Participaram do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político 7,75 milhões de pessoas, segundo o resultado divulgado hoje (24). Desse total, 6,95 milhões votaram em urnas físicas e 1,74 milhão pela internet. As manifestações favoráveis à convocação de uma assembleia exclusiva para reforma política somaram 97,05% do total, as contrárias, 2,57% e 0,38% foram votos brancos e nulos.

 
A votação feita entre os dias 1º e 7 de setembro faz parte de uma campanha organizada por movimentos sociais para a convocação de uma Assembleia Constituinte para fazer alterações nas leis referentes ao sistema político. A votação, que na prática é apenas uma consulta, é uma forma de pressionar o Congresso Nacional para a convocação de um plebiscito com valor legal sobre o tema.
 

“A estrutura do poder político no Brasil e suas 'regras de funcionamento' não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas campanhas eleitorais que 'ajudam' a garantir a vitória de determinados candidatos”, diz o texto que explica a proposta na página do plebiscito popular.
 

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse que o resultado da campanha foi uma vitória para os movimentos sociais. “Nós acreditamos que esse resultado do plebiscito demonstra que há apoio popular para que possamos construir uma nova constituinte exclusiva”, ressaltou ao apresentar os resultados.
 

Segundo Rodrigues, a campanha conseguiu superar uma série de dificuldades. “Tivemos que lutar contra um boicote da grande mídia, que boicotou a comunicação do plebiscito durante todo o tempo. Tivemos que fazer a campanha durante um período eleitoral, quando outros temas estavam na pauta”, disse sobre fatores que contribuíram para que o movimento não tivesse uma adesão maior".
 

Fonte: CTB
Publicado em 25/09/2014

Por Ernesto van Peborgh* — publicado em 23/09/2014 em Carta Capital

Há 50 anos, no ápice da Guerra Fria e das tensões de possíveis explosões nucleares iminentes entre Estados Unidos e União Soviética, o Departamento de Defesa norte-americano solicitou a Paul Baran, cientista polaco-americano especializado em desenho de redes de computação, o desenvolvimento de um sistema capaz de manter a comunicação com as Forças Armadas durante o colapso de um ataque nuclear.

Com a tecnologia precária dos computadores dos anos 1960, Baran conseguiu manter a comunicação da rede, mesmo desconectando vários de seus nós. Seu estudo revelou que as redes podiam não só se manter interligadas, como também experimentar um aumento significativo de seus níveis de resiliência, inclusive com a perda de 50% de seus nós.

Na última década e a partir da aparição e do boom nas mídias sociais, a humanidade acompanhou a lógica de Baran para criar uma rede distribuída de mentes hiperconectadas, que troca ideias e conhecimentos sem pausa, e o fez de forma tão abrupta e significativa que ainda estamos tratando de compreender esses fenômenos e de nos adaptar a eles.

Como resultado, uma nova cosmologia governa nossa ordem social e essa mudança tem implicações fundamentais em nossa cultura e nas estruturas socioeconômicas. Dessa forma, é impossível o capitalismo e o corporativismo ficarem de fora do impacto da estrutura matricial.

Para entender essa mudança, é preciso compreender o capitalismo como um sistema. A partir dessa perspectiva, é possível conceber como uma troca na matriz subjacente tem impacto na sua morfologia e no seu funcionamento.

Mas o que é realmente um sistema? Define-se como sistema um complexo de elementos em interação ordenada, unidos numa forma mais ou menos estável em função de algum tipo de objetivo.

S = E x I x P é uma fórmula que nos permite definir essa interdependência. Um sistema (S) é o conjunto de elementos (E) que, mediante a sua interconexão (I), busca alcançar um propósito (P) determinado.

De acordo com essa dinâmica, qualquer mudança nos elementos produz um efeito em todo o sistema. O mesmo ocorre quando se altera a interconectividade com a qual os elementos interagem entre si. Em qualquer dos casos, uma alteração em E ou I pode gerar uma mudança no propósito do sistema, que é, definitivamente, o objetivo para o qual existe.

Na última década, a humanidade evidenciou a mudança mais dramática de toda a nossa história como espécie, consequência da interconectividade entre as pessoas e dentro de todos os sistemas humanos. Nesse curto período, mais de um terço da população mundial conseguiu acesso à internet e mais de 85% se comunica por meio de telefones celulares. Devido a essa hiperconectividade, mudamos também nossa lógica matricial, passando de uma matriz centralizada para outra distribuída.

