A edição de setembro da revista Cadernos de Saúde Pública (vol.30 n°9) aborda problemas enfrentados por milhares de pacientes que sofrem danos decorrentes da assistência insegura à saúde. De acordo com o editorial, assinado pela pesquisadora Enirtes Caetano Prates Melo, editora associada do Cadernos, o papel da assistência hospitalar tem sido amplamente discutido, como também a contribuição de fatores que interferem na distribuição do risco de ocorrência de incidentes em hospitais. “O mesmo não pode ser dito sobre a (in)segurança do paciente na atenção primária. A despeito do grande potencial de ocorrência de incidentes nesse nível de atenção, que envolve a maioria dos cuidados prestados, persistem diversas lacunas que tornam escassa a base de conhecimento sobre o tema nesse cenário”, afirma.

 

O fascículo traz diversos artigos de autoria de pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Em Segurança do paciente na atenção primária à saúde: revisão sistemática, os pesquisadores Simone Grativol Marchon e Walter Vieira Mendes Junior buscaram identificar metodologias utilizadas para avaliação de incidentes na atenção primária à saúde, os tipos, seus fatores contribuintes e as soluções para tornar a atenção primária à saúde mais segura. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados bibliográficas: PubMed, Scopus, LILACS, SciELO e Capes, de 2007 até 2012. Os tipos de incidentes mais encontrados na atenção primária à saúde estavam associados à medicação e diagnóstico. Os fatores contribuintes mais relevantes foram falhas de comunicação entre os membros da equipe de saúde.

 

Já o artigo Reprodutibilidade, validade relativa e calibração de um questionário de frequência alimentar para adultos da Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil apresentou um estudo que testou a reprodutibilidade e validade relativa, e estimou fatores de calibração de um questionário de frequência alimentar (QFA) com 120 itens alimentares, em 128 adultos. Aplicou-se um QFA e três inquéritos recordatórios de 24hs (IR24h). A validade foi testada pelo método de Bland-Altman, correlação intraclasse (CCI), classificação em quartos de ingestão e kappa ponderado. Os fatores de calibração foram estimados por meio de regressão linear, com os valores de ingestão alimentar do IR24h como variável dependente e os valores do QFA como variável independente. William Waissmann (Ensp/Fiocruz), Simone Bonatto, Ruth Liane Henn, Maria Teresa Anselmo Olinto, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, e Luiz Antonio dos Anjos e Vivian Wahrlich, da Universidade Federal Fluminense, são os autores do artigo.

 

Validade de indicadores de atividade física e comportamento sedentário da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar entre adolescentes do Rio de Janeiro, Brasil, de autoria de Letícia Oliveira Cardoso (Ensp/Fiocruz), Letícia Ferreira Tavares e Inês Rugani Ribeiro de Castro (UERJ), Renata Bertazzi  Levy (USP), Rafael Moreira Claro (UFMG), e Andreia Ferreira de Oliveira (Instituto de Nutrição Annes Dias), analisa a validade relativa dos indicadores de atividade física do questionário utilizado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) entre adolescentes da cidade do Rio de Janeiro.

 

Características clínicas e evolutivas de mulheres com diagnóstico de lesões precursoras de câncer cervical, rastreadas e tratadas na região amazônica brasileira, artigo assinado por Rosalina Jorge Koifman (Ensp/Fiocruz), Patricia Rezende do Prado (Universidade Federal do Acre) e Ilce Ferreira da Silva (IFF/Fiocruz), visou determinar a dinâmica de lesões pré-cancerosas em mulheres de uma coorte tratada para neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) e seguiu-se ao longo dos próximos dois anos. Das 237 mulheres que foram tratadas, 51,5% foram acompanhados ao longo de 24 meses, e seu tratamento falhou por 21,9% das pessoas acompanhadas. A história da gravidez mais frequentes e um diagnóstico histológico de NIC II / III estão diretamente correlacionados com o risco de falha do tratamento CIN, enquanto estar em um relacionamento estável é inversamente correlacionada com este risco.

