O mercado interno brasileiro de 3 trilhões de reais em valores correntes em 2013, disputado por empresas nacionais e estrangeiras, tem um terceiro participante de peso crescente. São os fornecedores de produtos contrabandeados, falsificados e pirateados, com faturamento de 30 bilhões de reais no ano passado, segundo o Fórum Nacional de Combate à Pirataria.


Os produtos ilegais representam uma perda de arrecadação de impostos de, aproximadamente, 9 bilhões de reais por ano. Especialmente grave, pelos seus efeitos diretos sobre a saúde da população, é a penetração de medicamentos falsificados e contrabandeados, no valor de 8 bilhões de reais ao ano. Eles representam 20% do mercado total e uma sonegação de cerca de 5 bilhões de reais. O mercado fora da lei no Brasil corresponde ao dobro da média mundial, de 10%, segundo a Organização Mundial da Saúde.


O comércio de medicamentos falsificados é considerado crime hediondo no Brasil, com penas de 10 a 15 anos de prisão. O efeito do produto ilegal pode ser inócuo ou prejudicial ao organismo. Em setembro do ano passado, surgiram em Mato Grosso do Sul casos de intoxicação de crianças pelo uso de remédios para tosse com o princípio ativo dextro-metorfano, proibido no Brasil, trazidos do Paraguai. Elas tiveram falta de ar, sonolência, roxidão da pele. Uma delas morreu. Em 2003, outro caso chocara o País. A adulteração do líquido de contraste Celobar, fabricado pelo laboratório Enila e utilizado em exames de raio X, causou a morte de ao menos 21 pacientes em Goiás. Outros 170 sofreram sintomas como dor de cabeça, diarréia, náuseas, incha mento do abdome, mal-estar, fraqueza e cansaço. Para economizar, o laboratório produzira por conta própria a matéria-prima usada na fabricação de um lote de 4,5 mil unidades. A Anvisa interditou o Enila e a empresa faliu.


"Só tomamos conhecimento do uso de medicamentos ilegais quando eles causam danos à saúde de alguém", diz a médica Lilia Guerra, coordenadora clínica do Centro de Controle de Intoxicações de Niterói. "Às vezes, o consumidor não percebe a ação nociva no organismo ou não a relaciona a uma falsificação." E importante denunciar à Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica, do Ministério da Saúde, qualquer suspeita de intoxicação ou de ausência de efeito dos remédios.


Segundo Edson Luiz Vismona, presidente do Fórum, uma das principais agravantes da pirataria é a fiscalização insuficiente. "Hoje temos poucos funcionários nesse trabalho, há necessidade de uma ação contínua da Polícia Federal e da Receita para nos anteciparmos ao contraventor." Evandro Guimarães, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, acredita existir uma leniência da população e do poder público em relação aos produtos piratas, por desconhecimento dos seus males. "Não é questão de combater o comércio de rua, mas grandes grupos difusores de produtos prejudiciais à economia e à saúde."


Desde 2010, a Receita Federal apreendeu 40 milhões de reais em medicamentos contrabandeados. O Paraguai é uma das principais portas de entrada, responsável por dois terços do ingresso de 20 bilhões de reais por ano em produtos ilegais. O meio mais importante para a divulgação e venda são 1,2 mil sites fora da lei para comercialização de fármacos identificados no Brasil por uma pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 2012. Entre os principais produtos comercializados estão inibidores de apetite, abortivos, anabolizantes e fitoterápicos. As falsificações identificadas com mais freqüência pelos órgãos de vigilância são as de produtos para impotência e hormônios de crescimento. Também são encontradas versões piratas para tratamento de câncer. Os sites oferecem curas milagrosas e seduzem o consumidor. O preço e a facilidade de pagamento são atrativos irresistíveis para muitos.


O crescimento do comércio e da propaganda irregular na internet, afirma a Anvisa, representa um grande desafio para a fiscalização, realizada principalmente a partir de denúncias. Sérgio Barreto, presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácia e Drogarias, aponta a dificuldade de cancelar os endereços online, muitas vezes hospedados em outros países. "O consumidor tem de estar atento. No Brasil, apenas farmácias com pontos de venda físicos podem vender medicamentos pela internet", explica.


De acordo com levantamento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, 6% dos brasileiros compram remédios em camelôs e 1% em sites não autorizados.


A Anvisa procura aperfeiçoar o monitoramento das redes sociais e mídias eletrônicas. Segundo a agência, nunca foi identificada a fabricação no Brasil de medicamentos falsificados, um argumento para o reforço do combate ao contrabando. Na quarta-feira 8, a indústria farmacêutica Libbs iniciou o primeiro teste de rastreamento no País, do anticoncepcional Iumi, no município de Embu das Artes.


