O ministro da saúde Arthur Chioro lançou no dia 28 de outubro a nova Política Nacional de Promoção da Saúde, que visa deter o desenvolvimento das doenças crônicas no Brasil, com planejamento de ações voltadas para prevenção dos fatores de risco (tabagismo, sedentarismo e má alimentação) e investimentos na qualificação da atenção e da assistência aos pacientes. O anúncio ocorreu durante a 14ª Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doença (Expoepi), em Brasília.

 

“Essa política reforça o empenho do Ministério da Saúde em assegurar o acesso da população, sobretudo às mais vulneráveis, à educação em saúde, à melhoria da qualidade de vida e ao envelhecimento saudável”, destacou Chioro.

 

O enfrentamento às DCNTs é um dos principais desafios de saúde pública no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, elas respondem por cerca de 35 milhões de mortes ao ano. No Brasil, do total de óbitos registrados em 2011 (cerca de um milhão de mortes), elas foram responsáveis por cerca de 74 mil (72%). Apesar do grande percentual, o Brasil superou a meta estabelecida para a redução da mortalidade prematura por doenças crônicas, que era de 2% ao ano. Entre 2010 e 2011, o índice de queda da mortalidade prematura (30 a 70 anos) por DCNTs foi de 3,8%. A expectativa é chegar a 25% em 2022

 

AVANÇOS - A redução gradativa de 2% da mortalidade prematura é o objetivo principal do Plano de Ações de Enfrentamento às Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2011-2022, que define estratégias interssetoriais e recursos para o enfrentamento dessas enfermidades no país. Os grupos de doenças considerados pela Organização das Nações Unidas como prioritárias são as do aparelho circulatório (isquemias, infarto e AVC), as respiratórias crônicas (asma, rinite alérgica e doença pulmonar obstrutiva crônica), os cânceres e o diabetes.

 

De acordo com a diretora de Vigilância e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, o contexto nacional e internacional apontou novos desafios e compromissos que motivaram o aprimoramento e a atualização da Política Nacional de Promoção da Saúde. “A nova política dialoga com os acordos internacionais firmados pelo governo brasileiro e está articulação com as demais políticas. Ela incorpora o saber popular e tradicional às práticas em saúde e valoriza a formação e a educação permanente, que compreende mobilizar, sensibilizar e promover capacitações para gestores, trabalhadores da saúde e de outros setores”, afirmou.

 

Entre as ações do Ministério da Saúde para incentivar a prática de hábitos saudável na população, está o Programa Academia da Saúde, iniciativa que prevê a implantação de polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de saúde e atividades físicas. Atualmente, há mais de 3.725 mil polos habilitados para a construção em todo o país (destes, 491 já estão prontos). O Ministério também ampliou o tratamento de tabagismo no SUS e, no último 31 de maio, regulamentou a lei que cria ambientes livre do tabaco.

 

A Atenção Básica também proporciona diferentes tipos de tratamento e acompanhamento ao usuário, incluindo o atendimento psicológico. Atualmente, existem 3.695 Núcleos de Atenção à Saúde da Família, com 3.247 nutricionistas, 5.062 fisioterapeutas e 3.691 psicólogos, além de educadores físicos e sanitaristas. A evolução do tratamento deve ser acompanhada por uma das 40,5 mil Unidades Básicas de Saúde, presentes em todos os municípios brasileiros. Nos casos de obesidade mórbida, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece ainda, como último recurso para perda de peso, a cirurgia bariátrica. Para pacientes hipertensos, diabéticos e asmáticos, são disponibilizados medicamentos por meio do Programa Farmácia Popular. Além dos itens gratuitos, os mais de 100 produtos podem ter até 90% de desconto na compra. Desde 2011, só com a distribuição gratuita de medicamentos, mais de 20 milhões de pessoas já foram beneficiadas.

 

Fonte: Agência Saúde / Fabiane Schmidt

Os mapas estão, hoje, ao alcance de quase todos: basta um celular conectado à internet para que a pessoa consiga saber onde está ou descobrir imediatamente a distância entre dois pontos geográficos do planeta. Se a tecnologia disponível pode ajudar nas pequenas tarefas do dia a dia, como achar um restaurante ou posto de gasolina, a potência do encontro entre a cartografia e o mundo digital aumenta quando falamos de seu uso no combate às injustiças. Localizar e indicar os conflitos ambientais que se espalham por todo o Brasil, e tornar públicas vozes que lutam contra isso, tem sido a tarefa do projeto Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil, coordenado pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Marcelo Firpo.