 

No artigo Análise espacial de indicadores integrados de saúde e ambiente para morbimortalidade por diarreia infantil no Brasil, 2010 são apresentados indicadores integrados de saúde e ambiente para diarreia em crianças menores de um ano no Brasil. Foi utilizado um desenho de estudo ecológico, com a aplicação do modelo teórico Geo Saúde, que inclui as dimensões: força motriz, pressão, estado do meio ambiente, exposição e efeito à saúde humana. No Brasil, a probabilidade de crianças menores de um ano serem hospitalizadas ou chegarem a óbito por doença diarreica aguda, nas microrregiões brasileiras, é maior naquelas localizadas nas regiões Norte e Nordeste e a taxa de internação por diarreia infantil mostrou-se associada com o percentual da população sem coleta de lixo. O artigo é de autoria das pesquisadoras  Souza Hacon, da Ensp/Fiocruz e Helena Ferraz Bühler, Eliane Ignotti e Sandra Mara Alves da Silva Neves, da Universidade do Estado de Mato Grosso.

 

No artigo Interações medicamentosas potenciais entre idosos em uso dos anti-hipertensivos da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do Ministério da Saúde do Brasil, produzido pelos pesquisadores Pablo Mibielli e Suely Rozenfeld (Ensp/Fiocruz), Guacira Corrêa de Matos (UFRJ) e Francisco de Assis Acurcio (UFMG), foi estimada a prevalência de interações medicamentosas potenciais entre anti-hipertensivos e outros fármacos. No inquérito domiciliar com pessoas de 60 anos ou mais de idade, residentes no Rio de Janeiro, foram entrevistados 577 idosos, 45,2% dos quais em uso de anti-hipertensivos, sendo 31,0% deles sujeitos a interações medicamentosas potenciais.

 

Acesse aqui a publicação.
 

 

Fonte: Informe Ensp

A Defesa Civil reconheceu, hoje (3), a situação de emergência em dez municípios de Minas Gerais afetados pela seca ou estiagem e nas cidades de Sete de Setembro, no Rio Grande do Sul - devido a fortes chuvas - além de São José do Cerrito, em Santa Catarina, por conta de danos causados por chuva de granizo.

 

Conforme portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, publicada no Diário Oficial da União, as cidades mineiras que tiveram a situação de emergência decretada são: Bocaiúva, Comercinho, Ibiracatu, Joaquim Felício, Juramento, Malacacheta, Miravânia, PaiPedro, Piumhi e Rio do Prado.

 

Assim que o decreto municipal é reconhecido em âmbito federal, a prefeitura torna-se apta a pedir e receber recursos da União para recuperação de danos ou atendimentos emergenciais. Desde o início do ano, cerca de 200 municípios de Minas Gerais tiveram decretos municipais de situação de emergência ou de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal. Em Santa Catarina, devido às chuvas e ocorrência de granizo, esse número é de aproximadamente 100.

 

Em outras duas portarias do Ministério da Integração Nacional, também publicadas hoje, no Diário Oficial, foi autorizado o empenho de R$ 114 mil para as cidades de Tarauacá (AC) e Ipirá (SC) para a execução de ações de restabelecimento de serviços essenciais afetados por fortes chuvas e enchentes. Para a cidade acriana foram empenhados R$ 52,2 mil e R$ 62,5 para o município catarinense.

 

O prazo de execução das obras e serviços é 180 dias, a partir de hoje, e as prefeituras terão que prestar contas da utilização dos recursos em até 30 dias após esse prazo.

 

Fonte: Agência Brasil – Ivan Richard

A Anvisa aprovou, nesta segunda-feira (3/11), o registro de uma nova vacina influenza ainda inédita no País, a vacina influenza tetravalente (fragmentada, inativada). Com isso, pacientes e médicos terão uma nova opção de prevenção contra a gripe a partir do momento que a vacina chegar ao mercado.

 

 

As atuais vacinas influenza registradas na Anvisa e utilizadas na vacinação contra a gripe no Brasil são trivalentes, ou seja, imunizam contra três cepas de vírus influenza: dois tipos de cepa A e um tipo de cepa B. Já a vacina tetravalente (fragmentada, inativada) é composta por dois tipos de cepas do vírus influenza B, adicionalmente às cepas influenza A.

 

 

A composição da vacina é recomendada anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com base nas informações recebidas de todo o mundo sobre a prevalência das cepas circulantes. Dessa forma, a cada ano, a vacina da gripe é modificada no intuito de proteger contra os tipos mais comuns de vírus naquela época.

 

 

A vacina influenza tetravalente (fragmentada, inativada) é indicada para imunização ativa de adultos e crianças acima de 3 anos.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

O governo brasileiro garantiu, em nota, que não haverá desabastecimento do medicamento hidroxiureia, utilizado para o tratamento de pacientes com doença falciforme. O laboratório, responsável pela fabricação do remédio, liberou um comunicado aos hemocentros do país alertando para a interrupção temporária da produção devido à falta do princípio ativo.


