A imagem do adolescente negro, nu, preso com uma trava de bicicleta a um poste em um bairro da Zona Sul carioca, custa a sair da memória. O episódio ocorreu em fevereiro e, por mais perturbador que pareça, não foi caso isolado. Nos meses seguintes, a cena se repetiu mudando apenas a região do país ou o requinte da crueldade. Pela tela do computador, em relatos nas redes sociais – por vezes, vídeos chocantes – ou matérias da grande imprensa, o Brasil vem assistindo a uma onda de intolerância e violações de direitos que desafiam a razão. Levantamento realizado pelo portal G1 computou mais de 50 casos noticiados apenas no primeiro semestre deste ano.

 

À moda dos justiceiros, uma parcela da população decidiu que o suspeito de um crime é alguém desprovido de direitos e merecedor de castigos severos: em maio, uma dona de casa morreu, vítima de linchamento no Guarujá (SP), depois de ter sido confundida com uma suposta sequestradora; em julho, um professor de História só escapou da morte por populares, em um bairro da periferia paulista, após dar uma aula sobre a Revolução Francesa para provar sua profissão. Muitas vezes, o delito é apenas ser diferente: no Rio, uma jovem foi espancada por estar acompanhada da namorada no Centro da cidade. A vida do outro sempre por um fio.

 

Para refletir sobre o assunto, a Radis conversou com a socióloga e antropóloga Maria Cecília Minayo, coordenadora científica do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Estudiosa da violência urbana, Maria Cecília diz que os autores dessas brutalidades ainda acreditam, em pleno século 21, que “bandido bom é bandido morto”. Mas para ela, há uma mudança mais profunda em curso. Nesta entrevista, Maria Cecília nos aponta uma sociedade que também se horroriza com os atos de barbárie e está mais consciente dos problemas sociais. “A violência não aumentou, ela apenas tem aparecido mais. E a internet tanto expõe esses extremos de violência quanto alimenta grandes correntes de solidariedade”, ela diz, como para mostrar que a humanidade ainda não se desumanizou de todo.

 

Que desencantamento é esse que tem levado as pessoas a praticar atos de selvageria com o próximo sob a alegativa de fazer justiça com as próprias mãos?

 

Cecília Minayo: Teoricamente, fazer justiça com as próprias mãos é regredir à Idade Média. Nas sociedades modernas, houve o desenvolvimento conceitual – que se transformou em práticas sociais – de que as pessoas não deveriam fazer justiça com as próprias mãos e de que o Estado seria a autoridade responsável pelo julgamento dos crimes. No Estado Moderno, existem dois fundamentos: o fundamento da coesão e o fundamento da coerção. O fundamento da coesão vem da religião, da educação, da informação familiar, onde a sociedade vai dizendo pra nós como quer que a gente seja. E aí surgem os inconformados, que não querem ser do jeito que a sociedade determina, e os criminosos, que dizem assim: “Tudo o que vocês estão falando, tudo o que está na lei, para mim, não vale nada”. Então, o Estado deve atuar buscando a coesão. Ou seja, quanto maior a coesão da sociedade menos necessidade ela tem de coerção.

 

Mas o que tem levado as pessoas a desacreditar no Estado ou a desautorizar aqueles que fazem e aplicam as leis?

 

Cecília Minayo: Uma observação que faço é que estamos passando por um período histórico de grandes mudanças. Mas grandes mesmo. Essa revolução, sobretudo da comunicação e da informação, trouxe mudanças profundíssimas para toda a sociedade. E é como se as autoridades tradicionais, ou seja, o Estado, não acompanhassem, não tivessem poder de coesão suficientemente grande, potente, frente a essas mudanças. Se fosse fazer uma metáfora freudiana, diria que é como se nós tivéssemos uma sociedade sem pai. Onde está a autoridade? Não falo de uma autoridade no sentido de autoritarismo, mas uma autoridade que é capaz de dizer, de apontar saídas.

 

E como chegamos a isso?