 

A partir de dados que vêm sendo coletados desde 2006, com ajuda da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), o mapa apresenta hoje 450 pontos. Um dos possíveis mecanismos de busca é por unidades da federação. Ao escolher uma delas, um mapa com os conflitos registrados, demarcados por balões vermelhos, se abre para o leitor. Ao clicar sobre um deles, o visitante tem acesso a informações detalhadas sobre o que está acontecendo naquele local: população atingida pelo conflito, impactos e riscos ambientais, danos à saúde. "O mapa é uma tentativa de sistematizar os conflitos emblemáticos que existem em nosso país", disse Firpo.

 

 

A natureza dos conflitos é a mais diversa: é possível encontrar informações de lutas contra o agrotóxico, violência, poluição e mobilidade urbana, relatos sobre danos causados por usinas de energia ou pela mineração, entre muitos outros. O que há em comum entre todos esses conflitos é sua origem num modelo de desenvolvimento baseado na mercantilização da natureza e da vida. Mesmo onde se observa aquilo que pensador uruguaio Eduardo Gudynas classificou como neoextrativismo, ou seja, o uso de recursos da exploração mercantil da natureza para diminuir mazelas sociais, o que se produz no final das contas é uma sistemática geração de conflitos ambientais que têm por consequência principal o extermínio da vida humana. Ao dar visibilidade a esses conflitos, o que se busca, de acordo com Marcelo Firpo, é articular, questionar e propor alternativas a esse modelo de desenvolvimento.

 

 

Entre tantos casos descritos, chama atenção, por exemplo, os relatos sobre atropelamentos de crianças e animais nas ferrovias por onde passam trens carregados com os minérios extraídos pela Vale do Rio Doce, no Pará. Mesmo com os acidentes e outros danos causados pela mineração, a companhia tem o projeto de duplicar a ferrovia de Porto Carajás. O território para onde olham os técnicos da Vale e os pesquisadores do Mapa de Conflitos Ambientais pode ser o mesmo, mas o que cada um vê nele, certamente não é. E Marcelo sabe que, infelizmente, o número de dados relatados tende a aumentar. "Esperávamos que o conflito sobre a água iria demorar uns 50 anos para chegar ao Brasil. Mas já chegou. Tem caminhão pipa em Itu sendo obrigado a andar com escolta armada", lembrou o pesquisador.
O trabalho foi apresentado na mesa redonda Desenvolvimento e Conflitos Territoriais: experiências dos mapas e diálogos de saberes para a justiça ambiental, realizada em 20/10 durante o 2º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente.

 

Acesse o Projeto Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil 

Fonte: Informe Escola Nacional de Saúde Pública

Duas pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fundação Oswaldo Cruz) resolveram estabelecer um contraponto às notícias que a mídia veicula sobre a epidemia provocada pelo Ebola.

 

O artigo saiu publicado na Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis) e foi escrito pelas pesquisadoras Telma Cardoso e Marli Navarro.

 

Confira o resumo:

"A alta letalidade do vírus ebola não é nenhuma novidade. As epidemias da doença que se verificam em países africanos refletem tragédias periódicas. Outros surtos ocorreram, foram noticiados e posteriormente esquecidos pela mídia, embora o vírus tenha continuado ativo. A manifestação atual do ebola expressa um impacto que é apresentado pela mídia como ameaça à humanidade, contribuindo para propagar na sociedade apreensões e o medo. Cabe, aos especialistas do campo da saúde pública, elaborar informações dirigidas à  sociedade que sejam capazes de dimensionar o risco e as possibilidades do controle do mesmo, sobretudo através dos recursos oferecidos pela pesquisa científica, pela biossegurança e pela articulação global de políticas de saúde."


Leia o artigo na íntegra

Nesta semana, trabalhadores de todo o país que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) têm a oportunidade de apresentar os resultados de suas ações na 14ª Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi). O encontro ocorre em Brasília, entre 28 e 31 de outubro, e é um dos maiores eventos realizados pelo Ministério da Saúde. Este ano foram 3,9 mil inscrições. O público da Expoepi vai participar de oficinas e conferir painéis, mostras e debates com convidados nacionais e internacionais.


A Mostra foi criada em 2001 pelo então Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI). Desde 2003 é organizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e é direcionada a equipes de vigilância nos estados e municípios como uma estratégia para qualificar esses profissionais, que atuam em diversas frentes, como controle da malária, dengue, imunização, doenças crônicas não transmissíveis e investigação de surtos. Além de ter como objetivo difundir os serviços de saúde do SUS que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades relevantes ao setor, o evento também dá visibilidade às ações de vigilância em saúde. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, participam da abertura nesta terça-feira (28).


