Confederação entra com Adin no STF contra medidas que alteram direitos trabalhistas na MP 664. Medida governamental altera regras da pensão por morte, auxílio-doença e aposentadoria por invallidez.
 

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) entrou, na segunda-feira (9/02), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a Medida Provisória 664 junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A MP, editada em dezembro último, altera as Leis 8.213/1991, 10.876/2004, 8.112/1990 e 10.666/2003 e muda, sensivelmente e para prejuízo dos trabalhadores, as regras de concessão da pensão por morte, do auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez. “É lamentável que, na busca do ajuste fiscal, poupe-se o rentismo e os mais ricos, elevando-se a taxa de juros, e punam-se os trabalhadores, cortando benefícios sociais. E, além da flagrante injustiça, a forma adotada pelo governo é claramente inconstitucional, como demonstra a Adin impetrada pela nossa confederação”, afirma o presidente da entidade, Murilo Celso de Campos Pinheiro.
 

 

A inconstitucionalidade baseia-se já na natureza da MP, que pode ser adotada pelo Poder Executivo para atender a situações emergenciais, que não possam aguardar os procedimentos legislativos ordinários, o que não é o caso em pauta. A Adin da CNTU observa que a MP 664 introduz inúmeras alterações na legislação relativa ao Regime Geral da Previdência Social, “fazendo crer, além da afronta direta aos princípios e direitos constitucionalmente assegurados aos cidadãos brasileiros, ser a sua intenção suprimir do amplo debate público com a sociedade brasileira e seus representantes um conjunto de medidas que tem o nítido propósito de sacrificar os direitos sociais (...)”.
 

 

Não bastasse a inadequação da MP para mudanças na Previdência Social, há ainda grave inconstitucionalidade formal na adoção da medida. Isso porque, conforme o Art. 246 da Carta Magna, “é vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995", aponta a ação da CNTU. Além disso, a MP 664 viola frontalmente diversos preceitos constitucionais, entre eles os artigos 5º, 6º, 40, 154, 195 e 226.
 

 

Alterações
 
As alterações impostas pela MP, descreve a Adin, “consistem em introduzir regras restritivas e mais rigorosas, quando não inviabilizadoras, para o exercício do direito à pensão por morte”. Por exemplo, a partir de 1º de março de 2015, a pensão somente será concedida caso o segurado instituidor da pensão houver contribuído para o Regime Geral de Previdência Social por pelo menos 24 meses, carência antes inexistente.
 

 

Por fim, ação impetrada pela CNTU ressalta que o assunto em discussão afeta diretamente os profissionais liberais, na condição de segurados obrigatórios da Previdência Social, que contribuem regularmente para que, em situação de infortúnio, seja-lhes assegurado e aos seus dependentes o benefício da pensão por morte, da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença. Na condição de servidores públicos, sejam eles médicos, engenheiros, economistas, nutricionistas, farmacêuticos, odontologistas ou quaisquer outros, são igualmente atingidos pelas restrições introduzidas na ordem jurídica desses benefícios sociais.
 

 

Fonte: CNTU

Publicada em 11/02/2015

Entidade foi solicitar à deputada que pedisse o desarquivamento de projetos de interesse dos farmacêuticos.
 

Nesta terça-feira (10/02), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) esteve, na Câmara dos Deputados, em audiência com a deputada Alice Portugal. Os diretores da Fenafar foram solicitar à parlamentar o desarquivamento de projetos de interesse da categoria (o PL 5.359/2009 que define o piso salarial dos farmacêuticos, o PL 4.135/2012 que torna obrigatória a contratação de farmacêuticos em unidades do SUS e o PLC 321/2013 que prevê o repasse de 10% das receitas correntes brutas da União para a Saúde, este último originário do Movimento Saúde + 10).
 

Estiveram na reunião com a deputada o presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, e os diretores Fábio Basílio e Lorena Baía. A Fenafar solicitou, ainda, que a parlamentar reative a Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica.
 

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) já enviou requerimento à presidência da Câmara dos Deputados, solicitando o desarquivamento das proposições. Ela afirmou que mesmo com o cenário conservador desta atual legislatura, continuará trabalhando em prol da categoria e da saúde brasileira como um todo. Alice destacou, ainda, a importância de manter a visibilidade da categoria na Câmara dos Deputados. Sobre a Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Farmacêutica, a previsão é que o lançamento seja feito no mês de abril.
 

