O coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, disse nesta sexta-feira (12) que mulheres e homens transexuais estão em situação de grande vulnerabilidade no mercado de trabalho. Segundo ele, a discriminação e o preconceito se traduzem em dificuldade de acesso e permanência no emprego. Chediek cobra “cuidado e atenção especial” dos empregadores para que esses profissionais sejam respeitados.

 
O Manual tem 80 páginas e apresenta compromissos e desdobramentos que empresas e empregadores podem desenvolver para enfrentar o preconceito contra a população LGBT. “A exclusão que [transexuais] sofrem desde a infância e a adolescência impede que tenham, muitas vezes, educação de qualidade, formação profissional e/ou oportunidade de inserção no mercado. Por outro lado, mesmo quando têm qualificação adequada, sofrem discriminação e têm seus direitos limitados”, afirmou o coordenador, durante o lançamento do manual da Organização das Nações Unidas (ONU) Promoção dos Direitos Humanos de Pessoas LGBT no Mundo do Trabalho, no Rio.

 
Elaborado em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o programa das Nações Unidas sobre Aids e HIV (Unaids), o manual tem 80 páginas e apresenta dez compromissos e desdobramentos que as empresas e empregadores podem desenvolver para enfrentar o preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros (LGBT).

 
De acordo com um dos autores do manual, Beto de Jesus, a ideia é estimular corporações a criar processos contra a discriminação e, quando ocorrerem casos, que sejam apurados e as equipes capacitadas. Entre as medidas, o manual cita a necessidade de os executivos se comprometerem com a questão: “A liderança da empresa deve falar sobre isso porque as pessoas, muitas vezes, têm medo de se assumir como LGBT e não sabem se serão bem acolhida”, disse.
 

Os dez compromissos também rejeitam a homo-lesbo-transfobia no relacionamento com o público e com parceiros de negócios, sugere metas para contratação e promoção de LGBT, ações de capacitação e política de responsabilização, além de pesquisas e censos internos.
 

Todas as medidas, segundo o representante da ONU, “promovem interações respeitosas, potencialmente criativas e inovadoras” e tornam as empresas mais produtivas. “Isso inclui as dimensões de gênero, raça, nacionalidade e de orientações sexual”, concluiu Chediek.
 

Fonte: CTB/Ag. Brasil – Reproduzido do site da  Fenafar

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) anunciou nessa segunda-feira (15) a utilização de uma ferramenta que vai mapear a ocorrência de crimes de ódio na internet. O software vai coletar dados e identificar redes que se reúnem para fazer ofensas a grupos de pessoas. A ferramenta será o pilar das atividades do Grupo de Trabalho contra Redes de Ódio na Internet, criado em novembro para monitorar e mapear crimes contra direitos humanos nas redes sociais.

“A gente tem acompanhado e se preocupado com o crescimento desses crimes de ódio, que são incentivados e divulgados na internet. Já está mais do que na hora de a gente criar mecanismos para rastrear e retirar isso da rede”, disse a ministra da SDH, Ideli Salvatti, à Agência Brasil. Ela citou o caso de uma mulher que, em maio, foi espancada até a morte por moradores de Guarujá, em São Paulo, após um falso rumor ter se espalhado nas redes sociais de que ela praticava rituais de magia negra com crianças.

Com base nas informações coletadas pelo software, o grupo de trabalho, cuja reunião de instalação ocorreu ontem, poderá encaminhar denúncias ao Ministério Público ou à Polícia Federal. Três casos já estão sendo analisados, com base em denúncias recebidas pela Ouvidoria da SDH. Um deles remete ao último episódio envolvendo os deputados federais Maria do Rosário (PT-RS) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), na semana passada, quando o parlamentar disse que só não estupraria a deputada porque ela “não merece”.

Um rapaz postou foto em uma rede social “ameaçando a deputada Maria do Rosário de estupro”, de acordo com a SDH. Mais dois casos tratam de um site nazista e outro que prega a violência contra mulheres. “Vamos documentar, avaliar os três casos e, na quinta-feira [18], devemos dar os encaminhamentos cabíveis, no sentido de tirar do ar, encaminhar para inquérito da Polícia Federal ou para providências do Ministério Público Federal”, explicou Ideli.

