A oferta gratuita do medicamento fator VIII recombinante, medicamento considerado o tratamento mais moderno para hemofilia, completa um ano de oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com 600 mil frascos do produto entregues. Em novembro, o Ministério da Saúde começa a distribuir os primeiros lotes do fator VIII recombinante rotulado com a marca Hemo-8r registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Com esta inciativa, até o final do ano, o Brasil economizará R$ 150 milhões e, com a venda do Hemo 8R para o Ministério da Saúde, a Hemobrás passará a ter o direito de utilizar o crédito para a contribuição de PIS/Cofins, o que resultará em uma economia de R$ 42 milhões por ano à empresa.


Maximiliano Anarelli de Souza, 36 anos, nasceu com hemofilia moderada e, mesmo compreendendo que a doença não tem cura, pretende conviver muitos anos ainda com seu diagnóstico. O gestor de recursos humanos conta que a hemofilia se manifesta por frequentes hemorragias que às vezes surgem repentinamente. Nele, os sintomas vão aumentando gradativamente e conta que costumam ser fortes, como dores, dificuldade de andar e perda de movimento ou função dos braços de forma temporária.

"Em 2010, começamos a viver novos tempos e vimos uma grande mudança. A maior mudança, não foi de todo a evolução do tratamento, mas uma mudança na forma de ver esse tratamento e a forma de trabalho do Ministério da Saúde, que passou a trabalhar de modo mais próximo dos usuários. Antes a visão era do tratamento da hemorragia, emergencial, e depois passou a ser uma visão de tratamento preventivo.

Outro fator importante foi a visão de que os usuários poderiam contribuir com sugestões e informações. Houve, de 2010 para cá, um trabalho conjunto da Federação Brasileira de Hemofilia e das Associações de Hemofilia locais com a Coordenação do Sangue.

Acredito que podemos graças a isso falar de um divisor de águas. Que avançamos 20 anos em 5. Muito mais do que nas décadas de 80 e 90, anos 2000, pensávamos ser um sonho impossível ou muito distante, é hoje realidade com os recombinantes.

Comemoramos 1 ano do uso de recombinantes no Brasil, que parecia até certo tempo, ser uma utopia em território brasileiro. E não somente o recombinante, o tratamento com imunotolerância para inibidor, a profilaxia, tanto primária como secundária, o aumento das doses liberadas de fator para tratamento domiciliar.

Tenho 36 anos e algumas sequelas que poderia não ter se tivesse acesso ao que tenho hoje. Mas era o que se tinha para aquele tempo, não reclamo e nem lamento. Fico é feliz de saber que os pequenos de hoje, essa nova geração de hemofílicos, nem sonhará, ou melhor, não terá os pesadelos, que nós os veteranos tivemos. Ver esses pequenos com recombinante e profilaxia é uma grande alegria.Comemorar 1 ano da chegada dos recombinantes no Brasil é uma vitória de todos e para todos com hemofilia."

Tratamento: A hemofilia não tem cura e é causada pela falta de proteínas específicas no sangue, que são responsáveis pelo processo de coagulação – o fator VIII, no caso do tipo A. Além dos sangramentos, os cortes na pele que levam um tempo maior para estancar são alguns dos sintomas da enfermidade. O tratamento é para toda a vida e se dá com a reposição deste fator deficitário. Atualmente, existem 9,1 mil hemofílicos tipo A no Brasil e, destes, 5,7 mil são considerados pacientes graves ou moderados.

O fator VIII recombinante é o primeiro produto que leva a marca da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). A fábrica da Hemobrás deverá produzir 200 lotes anuais do fator VIII recombinante, o que irá triplicar a circulação interna do medicamento, elevando o índice de terapia per capita a um patamar encontrado apenas nos Estados Unidos e Reino Unido. A tendência é que, em 2020, quando a produção estiver ocorrendo totalmente em solo nacional, a empresa atinja 1,2 bilhão de UI (unidade internacional). Mesmo fabricando o recombinante, a Hemobrás continuará produzindo o fator VIII plasmático, já que existem estudos apontando que uma pequena quantidade dos pacientes pode desenvolver intolerância ao biofármaco.