O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos foi criado em 2009 e monitora os produtos ao longo de toda a cadeia de fornecedores. A leitura de um código de barras bidimensional nas embalagens informa o local e a data de produção, a forma de distribuição e o nome da farmácia vendedora. A meta é a adoção do sistema pelas indústrias farmacêuticas até o fim de 2016. Além do Brasil, apenas a Itália e a Turquia possuem um sistema similar.


Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o teste saiu-se exitoso. Foi possível acompanhar todo o movimento de um medicamento comprado em uma farmácia em Brasília, desde a sua fabricação. "No futuro, os consumidores poderão fazer esse controle a partir de um aplicativo no celular."


O prazo estabelecido pela Anvisa para colocar em prática o sistema de rastreamento é apertado, diz Barreto, mas há um esforço das empresas no seu cumprimento. "É um grande desafio, temos 2,8 bilhões de caixinhas de remédio comercializadas por ano, será um banco de dados complexo." As 30 maiores redes de farmácia do País, com 5 mil lojas, investirão 50 milhões de reais para se adequar. No total, há 68 mil estabelecimentos do gênero no País.


Antônio Brito, presidente da Interfarma, considera que o combate à pirataria melhorou nos últimos anos e a rastreabilidade contribui para novos avanços. "O importante agora é dar atenção à fiscalização pós-produção, para controlar a qualidade do que é fabricado legalmente." A estrutura da Anvisa não acompanha o crescimento do mercado brasileiro. O fato de mais de 80% dos insumos farmacêuticos serem importados é uma dificuldade adicional para o controle da qualidade.

 

A rastreabilidade é a ação mais efetiva no combate ao comércio ilegal, afirma Brito. "E preciso combiná-la a medidas de segurança". Para enfrentar o contrabando em geral, entidades empresariais reunidas no Fórum e no Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial reivindicam ao governo ações como a simplificação do sistema tributário, a desburocratização da administração, o fortalecimento da Polícia Rodoviária, da Receita e da Polícia Federal.

 

Outra medida importante, de acordo com os empresários, é a criação de escritórios regionais de integração e estímulo ao intercâmbio entre o Brasil e países vizinhos no combate ao contrabando. Há um longo caminho. •

 

Fonte: Carta Capital  -  13/10/2014

Minas Gerais é o terceiro estado a registrar casos de transmissão da febre chikungunya. Até a semana passada, apenas a Bahia, com 156 casos, e o Amapá, com 17 casos, tinham casos de contaminação pelo vírus dentro do próprio estado. Apesar de serem esses os números confirmados, ao todo são cerca de 800 suspeitas de contaminação pelo vírus nos dois estados.

O primeiro caso da doença, em Minas, foi confirmado nesta semana em uma mulher de 48 anos, moradora do município de Matozinhos, região metropolitana de Belo Horizonte. Amostras de outros cinco pacientes estão sendo analisadas para confirmação ou descarte da doença.

Com o aumento do número de infectados, o Ministério da Saúde adotou, na semana passada, o critério clínico-epidemiológico para a confirmação da febre chikungunya nas localidades onde está havendo transmissão. Isso significa que o sistema de saúde vai considerar os sintomas apresentados e a proximidade do paciente com pessoas que já contraíram a doença, sem que haja a necessidade de confirmação do exame. Onde não há os primeiros casos originários de Chikungunya, a comprovação continua sendo por meio do exame de laboratório.

A febre chikungunya é causada por um vírus do gênero Alphavirus e transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, os mesmos transmissores da dengue. Passados os sintomas, o paciente deixa de transmitir a doença.

Febre, dores nas articulações, mal-estar, são sintomas comuns entre a dengue e a chikungunya. A diferença é que, na chikungunya, as dores nas articulações podem ser mais fortes. Os sintomas devem ser cuidados com medicação para conter a febre - paracetamol - e para dores articulares, geralmente antiinflamatórios. Além disso, é recomendado repouso absoluto ao paciente, que deve beber água constantemente.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), é raro um paciente morrer em decorrência da doença. A mortalidade é menos frequente que nos casos de dengue. Além dos casos transmitidos dentro do Brasil, ocorreram 38 casos de pessoas que foram contaminadas fora do país.

Fonte: Agência Brasil – Autor:  Aline Leal

O vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Vancler Rangel, disse hoje (14) que a resposta brasileira ao primeiro caso de suspeita de ebola mostrou que os órgãos envolvidos estão no caminho certo. Segundo ele, com a confirmação de que não se tratava de ebola, a Fiocruz volta à "normalidade de alerta".