Fonte: Agência Brasil- Marcelo Brandão

A Anvisa determinou, nesta terça–feira (16/12), a suspensão da distribuição, comercialização e uso do lote 0058 do cosmético Allgel Antisséptico para as mãos (Álcool etílico hidratado) – 500mg. Fabricado por Jales Machado SA, o lote apresentou resultado insatisfatório no ensaio de teor etílico. O fabricante não solicitou recurso ou perícia de contraprova à Diretoria do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF).

 

O lote 363 do cosmético Dermygel Antisséptico Aloe Vera também foi suspenso. O lote apresentou resultado insatisfatório nos ensaios de rotulagem primária e determinação de pH. A empresa fabricante, S A Cosméticos do Brasil Ltda, também não interpôs recurso ou perícia de contraprova ao Lacen-DF.

 

Suspenso, ainda o lote MF0105 do medicamento Atenolab 50mg (Atenolol), comprimidos, fabricado por Multilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda e com validade até 06/2014. Foi realizada uma auditoria na empresa fabricante, em que ficou comprovada a fabricação e distribuição, antes da aprovação da petição pós-registro, do medicamento.

 

Todas as medidas acima foram publicadas no Diário Oficial da União.



Fonte:  Imprensa Anvisa

Reunidos em Brasília na quinta e na sexta-feira (11 e 12/12), a diretoria da Fenafar e os sindicatos filiados fizeram uma profunda e ampla análise das lutas enfrentadas pela categoria em 2014 e que, na avaliação de todos, entrarão para a história da categoria pela sua magnitude e pela relevância das conquistas obtidas.
 

 

Brevemente, o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos fez uma análise do contexto político nacional, marcado por uma disputa eleitoral – que foi uma das mais acirradas da história recente do país –, e seus impactos na luta em defesa da farmácia estabelecimento de saúde. Essa luta, em 2014, se materializou na construção do Fórum Nacional pela Valorização da Profissão, que construiu a subemenda aglutinativa que deu origem à lei 13.021 e imediatamente em seguida o enfrentamento da MP 653.
 

 

Ronald considera que o posicionamento veemente da Fenafar na defesa de um projeto nacional de desenvolvimento e contra os retrocessos que poderiam significar o retorno das forças políticas que representam a elite econômica e o pensamento neoliberal teve impacto importante para a Fenafar. Muitos setores que não concordaram com essa posição política da Fenafar, começaram a atacar a Federação dizendo que grupos governistas não poderiam ser contra a MP. “Mas a Fenafar manteve o seu compromisso com a aplicação estrita das deliberações primeiro do seu Congresso e posteriormente das suas reuniões de diretoria e conselho de representantes e combateu a Medida Provisória atuando em duas frentes de luta concomitantes e que se complementam – a luta institucional, buscando diálogos e acordos junto ao governo e aos parlamentares tanto da oposição quanto da base para avançar nas formulações e de outro lado uma intensa mobilização da categoria e de outros setores sociais contra os retrocessos que a Medida Provisória e posteriormente o relatório do deputado Manoel Júnior representavam para o direito da população à saúde e, particularmente, para a categoria farmacêutica”, afirmou.
 

 

Passo a passo rumo à vitória
 
O presidente da Fenafar buscou enumerar todos os passos da Fenafar na luta contra a MP. O primeiro foi a batalha para colocar na presidência da Comissão Mista um parlamentar aliado da categoria. Essa negociação resultou na indicação da senadora Vanessa Grazziotin, que teve uma atuação fundamental em todo o processo. O segundo foi a realização das audiências públicas – expediente que raramente ocorre em outras tramitações. As audiências foram uma demanda das entidades que participam do Fórum e encaminhadas pela Senadora.
 

