tempos. No espaço de algumas semanas, o vírus se propagou em uma grande velocidade e a epidemia parece fora de controle. Trata-se da crise de ebola “maior, mais severa e mais complexa” observada desde o descobrimento da enfermidade em 1976. Altamente contagioso, o vírus é transmitido mediante o contato direto com o sangue e os fluídos corporais. Observou-se cerca de 5 mil casos e mais de 2400 pessoas perderam a vida. A Organização Mundial da Saúde fez um chamado urgente pedindo à comunidade internacional ajuda para as populações africanas abandonadas à própria sorte.


Cuba respondeu imediatamente à petição das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde. Havana anunciou que mandaria, a partir de outubro, 165 profissionais da saúde para Serra Leoa, o país mais afetado pela epidemia, junto com a Guiné e a Libéria. A missão durará pelo menos seis meses e será composta por profissionais especialistas que já realizaram missões humanitárias na África.

 

Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde, saudou o gesto de Cuba: “O que mais necessitamos são pessoas, profissionais de saúde. O mais importante para evitar a transmissão do ebola é ter as pessoas adequadas, os especialistas adequados e treinados apropriadamente para enfrentar esse tipo de crise humanitária”. O OMS lembra que “Cuba é famosa em todo o mundo por sua capacidade de formar excelentes médicos e enfermeiros. É famosa, além disso, por sua generosidade e solidariedade aos países no caminho para o progresso”.

 

Chan pediu que o resto do mundo, particularmente os países desenvolvidos, sigam o exemplo de Cuba e expressem a mesma solidariedade à África: “Cuba é um exemplo [...]. Tem tido a maior oferta de médicos, enfermeiros e especialistas, assim como de especialistas em controle de doenças infecciosas e epidemiologistas [...]. Espero que o anúncio feito hoje pelo governo cubano estimule outros países a anunciar seu apoio”. Em um comunicado, Ban Ki Moon, secretário-geral das Nações Unidas, também felicitou Cuba por sua ação : O secretário-geral recebeu calorosamente o anúncio do governo de Cuba.

 

A Science, a mais importante revista médica do mundo, também destacou o exemplo de Cuba. “Trata-se da maior contribuição médica enviada até o momento para controlar a epidemia. Terá um impacto significativo em Serra Leoa”. Até o anúncio cubano, a presença médica internacional no oeste da África somava 170 profissionais segundo a OMS. Agora, Cuba dará uma ajuda equivalente a todas as nações do mundo juntas.

 

Roberto Morales Ojeda, ministro cubano da Saúde, explicou as razões que motivaram a decisão do governo de Havana:

“O governo cubano, como tem feito sempre nesses 55 anos de Revolução, decidiu participar desse esforço global sob a coordenação da OMS para enfrentar essa situação dramática.

 

Desde o primeiro momento, Cuba decidiu manter nossas brigadas médicas na África, independentemente da existência da epidemia de ebola, em particular em Serra Leoa e na Guiné-Conakry, com a prévia disposição voluntária de seus integrantes, expressão do espírito de solidariedade e humanismo característico de nosso povo e governo”.

 

Cuba sempre fez da solidariedade internacional um pilar fundamental de sua política exterior. Assim, em 1960, inclusive antes do desenvolvimento de seu serviço médico e quando tinha acabado de perder 3 mil médicos dos 6 mil presentes na ilha (que escolheram emigrar para os Estados Unidos depois do triunfo da Revolução, em 1959), Cuba ofereceu sua ajuda ao Chile depois do terremoto que destruiu o país. Em 1963, o governo de Havana mandou sua primeira brigada médica composta de 55 profissionais à Argélia para ajudar a jovem nação independente a enfrentar uma grave crise de saúde. Desde aquele momento, Cuba estendeu sua solidariedade ao resto do mundo, particularmente à América Latina, à África e à Ásia. Em 1998, Fidel Castro elaborou o Programa Integral de Saúde, destinado a responder às situações de emergência. Graças a esse programa, 25 288 profissionais cubanos da saúde atuaram voluntariamente em 32 países.

 

Por outro lado, Cuba formou várias gerações de médicos de todo o mundo. No total, a ilha formou 38 920 profissionais da saúde de 121 países da América Latina, da África e da Ásia, particularmente mediante a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), fundada em 1999. Além dos médicos que cursaram seus estudos na ELAM em Cuba (cerca de 10 mil graduados por ano), Havana contribuiu para a formação de 29 580 estudantes de medicina em 10 países do mundo.

 

O Operação Milagre, lançada em 2004 por Cuba e Venezuela, que consiste em tratar vítimas de catarata e outras enfermidades oculares nas populações do Terceiro Mundo, é emblemática da política solidária de Havana. Desde tal data, cerca de 3 milhões de pessoas de 35 países recuperaram a visão, entre elas 40 mil na África.

 

Depois do furacão Katrina, que destruiu a cidade de Nova Orleans em setembro de 2005, Cuba criou o “Contingente Internacional de Médicos Especializados no Enfrentamento de Desastres e Grandes Epidemias Henry Reeve”, composto de 10 mil médicos. A ilha, apesar do conflito histórico com os Estados Unidos, ofereceu sua ajuda a Washington, que a rejeitou. A partir desse contingente, Cuba criou 39 brigadas médicas internacionais que já atuaram em 23 países.

 

Na África, cerca de 77 mil médicos e outros profissionais da saúde cubanos forneceram seus serviços em 39 dos 55 países [do continente]. Atualmente, mais de 4 mil, mais da metade deles médicos, trabalham em 32 países da África.

 

No total, cerca de 51 mil profissionais da saúde, entre eles 25 500 médicos, dos quais 65% são mulheres, trabalham em 66 países do mundo. Desde o triunfo da Revolução, Cuba realizou cerca de 600 mil missões em 158 países com a participação de 326 mil profissionais de saúde. Desde 1959, os médicos realizaram mais de 1,2 bilhão de consultas médicas, assistiram 2,3 milhões de partos, efetuaram 8 milhões de operações cirúrgicas e vacinaram mais de 12 milhões de mulheres grávidas e crianças.

 

Cuba escolheu oferecer solidariedade aos povos necessitados como princípio básico de sua política exterior. Dessa forma, apesar das dificuldades inerentes a todo país de Terceiro Mundo, Cuba mandou seis toneladas de medicamentos e material médico para Gaza. É um exemplo entre muitos outros. Fidel Castro explicou as razões: “Esse é um princípio sagrado da Revolução; isso é o que nós chamamos de internacionalismo porque consideramos que todos os povos são irmãos e antes da pátria está a humanidade”. Havana demonstra para o mundo que, apesar de recursos limitados, apesar das sanções econômicas estadunidenses que asfixiam o país, sem abandonar sua própria população (com um médico para cada 137 habitantes, Cuba é a nação melhor servida do mundo), é possível fazer da solidariedade um vetor essencial da aproximação e da amizade entre os povos.

 

*Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV,  Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

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