 

Cecília Minayo: Podemos dizer que o Estado Moderno é assentado sobre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas que a grande força relacionada ao tema de que estamos tratando é o Judiciário, e esse poder é quase intocável. Falamos muito da polícia, mas não acompanhamos o que acontece com os cidadãos depois que a polícia os prende. Então, a consciência da sociedade hoje está maior do que os poderes constituídos. Ao mesmo tempo, passamos a ver a exacerbação da violência, da discriminação, do preconceito, mas todo esse mal estar já existia, estava aí, só que não era verbalizado, comunicado. Hoje, se vemos pela internet um adolescente nu, amarrado a um poste, imediatamente isso se torna comoção nacional e outros casos aparecem. Mas se um lado diz para mim que a lei não adianta e por isso são cometidos outros crimes, há também um outro lado que me mostra como as pessoas ficaram horrorizadas com aquele ato de barbárie. É como uma convulsão cotidiana frente à uma situação de mudança com a qual a gente ainda não está acostumada.

 

Esse tipo de violência já deixou vítimas em praticamente todos os estados brasileiros. São muitos os casos ligados ao preconceito contra negros, homossexuais, minorias em geral. Isso seria sintoma de um aumento do conservadorismo no país? Estamos ficando mais reacionários?


Cecília Minayo: Não estamos mais conservadores, o conservadorismo está apenas aparecendo mais. Teoricamente, a compreensão da violência vem pari passu com o aumento da consciência social. Nos sites preconceituosos, por exemplo, existe uma alimentação de algo que estava recalcado e agora apenas começou a aparecer mais. Não acho que estejamos piores do que ontem. Do mesmo modo que aparece o preconceito e a violência, aparece também mais reflexão e isso permite que as pessoas se confrontem. Com mais consciência dos nossos problemas sociais, qualquer coisa que afete os direitos humanos vai repercutir muito. Isso começa a ficar mais claro, mais evidente. É doloroso, mas muito importante que fique mais evidente.

 

Com a informação em tempo real, tudo ganha audiência muito rapidamente, para o bem e para o mal. Até que ponto as redes sociais e o mundo virtual influenciam um comportamento intolerante?

 

Cecília Minayo: A internet tanto expõe extremos de violência quanto alimenta grandes correntes de solidariedade, de mudanças sociais. Acompanhamos pelas redes sociais, por exemplo, passageiros de um ônibus manifestando-se solidariamente em relação a um catador de latinhas e contra o motorista que queria expulsá-lo do veículo. Isso em Ipanema! [bairro da Zona Sul carioca]. Tudo está em movimento. Claro que esses comportamentos violentos e intolerantes não são casos isolados e que ainda há a mentalidade de que “bandido bom é bandido morto”. Mas o joio e o trigo andam juntos. Nós não vamos para o caos, de jeito nenhum. Aliás, nós estamos vivendo o caos, no sentido de que não há uma coisa somente boa ou somente ruim. Hoje a sociedade está à frente da política, dos políticos e das instituições.

 

 

As manifestações que tiveram início no Brasil, em junho do ano passado, poderiam ser consideradas um reflexo disso?

 

Cecília Minayo: Chamou a atenção que, nesses movimentos, o pessoal repudiava muito os partidos políticos e os políticos. Isso porque a forma como os partidos políticos atuam é a da mesma velha escola desse Estado fraco, que não é pai, é padrasto. Há algo maravilhoso acontecendo desde junho no Brasil. Não adianta falar que não tem pauta, porque tem e está clara. A pauta é a seguinte: nós queremos a sociedade do bem, com saúde, educação, transporte, que não sacrifique o ser humano; nós queremos saneamento, nós queremos moradia. Quer pautas mais primárias e mais fortes do que essas? Agora, sou absolutamente contra a violência, contra qualquer movimento violento, como depredar, tocar fogo no patrimônio público. Todos os estudos que temos feito apontam para o fato de que violência alimenta violência.

 

Reprimir os protestos da maneira como o Estado tem feito, criminalizando manifestantes, não seria uma violência ainda maior à nossa democracia?

 

Cecília Minayo: Temos estudado a polícia e eu diria que a maioria de seus integrantes é de bons policiais, que prestam um serviço fundamental à sociedade e têm pequeniníssimo reconhecimento. Há a polícia que não sabe lidar com o cidadão e trata-o como o inimigo, e, nesse caso, precisa responder por seus atos. Numa sociedade civilizada, temos que procurar meios não violentos sempre.