 

Após as audiências, o terceiro passo era conhecer o conteúdo do relatório do deputado Manoel Junior. Ronald explicou que pelo rito da Câmara dos Deputados os relatórios só podem ser apresentados nas reuniões das Comissões. A presidenta da Comissão, a pedido do Fórum, convocou a reunião para que o deputado, então, apresentasse o seu relatório. “Ao tomarmos conhecimento do conteúdo, a sessão foi imediatamente suspensa”.
 

 

A partir daí, o quarto passo foi tentar construir diálogos ganhar apoios na base do governo e, também, na oposição com dois objetivos: um de alterar o relatório e chegar a um acordo que recuperasse o acordo inicialmente firmado e que deu origem à Lei 13021; e o outro era ganhar tempo e impedir que o relatório do Manoel Junior fosse votado. Na reunião, Ronald mostrou documento aprovado no Fórum com as propostas que seriam discutidas com todos (governo, parlamentares e o relator), elencando os pontos considerados pela categoria INEGOCIÁVEIS. Esse documento resultou no voto em separado que se tentou construir para alterar o relatório do deputado Manoel Junior e anular os efeitos da MP 653. No momento que o deputado explicitou que não alteraria seu texto, trabalhamos com o apoio da senadora Vanessa Grazziotin para impedir a convocação da reunião da Comissão Mista até que o prazo para votação se esgotasse e, assim, a MP perdesse sua validade.
 

 

Após narrar todos os acontecimentos, Ronald destacou que “uma lição deste processo é mostrar a força da unidade. Por maiores que sejam as diferenças que temos com o CFF e com a Feifar, foi a construção de um acordo entre propostas e que foram respeitados pelos diversos atores políticos que nos permitiu alcançar as vitórias de 2014: a aprovação da lei e a derrubada da MP 653".
 

 

Convidada a participar da reunião do Conselho de Representantes, a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), farmacêutica e coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica também fez uma breve análise da conjuntura e da luta da categoria em 2014.
 

 

A deputada fez uma avaliação dos desdobramentos da disputa eleitoral a partir de 2015. “Teremos apenas 40 deputados oriundos do movimento sindical na Câmara dos Deputados, o que é uma situação agravante para o debate de uma saúde pública voltada para a sociedade brasileira, para a pauta do movimento sindical”.
 

 

Alice chamou a atenção para os condicionantes do momento político atual, no qual o mercado atua para impor seus interesses e sua pauta política para aprisionar o governo. De outro lado, reiterou que é importante compreender a característica de um governo de coalizão. “Vivemos momentos de transição democrática, e temos um governo que para sobreviver precisa fazer alianças, com aliados de centro-esquerda e centro-direita, e até com setores que só sobrevivem estando no governo”.
 

 

Ele exemplificou esse quadro com a apresentação do relatório da Comissão Nacional da Verdade. “Isso é emblemático na cerimônia de ontem, que nós só depois de 50 anos da ditadura tivemos uma lista mínima das pessoas que cometeram crimes contra a humanidade. Então, é neste ambiente que estamos vivendo. Nós não fizemos uma revolução, nós estamos numa transição democrática, com apoio de forças políticas que não querem tanta mudança assim. Os que cobram uma coerência cristalina do governo não percebem essa ambiência de que temos que atuar no binômio unidade e luta, e atuar nessa navalha é arte, é política. Considerar esse contexto é fundamental para entender o momento que estamos vivendo, para conhecer os aliados”, afirmou.
 

 

Alice Portugal disse que o Brasil caminha numa curva ascendente de conquistas sociais. “Estamos no contexto de um caminho democrático, mas ainda participamos de governo de coalizão que precisamos exercitar o binômio unidade e luta. E é assim que se insere o papel da Fenafar na luta em defesa da categoria, que teve coragem de apontar o dedo para aqueles que estavam atuando na contramão dos interesses da categoria. E isso cobrou o seu preço”.
 