Fonte: Blog da Saúde

O Ministério da Saúde liberou R$ 150,4 milhões para vários Hospitais Universitários do país. O recurso é destinado às ações que integram o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários (REHUF), desenvolvido e financiado em parceria com o Ministério da Educação. Os valores são definidos junto com as instituições e levam em conta os indicadores e metas de desempenho de cada local. Com esse incentivo, os hospitais universitários podem adquirir equipamentos como aparelhos para exames de imagem, realizar pequenas reformas ou comprar materiais de limpeza, entre outros itens.

 

Essa é a quarta vez só neste ano que essas instituições de ensino superior de todo país recebem esse tipo de reforço financeiro, totalizando R$ 391,1 milhões. Ao todo, serão beneficiadas 39 instituições, localizadas em 29 cidades, sendo 21 capitais. Até o final do ano, serão pagos RS 463,7 milhões. As três portarias que liberam os R$ 150,4 milhões, incluindo os R$ 2,2 milhões destinados ao Hospital Universitário de Aracajú, foram publicadas no Diário Oficial da União (D.O.U).

 

Desde maio deste ano a até o início de setembro, já foram repassados R$ 240,7 milhões para os hospitais do REHUF. Do total que será liberado até o final de 2014, R$ 328,2 milhões são para o custeio de atividades assistenciais e de ensino, obras e reformas e os outros R$ 140,9 milhões, para a compra de equipamentos e melhoria de infraestrutura. "Com mais equipamentos, área física, ambiência adequada e profissionais capacitados nos Hospitais, mais benefícios garantimos a população, seja por meio da redução de tempo de espera para internação ou mais rapidez na realização de consultas e exames. Ou seja, maior resolutividade na assistência à saúde, no menor tempo possível e de uma forma humanizada”, ressaltou o Secretário de Atenção à Saúde, Fausto Santos.

 

Além dos recursos do REHUF para reestruturação e revitalização dos hospitais universitários, o Ministério da Saúde repassa cerca de R$ 1,2 bilhões por ano para o custeio da assistência de média e alta complexidade prestada por estes estabelecimentos durante o atendimento. Desde o início do programa, em 2010, o Ministério da Saúde já investiu mais de R$ 2 bilhões em hospitais de ensino de todo país. Atualmente, 46 hospitais e outras duas unidades de saúde ligadas às universidades fazem parte do REHUF. Essas instituições estão localizadas em 33 cidades do país, sendo 24 capitais.

 

Os hospitais universitários são vinculados às instituições de ensino superior do Ministério da Educação, responsável pelo pagamento dos profissionais concursados. Já o Ministério da Saúde repassa recursos para o custeio dos serviços prestados à população nas unidades, recursos do REHUF, entre outros incentivos.


