Ao comentar o primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, registrado no município de Cascavel (PR), o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse hoje (10) que a situação está sob controle. "Todos os procedimentos realizados foram feitos em um tempo-resposta extremamente adequado e em cumprimento a todo os requisitos de protocolo."

 

As informações da pasta indicam que o homem de 47 anos, solteiro, saiu da Guiné no dia 18 de setembro sem referir contato com pessoas infectadas pelo ebola. No dia 19 de setembro, ele desembarcou no aeroporto de Guarulhos. Ontem (9), procurou atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Cascavel relatando febre, tosse e dor de garganta, sintomas iniciados na última quarta-feira (8) – 20 dias depois de sair da Guiné.

 

O último boletim médico indica que o estado geral de saúde do paciente é bom e que ele não apresenta febre ou qualquer outro sintoma, como hemorragia ou diarreia. Ele permanece em isolamento total.

 

Foram identificadas 64 pessoas que tiveram algum tipo de contato com o homem, sendo 60 delas na UPA de Cascavel e três que tiveram contato direto com o paciente. Dois casais hospedados na mesma residência em que o homem estava também estão sendo monitorados. Todas essas pessoas são consideradas de baixo risco, mas serão submetidas ao monitoramento de temperatura uma vez por dia durante 21 dias.

 

Fonte: Agência Brasil 

Segundo pesquisa divulgada ontem pelo IBGE, a produção cresceu em agosto em dez de 14 regiões pesquisadas

 

São Paulo – O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ao analisar dados divulgados ontem (8) pelo IBGE, avalia que o crescimento é "muito positivo" e é capaz de dar à indústria, a médio e longo prazos, os investimentos necessários para retomar uma atividade continuamente positiva. Para ele, o Rio Grande do Sul apresenta peculiaridades na "performance" industrial, com desempenho maior no setor agroindustrial.

 

De julho para agosto, a produção industrial cresceu em dez dos 14 locais pesquisados pelo IBGE, com o segundo resultado positivo seguido. Os três estados que mais cresceram foram Rio Grande do Sul (4,2%), Goiás (3,3%) e Espírito Santo (3,2%). Na comparação com agosto do ano passado, o resultado ainda é negativo (-5,4%).

 

Outros locais que tiveram alta maior do que a média nacional, de 0,7%, foram Ceará (2,8%), Pernambuco (2,7%), Paraná (2,1%), Pará (2%) e São Paulo (0,8%). Além deles, completam a lista Santa Catarina (0,5%) e Minas Gerais (0,1%). Quatro locais registraram queda: Amazonas (-4,5%), a Bahia (-4,2%), o Rio de Janeiro (-1,6%) e a região Nordeste (-1,2%).

 

"São muito importantes esses resultados. O segundo mês consecutivo talvez esteja indicando uma retomada da atividade econômica, mas ela dependerá, em grande medida, da continuidade de políticas industriais e estímulos", afirma Clemente à Rádio Brasil Atual. Segundo ele, o crescimento da atividade industrial propicia uma demanda econômica, que cria mais emprego em outros setores.

 

Na comparação com agosto do ano passado, houve alta em apenas quatro locais, com destaque para o Espírito Santo (13,7%). Onze tiveram queda, sendo a maior delas observada no Paraná (-10,3%). No acumulado do ano, houve avanços em seis locais e queda em nove. No acumulado de 12 meses, sete locais tiveram crescimento e oito apresentaram recuo na produção industrial.

 

Reproduzido do site da Rede Brasil Atual  (com informações da Agência Brasil)

As doenças diarreicas agudas infecciosas e transmissíveis são provocadas por diferentes agentes enteropatógenos, sendo os principais as bactérias, os vírus e os protozoários. Os efeitos fisiológicos mais importantes são desidratação e desnutrição que dificultam o ganho de peso e altura nas crianças, e podem ocasionar retardo no intelecto infantil.

 

Com o objetivo de realizar uma análise de indicadores integrados de ambiente e saúde relativos aos fatores condicionantes da mortalidade por diarreia em crianças menores de um ano nas regiões brasileiras, a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pùblica (Ensp/Fiocruz) Sandra Hacon, em parceira com pesquisadores de outras instituições, desenvolveu o estudo Análise espacial de indicadores integrados determinantes da mortalidade por diarreia aguda em crianças menores de 1 ano em regiões geográficas.

