A qualidade da informação e a prevenção do câncer de mama por meio de mamografias foram discutidos, na quinta-feira (16), em audiência pública sobre o Outubro Rosa, realizada no âmbito do programa Quintas Femininas, da Procuradoria Especial da Mulher no Senado.

 

A moderação na frequência do exame na faixa etária abaixo da recomendada pelo Ministério da Saúde, que é de 50 a 69 anos, foi uma das orientações dadas pelos profissionais que participaram do debate. A participação de especialistas mostrou que, se há consenso entre os gestores de saúde e as sociedades médicas sobre a eficácia da realização de exames periódicos em mulheres que pertencem ao grupo de 50 a 69 anos de idade, o mesmo não acontece em relação ao grupo de 40 a 59 anos.

 

De acordo com a médica Carolina Fuschino, da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), os malefícios do exame são maiores para as mulheres mais jovens e a redução de risco de mortalidade é muito menor.

 

— Nós temos variação na literatura de 8% a 15% de ganho e alguns mostram que não existe ganho estatisticamente significativo nesse grupo. Os efeitos maléficos da mamografia são maiores nesse grupo, porque vc tem um maior índice de falso-positivo, ou seja, você vê mais coisa que você suspeita na mamografia. Essas pacientes vão estar mais submetidas a biopsias desnecessárias, têm uma maior reconvocação, maior índice de stresse. E vc vai precisar rastrear um número muito maior de pacientes para ter um impacto de evitar uma morte, quase três vezes mais do que na faixa de idade de 50 a 69 anos.

 

Carolina Fuschino explica, no entanto, a razão de as associações médicas e entidades não-governamentais estimularem o exame entre as pacientes mais jovens:

 

— A gente sabe que quase um quarto das mulheres que vão apresentar câncer de mama estão nessa faixa de idade. Por isso a gente mantém essa recomendação.

 

Os especialistas também abordaram o que é chamado de overdiagnóstic, ou sobrediagnóstico. De acordo com Arn Migowski, sanitarista, epidemiologista, tecnologista da Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do Instituto Nacional de Câncer (Inca), muitos dos casos detectados num estágio bem inicial poderiam nem mesmo ter se desenvolvido e se tornado câncer. Além disso, pesquisas demonstram que, mesmo com o crescimento do diagnóstico precoce de tumores nas mamas, a sobrevida das mulheres não aumentou significativamente.

 

Os dois médicos mencionaram um estudo canadense que acompanhou por 25 anos grupos de mulheres que se submeteram ao rastreamento por mamografia e outras que fizeram apenas o exame físico. A sobrevida, o tempo de vida e o risco de morte nos dois grupos foram idênticos, não houve diferença estatística importante. Apesar de o estudo ter sido considerado uma “bomba” na postura terapêutica adotada até então, Carolina Fuschino salientou que a realidade canadense não pode ser transportada para outros países.

 

— No Canadá, um mês depois de detectado o tumor, a paciente já está em tratamento. No Brasil não conseguimos nem rastrear — registra.

 

Ambos os médicos também refutaram a ideia de que o rastreamento se tornou inútil e concordaram que ele deve ser realizado após debate com o profissional médico, considerando malefícios e benefícios. Eles insistiram que a educação, a percepção corporal e uma vida saudável, com alimentação equilibrada, são essenciais para a saúde da mulher.

Tirania do rosa

 

A ativista Lilian Marinho, da Rede Feminista de Saúde, Diretos Sexuais e Reprodutivos, acusou a construção, por todo o Brasil, de uma “tirania do rosa”, com a iluminação de monumentos em várias cidades em alusão ao chamado Outubro Rosa e a imposição de um “véu da alegria” que acaba mascarando as verdadeiras necessidades: o fim da desinformação e o incremento da comunicação; e a atuação rápida nos casos diagnosticados de câncer de mama e colo de útero, pois o tempo é a melhor arma para o tratamento. Segundo disse, o Estado brasileiro não pode somente lançar uma suspeita de câncer sobre uma mulher sem garantir a ela continuidade e rapidez no tratamento em caso de diagnóstico positivo.

 

— Queremos que com o Outubro Rosa [a atenção] se estenda, para que se garanta a essas mulheres o que vem depois, tratamento e acompanhamento — propõe.

 

Apesar de elogiar a campanha, que semeia a necessidade do cuidado, Lilian criticou os problemas de comunicação entre a população-alvo e as entidades e profissionais da área de saúde envolvidos com o tema. Algumas mulheres na faixa de 40 anos, por exemplo, exigem o direito assegurado em lei de fazer a mamografia preventiva, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) mal consegue garantir o procedimento à faixa etária prioritária, dos 50 aos 69 anos, observa.

