De acordo com o levantamento da Coordenação Geral de Informações e Análise Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade materna por 100.000 pessoas era, no ano de 2011, de 68,8 para mulheres negras e de 50,6 para mulheres brancas. Os homicídios aparecem como segunda causa de morte mais frequente entre a população negra, enquanto na população branca, o indicador aparece como quinta causa de mortalidade mais comum.
Algumas doenças genéticas ou hereditárias são mais comuns da população negra e exigem um acompanhamento diferenciado, como Diabete melito (tipo II), hipertensão arterial, miomas, deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenas, além da anemia falciforme, que pode ser encontrada em frequências que variam de 2% a 6% na população brasileira em geral, e de 6% a 10% na população negra.


O Departamento de Apoio a Gestão Participativa (DAGEP), parte integrante da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP), atua na implementação de políticas de promoção da equidade para populações em vulnerabilidade. Entre as ações do departamento está a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). São objetivos incluir os temas de racismo como determinante social de saúde e a importância da apropriação desta temática na formação e educação permanente de trabalhadores e do controle social em saúde e cidadãos em geral, além de reverberar o reconhecimento do racismo institucional enquanto determinante social em saúde.


Hoje é comemorado o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra e também é celebrado o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme. As datas são um estímulo à sensibilização de profissionais de saúde para as demandas específicas da população negra e trazem reflexões sobre o racismo institucional e suas consequências à saúde da população preta e parda.


Doença Falciforme
O Programa Nacional de Triagem Neonatal/PNTN é fundamental para o diagnóstico de doenças falciformes feito em recém-nascidos por meio do teste do pezinho. A partir dos 04 meses de vida pode ser feito o exame de eletroforese de hemoglobina em Unidades de Atenção Básica, para que intercorrências da doença possam ser evitadas com tratamento imediato.


A Associação Baiana das Pessoas com Doenças Falciforme (ABADFAL) com apoio da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes do Brasil (FENAFAL), coordenada pela senhora Maria Zenó Soares, lançou este ano uma campanha nas redes sociais Intitulada "Eu amo uma pessoa com doença falciforme”. A campanha foi dialogada inicialmente com uma associação da Costa Rica, a FUNDREPA (Fundación para la Investigación y Apoyo a la Persona con Drepanocitosis y otras Hemoglobinopatías), e, partir daí, lançada mundialmente. A campanha está estruturada em quatro idiomas: português, francês, espanhol e inglês. Foram convidas pessoas de associações em diversas partes do mundo, envolvendo 21 países, entre eles Panamá, Brasil, Portugal, Líbano, Alemanha, Costa Rica, Venezuela, Peru, Chile, Guiné Bissau, México e El Salvador. De acordo com a Federação, em 12 dias cerca de 600 fotos já foram publicadas com o mote da campanha.


O antropólogo Altair Lira é pesquisador do Instituto Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tem uma filha com doença falciforme e participou da idealização da ação. “Envolver a sociedade e as diversas pessoas na causa das pessoas com doença falciforme é estabelecer um elo, uma corrente de solidariedade e de intervenção social unindo pessoas e povos”, conta. Sobre a filha, Altair Lira explica que começou a atuar ativamente para as questões relacionadas com a Doença Falciforme em virtude de sua experiência. “A ela devo tudo que sei e que me traz e me inclui neste universo da causa das pessoas com doença falciforme. E, além disso, ela me abriu o mundo para uma perspectiva de ser um ser solidário, atuante em comunidade. Participar da ABADFAL e da FENAFAL, entidade que congrega 49 associações em 26 Estados, traz uma perspectiva da necessidade de avanços profundos no tratamento das pessoas com doença falciforme. A primeira delas é a perspectiva de tomarmos a questão a sério, definir este cuidado como prioridade, como urgência. Pensarmos na agenda de saúde num comprometimento institucional que possa reduzir a morbimortalidade da doença, ampliando o cuidado e melhorando a qualidade de vida destas pessoas, incluindo no SUS o transplante de medula para a cura, melhorar os serviços de diagnostico e tratamento”, reivindica.

 

De acordo com a Coordenadora da Politica Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados, Joice Aragão de Jesus, as pessoas com doença falciforme se bem cuidadas têm poucas limitações. “Atualmente os procedimentos para os cuidados em doença falciforme possibilitam que estas pessoas estejam nos espaços de trabalho e estudos e possam usufruir de uma qualidade de vida razoável. Atividades esportivas, exposição ao frio ou calor intenso, cansaço prolongado, estresse, não ingestão adequada de água são situações que devem ser evitadas, pois levam a crises e infecções e várias intercorrências graves com mais facilidade que em outras pessoas que não tem a doença”, explica.