 

O trabalho aponta que as regiões Norte e Nordeste apresentam taxas de mortalidade superiores a da Região Sul devido, principalmente, aos indicadores socioambientais relacionados à pobreza e ao saneamento básico. O estudo aponta que as regiões brasileiras mostram diferentes condições demográficas, econômicas, sociais, culturais e de saúde

 

De acordo com os responsáveis pela pesquisa, ainda que a progressão da evolução clínica aguda e fatal do processo saúde-doença na população infantil seja determinada por múltiplas causas, a pobreza é um importante aspecto que prevê as condições de saúde na infância. A morbimortalidade por diarreia infantil está condicionada principalmente ao baixo nível socioeconômico da população, sendo um dos principais fatores que influencia as condições de saneamento básico precário e comportamento higiênico pessoal e doméstico insatisfatório. Aproximadamente 10,5 milhões de crianças menores de cinco anos morrem todo ano nos países mais pobres por doenças infecciosas e parasitárias, principalmente por pneumonia, diarreia, sarampo e Aids/HIV.

 

O estudo aponta que as regiões brasileiras mostram diferentes condições demográficas, econômicas, sociais, culturais e de saúde. A Região Norte tem a maior parte da Floresta Amazônica, tem a menor densidade populacional (3,9 pessoas por km2) e é a segunda região mais pobre do país, atrás do Nordeste, com elevada proporção de residências sem coleta de lixo e com esgotamento sanitário a céu aberto. No Brasil, apesar de os dados oficiais apontarem para a queda da mortalidade em menores de 5 anos, as regiões Norte e Nordeste concentram a maioria dos óbitos. As taxas de mortalidade por diarreia infantil mostram que os menores de 1 ano são os mais vulneráveis e as regiões Norte e Nordeste também lideram as taxas mais elevadas de óbito nesta faixa etária.

 

O estudo levou em consideração sete indicadores socioambientais, construídos a partir do banco de dados do Sistema do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de Recuperação Automática do Censo Demográfico de 2010. As informações de óbitos por diarreia em crianças menores de 1 ano e de nascidos vivos foram obtidos por meio das bases de dados dos Sistemas de Informação de Mortalidade e do Sistema de Informação de Nascidos Vivos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Os resultados apontam que as microrregiões com maiores taxas de mortalidade por doença diarreica aguda em menores de um ano, em 2009, estão situadas nas regiões Norte e o Nordeste, que apresentaram, respectivamente, cinco e quatro vezes mais taxa de mortalidade por diarreia que a Região Sul.

A pesquisa destaca ainda que dentre os indicadores associados aos óbitos por diarreia infantil nas microrregiões brasileiras, o de extrema pobreza se destacou por obter correlação com todas as regiões, exceto a Sul. Para as microrregiões situadas no Norte e Nordeste, os principais indicadores foram os relacionados às condições sociais e demográficas e ao saneamento básico. Para as microrregiões situadas no Centro-Oeste e Sudeste, os indicadores sociodemográficos se mostraram significantes com os óbitos por diarreia infantil.

 

“A diarreia infantil se apresenta como um agravo que mostra a iniquidade em saúde no território brasileiro. As crianças menores de um ano residentes nas microrregiões localizadas nas regiões Norte e Nordeste são as mais expostas ao risco de óbito pela diarreia, pois nestes locais concentram-se os piores valores para os indicadores socioambientais analisados, principalmente no que diz respeito à pobreza e ao saneamento básico. Neste sentido, políticas públicas sociais, econômicas, ambientais, culturais e de saúde devem embasar-se no princípio de equidade para atender as diferentes necessidades locais de cada região”, apontaram os autores.