 

Quais seriam os caminhos para a transformação de uma sociedade violenta?


Cecília Minayo: Veja, trabalhei durante muito tempo na Baixada Fluminense [Rio de Janeiro], onde era comum haver grupos de justiceiros. A Baixada era governada pelos justiceiros – e justiceiros, a gente sabe o que fazem. Esse é um fenômeno forte, antigo, entranhado na sociedade brasileira. É o que fizeram no Guarujá [SP], em maio, com o linchamento de uma senhora espancada até a morte, confundida com uma sequestradora de crianças que praticava rituais de magia negra. Em São Paulo, ainda tem muita chacina. A transformação dessa sociedade violenta se dá pela educação e pela consciência de direitos. Por isso, o aumento desse grupo social que está saindo da pobreza é muitíssimo importante. Quanto mais incluirmos a sociedade nos seus direitos, mais vamos estar trabalhando para a paz. Conflito sempre vai existir. Mas conflito é bom. Conflito não é violência.

 

Há quem defenda que a exacerbação da violência tem a ver o com uma sensação de impunidade no país. Em que medida o endurecimento do estado penal traria resultado?

 

Cecília Minayo: Seria muito ruim. Um sistema penal ideal deveria fazer a socialização da pessoa para que ela saísse melhor, pudesse estudar, trabalhar, aprender um ofício. Mas isso não acontece. O sistema prisional brasileiro é uma catástrofe. Há experiências interessantes no nosso sistema judiciário, como as penas alternativas, que possibilitam à pessoa cumprir uma tarefa para a sociedade. Mas são experiências muito limitadas, em relação à encrenca que é o nosso sistema penal. Endurecer penas é um erro. Sob pena de cair num chavão, eu diria que ainda precisamos investir muito em educação. Apostar em uma educação realmente transformadora e na mobilização da sociedade são as saídas possíveis.

 

 

Fonte: Revista Radis – Autor:  Ana Cláudia Peres  - Publicado por Agência Fiocruz de Notícias

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) publicou, na última quinta-feira (25/09), a Resolução Normativa Nº18/2014, que reconhece 17 métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa no Brasil. Em cinco anos, técnicas devem ser obrigatoriamente substituídas pelos métodos alternativos.
 
 
A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) já tinha deliberado sobre a aceitação dos 17 métodos alternativos validados ao uso de animais nas petições para registros e controle de serviços e produtos sujeitos a vigilância sanitária. A deliberação, ocorrida no dia 21 de agosto, foi motivada pelo próprio Concea, que solicitou formalmente a manifestação da Agência.
 
 
O Diretor de Gestão Institucional da Anvisa (Diges), Ivo Bucaresky, assumiu com a anuência da Dicol, a condução do tema por entender a importância do atual estado da arte de ensaios não clínicos (in vitro e in silico, entre outros métodos alternativos), e o quanto contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Esse tema também remete ao princípio ético dos 3Rs, preconizados internacionalmente, contribuindo assim, na redução, substituição e refinamento do uso de animais, tema relevante para a sociedade brasileira.
 
 
Ao longo dos últimos dois meses todas as áreas da Agência avaliaram os métodos alternativos validados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e propostos pelo Concea à aceitação da Anvisa.
 
 
A Anvisa tem adotado outras medidas de incentivo e desenvolvimento de métodos alternativos, como o apoio à criação do Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos - BraCVAM, ligado ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde - INCQS-Fiocruz, e sua efetiva participação na Rede Nacional de Métodos Alternativos – Renama,  do governo federal.
 
 
O Concea também abriu um consulta pública sobre dois capítulos do Guia Brasileiro de Produção e Utilização de Animais para Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica. 
 
 
Clique aqui para saber mais: 
 
 
E para a Resolução do Concea, clique aqui
 
 
Fonte: Agência Anvisa

A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permite a volta da venda de emagrecedores no país foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União. O texto normatiza o assunto depois que o Senado suspendeu, no início do mês, a resolução da agência reguladora que proibia a venda e a prescrição de medicamentos que contêm anfetaminas usadas no controle da obesidade.