As diferenças entre a matriz central e a distribuída provocaram impactos muito mais amplos e profundos não somente em nível comunicacional e organizacional, como também pelo potencial gerado a partir da participação entre os nós da rede.

A lógica e a estrutura da matriz distribuída coincidem com as dos sistemas mais evoluídos. Sua organização entrelaçada permite a interação e reciprocidade entre os nós sem necessidade da coordenação de um nó central. Os nós podem colaborar entre si construindo valor a partir da reciprocidade de suas relações. Desse modo, incentiva a motivação e a autonomia de seus atores, que se reúnem ao redor de interesses e causas comuns para constituir, desde a criatividade colaborativa, um novo recurso coletivo.


A grande diferença entre esses dois paradigmas é a interconectividade. Na matriz central ela é limitada, já que os fluxos de comunicação devem passar por um nó central.

Na matriz distribuída, a comunicação flui independentemente dos nós, assim como Baran comprovou em seu experimento. Mas existe algo muito mais interessante. Dentro desse “sistema”, outras propriedades são reconhecidas – inexistentes em uma matriz centralizada –, ligadas à interdependência e ao autogoverno. Surge a capacidade de se vincular com outros atores para obter dados, informação e conhecimento, processados, recombinados e expostos novamente ao coletivo para uma nova reconstrução a partir dessas contribuições. Esse processo permite o surgimento de propriedades emergentes, coletivas, do conjunto de elementos integrantes do sistema e não dos individuais. O emergente é uma propriedade nova que esse sistema adquire e seus elementos isolados não possuem. O todo é mais que a soma de seus componentes.

E o que tudo isso tem a ver com o capitalismo? Por ser um sistema aberto, o capitalismo forçosamente se vê afetado em sua lógica e função primordial.

As redes distribuídas substituem nossas matrizes dominantes que capitulam diante dessa lógica e dão lugar a novos modelos de organização, produção, consumo e distribuição. Novas formas de organização social, inovação e construção de conhecimento já fazem parte do cotidiano.

Entender é 50% da solução. Devemos agora compreender as transformações causadas por essa nova matriz e reconhecer que o futuro está conosco, para nos preparar e aproveitar essa incrível oportunidade que se nos apresenta: a de evoluir a partir de um mundo mais conectado, equitativo e sustentável.

*Ernesto van Peborgh é fundador da Viagem de Odiseo, especializada em estratégias de comunicação nas redes sociais. É engenheiro com MBA pela Universidade Harvard. Foi vice-presidente do Citicorp Equity Investments e sócio-fundador do Argentine Venture Partners, fundo de investimentos capitalizado pelo AIG Southern Cone Fund. Publicou quatro livros, o último intitulado Redes: O despertar da consciência planetária, lançado pela editora DVS no Brasil.

O número de doadores de órgãos no Brasil aumentou 89,7% nos últimos seis anos. Passou de 1.350, em 2008, para 2.562, em 2013. No mesmo período, o indicador nacional de doadores por milhão de habitantes subiu de 5,8 para 13,4, enquanto a fila de espera para transplante caiu de 64.774 mil para 37.736 mil (41,7%).


Dados divulgados hoje (24) pelo Ministério da Saúde apontam que, nos primeiros seis meses deste ano, o país realizou 11,4 mil transplantes. Desses, 6,6 mil foram cirurgias de córnea, 3,7 mil de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão) e 965 de medula óssea. Em 2013, foram realizados 23.457 transplantes.


O coordenador geral do Sistema Nacional de Transplantes, Heder Murari, sinalizou que o governo deve atingir a meta de 14 doadores por milhão de habitante até o fim do ano. Lembrou que o Brasil é o país latino-americano com maior percentual de aceitação familiar para doação de órgãos. Das famílias brasileiras com situações de morte encefálica, 56% autorizaram a retirada. Na Argentina, no Uruguai e no Chile, os índices são, respectivamente, 52,8%, 52,6% e 51,1%.


Apesar dos avanços, o ministério lançou campanha na tentativa de aumentar a adesão das famílias à doação de órgãos. O objetivo é mostrar a importância da autorização para retirada de órgãos, após a confirmação do óbito. É a família que autoriza o procedimento, quando a situação do paciente é irreversível.