 

Além disso, ela aponta falta de infraestrutura como a existência de poucos laboratórios de alto risco para câncer, a lentidão na continuidade do tratamento e interesses econômicos e da indústria de medicamentos e de aparelhos — que levam a discussões sobre qual mamógrafo é melhor, analógico ou o digital, quando há lugares sem nenhuma opção — como fatores que lesam o direito de cada mulher ser tratada e, em casos extremos e não mais tratáveis, de ter uma sobrevida digna, sem dor e sofrimento.

 

Lilian Marinho também cita fatores como as desigualdades regionais, a falta de atenção a grupos específicos como presidiárias, albinas e moradoras de rua como problemas para a universalização do atendimento.

 

Assim como Lilian Marinho, Carolina Fuschino também aponta a falta de comunicação, de uma relação próxima e com empatia entre médico e paciente e de informação de qualidade como entraves ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama e de colo de útero.

 

— No Brasil, não temos um estudo que mostre como está se dando, na prática clínica, a transmissão do conhecimento para o paciente, para ajudar na decisão do tratamento e do rastreamento. A comunicação é muito difícil — lamenta.

 

Ela cita que a ausência de informação é tanta que o Outubro Rosa pode passar até mesmo uma mensagem equivocada, de que a mamografia evita o câncer de mama, como se fosse uma vacina, em vez de somente detectá-lo precocemente.

 

Fonte: Agência Senado  (16/10)

A Anvisa determinou, na terça-feira (21/10), a apreensão e inutilização, em todo o país, do lote L32 do medicamento Hemogenin Comprimidos 50mg – Sarsa. A empresa Sanofi Aventis Farmacêutica Ltda, detentora do registro do medicamento, informou que não fabricou o lote acima, sendo, portanto, um lote falsificado. O embalagem do produto falsificado apresenta algumas características diferentes dos produtos originais, tal como a gravação cor verde no blíster com alumínio, em vez da cor  rosa gravada no original.


Foi suspensa a distribuição, comercialização e uso do lote R1401760  do medicamento Vaselina Sólida, lata com 20g, fabricado por Indústria Farmacêutica Rioquímica Ltda e com validade até 05/2017. A medida se deve à constatação da presença de oxidação no material da embalagem primária do medicamento. A empresa fabricante comunicou o recolhimento voluntário do lote.


Também foi determinada a suspensão da distribuição, comercialização e uso do lote 385 do cosmético Dermygel Antisséptico Aloe Vera, fabricado pela empresa S A Cosméticos do Brasil Ltda e com validade até 21/03/2016. O lote apresentou resultado insatisfatório nos ensaios de rotulagem primária e teor de álcool etílico.

Interdição cautelar de kit para escova progressiva

A Agência interditou cautelarmente, pelo prazo de 90 dias, o lote 031856 do cosmético Kit Amend Supreme Liss Sistema para Escova Progressiva, composto pelos produtos Shampoo Limpeza Profunda (lote 030254, validade: 07/2015), Máscara para Blindagem do Efeito Liso (lote 030253, validade: 07/2015) e Emulsão Redutora de Volume (lote 031509, validade: 08/2015). Todos os produtos acima foram fabricados pela empresa Bem Estar Indústria, Comércio e Importação Ltda e obtiveram resultados insatisfatórios no ensaio de rotulagem. O produto Emulsão Redutora de Volume, que também pode ser encontrado isoladamente do Kit, obteve também resultado insatisfatório no ensaio de determinação de pH.

 

Fonte: Imprensa Anvisa

A Anvisa atualizou a lista de substâncias sujeitas a controle especial descritas na Portaria 344/98. A nova lista, que consta do anexo I da norma, está publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (20/10).

 


A nova lista conta com 14 novas substâncias que passam a ter o seu uso e comercialização vedados no Brasil. Os novos componentes da lista são o AM-2201; EAM-2201; MAM-2201; JWH-071; JWH-072; JWH-073; JWH-081; JWH-098; JWH-210; JWH-250; JWH-251; JWH-252; JWH-253 e JWH-122. Todas são substâncias produzidas sinteticamente e sem qualquer utilidade terapêutica.

 

A identificação deste tipo de droga no país realizada pelos órgãos de repressão a drogas, como, por exemplo, a Polícia Federal. Habitualmente, estas Instituições encaminham Pareceres Técnicos ou Laudos Periciais para a Anvisa, quando identificam a necessidade de controle de produtos apreendidos.

 

Somente neste ano a Anvisa já fez quatro atualizações na lista, totalizando 36 produtos incluídos. A medida permite que os órgãos policiais e judiciais possam agir mais rapidamente, já que a lista F da Portaria 344/98 reúne as substâncias que são no País.

 

Lista C1

As substâncias Lacosamida e Rotigotina também passaram a constar da Portaria 344/98, ficando classificadas na lista C1 – Lista das Outras Substâncias Sujeitas a Controle Especial. Com isso, medicamentos com esses princípios ativos só podem ser comercializados com receita especial, de cor branca, emitida em duas vias: um fica retida na farmácia e a outra é entregue ao paciente.