A hidroxiureia é usada no Brasil para o tratamento de doença falciforme desde 2002. O medicamento reduz e até elimina as crises de dor e infecções, frequentes na vida das pessoas que tem a doença. Por ano, o Ministério da Saúde subsidia 3,5 milhões de comprimidos do medicamento usado por 15 mil pessoas no país.


Segundo Maria Zenó Soares da Silva, que sofre com a doença, o alerta feito pelo laboratório provocou a reação imediata de pacientes que se tratam em hemocentros. “O sofrimento das pessoas que têm a doença vai voltar [se faltar o remédio]. Eu tomo [hidroxiureia] há 15 anos e tenho vida depois de começar a tomar. Antes, eu vivia internação atrás de internação”, explicou Maria, que é integrante da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes (Fenafal).


A anemia falciforme é uma doença hereditária que provoca uma alteração genética na hemoglobina, proteína que dá a coloração avermelhada ao sangue e ajuda no transporte do oxigênio pelo sistema circulatório. A deformação que provoca nas hemácias – glóbulos vermelhos do sangue – dificultam a circulação do sangue e provocam intensas crises de dor, que, segundo os médicos, pode resultar na internação do paciente e causar infartos ou lesões de órgãos.


O remédio também pode ser usado para o tratamento de leucemia, melanoma e câncer de colo uterino. De acordo com o comunicado do laboratório, a produção do medicamento está comprometida por falta do princípio ativo e só será retomada a partir do próximo ano, o que significa mais tempo para que o remédio volte a ser comercializado. O levantamento feito pelo governo mostrou que os hemocentros estão com estoques no limite. No Hemorio, a quantidade de medicamento disponível só atende a demanda até o final de novembro.

“A hidroxiureia é um medicamento estratégico para a doença”, explicou Joice Aragão de Jesus, coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde. Durante uma audiência pública sobre os desafios relacionados à doença falciforme, na semana passada, Joice disse que o governo já estava ciente do comunicado e estudava alternativas para impedir o desabastecimento. “É um remédio básico para os tempos de crise e isso é preconizado mundialmente. O laboratório informou que até dezembro não tem o princípio ativo”, completou.

No debate, Joice Aragão elencou os avanços na área de saúde para o tratamento da doença e lembrou que hoje, 40 mil pessoas estão em tratamento nos hemocentros. Este ano, 130 brasileiros morreram em função da doença falciforme que atinge principalmente a população negra (95% dos doentes).

Entre as melhorias no tratamento, a coordenadora da área elencou a distribuição de medicamentos, como a penicilina, em fórmula líquida para crianças, e afirmou que o governo trabalha agora para informatizar os dados usando informações de todas as unidades de saúde, incluindo as unidades neonatal.

Carmen Cunha Mello Rodrigues, enfermeira do Centro Infantil Boldrini, hospital de Campinas que é referência no tratamento de câncer e de doenças do sangue, reconheceu que esses avanços contribuíram para reduzir problemas como a morte de crianças que só eram diagnosticadas tardiamente. Ela citou como exemplo o programa de triagem neonatal – feito em recém-nascidos pelo teste do pezinho.

Por outro lado, Carmem ressaltou que, nos atendimentos que acompanha, fica clara a falta de preparo de profissionais de unidades de atendimento à saúde. “Com certeza menos crianças estão morrendo antes dos 5 anos, mas será que estamos de fato mudando a história? A maioria das pessoas com a doença [falciforme] continua na espera em corredores das emergências e, frequentemente, são atendidas por profissionais que sabem muito menos do que elas [sobre a doença]”, disse.

Para a enfermeira, os currículos das faculdades de medicina precisam ser reformulados. “Hoje, você tem duas horas de aula sobre doenças hematológicas. Eu fui aprender algo sobre doença falciforme na prática”, disse. Carmem Rodrigues ainda alertou para os problemas sociais enfrentados por esta população, lembrando que muitos pais acabam perdendo emprego para acompanhar os filhos doentes em diversas internações, “que muitas vezes podem ocorrer mais de uma vez por mês”, e afeta ainda a frequência escolar das crianças.

Ela reiterou a necessidade de uma mudança de postura, por parte dos médicos, no tratamento a pessoas com doença falciforme. Uma das maiores críticas feitas durante o debate foi ao atendimento feito por esses profissionais que, muitas vezes, não acreditam no relato de dor e acusam os doentes de serem “viciados em morfina”, medicamento usado desde os primeiros anos de vida para aliviar as crises.

Fonte:  Agência Brasil - Carolina Gonçalves

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