Novo presidente do CONASEMS – Conselho Nacional  de Secretarias Municipais de Saúde fala dos desafios e expectativas das secretarias municipais para o ano. Revisão do pacto federativo será destaque no XXXI Congresso da entidade
A ideia da regionalização é cada vez mais prevalente, do ponto de vista das ações, das responsabilidades e do financiamento, e gera uma necessidade de revisão da própria governança', diz Monti.

 

 

Desde o final de janeiro, o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) tem novo presidente. É José Fernando Casquel Monti, secretário municipal de saúde de Bauru e também principal nome do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS/SP).

 

 

Graduado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), possui especialização em Medicina Preventiva e Social e obteve o título de mestre em Doenças Tropicais pela mesma universidade. Além de ser médico sanitarista de carreira do estado de São Paulo, Fernando Monti é professor assistente no Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A vasta trajetória na gestão e conhecimento da realidade das secretarias municipais de Saúde levaram-no à presidência do COSEMS/SP e à diretoria do CONASEMS, que internamente indicou seu nome para encerrar a atual gestão, com a saída do então presidente Antônio Carlos Nardi.

 

 

Em entrevista ao Portal Abrasco, Fernando Monti fala dos desafios e das expectativas vivenciadas pelas secretarias municipais de saúde, da necessidade de revisão do pacto federativo na gestão do SUS e dos grandes eventos do setor neste ano: o 11º Abrascão, a 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS) e o XXXI Congresso do CONASEMS, que acontecerá de 6 a 9 de agosto.

 

 

Abrasco: Como estão as preparações dos municípios para a 15ª CNS?

 

Fernando Monti: Estamos começando o trabalho pelos 27 COSEMS. Temos até maio para a realização das conferências municipais e até a metade do ano para as estaduais. Temos de realizar o maior numero de conferências municipais. Se trouxermos o olhar de cada um desses lugares, vamos contribuir para a saúde no Brasil e fomentar um conjunto de discussões e questões que irão desembocar em importantes conquistas para o setor.

 

 

Abrasco: A 15ª CNS é palco central para discussões como as mudanças no padrão epidemiológico da população brasileira. Na sua opinião, os municípios brasileiros estão atentos a essas mudanças?

 

Fernando Monti: A transição populacional vivida no Brasil é significativa, é um dado importante da nossa realidade. Em trinta anos, viveremos modificações que levaram um século para acontecer na Europa, e isso com um sistema de saúde unificado. Diria que os municípios estão se preparando. Há uma preocupação por parte das secretárias municipais em aplicar recursos na Atenção Básica. Isso é um processo recente. O pronto-atendimento predominava, acho que hoje o cuidado continuado, longitudinal vem ganhando espaço. Espero que se perpetue no tempo. Toda a rede de saúde vai ter de conviver com isso, pois mudam os perfis nas demais formas de assistência, mudam os serviços de urgência e emergência, mudam os atendimentos em saúde mental.

 

 

Abrasco: Para além dos recursos financeiros, quais são as maiores preocupações dos gestores municipais?

 

Fernando Monti: O problema vivido pela maioria das cidades, na sua generalidade, de forma mais ampla e para além dos recursos financeiros, é a organização dos serviços para o funcionamento em rede. Ainda temos inúmeras deficiências nessa construção. À medida que a população vai envelhecendo e mudando o padrão epidemiológico, os enfrentamentos de saúde vão ficando mais complexos. Um indivíduo diabético, por exemplo, vivencia tanto o atendimento primário, por meio de ações de promoção de saúde, controle do peso e alimentação, até complicações maiores, como uma retinoplastia. Esse caminho ramificado dentro do sistema ainda é difícil para as secretarias. Além da dificuldade técnica de organizar o sistema, há uma necessidade político-institucional para que os entes federados produzam políticas de saúde conjuntas. Somos um sistema federativo, com 5.570 municípios e 27 estados. Chegar a compreensões consensuais sobre equidade de recursos e justiça no financiamento entre esses entes não é uma tarefa fácil.

 

 

Abrasco: Há propostas sobre  novas formas de organização do SUS, como o a regionalização. Como os municípios estão encarando esse debate?

 

Fernando Monti: O futuro nos reserva é um momento muito sensível, de ajuste econômico em todas as esferas de governo. Num momento como esse, com as características que temos hoje e os elementos que estão em jogo, faz-se necessária uma rediscussão no pacto federativo na saúde. No entanto, instrumentos como o Decreto 7508, que propôs a organização do Sistema e prevê o Contrato Organizativo de Ação Pública (COAP), contou somente com a assinatura de dois estados. Temos de ter instrumentos para essa revisão do pacto federativo.
A ideia de região é cada vez mais prevalente, do ponto de vista das ações, das responsabilidades e do financiamento. Isso gera uma necessidade de revisão da própria governança. Acredito que atualmente os gestores, tanto os municipais quanto os estaduais, são bastante qualificados. Não temos problemas de gestão, mas de organização de serviços – entre os municípios, entre municípios e governos estaduais e desses entes com o governo federal. Com todas as dificuldades, vivenciamos uma melhora significativa nesses 25 anos de SUS. Todos os municípios investiram muito em saúde, mas isso chegou ao limite, pois quase todos comprometem cerca de 25% de seus orçamentos no setor. Alguns chegam a gastar até 30%. Num curto prazo, teremos de ser criativos.