• R$ 2,2 milhões para o Hospital Universitário de Aracajú (SE).
• R$ 1,8 milhão para o Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, localizado em Florianópolis (SC)
• R$ 9,7 milhões para o Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unisfesp)
• R$ 11,5 milhões para os hospitais universitários do Rio Grande do Sul
• R$ 7,6 milhões para os hospitais universitários Clementino Fraga, Maternidade Escola, Gaffrée e Guinle, localizados na cidade do Rio de Janeiro, e o Antonio Pedro, de Niterói
• R$ 8,1 milhões para os hospitais universitários de Dourados e Maria Aparecida Pedrossian, localizado em Campo Grande (MS)
• R$ 3,8 milhões para os hospitais universitários Lauro Wanderley, localizado em João Pessoa, e Alcides Carneiro, em Campina Grande (PB)
• R$ 5,2 milhões para os hospitais universitários do Rio Grande do Norte. As unidades contempladas são o Hospital Onofre Lopes e a Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal, e o Hospital Ana Bezerra, em Santa Cruz
• R$ 1,7 milhão para o Hospital Universitário de Teresina (PI)
• R$ 6,7 milhões para os hospitais universitários João de Barros Barretos e Bettina Ferro de Souza, ambos em Belém (PA)
• R$ 5,3 milhões para o Hospital das Clínicas e Maternidade Vitor Ferreira do Amaro, ambos em Curitiba (PR)
• R$ 1,7 milhão para o Hospital das Clínicas, localizado em Recife, e Hospital de Urgências e Traumas de Petrolina (PE)
• R$ 879,5 mil para o Hospital Universitário Julio Müller, localizado em Cuiabá (MT)
• R$ 29,4 milhões para quatro hospitais Universitários do estado de Minas Gerais. As unidades contempladas são o Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, o Hospital Escola de Uberaba, o Hospital Universitário de Juiz de Fora e o Hospital das Clínicas de Uberlândia
• R$ 14,4 milhões para o Hospital Universitário de São Luís (MA)
• R$ 4 milhões para os hospitais Edgard Santos e Maternidade Climério de Oliveira, ambos em Salvador (BA)
• R$ 9,3 milhões para o Hospital Universitário de Brasília (DF)
• R$ 3,2 milhões para o Hospital Universitário Getúlio Vargas, localizado em Manaus (AM)
• R$ 2,3 milhões para o Hospital das Clínicas de Goiânia, ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG)
• R$ 5,49 milhões para os hospitais Walter Cantídio e Maternidade Escola Assis Chateaubriand, ambos em Fortaleza (CE)
• R$ 2,1 milhões para o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, localizado em Maceió (AL)

Fonte: Ubirajara Rodrigues/Agência Saúde

A última atividade do 5º Congresso Brasileiro sobre o Uso Racional de Medicamentos teve a participação de Donna Marie Cookmeyer, diretora de Integração e Pesquisa da Duke University School of Medicine, dos Estados Unidos.
 

Responsável pela avaliação científica e ética dos ensaios clínicos da instituição, Donna apresentou os avanços de uma novidade da área: a farmacogenética.

 
Como uma espécie de filtro, a farmacogenômica estuda a relação entre os medicamentos e o metabolismo de grupos de indivíduos geneticamente parecidos, de modo a desenvolver medicamentos mais específicos para cada pessoa.
 

Parece filme de ficção. “Primeiro nós fazemos a caracterização da doença, e depois identificamos as informações genéticas do paciente para entender melhor como tratar a doença dele. Sabendo essa informação, nós podemos até prevenir essa doença em outras pessoas”, explica Donna.
 

O conceito está diretamente ligado à segurança do próprio paciente. Uma vez que ele tem um remédio projetado de acordo com suas informações genéticas, é possível reduzir os riscos à sua saúde, e extinguir reações adversas e estimular o uso racional.
 

“O uso racional de medicamentos é muito novo nos Estados Unidos, estamos nos primeiros estágios, mas eu fiquei surpreendida que o FDA (Food and Drug Administration) já aprovou 160 drogas que tem testes farmacogenéticos”, confessou.
 

A inovação da farmacogenética
 

Segundo Donna, com o uso dos testes foi possível “garantir que os pacientes sejam mais fiéis ao tratamento” e tenham uma qualidade superior aos demais. “Você tem dois genes que podem afetar, por exemplo, a dosagem necessária para o paciente. Essas informações genéticas podem ajudar na gestão de doses ideais”.
 

Os biomarcadores foram citados por Donna como uma estratégia moderna no desenvolvimento dos testes clínicos. Eles são a resposta do organismo a um tipo de farmaco, e podem ser fisiológicos, físicos ou anatômicos. É necessário que este grupo de informações esteja devidamente atualizado para “evitar falsos negativos ou falsos positivos” em exames clínicos.
 