 

Pessoas com doença falciforme apresentam anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes do processo de vaso oclusão causados pela forma de foice (por isso o nome falciforme) que as hemácias assumem, após liberarem o oxigênio para os tecidos, impedindo que elas circulem adequadamente.

 

Todos os medicamentos que compõem a rotina do tratamento estão normatizados no SUS. Os que integram a farmácia básica são: ácido fólico (de uso contínuo), penicilina oral ou injetável (obrigatoriamente até os cinco anos de idade), antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios (nas intercorrências). A hidroxiuréia, os quelantes de ferro, o dopller transcraniano e transfusões sanguíneas integram os medicamentos e procedimentos para atenção especializada.
 

Fonte: Blog da Saúde - Bia Magalhães

A Anvisa determinou, nesta segunda-feira (27), a suspensão de todas as publicidades do produto Loção Hidratante Corporal Glukderm Plus que possuírem indicação de uso para o tratamento da psoríase. O produto estava sendo anunciado irregularmente, por meio de página na internet, por Victor de Oliveira Gontijo.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União.


Fonte: Imprensa Anvisa

No final de 2012, um estudo publicado na revista científica Nature comprovou que uma abordagem inovadora poderia ser utilizada para buscar uma vacina contra a Aids. Por trás da descoberta, estava um método desenvolvido na Fiocruz para elaborar imunizantes contra diversas doenças utilizando como base a vacina para a febre amarela. Recém-patenteada nos Estados Unidos, esta tecnologia – criada pelos pesquisadores Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e Ricardo Galler, do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) – agora é reconhecidamente uma invenção brasileira, com propriedade intelectual protegida pelo United States Patent and Trademark Office (UPTO).

 

A patente foi concedida à Fiocruz no dia 09 de setembro, após quase dez anos de tramitação. Este prazo é avaliado como normal por Myrna, que considera o reconhecimento da invenção uma conquista da ciência brasileira. “O processo é naturalmente demorado. Nós fizemos o depósito da patente no Brasil no final de 2005 e, em seguida, solicitamos a proteção da inovação no próprio Brasil, nos Estados Unidos e na União Europeia. O registro norte-americano foi o primeiro concedido. Além dos benefícios práticos, a patente é um reconhecimento de que a Fiocruz tem capacidade técnica e de inovação nesta abordagem”, afirma a pesquisadora. Após a concessão da patente, os interessados em utilizar a metodologia desenvolvida na Fiocruz para produzir vacinas precisarão de autorização da instituição, que pode ser remunerada por isso. O prazo de proteção da invenção é de 20 anos.

 

Aplicada desde 1937, a vacina contra a febre amarela está na base da metodologia patenteada. Para prevenir a infecção, este imunizante utiliza vírus vivos atenuados, capazes de se multiplicar no organismo do paciente em quantidade limitada, que não é suficiente para provocar a doença. Assim, as células de defesa podem aprender a reconhecer o patógeno, ficando prontas para responder rapidamente em caso de uma possível infecção. Considerando a segurança e a eficácia desta vacina, os pesquisadores da Fiocruz decidiram utilizar os vírus atenuados da febre amarela para prevenir outros agravos. Através de engenharia genética, eles desenvolveram um método para inserir genes de outros micro-organismos no material genético destes vírus. O resultado é a criação dos chamados ‘vírus recombinantes’, que podem ‘ensinar’ as células de defesa dos pacientes a reconhecer outras infecções.

 

Aids como exemplo

 

A pesquisa sobre vacinas contra a Aids é um bom exemplo de funcionamento da estratégia. O trabalho é liderado pelo cientista David Watkins, da Universidade de Miami, e realizado em parceria por pesquisadores americanos e brasileiros. Os testes divulgados na revista Nature foram realizados nos Estados Unidos, com macacos, que são considerados o melhor modelo de estudo da doença. Para produzir os imunizantes, alguns genes do vírus SIV (que provoca nos primatas uma infecção semelhante à causada pelo HIV em humanos) foram inseridos no material genético dos vírus atenuados da febre amarela. Quando a vacina foi aplicada, estes vírus recombinantes se multiplicaram no organismo dos animais, apresentando ao sistema imune deles tanto proteínas típicas dos vírus da febre amarela, como do SIV. Com isso, as células de defesa aprenderam a reconhecer este patógeno, passando a atuar de forma mais eficiente contra a doença.