 

O artigo Análise espacial de indicadores integrados determinantes da mortalidade por diarreia aguda em crianças menores de 1 ano em regiões geográficas foi desenvolvido pela pesquisadora do Departamento de Endemias Samuel Pessoa da Escola Nacional de Saúde Pública (Densp/Ensp) Sandra Hacon, em parceira com as pesquisadoras da Universidade do Estado de Mato Grosso, Helena Ferraz Bühler, Eliane Ignotti e Sandra Mara Alves da Silva Neves, e publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva.

 

Fonte: Informe da Escola Nacional de Saúde Pública

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra um aumento, na nova composição do Congresso Nacional, do número de parlamentares ligados a segmentos mais conservadores – entre eles, militares, policiais, religiosos e ruralistas.


Na avaliação do analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, este será “o Congresso mais conservador desde a redemocratização”.


Para o especialista, “algumas conquistas do processo civilizatório, como a garantia dos direitos humanos, podem ser interrompidas ou mesmo regredir com a eleição de uma bancada extremamente conservadora”.


O Diap mostra crescimento do número de parlamentares policiais ou próximos desse segmento, como apresentadores de programas de cunho policialesco. Ao todo, esse setor contará com 55 deputados, parte dos quais defendeu, na campanha, a revisão do Estatuto do Desarmamento, a redução da maioridade penal e a criação de leis mais rígidas para punir crimes.


Com foco no discurso sobre segurança, o delegado da Polícia Federal Moroni Torgan (DEM) foi o candidato a deputado federal mais votado do Ceará, com 277.774 votos. Em seus programas no horário eleitoral gratuito, ele pedia uma legislação mais rígida. “Já estamos cansados dessa história, o bandido comete um crime e não passa um dia na cadeia. Isso acontece por que a lei é fraca. Isso tem que mudar. Quem deve ter medo das leis é o bandido e não a população.”


No Distrito Federal, o coronel da reserva da Polícia Militar Alberto Fraga (DEM) foi o mais votado, com 155.056 votos. No Rio de Janeiro, o atual deputado Jair Bolsonaro (PP), militar da reserva, foi o campeão de votos no estado, com 464.418 votos e segue agora para o sétimo mandato no Congresso Nacional.


Conhecido por suas declarações contra homossexuais e pelos embates na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Bolsonaro deve ter velhos e novos aliados na próxima legislatura.


A bancada evangélica - que teve em Marcos Feliciano (PSC), também reeleito, representante de destaque na legislatura passada - também cresceu e contará, agora, com 52 parlamentares.


Embora nem todos os evangélicos devam ser considerados conservadores, em geral, eles têm tido postura contrária à ampliação do direito ao aborto, à união homoafetiva e à legalização de drogas como a maconha.


O líder do Partido Republicano Brasileiro (PRB) na Câmara, George Hilton (PRB-MG), partido que foi fundado por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, pondera que as posições não são novas e que esses grupos já vêm ocupando a política institucional. “O país é plural, mas ainda tem uma história muito conservadora. É de maioria cristã. É natural que essa maioria defenda, no Parlamento, os ideais cristãos”, aponta.

Defensor da família, o apresentador Celso Russomano (PRB-SP) foi o deputado mais votado destas eleições. Com 1,5 milhão de votos, ele ajudou a dobrar a bancada do PRB, que passou de oito para 21 deputados na Câmara. “Vai existir nessa Casa um grande embate em relação a esses direitos [humanos]”, avalia Hilton, para quem o partido não deve combater, mas sim defender políticas públicas para as mulheres e outros segmentos.

Já o setor identificado com a defesa dos direitos humanos perdeu parlamentares com longo histórico de atuação na área, como Nilmário Miranda (PT-MG), Domingos Dutra (SD-MA) e Iriny Lopes (PT-ES), que não foram reeleitos. Por outro lado, lideranças como Érika Kokay (PT-DF), Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ) ganharam nas urnas e figuraram no grupo dos mais votados de cada estado.

Para o integrante da coordenação da Plataforma de Direitos Humanos (Dhesca Brasil) Darci Frigo, houve uma mescla entre “o fenômeno de conservadorismo, mas com influência decisiva do poder econômico”. Para garantir equidade no pleito, ele defende a limitação da atuação das empresas nas eleições, por meio de uma reforma política.