A inovação não assustou o farmacêutico Jailton Ferreira, do Hospital da Política Militar de Pernambuco. “Pra mim foi totalmente novo, mas a minha visão prática na aplicação seria mais na monitoração do tratamento e evolução da terapia”. O pernambucano avalia que, no ambiente hospitalar há um acompanhamento regular da evolução do paciente tratado, e por isso os tratamentos personalizados “ajudariam a estreitar essa relação ainda mais” porque o profissional atuaria de acordo com diagnósticos específicos, “de olho na segurança do paciente, e nas possíveis reações adversas”.
 

O estudante de farmácia da Universidade de São Paulo, Leandro Santos, admite que a farmacogenômica “parece coisa de filme”, mas é essencial conhecer pesquisas da área “para que o profissional esteja constantemente se qualificando”.
 

Carta de São Paulo
 

A qualificação do farmacêutico foi um tema repetido durante todo o congresso, e um dos pontos de destaque da Carta de São Paulo, lida na cerimônia de encerramento. Outros pontos importantes foram a implantação de disciplinas nos cursos de graduação que capacitem os farmacêuticos para o cuidado em saúde, o desenvolvimento de estratégias para a criação de padrão de embalagens, o fortalecimento da segurança do paciente em pesquisas clínicas, valorizar o papel do farmacêutico na gestão da farmacoterapia, e o estímulo do uso racional de medicamentos.
 

Ex-presidente do Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo e coordenador do programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde, Marco Aurélio Pereira, faz um balanço positivo do 5º Congresso em relação as edições anteriores. “A gente ter conseguido ampliar o número de trabalhos, de profissionais inscritos, e principalmente o movimento internacional foi muito bom”.
 

Marco destaca ainda a “parceria fundamental” entre Ministério da Saúde, Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Escola Nacional dos Farmacêuticos. “Nós conseguimos debater o uso racional de medicamentos e a segurança do paciente por diversas vertentes, de forma bastante ampla”.
 

Perspectivas para o futuro e encerramento
 

O maior desafio, de agora em diante, é “fazer esse debate ser transversal e que passe a fazer parte dos debates de saúde, é efetivar o que foi aprovado”.
 

Quem mais ganhou com a realização do Congresso, segundo Ronald Ferreira dos Santos, presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, “foi a sociedade, que se debruçou sobre um tema bastante agudo, da materialização do direito à saúde, que é o acesso racional aos medicamentos, apontando diversos caminhos”.
 

Ciência e experiência se misturam numa perspectiva vitoriosa. “A lição que o Sinfar, que inclusive foi um dos organizadores, vai levar do Congresso é a mobilização de pessoas prontas a trabalhar em prol de uma mudança, de um objetivo. Isso mostra para nós, como sindicatos, que devemos encontrar mais pessoas disposta a isso”, avalia a Diretora do Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, Priscila Vautier.
 

Segundo Vautier, “nós precisamos abraçar a causa do uso racional de medicamentos, trazer essas pessoas em conjunto e caminhar cada vez mais para a valorização do profissional”
 

Unir pessoas qualificadas em torno de uma mesma questão foi uma das qualidades da Escola dos Farmacêuticos reconhecidas pelos participantes. Presidente da Escola, Silvana Nair Leite, não economizou nos elogios. “Esse congresso consagrou o papel da Escola dos Farmacêuticos como uma instituição capaz de colaborar e promover eventos de qualificação profissional, de desenvolvimento de um novo patamar dos serviços de saúde”.
 

A missão do 5º Congresso de Uso Racional de Medicamentos, portanto, foi cumprida. Se fica a saudade, sobra entusiasmo e força para levar a ideia adiante: use medicamento racionalmente, para a sua segurança.
 

Fonte: Fenafar  - Autor: Leonardo Simões – 26/09

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