 

A Lacosamida exerce efeito antiepilético no organismo e é indicada no tratamento de crises parciais de epilepsia. O medicamento foi registrado em 2014 e ainda não é comercializado no Brasil.

 

Já a Rotigotina é indicada para o tratamento da Doença de Parkinson. A substância age no sistema nervoso central de forma similar à dopamina.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

No Dia Mundial da Alimentação, uma iniciativa lançada hoje (16) por órgãos governamentais e não governamentais pretende inserir nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, a preocupação com a alimentação sustentável que, além das vantagens à saúde, traz benefícios sociais, ambientais e econômicos. O projeto, chamado Rio Alimentação Sustentável, traz uma lista de recomendações que começam na hora da compra dos produtos. As dicas são priorizar pequenos e médios produtores do estado do Rio, dar preferência a produtos orgânicos e escolher os que são provenientes de áreas não desmatadas.

 


Segundo o analista de Políticas Públicas da organização não governamental (ONG) WWF, Frederico Soares, os primeiros passos já foram dados e incluem obter um comprometimento do Comitê Olímpico Rio 2016 com o relatório lançado hoje. O objetivo é reunir entidades públicas e privadas em grupos de trabalhos sobre como organizar a cadeia produtiva desses produtos para atender a demanda do evento: "Vai ser fundamental um processo de transformação das cadeias de valor, porque hoje elas não têm condições de atender a uma demanda dessa escala. Temos um trabalho bastante árduo pela frente".

 

A iniciativa foi lançada na sede do Comitê Olímpico Rio 2016, no centro do Rio, em conjunto com o documento sobre alimentação na competição Taste of the Games (O Sabor dos Jogos). Além de ONGs como a WWF e a Planeta Orgânico, assinam a iniciativa órgãos como o Ministério do Meio Ambiente, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Sindicato de Bares e Hoteis do Rio de Janeiro (Sind-Rio).

 

Para Frederico Soares, uma das principais preocupações em organizar as cadeias produtivas de pequenos e médios produtores de orgânicos, por exemplo, significa fortalecer esse mercado para depois dos jogos. "A gente não deseja atender somente à demanda dos jogos. O nosso enfoque é transformar a realidade desse mercado e a consciência do cidadão".

 

Além de recomendações, o relatório indica problemas que existem em cadeias produtivas de 15 tipos de alimentos, apontando quais são as metas mínimas e as desejáveis, além de explicar qual é o critério para considerá-las sustentáveis. Um exemplo é a cadeia produtiva dos grãos arroz, feijão e milho, em que é classificado como mínimo adquirir produtos de quem produz em conformidade com as legislações ambientais e trabalhistas, de quem eliminou a exploração de trabalho infantil e também a contaminação por produtos químicos e biológicos. Já como desejável é apontado valorizar a agroecologia, a agricultura orgânica e familiar, gerando renda para pequenos e médios produtores.

 

Além do comitê organizador, Frederico conta que também estão sendo feitos contatos com os patrocinadores dos jogos. "Eles estão cientes desse movimento que estamos fazendo e estamos tentando trabalhar junto deles. Para que boas práticas sejam estimuladas nas cadeias em que estão inseridos".

 

Agrônoma e professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Regina Celi Coneglian, acredita que as preocupações com sustentabilidade na alimentação são um caminho sem volta na sociedade, que tende a se conscientizar mais sobre o assunto: "Isso cada dia vai aumentar mais. O número de produtores orgânicos e produtores que trabalham com produção integrada está crescendo muito e o produtores estão se conscientizando que dessa forma podem melhorar sua renda".

 

Uma das preocupações referentes à sustentabilidade alimentar se refere ao desperdício, que continua sendo um desafio para a população mundial. A Organização das Nações Unidas estima que, até 2050, a demanda por alimentos deve crescer 60% pela mudança de estilo de vida e renda nos países emergentes e também pelo crescimento populacional. De acordo com a ONU, o desperdício chegou a 1,3 bilhão de toneladas de comida em 2011, ou um terço da produção mundial, enquanto 800 milhões de pessoas ainda sofriam com a fome.

 

Em São Paulo, a organização não governamental Banco de Alimentos, que promove ações contra o desperdício, fez hoje um ciclo de palestras e a presidente e fundadora da organização, Luciana Quintão, destacou que o modo de consumir diz muito sobre a sociedade e que o alimento, como produto, tem interface com tudo o que é humano: "Quando você planta e aquele alimento vai parar no lixo, você gastou água em vão, desmatou em vão, usou petróleo em vão para transportar e poluiu o meio ambiente, porque cada quilo de alimento desperdiçado gera 400 gramas de gás carbônico", afirmou, ilustrando que o desperdício de comida do brasileiro seria suficiente para alimentar diariamente 20 milhões de famílias com seis refeições diárias. "Nosso desperdício é imenso. É uma agressão social".

 

Fonte: Agência Brasil /  Vinícius Lisboa

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