Primeiro pai a receber autorização da Justiça brasileira para importar canabidiol – derivado da Cannabis sativa (nome científico da maconha) – com a finalidade de usá-lo no tratamento médico de sua filha, o bancário Norberto Fischer encorajou outras pessoas em situação semelhante a procurarem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de recorrerem aos tribunais.

 

Segundo Fisher, mesmo com toda a burocracia estatal, atualmente é muito mais fácil e rápido obter o aval da agência que da Justiça. Ter a autorização é muito mais seguro também. No primeiro semestre deste ano, uma das remessas da pasta de canabidiol que o bancário e sua família importavam ilegalmente dos Estados Unidos, por meio da internet, foi retida no aeroporto.

 

“Hoje não é mais preciso recorrer à Justiça. As mudanças que a Anvisa já implementou tornou o processo administrativo de autorização mais rápido e menos incômodo que a via judicial. Apesar de ainda haver muito o que melhorar em termos burocráticos, principalmente no que diz respeito à interação entre as autoridades sanitárias e a Receita Federal”, disse Fischer à Agência Brasil.

 

Segundo o bancário, como o canabidiol consta da lista de substâncias proibidas no país, a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes que estão tratando doenças graves e cujos tratamentos convencionais não surtiram efeito é encontrar um médico que prescreva a medicação. De acordo com o médico mastologista Leandro Ramirez da Silva, cujo filho Benício, de 6 anos, trata os efeitos da Síndrome de Dravet, uma forma grave de epilepsia, com o derivado da maconha, dos cerca de 50 mil médicos em atividade em Minas Gerais, apenas cinco ousam receitar o canabidiol por medo das implicações éticas.

 

“Como o Conselho Federal de Medicina [CFM] ainda não se posicionou oficialmente sobre o tema, é bastante complicado conseguir uma receita médica. Nos casos em que a pessoa não obtenha a prescrição médica ou que queira pleitear que o Estado pague o produto, a única maneira é recorrer à Justiça”, esclareceu Fischer.

 

Na quarta-feira (12), durante reunião do Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas (Conad) em Brasília (DF), o representante do CFM Frederico Garcia explicou que a instituição médica está prestes a publicar uma resolução autorizando os médicos de todo o país a prescrever remédios à base do canabidiol. A substância continuará proibida, situação que só pode ser revertida pela Anvisa, que estuda reclassificar o canabidiol, incluindo-o na lista de produtos controlados. Apesar disso, o aval do CFM ao procedimento médico será importante, pois dará amparo legal para que os médicos emitam receita para os pais que desejam pleitear a autorização de importação na Anvisa.

 

“A exigência da receita médica é, talvez, o maior empecilho burocrático para quem recorre à Anvisa a fim de obter autorização para importar o canabidiol. Sem o aval do CFM, poucos médicos aceitam assinar termo se responsabilizando por prescrever uma substância proibida. Mas seja via judicial seja via Anvisa, os pais vão precisar do acompanhamento de um bom médico. E com a receita em mãos, o processo administrativo é sem dúvida mais rápido que a via judicial”, ressaltou Fischer.

 

Segundo a Anvisa, a resposta aos pedidos, atualmente, demora em média nove dias. Segundo Fischer, há exatamente um ano, a análise dos requerimentos podia levar até 40 dias. “A Anvisa não sabia sequer o que solicitar”. A agência informou que, entre abril deste ano e a quarta-feira (12), foram concedidas 168 autorizações administrativas para importação do canabidiol. Dos 208 pedidos feitos no período, sete foram arquivados; 17 estão sob análise e 16 estão à espera de que os interessados forneçam informações adicionais.

 

Fischer conta que o número de autorizações está muito aquém da real dimensão do problema. Segundo ele, desde que o assunto ganhou espaço na imprensa, a rede de apoio criada pelas próprias famílias não para de crescer. “Aos poucos, as pessoas estão se aproximado, apoiando umas as outras, trocando informações e fortalecendo essa rede. Até por muitas vezes estarem agindo na ilegalidade, são os próprios pais que trocam experiências sobre como usar o produto."