 

Na avaliação da parlamentar, “pela primeira vez a categoria apareceu como categoria para o cenário político brasileiro. A realidade é dura. Essa quadra, por si só, ela é vitoriosa como elemento exemplar, político, para a história da categoria farmacêutica. Nós não podemos avaliar pontualmente fatos sem considerar as circunstâncias. A atuação do Conselho Federal foi importante e a construção do Fórum também, porque quem quer ter vitória num governo e num parlamento que é um mix político tem que construir alianças suprapartidárias, senão não passam os nossos interesses. E isso foi muito bem feito. No debate da lei a nossa ação coletiva foi impecável. As organizações empresariais tiveram uma ação agressiva e furiosa. Foi duro. Nós redigimos de próprio punho propostas até chegarmos aquilo. É o ideal, não. Nós conhecemos o ideal. O ideal é que a farmácia fosse uma concessão pública, zoneada. Mas o que tivemos foi fruto da nossa iniciativa e a maior vitória da história da categoria farmacêutica. Nós derrotamos a visão supermercadista”.
 

 

Vetos e MP 653

 

 
“Só soubemos dos vetos e da MP depois que eles foram publicados. Mas depois, fomos buscar as informações e ficamos sabendo que o que eles pediram [o setor varejista] era o veto integral, era vetar a lei. Houve um ministro exigindo o veto integral para a presidenta. Assessores do governo que acompanharam todo o nosso debate a alertaram sobre o que isso significaria. Com a força que nós construímos na negociação, houve resistência para impedir o veto integral da lei. Quem governa, governa em parte, neste processo de coalizão. Foi daí que a presidenta optou pelo veto parcial e veio a MP. Pior que a MP, foi a visão oportunista de determinados segmentos de fazer a imersão na MP para resolver problemas da Anvisa, da agricultura e problemas mal assombrados que o relator [deputado Manoel Junior] tem que vir aqui para explicar”, denunciou Alice Portugal.

 

 
Para a deputada e colega farmacêutica, todo esse processo foi uma vitória. “Não foi completa, porque temos que continuar lutando em torno de muitos desafios da farmácia brasileira. A luta continua na judicialização, na fiscalização, continua na busca de negociação e na discussão do que vamos fazer sobre isso. Temos que definir se vamos emendar a lei, se vamos buscar portarias e decretos para regulamentar a lei dando prazos para que as pequenas farmácias se adequem”.

 

 
Alice também foi muito direta ao comentar tentativas de desconstruir toda essa ação vitoriosa da categoria. “Tergiversações sobre o tema dentro da categoria farmacêutica tem que ser respondidas com uma pergunta, a quem interessa desconstruir as lideranças da categoria farmacêutica? A quem serve desconstruir a Fenafar, que é a ponta de lança, que desde o primeiro momento, quando havia uma postura estática do CFF, apontava o dedo para os que tentavam atacar a categoria e que percorreu o país para construir os sindicatos? A quem interessa desconstruir a unidade da categoria?”, questionou. E, em seguida, afirmou: “A unidade é uma necessidade, porque os patrões não se dividem. O cidadão bem intencionado, achando que está fazendo um papel de esquerda, acaba fazendo a lição de casa que está sendo imposta pelo capital, pela direita. A divisão só interessa aos nossos inimigos reais e da profissão farmacêutica, que é estratégica para a soberania nacional, que luta por interesses corporativos legítimos e interesses da sociedade, porque lutar por salários dignos e valorização profissional é legítimo. Desconstruir essa construção plural que vocês têm é um erro. Foi essa agregação que nos levou a chegar até aqui. Se a gente quebrar essa aliança que nos une, essa unidade, nós vamos correr muito risco”.
 

 

O debate sobre as lutas travadas em 2014 contou com ampla participação de todos os presentes, com mais de 30 pessoas intervindo e dando sua contribuição para construir uma avaliação profunda e coletiva de todo o processo. A resultante dessa rica discussão foi reafirmar o inegável protagonismo da Federação para a aprovação da Lei 13.021, que foi um avanço incontestável para a categoria.
 

 

Muitos apontaram a necessidade de se intensificar, cada vez mais, a comunicação da Fenafar com sindicatos, para que diante dos desafios e da dinâmica das lutas que estão sendo enfrentadas todos estejam em condições de enfrentar os debates com a categoria e com outros setores da sociedade.

 

Por Renata Mielli, jornalista da Fenafar - de Brasília

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