 

 

Abrasco: Como o senhor vê o atual estágio da interlocução entre gestão e academia para construir melhorias efetivas para a saúde da população?

 

Fernando Monti: Durante bastante tempo isso ficou distante. Havia focos acadêmicos que tinham alguma ligação com o serviço de saúde, ficava restrito aos departamentos da Saúde Coletiva. Isso está se modificando, há um aprimoramento nisso. Quer-se hoje que os cursos da área da saúde tenham uma conexão forte com a rede de serviços, fazendo do SUS um espaço de formação. Essa relação está se intensificando, acredito que vá se fortalecer e reforçar os laços.

 

Abrasco: O que esperar do XXXI Congresso do CONASEMS?

 

Fernando Monti: Queremos levar a discussão da organização do sistema. Acreditamos que seja o XXXI Congresso do Conselho seja um dos maiores espaços de discussão do SUS. Vemos a regionalização como tendência, vemos isso nos congressos do COSEMS, mas é necessário discutir o papel dos municípios, dos entes federados e a redefinição desses papeis com a regionalização. Tanto o XXXI como 11º Abrascão são importantes espaços por colocar teses que vão retornar na 15ª CNS. Outro ponto que queremos discutir é o papel da comunicação, pois a grande mídia tem um olhar pouco generoso sobre o sistema e para as nossas discussões.

Fonte: Portal Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Resgatar a história da população negra no Brasil, inclusive as atrocidades cometidas à época da escravatura, para fazer sugestões de políticas públicas e ações afirmativas para construir uma igualdade plena no pais. Esse é o objetivo da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra criada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados Brasil (OAB).

 

Inspirada na Comissão Nacional da Verdade que investigou o período da ditadura no Brasil, o grupo composto por 57 membros – 10 advogados, 35 consultores e 15 convidados do judiciário e Ministério Público – terá prazo de dois anos para concluir o trabalho. A expectativa é que um relatório parcial das atividades seja divulgado no final de 2015, já o documento final está previsto para dezembro de 2016.

 

“Queremos buscar todas aquelas ações da escravidão que persistem até hoje e fazem do país um campeão da desigualdade da descriminação e do racismo. É preciso que investiguemos a fundo os fatos da escravidão assim como a Comissão Nacional da Verdade investigou fatos da ditadura e da tortura que persistem até hoje, a nossa comissão também pretende abolir, encerrar, banir os fatos que existem na escravidão até hoje”, destacou o presidente do colegiado que tomou posse hoje, Humberto Adami.

 

Para a realização dos trabalhos, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da Republica, Ideli Salvatti, disse que o governo federal estará à disposição para ajudar no que for necessário. A comissão também terá parcerias com entidades como a Fundação Zumbi dos Palmares, o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), o Instituto Nzinga Mulher Negra, além de universidades brasileiras.

 

Apesar do esforço no âmbito da OAB, o presidente nacional da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho cobrou do governo federal uma comissão nos moldes da que foi empossada hoje pela OAB. “Somos um só Brasil. Queremos uma nação de iguais. O fim do racismo e do preconceito, não admitindo a intolerância e a discriminação, são fundamentais para a construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna”, afirmou.

 

A cerimônia de posse da Comissão teve a apresentação da banda mirim do Olodum, de Salvador; da cantora Martinha do Coco e do grupo Tambores do Paranoá, do Distrito Federal. Quilombolas de Paracatu, em Minas Gerais, também se apresentaram no evento.

 

Fonte: Agência Brasil

O ministro do Turismo, Vinicius Lages, participa do programa Bom Dia, Ministro para fala sobre o aumento do fluxo de turistas durante a Copa do Mundo (Elza Fiúza/Agência Brasil)

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e o Ministério do Turismo (MTur) promoveram na manhã de hoje (6) um hangout (bate-papo na internet) de lançamento da campanha “Proteja - Não Desvie o Olhar.” Com participação aberta aos usuários da rede, o debate virtual teve a presença do ministro do Turismo, Vinícius Lages, e da ministra da SDH/PR, Ideli Salvatti.