 

Considerando que o material genético é um código que orienta a produção de moléculas, qualquer alteração na sua sequência pode prejudicar a leitura pela maquinaria celular – da mesma forma que a alteração na sequência das letras prejudica a interpretação de um texto. Desta forma, inserir uma sequência de genes de outra espécie em um genoma não é uma tarefa simples. Em parceria com o pesquisador Ricardo Galler, os estudos de Myrna com engenharia genética sobre os vírus da febre amarela começaram em 1997, e um primeiro método para realizar a inserção de genes foi publicado em 2002. Segundo a pesquisadora, além de ideias inovadoras, foram necessários anos de esforços para chegar à metodologia atual. “Tivemos que estudar muito para definir um local de inserção em que os genes inseridos fossem expressos adequadamente, sem perturbar a replicação do vírus. Além disso, os vírus têm a tendência de ‘expulsar’ as sequências exóticas do seu material genético e nós conseguimos uma metodologia que se destaca pela estabilidade”, diz a cientista.

 

De acordo com Myrna, a metodologia pode ser usada contra diversas doenças. No momento, estudos no Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus são desenvolvidos com vírus recombinantes com genes do parasito Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. Além disso, as pesquisas relacionadas a uma possível vacina contra a Aids prosseguem em colaboração com os cientistas dos Estados Unidos. Um dos objetivos do trabalho é manipular o genoma viral para que o patógeno tenha uma proliferação mais intensa e se torne ainda mais capaz de estimular o sistema imune. “Nós já temos uma metodologia que gera vírus recombinantes estáveis e capazes de induzir a imunidade, mas trabalhamos com o aprimoramento contínuo dessa estratégia. Considerando o êxito da vacina contra a febre amarela e a forma excelente como ela atua sobre o sistema imune, acredito que esta plataforma pode ser cada vez mais efetiva”, destaca a cientista.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias - Maíra Menezes

O  Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Hospital Israelita Albert Einstein firmaram hoje (24), na capital paulista, uma parceria que pretende mudar a trajetória de crescimento no número de cesarianas em hospitais particulares do Brasil. Atualmente, 86% dos partos nessas unidades são feitos nessa modalidade cirúrgica, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que esse percentual não deve ultrapassar 15%.

 

O acordo de cooperação técnica prevê a utilização de metodologia desenvolvida pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), dos Estados Unidos. O projeto começa a ser implementado em fevereiro e tem previsão para entrega de resultados em 2017. Outras instituições médicas que desejarem acessar o método poderão aderir ao projeto e receber capacitação do Hospital Albert Einstein. De acordo com a ANS, o modelo do IHI dobrou o percentual de partos normais em experiência já adotada em uma unidade particular no país.

 

Ministro da Saúde, Arthur Chioro esteve presente na assinatura do acordo. Segundo ele, a alta taxa de cesarianas configura quadro epidêmico, para o qual se busca uma solução. “Essa é uma questão que não pode ser enfrentada por meio de instrução normativa. A definição do tipo de parto se dá em um encontro do médico com a gestante,. Os hospitais têm o papel fundamental de reorganizar suas práticas assistenciais, de gestão”, avaliou.
Entre as estratégias que podem ser utilizadas, Martha Oliveira, diretora da ANS, aponta a necessidade de informar melhor as mulheres sobre procedimentos médicos. Também destacou a formação de equipes para o acompanhamento do pré-natal, evitando que somente um profissional esteja diretamente comprometido com a hora do parto, e a disponibilização de obstretas plantonistas, dando segurança à gestante na chegada ao hospital.

 

Chioro ressaltou que, embora o projeto esteja voltado para a rede privada, na qual o percentual de cesarianas é mais preocupante, a medida deve ter impacto também no Sistema Único de Saúde (SUS). “Muitas instituições privadas atendem ao SUS. Da mesma forma, profissionais que trabalham na rede privada também atuam no sistema público”, comentou. Acrescentou que, na rede pública, a taxa de cesariana é de aproximadamente 40%.

Em outra estratégia para reduzir o número de cesarianas na rede privada, a ANS começou a recolher sugestões hoje. Uma consulta pública no site da agência foi aberta no último dia 15, para que a sociedade opine sobre duas resoluções. Elas tratam de medidas que podem se tornar obrigatórias para as operadoras de saúde. As contribuições podem ser envidas de hoje até o dia 23 de novembro. A expectativa do governo é que as mudanças entrem em vigor em dezembro.

 

As resoluções incluem medidas de transparência de informações, como o fato de as beneficiárias poderem solicitar taxas de cesárea e partos normais por estabelecimento e por médico, independente de estarem grávidas. Além disso, estabelece a apresentação do partograma, que deverá conter anotações do desenvolvimento do trabalho de parto e das condições de saúde maternas e fetais. O documento será parte integrante do processo para pagamento do parto pelas operadoras.
Fonte: Agência Brasil

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