Durante a cerimônia, Arlita Andrade, viúva do cinegrafista da Band Santiago de Andrade, morto em fevereiro deste ano, informou que autorizou a doação dos órgãos do marido. "Apesar do meu sofrimento e da família, confirmamos a autorização assim que ele teve morte encefálica", assinalou. Acrescentou que foram doados dois rins, o fígado e as córneas do cinegrafista. "São cinco pessoas que receberam órgãos e estão vivas", comentou Arlita.

Publicitário, Paulo César Cavalcante, 58 anos, lamentou a longa espera na fila por um transplante. Após sofrer um acidente de carro e passar por uma transfusão de sangue, ele soube que havia contraído hepatite C. Esperou sete anos por um fígado. “Há quatro anos, recebi o órgão que modificou minha vida completamente. Hoje, agradeço demais às famílias do meu doador. Voltei a ser o que era. Jogo futebol, pratico jiu-jitsu e tenho um fígado novo”.

Para reforçar a campanha, o governo também desenvolveu um aplicativo que fará interface com o Facebook e notificará familiares no momento em que o usuário da rede social se declarar doador de órgãos. O internauta pode, ainda, adicionar à foto do perfil um laço verde, símbolo mundial da doação de órgãos.

Qualquer pessoa que concorde com a doação pode ser doador, desde que o procedimento não prejudique sua saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, da medula óssea ou do pulmão. No caso de doadores falecidos, é preciso constatar a morte encefálica. O ministério ressaltou que a doação de órgãos só ocorre com a autorização da família.

Fonte: Agência Brasil – Autor: Paula Laboissière

Em seu discurso na abertura do 5º Congresso Brasileiros sobre o Uso Racional de Medicamentos, Silvana Nair Leite, presidente da Escola Nacional dos farmacêuticos destacou a importância da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e o papel do farmacêutico na promoção do uso racional do medicamento e para garantir a segurança do paciente. Leia na íntegra, abaixo.

Boa noite.

Quero cumprimentar a todos os nossos colegas profissionais de saúde que hoje atendem ao chamado para este que já é um evento obrigatório na agenda de todos os que se preocupam e se ocupam do uso dos medicamentos na sociedade. Mas quero cumprimentar, especialmente, os nossos colegas representantes do Controle Social da Saúde – conselheiros de saúde, membros de comissões e de entidades de representação da sociedade civil organizada. Sua participação nas atividades deste evento certamente é um marco para o que temos chamado de Uso Racional de Medicamentos.


Os tempos recentes, caros colegas, não nos permitem continuar pensando saúde a partir de nossos olhos enviesados pela técnica, a ciência por ela mesma, ou pelas nossas necessidades profissionais.

 

Temos sido chamados a ouvir a voz do povo. Ela é capaz de aprofundar necessárias transformações da realidade e encontrar a razão de ser da existência das profissões da área da saúde.

 

O povo brasileiro foi capaz de, com sua voz e sua luta, construir o SUS – e isso não é pouco!

 

A assistência farmacêutica, do mesmo modo, também foi entalhada com o formão da participação popular. Este ano, 2014, comemoramos os 10 anos da publicação da Política Nacional de Assistência Farmacêutica – uma política, vejam só, construída no âmbito de uma Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica, em 2003, e assinada pelo Conselho Nacional de Saúde, em 2004. Ela estabelece que assistência farmacêutica é bem mais que medicamentos nas prateleiras dos serviços de saúde. O medicamento, produto inanimado, é desprovido de qualidades ou benefícios por si só. Ele ganha valor pela ação dos profissionais que com ele promovem a cura, a prevenção, o restabelecimento, o bem estar das pessoas.

 

Temos dez anos desta política, dez anos de uma construção gigantesca de acesso a medicamentos, de criação de serviços, de desenvolvimento de tecnologias leves e duras. E é hora de avaliar: como temos andado? Em que precisamos avançar? Por onde?
Tomando esta tarefa, a Escola Nacional dos Farmacêuticos, com apoio do Ministério da Saúde, está desenvolvendo durante este ano, 15 oficinas regionais para Avaliação dos 10 anos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica.

 

Com metodologia bem estabelecida e organização local dos sindicatos de farmacêuticos e da Fenafar, desde agosto já foram realizadas 8 oficinas e outras 7 estão programadas – creio que todos receberam a programação junto com os materiais do congresso. Cerca de 2500 pessoas serão reunidas até o fim do ano para esta tarefa. E não apenas farmacêuticos – diversos profissionais e muitos usuários engajados com a luta pelo direito à saúde estão atendendo ao chamado para esta avaliação. Com os resultados, levaremos nossa contribuição para as reflexões nas etapas da 15ª Conferencia Nacional de Saúde, em 2015.