O objetivo da ação é conscientizar a sociedade sobre a importância de prevenir e denunciar possíveis casos de violação de direitos da população infanto-juvenil, especialmente durante o carnaval, período de grande movimentação turística no Brasil.

De acordo com o ministro do Turismo, o Brasil deve movimentar aproximadamente 6,8 milhões de turistas brasileiros e estrangeiros no carnaval. Para Ideli Salvatti, a parceria com o Ministério do Turismo é fundamental para eficácia da campanha, principalmente para atingir os estrangeiros. "Os turistas chegam por aviões, se hospedam em hotéis e andam de táxi pela cidade. Em todos esses locais eles terão acesso a materiais da campanha", disse.

Vinícius Lages informou que qualquer pessoa pode participar e divulgar a iniciativa. "Os sites do ministério e da SDH disponibilizam o banner da campanha. Qualquer um poder baixá-lo, repercutir o material e nos ajudar na disseminação da proposta", acrescentou.

Na página da SDH, há registros de 91.342 casos de violação de crianças e adolescentes em 2014. Os principais relatos são negligência, violência psicológica, física e sexual. Os dados representam uma redução de 26,38% em relação a 2013.

Conforme Ideli Salvatti, os registros não representam queda ou aumento nas estatísticas de abuso. Durante o hangout, ela revelou a impossibilidade de relacionar o número de denúncias à realidade vivida pelas crianças.


"É impossível fazer essa relação. Não podemos afirmar nem mesmo que o crescimento das denúncias signifique o crescimento de qualquer violação. Pode ser que a fiscalização da sociedade esteja mais atuante" afirmou.

Ideli ressaltou que as campanhas de proteção à infância ocorrem o ano todo. "Ela é permanente. Tem determinados momentos em que são intensificadas". Ela lembrou que a população tem de estar atenta para denunciar. Reiterou que a maioria dos abusos contra a população infanto-juvenil não está nas ruas. "As violações acontecem com maior frequência dentro do lar", concluiu.

Fonte: Agência Brasil

Na próxima terça-feira, 10, a UFMG recebe os pesquisadores Frederico Graeff e Hélio Zangrossi, da USP Ribeirão Preto. Eles debaterão, juntamente com professores da Universidade, as pesquisas e a prática clínica relacionadas à ansiedade e ao transtorno do pânico.

 

A mesa-redonda será coordenada pelos professores do programa de Pós-Graduação em Neurociências, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, Angela Maria Ribeiro e João Vinícius Salgado. O evento é aberto ao público, não exige inscrição prévia e será realizado no auditório A2, localizado no segundo andar do CAD I, a partir das 15h.

 

Os professores Frederico Graeff e Hélio Zangrossi integram o Núcleo de Pesquisa sobre Neurobiologia das Emoções, do Instituto de Neurociência e Comportamento da USP. Atuam, principalmente, no campo da neuropsicofamarcologia e são reconhecidos pela comunidade científica internacional por sua contribuição para compreensão das bases neurobiológicas da ansiedade e do transtorno do pânico.

 

Frederico Graeff vai abordar a interação serotonina-opioides na matéria cinzenta periaquedutal em relação ao pânico. O professor lembra que, para explicar a vulnerabilidade dos pacientes de pânico a ataques foram propostas duas hipóteses: a da deficiência de serotonina e a da falta de opioides endógenos. (Veja entrevista com o professor Graeff, no Portal UFMG, em 2011).

 

"Resultados de estudos recentes obtidos em dois modelos animais em situação de pânico permitem reconciliar essas hipóteses, porque mostram que a serotonina e opioides endógenos interagem na matéria cinzenta periaquedutal, que regula reações de defesa a perigos iminentes e ataques de pânico”.

 

O professor Hélio Zangrossi abordará O papel das diferentes subáreas do núcleo dorsal da rafe na modulação de comportamentos defensivos associados à ansiedade e ao pânico. "Inúmeras evidências mostram que a serotonina desempenha papel crítico na fisiopatologia e no tratamento farmacológico de transtornos de ansiedade, como o de ansiedade generalizada (TAG) e do pânico (TP). O núcleo dorsal da rafe (NDR) é a principal fonte de neurônios serotonérgicos que inervam áreas encefálicas envolvidas na geração/modulação de comportamentos defensivos associados à ansiedade e ao pânico", detalha o professor.

 

Ainda segundo Zangrossi, trabalhos recentes do grupo de pesquisa mostram o papel diferencial de distintas populações neuroniais do NDR na modulação desses comportamentos. Nesta apresentação serão discutidas as implicações dessas descobertas para o entendimento da fisiopatologia da ansiedade generalizada e do pânico.

 

O debate será encerrado com o psiquiatra e professor do Programa de Neurociências da UFMG João Vinícius Salgado, que abordará o transtorno do pânico sob a perspectiva da prática clínica.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação da UFMG

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