 

Após publicar matérias sobre o tema a Agência Brasil foi procurada ontem (13) por duas mães em busca de informações do procedimento para obter na Justiça autorização para importar o canabidiol. Uma delas, M.J.P, de Mato Grosso, é mãe de dois filhos diagnosticados com esquizofrenia há cerca de cinco anos. Ao considerar que seus filhos já experimentaram os remédios mais indicados e esgotaram os tratamentos convencionais, ela está convencida de que o canabidiol é uma opção a ser tentada, mesmo não tendo ainda conversado com nenhum médico.

 

“Já tentamos de tudo. De tratamentos psiquiátrico e neurológico à acupuntura. Eles já usaram todos os medicamentos de ponta. Sinto-me impotente ao ver meus filhos nesta situação. Um tem nível superior e o outro está prestes a concluir a faculdade, mas, de uma hora para outra, passaram a ter esses surtos que só tem piorado. Lendo reportagens sobre as crianças que melhoraram graças ao uso do canabidiol, decidi procurar ajuda e orientação com os pais que já conseguiram a autorização. Vamos procurar um médico que nos ajude neste sentido, que prescreva o canabidiol, pois estou decidida: assim que souber como obter o produto por meios legais, iremos tentar”, contou.

 

Qualquer que seja o caso, Fischer recomenda que as pessoas procurem um bom médico para ter orientações. “É aconselhável que todos procurem a Anvisa. Assim, terão suporte e estarão agindo legalmente. Se for necessário, busquem entrar em contato pelas redes sociais com outros pais que possam lhes ajudar”, concluiu o bancário, que calcula que ao menos 90% das pessoas já autorizadas pela Anvisa a importar o canabidiol contaram com algum tipo de orientação da rede de pais e pacientes. Em redes sociais como o Facebook é possível encontrar comunidades que reúnem usuários. Basta pesquisar pela palavra canabidiol.

 

Fonte: Agência Brasil - Alex Rodrigues

Conduzido por pesquisadores e alunos do grupo Estado, Proteção Social e Políticas de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), o estudo tem como objetivo analisar a formulação e implementação da política relacionada às Unidades de Pronto Atendimento (UPA) no estado do Rio de Janeiro, no período de 2007 a 2013, além de avaliar a organização e funcionamento das unidades, levando em consideração sua relação com outros serviços da rede de atenção às urgências no estado. De acordo com a pesquisa, a inexistência de vagas em hospitais foi considerada, para 95% dos entrevistados, como o motivo principal para a permanência dos pacientes por mais de 24 horas nas Unidades. O apresentação do trabalho pautou a última sessão científica do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps/Ensp), realizada em 5/11.



De acordo com a pesquisa, a inexistência de vagas em hospitais foi considerada, para 95% dos entrevistados, como o motivo principal para a permanência dos pacientes por mais de 24 horas nas Unidades.  

 

O estudo se apoiou em contribuições das Ciências Sociais para a análise de políticas públicas, valorizando fatores histórico-estruturais, político-institucionais e conjunturais como condicionantes da implantação e funcionamento das Unidades. Procurou-se identificar o contexto de formulação da proposta, os fatores que motivaram a entrada e a permanência das UPA na agenda estadual, os atores, as estratégias e as reconfigurações da política durante sua implementação. A avaliação da organização e funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento, conforme explicou Luciana, considerou as seguintes dimensões: modelo de gestão, gestão do trabalho (forma de seleção e contratação, tipo de vínculo, carga horária, remuneração), perfil dos profissionais (sexo, idade, perfil e tempo de formação, experiência prévia em urgências, entre outros), oferta de serviços e assistência prestada e coordenação do cuidado.
 

 

Foram selecionadas 19 Unidades de Pronto Atendimento, segundo amostra aleatória a partir do universo de 42 que estavam cadastradas junto ao Ministério da Saúde e apresentavam mais de um ano de funcionamento em 2012, quando se iniciou a pesquisa. O estudo envolveu análise de documentos e dados secundários, a realização de 42 entrevistas semiestruturadas com gestores estaduais e municipais em dez municípios, visitas às 19 UPA selecionadas por amostragem, com preenchimento de diário de campo e aplicação in loco de 76 questionários estruturados junto aos coordenadores, médicos e enfermeiros.
 