Para que voltem a ser comercializados, os medicamentos contendo mazindol, femproporex e anfepramona deverão ser registrados novamente pelos fabricantes. A análise técnica dos pedidos, segundo a Anvisa, levará em consideração a comprovação de eficácia e segurança dos produtos.


A norma prevê ainda que as farmácias só poderão manipular esses medicamentos quando houver algum produto registrado na Anvisa. Quando as substâncias tiverem registro, tanto o produto manipulado quanto o produto registrado passarão a ter o mesmo controle usado atualmente para a sibutramina – retenção de receita, assinatura de termo de responsabilidade do prescritor e do termo de consentimento pós-informação por parte do usuário.


Acesse aqui conteúdo publicado no DOU

 

Fonte: Agência Brasil – Autor: Paula Laboissière

Às vésperas da eleição presidencial, a diretoria da Federação Nacional dos Farmacêuticos se reuniu em São Paulo para fazer uma avaliação da conjuntura política e preparar ações da entidade para fortalecer as lutas da categoria.
 


Por Renata Mielli
 

 

Na manhã desta sexta-feira (26), o jornalista Umberto Martins, assessor da CTB, fez uma exposição inicial para avaliar a atual situação política nacional e internacional, já que como ele sublinhou “há uma interligação muito grande entre o que está em curso no Brasil e em outros países”.
 

 

AL: Um novo arranjo geopolítico fora da ordem imperialista
 

 

“Desde a eleição de Chavez, em 1998, houve uma mudança no cenário político na América Latina que começa com a rejeição da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), com a criação da ALBA, Celac e UnaSUL, que são projetos de integração latino-americana que estão muito distantes da hegemonia norte-americana, mas os EUA estão atuando para quebrar esse projeto e recolocar o continente sob o seu domínio”.

 

 
Martins destaca que os Estados Unidos estão empenhados em recuperar a sua hegemonia, num momento de decadência econômica dos EUA e principalmente diante da ascensão da China e dos BRIC's – com a criação do Banco de Desenvolvimento e um fundo de reserva que são iniciativas alternativas aos EUA e ao Banco Mundial.
 

 

Nesse contexto, as três eleições que ocorrem neste final de 2014 na América Latina (Brasil, Uruguai e Bolívia) são estratégicas e podem definir a continuidade de um projeto soberano e integracionista na América Latina ou uma derrota desse projeto, dando fôlego para os Estados Unidos se reposicionar estrategicamente no continente. “Uma derrota destas forças progressistas que trabalharam por essa integração soberana pode impor um retrocesso na região. E vale destacar que a campanha dos candidatos de direita em todos esses países criticam as políticas de integração e pregam a reaproximação dos EUA.

 

 
Disputa entre dois projetos no Brasil

 

“No Brasil a questão eleitoral coloca em disputa estes dois projetos, que são distintos nesta dimensão internacional, com a direita vinculada a este projeto imperialista. De um lado Dilma, que tem um projeto baseado numa relação mais democrática com os movimentos sociais e que interrompeu o processo de reformas neoliberais que vinham do governo anterior. Apesar de não ter conseguido enfrentar, ainda, as questões estruturais, mas houve avanços importantes. Do outro lado há Aécio Neves e Marina Silva, que representam os interesses do grande capital e dos setores conservadores no país”.O jornalista mostrou como as propostas de Aécio e Marina atentam contra os interesses dos trabalhadores, defendendo a terceirização, e sinalizam para uma política de ajuste fiscal que não é possível ser feita sem cortes drásticos nas áreas sociais

 

 
A democracia burguesa se transforma em farsa

 

 
Umberto Martins também denunciou o atual sistema eleitoral, que baseado no financiamento privado empresarial das campanhas gera uma perigosa distorção política. “Os gastos com atual campanha eleitoral estão estimados em 73 bilhões de reais. É muito dinheiro. Este sistema transforma a democracia burguesa em uma farsa e isso gera uma apatia com as eleições e com a própria democracia. O empresário não investe sem nada sem retorno. E, a consequência disso é que temos as instituições dominadas pelo poder econômico. Por isso é preciso combater o financiamento privado de campanha. Precisamos de uma Reforma Política que acabe com isso”, afirmou.
 