“No Brasil temos uma tradição em sediar congressos de saúde coletiva de excelente nível. Porém, a Mostra ocupa outro espaço porque o público prioritário são aqueles que estão na ponta, lidando com problemas do dia a dia dos serviços de saúde. Muitas vezes essas pessoas não têm tempo de publicar pesquisas científicas e as boas práticas se perdem porque não são divulgadas. A Expoepi registra essas experiências de forma compartilhada e rápida, além de ser um momento de reconhecimento e debate”, afirma o secretário da SVS, Jarbas Barbosa, que foi o idealizador do evento. De acordo com o secretário, a Expoepi apresentou um crescimento exponencial. Mais de mil pessoas compareceram logo no terceiro ano da Mostra.


Todos os departamentos da SVS se envolvem para que a Expoepi realmente aconteça. Esses profissionais atuam na logística e elaboração da programação e na seleção das melhores experiências de cada tema. “Quem comparece à Expoepi percebe a qualidade da organização e dos debates. As mesas são de altíssimo nível”, garante Barbosa.


Saúde Brasil - Neste ano, a Secretaria de Vigilância em Saúde publica mais um livro da série “Saúde Brasil” - lançado pela primeira vez em 2004 - e que traz uma análise sobre a situação de saúde dos brasileiros. O lançamento do livro será nesta terça-feira (27) a partir das 16h15 no painel 16 “Saúde Brasil”. No painel serão debatidos os principais resultados contidos nos seus capítulos, relacionados à mortalidade infantil, materna, da mulher e do adulto jovem, entre outros temas.

 

Exposição - Nesta edição da mostra está aberta aos participantes a exposição “Vigilância em saúde no Brasil: resultados, inovações e desafios”. No evento, 22 painéis destacam os principais resultados alcançados e as inovações incorporadas nos anos recentes para aperfeiçoar as ações de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos no SUS, além dos desafios que se apresentam. Os painéis exibem informações de diversas áreas, como o Programa Nacional de Imunizações (PNI), vigilância de acidentes e violências, modelo de gestão, dengue, tuberculose, entre outras.

 

Reconhecimento – A Mostra representa ainda a única oportunidade no ano para que algumas equipes de vigilância em saúde de municípios pequenos participem de capacitações. “É um reconhecimento muito importante para valorizar nossos recursos humanos na área de vigilância. Mesmo que atuem em locais com características diferentes, vemos que em circunstâncias muito parecidas existe o empenho, o compromisso, a criatividade e a integração com outras áreas”, afirma o secretário. Segundo ele, o evento é útil para motivar, reconhecer e mostrar que mesmo com as dificuldades que todos esses profissionais enfrentam é possível aprimorar sempre as ações de vigilância para que o resultado do trabalho melhore a saúde da população.

 

Premiações – Em 2014, foram enviadas cerca de 800 propostas que foram avaliadas por área temática e modalidade de participação. Modalidade I: para premiação das experiências bem-sucedidas realizadas pelos serviços de saúde do SUS; Modalidade II: direcionada para a premiação de profissionais de saúde que atuam no SUS e desenvolveram trabalhos técnico-científicos, em nível de pós-graduação, que contribuíram para o aprimoramento das ações de vigilância em saúde, prevenção e controle de doenças e agravos de interesse da Saúde Pública e Modalidade III: para ações desenvolvidas por movimento social que contribuíram para o aprimoramento da vigilância em saúde.

 

As melhores propostas são premiadas desde a 1ª edição da Expoepi. Para este ano, os ganhadores receberão prêmios em dinheiro, recursos que serão transferidos para as secretarias estaduais e municipais por meio do Fundo Nacional de Saúde aos fundos estaduais e municipais. Também receberão prêmios o segundo e terceiro colocados, totalizando um montante de R$ 1,2 milhões em prêmios. Outra novidade é que neste ano a escolha pelos vencedores não será feita por uma comissão de especialistas e sim pela plateia que estiver assistindo à competição. “Muitas vezes a diferença é pequena e as três experiências finalistas são muito positivas, acaba sendo injusto. A escolha não será por uma comissão de especialistas e sim pelo voto popular de quem estiver assistindo a competição”, explica Barbosa.

 

Oficinas – Outra novidade é que nesta segunda-feira (27/10), antes do evento efetivamente começar, os profissionais inscritos na 14ª Expoepi participaram de oficinas sobre temas importantes: dengue; tuberculose; HIV e Aids; como organizar melhor a gestão da vigilância sanitária entre outros.

 

Fonte: Mariana Cordeiro / Comunicação Interna da Agência Saúde - MS

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