"Estamos conseguindo nos manter organizados para enfrentar essa emergência e é fundamental continuar em alerta e assegurar a privacidade desse paciente [um guineense de 47 anos, que vive há pouco tempo no Paraná]", disse Rangel, em entrevista coletiva.


Ele destacou que a cobertura da imprensa ajuda a esclarecer a população e a evitar pânico e insegurança. "A existência de casos suspeitos de ebola é uma possibilidade que está colocada no plano mundial, e o Brasil certamente não está fora desse cenário. A notícia [de que não era ebola] nos dá tranquilidade, mas demonstra a necessidade de mantermos o alerta."


A vice-diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, vinculado à Fiocruz, Marília Santini, lembrou que as equipes responsáveis pelo caso passam por treinamento constante, quase diário, e que os planos de contingência podem ser adaptados a alterações no cenário.


"Esses planos são dinâmicos. São feitos com a situação de hoje e podem ser revistos se houver mais casos. Isso é tudo dinâmico. Amanhã, o planejado pode ser diferente, de acordo com a situação no estado e no país, de acordo com o planejado em conjunto com as secretarias estaduais e o Ministério da Saúde", explicou.

Marília e o também vice-diretor José Cerbino Neto cuidaram diretamente do paciente, que continua internado na unidade, mas sem isolamento desde a confirmação de que ele não tem ebola, feita em dois exames. O quadro clínico dele não requer mais hospitalização, e, segundo a Fiocruz, a alta só depende do planejamento logístico para levá-lo de volta ao Paraná.

Cerbino informou que a Fiocruz tem hoje dois leitos separados para casos de suspeita de ebola e cerca de 70 profissionais treinados para lidar com eventuais pacientes. Em um quadro de muitas suspeitas no país, todos os 32 leitos da unidade podem ser convertidos para o atendimento dos pacientes. De acordo com Rangel, além disso, o Ministério da Saúde está em contato com outros hospitais em caso de necessidade de mais internações.

Fonte: Agência Brasil – Autor:  Vinícius Lisboa

A partir de amanhã (15), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) coloca em consulta pública duas resoluções que visam a reduzir o número de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar brasileira.


As medidas preveem, por exemplo, que as beneficiárias de planos de saúde possam solicitar taxas de cesáreas e partos normais por estabelecimento e por médico, independentemente de estarem grávidas.


Além da transparência de informações, as resoluções incluem a apresentação do partograma, que deverá conter anotações do desenvolvimento do trabalho de parto e das condições de saúde maternas e fetais. O documento será parte integrante do processo para pagamento do parto pelas operadoras.

Outra novidade é a distribuição, pelos planos de saúde, do Cartão da Gestante e da Carta de Informação à Gestante para registro de consultas de pré-natal, com orientações e dados de acompanhamento da gestação.


As novas normas estarão disponíveis para análise da população no site da ANS (www.ans.gov.br). O envio das contribuições poderá ser feito de 24 de outubro a 23 de novembro em formulário também disponível no portal da agência. A expectativa do governo é que as mudanças entrem em vigor em dezembro.


A gerente de Atenção à Saúde da ANS, Carla Coelho, lembrou que a cesariana, quando não há indicação médica, provoca riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê, uma vez que aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios paara o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.

"A cesariana também é um procedimento que salva vidas. Ninguém está demonizando a cesariana. É um procedimento importante e, muitas vezes, tem que ser feito. Mas existem indicações específicas", disse. Atualmente, no Brasil, o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar.

Para o diretor-presidente da ANS, André Longo, o número de cesarianas desnecessárias no país é um problema complexo e que existe há bastante tempo. "É uma problemática que temos vivenciado, mas temos o firme propósito de tentar mudar essa realidade", disse. "Não exitaremos em tomar todas as medidas necessárias", completou.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, avaliou que é preciso enfrentar a dimensão cultural do parto cesáreo. Ele fez um comparativo com a situação enfrentada na década de 70, quando o aleitamento materno era visto como inadequado e substituído pelo artificial.

"Com muito esforço, conseguimos fazer a inversão dessa realidade", explicou. "Entendemos que [essa transição] passa também por mudanças significativas no modelo de atenção à saúde, de remuneração aos serviços. Passa pela formação médica, pelo envolvimento dos profissionais de enfermagem. E passa por um estigma, um mito de que o parto normal é um parto com dor e sofrimento", concluiu.

Fonte: Agência Brasil

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