 

Outro tema fundamental para que a democracia no país avance é lutar pela democratização da mídia. “Os grandes veículos privados de comunicação incentivam a criminalização dos movimentos sociais, e é atrave's da mídia que o neoliberalismo mantém a sua hegemonia política e ideológica. Isso ficou evidente nas manifestações de junho, quando a mídia tentou dominar a pauta, criticando os partidos e a política”, lembrou Umberto.

 

 
Durante o debate, vários diretores destacaram que é fundamental fortalecer a mobilização do movimento social para impulsionar o governo no sentido mais democrático e progressista.
 

 

O vice-presidente da Fenafar, Rilke Novato, destacou que “a Fenafar, como entidade sindical, tem que lutar para evitar retrocessos ao movimento sindical e ao país. Não podemos nos enganar com discursos demagógicos como o da candidata Marina Silva, que diz querer governar com os melhores, como se os melhores fossem seres imparciais e só querem o melhor para o país. As pessoas têm lado. E o lado que a Marina escolheu é o dos banqueiros e do grande capital”.

 

 
O presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, destacou que no âmbito internacional “a crise de 2008 não foi superada”, daí o forte movimento dos Estados Unidos para tentar impor derrotas na América Latina. “Temos que mostrar claramente que, no Brasil, a candidatura que representa o avanço é a de Dilma Rousseff. Hoje, o movimento sindical está mobilizado em torno da campanha “Nem que a vaca tussa!” para impedir retrocessos trabalhistas no Brasil. Também temos que divulgar mais amplamente a Carta de Ouro Preto, que são a base das nossas posições para que o Brasil avance.
 

 

Enfrentar a mídia e a terceirização
 
Vários diretores colocaram como prioritária a luta pela democratização da mídia como instrumento indispensável para poder desobstruir o debate público e, assim, permitir que outras pautas de interesse dos trabalhadores avancem.

 

 
“A mídia claramente é contra a reforma política. Não deu nenhum cartaz para o plebiscito pela Constituinte Exclusiva que coletou 7,7 milhões de votos. Pelo contrário, quando tocam no assunto é para se colocarem contra o financiamento público de campanha, dizendo que este dinheiro sairia do bolso da população e que esse dinheiro deveria ir para saúde, educação. Por isso, penso que temos que lutar primeiramente pela reforma da mídia, porque enquanto tivermos essa mídia manipuladora não vamos conseguir ter mudanças mais democráticas no Brasil”, avalia Caroline Junckes, diretora Regional Sul da Fenafar.

 

 
Marusa Carlesso, secretária geral da Fenafar, concorda e citou uma exposição do consultor João Guilherme Vargas Neto. “Ele avaliou, durante um debate ontem, que as reformas estruturais do país não vão avançar se não houver a democratização da mídia. Senão nossas lutas serão barradas pela ação da mídia”.
 

 

Muitos também ressaltaram as dificuldades de se construir avanços, principalmente que dependam do Congresso Nacional. “Como viabilizar uma reforma política ou uma reforma da mídia com este Congresso Nacional que temos?”, questionou o suplente da diretoria Dalmare Anderson? Cecilia Motta, diretora regional Norte, lembrou da composição desfavorável, com poucos deputados e senadores que defendem os interesses dos trabalhadores. Eliane Simões, diretora regional Nordeste, também ressaltou esta dificuldade, colocando que as vezes até parlamentares do campo popular acabam tendo dificuldades de atuar em defesa dos interesses sociais.
 

 

A primeira secretária Veridiana Ribeiro destacou que muitos dos avanços pelos quais os trabalhadores lutam não conseguem se efetivar porque o movimento sindical e social precisa se colocar mais na rua, lutando e se mobilizando. Débora Melecchi, diretoria de organização sindical, disse que é fundamental que o movimento sindical se envolva mais diretamente nas reformas estruturantes do país e também, pautar de forma mais efetiva a denúncia da terceirização dos serviços.
 

 

Fonte: Fenafar - Publicado em 26/09/2014

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