 

A Escola Nacional dos Farmacêuticos, uma associação de profissionais engajados com a qualificação da categoria, tem esta missão: colaborar com o desenvolvimento social através da qualificação do controle social e do profissional farmacêutico.

 

Promover as condições para que o farmacêutico seja a reconhecido como um profissional de saúde, com capacidade de intervir sobre a realidade social de forma ética, critica e qualificada científica e tecnicamente, com domínio político sobre o seu meio.

 

Ao longo dos últimos anos, a Escola estabeleceu parcerias com diversas instituições para a realização de atividades de qualificação e formação, como os Simpósios Brasileiros de Assistência Farmacêutica, que já contaram com seis edições; os Encontro dos Farmacêuticos no Controle Social da Saúde e o Curso de Formação de Conselheiros de Saúde.

 

Com estas experiências, podemos dizer, senhor Ministro e meus colegas: os farmacêuticos acreditam no Brasil e o povo brasileiro acredita no Brasil.

 

Estamos totalmente engajados pela defesa dos 10% das receitas para a saúde. É a nossa Federação, através do seu presidente, o farmacêutico Ronald Ferreira dos Santos, que comanda o Movimento Saúde + 10, que tem pleno apoio popular e já conta com mais de 2,2 milhões de assinaturas e agora luta pela aprovação do projeto no Congresso Nacional.

 

Estamos falando de responsabilidade sanitária, de desmontarmos o discurso retrógrado de que há recursos suficientes para a saúde, que o único problema é de gestão – o que traz embutido a negação do direito universal à saúde.

 

E as farmácias, colegas, qual seu papel no direito social à saúde?

 

A aprovação recente da Lei 13.021, de 11 de agosto, não deixa mais dúvidas: farmácia é um estabelecimento de prestação de serviços de saúde e de assistência farmacêutica, um estabelecimento de interesse público! Ainda que a Medida Provisória 653 ,da mesma data, tenha colocado ressalvas sobre as condições de funcionamento das pequenas e microempresas, não é possível desconsiderar os avanços que representa no caminho para tornar a farmácia realmente um estabelecimento de saúde.

 

Não podemos deixar de mencionar aqui, senhor Ministro, a importância da nota, publicada pelo Ministério da Saúde no último dia 10 de setembro, reiterando o posicionamento deste ministério sobre a importância e o papel fundamental que exerce o profissional farmacêutico para o uso adequado dos medicamentos e a segurança dos usuários de medicamentos, em qualquer que seja o lugar ou a empresa em que este é atendido. Afinal, a assistência farmacêutica e a assistência do farmacêutico são direitos do cidadão brasileiro e assim precisam ser respeitados!

 

As vozes pedem por mais democracia, por respeito à cidadania, por dignidade. Pedem para ser ouvidas. Vamos prestar atenção e aprender com elas.

 

Vamos ouvir as experiências e expectativas das pessoas sobre o uso dos medicamentos, vamos entender as racionalidades e problematizar o que é racional. Vamos lembrar que a segurança do paciente começa e só é possível com financiamento adequado da saúde, com profissionais comprometidos e motivados, com gestão qualificada dos serviços, com acesso aos medicamentos e acesso à Assistência Farmacêutica, de forma a atender as necessidades de saúde do Brasil e do nosso povo.

 

Para finalizar, gostaríamos de dizer que para a Escola Nacional dos Farmacêuticos é uma grande satisfação poder colaborar com a realização do 5º Congresso Brasileiro sobre Uso Racional de Medicamentos, por sua importância para o desenvolvimento do país e sua total afinidade para com a missão da Escola.

 

Por isso, queremos agradecer na pessoa do colega Marco Aurélio e ao Departamento de Assistência Farmacêutica e especialmente à equipe incansável dos assessores da Escola Nacional dos Farmacêuticos e da Fenafar que toparam o desafio de trabalhar intensamente para permitir que este congresso se concretizasse em tempo e a contento.com isso me despeço, agradecendo a atenção de todos e afirmando que o Ministério da Saúde pode continuar contando com a parceria da nossa instituição e que o povo brasileiro pode contar com os farmacêuticos.

 

Boa noite e bom congresso.

 

Fonte: Fenafar – publicado em 23/09

Mais Artigos...