 

Segundo a pesquisadora, o estado do Rio de Janeiro foi pioneiro na instalação das UPA no país e, no início de 2013, reunia o maior número dessas unidades, com  61 estabelecimentos, localizados principalmente na capital (31) e no seu entorno metropolitano (13). As Unidades ocuparam papel de destaque na política estadual por diversos fatores, entre eles problemas relacionados às limitações de acesso aos serviços de saúde, à superlotação das emergências hospitalares e às dificuldades históricas de integração de serviços ligados a distintas esferas de governo. A coalizão político-governamental envolvendo as esferas federal e estadual, bem como os conflitos com a capital, também favoreceram a adoção da proposta a partir de 2007. "De 2007 a 2013, as UPA se expandiram em um ritmo intenso, sendo a trajetória de implementação da política marcada por influências recíprocas e interdependência entre as diferentes esferas de governo.", comentou Luciana.

 

A maior parte dos estabelecimentos investigados estava sob administração direta estadual ou municipal (63,2%), sendo que 36,8% encontravam-se sob gestão de diferentes Organizações Sociais (OS), principalmente as UPA ligadas ao município do Rio. Entretanto, parte significativa das Unidades sob administração direta do estado estava em processo de transição da gestão para OS. Entre os principais resultados observados na pesquisa destacam-se as dificuldades de acesso aos leitos hospitalares. A necessidade de permanência por mais de 24 horas nas UPA, de acordo com a professora, é frequente e se deve principalmente à falta de leitos. Como ressaltou Luciana, “a inexistência de vagas em hospitais foi considerada para 95% dos entrevistados como o motivo principal para a permanência dos pacientes por mais de 24 horas nas UPA.”
 

 

A predominância de médicos jovens (com até 30 anos) e com pouco tempo de formado (até 2 anos) também foi significativa (respectivamente, 47,4% e 34,2% dos médicos entrevistados).  O estudo mostrou ainda a predominância de atendimento de casos de baixo risco e as fragilidades de articulação dos serviços com unidades de atenção básica para companhamento dos pacientes atendidos.

 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

A Anvisa suspendeu, nesta sexta-feira (14/11), a distribuição, comercialização e uso do lote 14324501 do medicamento Ciprofloxacino 2mg/ml, solução injetável, fabricado por Isofarma Industrial Farmacêutica Ltda. O lote, que possui validade até 07/2016, apresentou corpo estranho dentro de um frasco inviolado do produto. A empresa fabricante confirmou o desvio de qualidade e deverá promover o recolhimento voluntário do estoque existente no mercado.

 

A Agência também suspendeu o lote 633712 do medicamento Rifasan spray 10mg solução dermatológica. O lote foi fabricado por EMS S/A em 05/2014 e possui validade até 05/2016. O relatório de inspeção, emitido pelo Centro de Vigilância Sanitária em São Paulo/CVS-SP, identificou várias não-conformidades críticas nas Boas Práticas de Fabricação.

 

Outro medicamento suspenso pela Anvisa foi o Vasopril (Maleato de Enalapril), 5 e 10 mg, comprimidos, fabricado pela empresa Biolab Sanus Farmacêutica Ltda. Mesmo com os registros cancelados desde setembro e outubro de 2013, o fabricante continuou comercializando irregularmente o medicamento citado.

 

Veja íntegra da notícia



Fonte: Imprensa Anvisa

A Anvisa aprovou, ontem(13/11), o registro de uma nova associação de fármacos para o tratamento da tuberculose no país. O novo medicamento traz a combinação de rifampicina+isoniazida+pirazinamida+etambutol e é indicado para tuberculose pulmonar e extra pulmonar, na fase inicial intensiva do tratamento.

 

O esquema básico com quatro substâncias favorece a maior adesão ao tratamento por parte do pacientes. A combinação também evita o aumento da multirresistência da doença e possibilita maior conforto ao paciente, devido à redução do número de comprimidos a serem ingeridos por dia. O registro do novo medicamento é resultante de uma parceria público privado entre os laboratórios Farmanguinhos e Lupin Limited.

 

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, sendo uma enfermidade curável. Anualmente, são notificados cerca de seis milhões de novos casos em todo o mundo, levando mais de um milhão de pessoas a óbito. O surgimento da Aids e o aparecimento de focos de tuberculose resistente aos medicamentos agravam ainda mais esse cenário. No Brasil, a cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença. O Brasil ocupa o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% do total de casos de tuberculose no mundo.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa

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