Embora aponte que as avaliações são preliminares e que o comportamento do Parlamento dependerá do resultado das eleições presidenciais, Frigo assinala que “os setores mais vulneráveis da sociedade poderão sofrer ataques fortíssimos”. No centro das atenções, de acordo com ele, estão as questões relacionadas aos povos indígenas.


Segundo o Diap, nenhum dos candidatos que se autodeclarou indígena foi eleito para a Câmara dos Deputados. Além disso, dois dos que integram a Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas não voltarão à Câmara: Padre Ton (PT-RO), que perdeu a eleição para o governo de Rondônia, e Domingos Dutra (SD-MA), que não conseguiu ser reeleito.


Já a bancada ruralista deve crescer, segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne os representantes do setor. Hoje composta por 14 senadores e 191 deputados, a Frente estima que passará a contar com 16 senadores e 257 deputados.


“O ataque principal vai ser ao conjunto de direitos dos povos indígenas, em especial os ligados à questão fundiária”, afirma o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cleber Buzatto. Propostas de emenda à Constituição e projetos de Lei sobre o tema já tramitam e têm gerado resistência por parte desses povos.

Diante do atual cenário, “nós vamos continuar apoiando a incidência direta dos povos indígenas, que não têm representação na Câmara e no Senado, mas que têm feito intervenções diretas por meio de delegações, ao mesmo tempo que procuraremos deputados e senadores que se identificam com a causa e também aqueles que não têm vínculo orgânico com o latifúndio para pedir o apoio para que não haja retrocessos”, antecipa Buzatto.

No caso das mulheres, o problema é a sub-representação. A bancada cresceu 10%, conforme o Diap. Foram eleitas 51 mulheres, cinco a mais do que as 46 que ganharam as eleições em 2010. Pouco, na avaliação do departamento.

Antônio Augusto de Queiroz opina que, para reverter a situação, seriam necessárias políticas efetivas de valorização das candidaturas femininas, como a priorização das mulheres na distribuição do tempo de televisão e garantia de recursos financeiros.


O levantamento do Diap mostra também que a bancada de parlamentares vinculados à defesa dos trabalhadores, como os advindos do movimento sindical, sofreu diminuição. Dos 83 deputados da legislatura anterior, restaram apenas 46, dos quais 14 são novos e 32 foram reeleitos.


O setor empresarial, por sua vez, vai contar com 190 deputados, segundo levantamento parcial do departamento. Em 2010, esse segmento elegeu 246 representantes.


De acordo com o analista do Diap, a diferença no tamanho das bancadas pode levar a retrocessos em relação aos direitos trabalhistas, já que o setor empresarial pode fortalecer a defesa da regulamentação da terceirização “em bases precarizantes, da substituição do legislado pelo negociado, permitindo que os sindicatos possam negociar redução de direitos, e do projeto do chamado Simples Trabalhista, que pode criar um trabalhador de segunda categoria, com menos direitos”, avalia.

Para a socióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Messenberg, que estuda o Parlamento brasileiro, as diferenças nas representações dos distintos grupos sociais e “a questão central que passa pela ampliação da pulverização dos partidos é decorrência da não realização da reforma política”, defende.

Embora o tema tenha sido alvo dos protestos de junho de 2013 e, inclusive, de propostas da presidenta Dilma Rousseff, a reforma não andou. Dentre as consequências disso, segundo a especialista, estão a manutenção do financiamento privado das campanhas e o distanciamento dos jovens da política.

“Os jovens não estão interessados na política institucional, e isso fez com que muitos deles votassem nulo ou branco. Um voto que, na prática, funciona como abertura de espaço para quem está no jogo”, cita a socióloga, destacando que abstenções, votos nulos ou brancos somaram cerca de 29% do total aferido no primeiro turno destas eleições. Os percentuais relativos aos votos que não entram nas contas dos votos válidos aumentaram nas três modalidades.

Para Débora, “a reforma política não vai sair do Congresso”. “Não teve em Congressos menos conservadores, muito menos agora”. Ela aposta que a mudança deverá ser fruto da pressão da sociedade e da atuação do Executivo.

Fonte: Agência Brasil – Autor : Helena Martins

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