Da redação da Fenafar com Ascom deputada Alice Portugal
Publicado em 11/02/2015

Parlamentares admitem rever alterações em benefícios trabalhistas propostos pelo governo e demonstram apoio às negociações durante tramitação das duas matérias no Legislativo

 


Brasília – O primeiro saldo positivo da mobilização que tem sido feita pelas centrais sindicais no Congresso Nacional para evitar perdas para os trabalhadores foi sentido nesta terça-feira (10). Ao pleitear junto aos deputados e senadores alterações no texto das duas medidas provisórias (MPs 664 e 665) que mudam as regras de benefícios trabalhistas e previdenciários, anunciadas em dezembro passado, sindicalistas ouviram declarações de apoio e confirmaram que as MPs deverão ser, mesmo, modificadas ao longo da tramitação.

 

O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (PT-AC), afirmou ser difícil, hoje, imaginar que as MPs serão votadas da forma como foram encaminhadas pelo Executivo ao Congresso. Sua fala praticamente confirma o posicionamento da base aliada no sentido de mexer no texto com os ajustes nos benefícios.

 

Machado diz que é preciso buscar um acordo e negociar os itens tidos como prioritários. O tom da sua afirmação mudou em relação a duas semanas atrás. Quando repercutiu o primeiro pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, ele havia dito à RBA que seria fácil aprovar os textos das MPs. Agora, reconhece que as duas matérias já receberam cerca de 600 emendas. “É um número gigantesco para que possamos imaginar que não haverá alteração.”

 

No corpo a corpo de hoje, representantes das centrais percorreram em separado os gabinetes dos deputados e senadores para conversar sobre a perda de direitos com as alterações nas regras de acesso, principalmente, ao seguro-desemprego. Eles também tiveram reuniões com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ).

 

O presidente da CUT, Vagner Freitas, não pôde ir às audiências com os presidentes das duas Casas porque foi recebido pela presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto – para uma agenda específica da entidade. Mas reiterou o argumento que tem apresentado desde que foram iniciadas as negociações, de que existem outras formas de reduzir gastos e melhorar a arrecadação – como a taxação das grandes fortunas.

 

“Recebemos apoio de deputados voltados para as causas dos trabalhadores, como Carlos Zarattinni (PT-SP), Vicentinho (PT-SP) e tantos outros. Estamos animados”, afirmou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, ao anunciar que a bancada do PCdoB na Câmara comunicou ao grupo a ideia de fechar questão em torno da alteração no teor das MPs. O presidente da UGT, Ricardo Patah, contou que as centrais “estão unidas e querem participar do debate”, desde que não sejam retirados direitos já garantidos.

 

‘Cautela e conciliação’
Eduardo Cunha disse aos sindicalistas que se prontifica a facilitar o debate. Defendeu cautela e conciliação na discussão, dentro do Legislativo, sobre a definição das metas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. E discursou que “a despeito das restrições fiscais, devem ser preservados os direitos”.

 

No Senado, o presidente Renan Calheiros criticou o envio constante de medidas provisórias por parte do Executivo ao Congresso: “Está na hora de acabar com as propostas de mudanças por meio de MPs, que são questionáveis juridicamente”.

 

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (CE), salientou que governo, centrais e Congresso podem chegar a um acordo sobre itens a serem alterados nos dois textos. Segundo Costa, o próprio governo admitiria fazer algumas negociações “para que possamos centrar a nossa atenção na correção de algumas distorções sem causar injustiças nem prejuízos à população”.

 

A ação dos sindicalistas chegou a parlamentares das mais diversas bancadas. De acordo com o deputado Givaldo Carimbão (Pros-AL), apesar da disposição do seu partido em ajudar o governo na tramitação das MPs, ele entende a dificuldade para que as medidas sejam aprovadas. “Queremos ajudar e evitar que a economia piore, mas vamos aguardar as negociações a serem feitas”, ressaltou.

 

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acentuou que o seu partido não concordará com a retirada de nenhum direito social. “Dentro dessas medidas, algumas são absorvíveis, mas tem uma que não tem como mexer em razão da crise de rotatividade do mundo do trabalho, que é a ampliação do prazo de acesso ao seguro-desemprego”, afirmou.

 

O senador Lindberg Farias (PT-RJ) acrescentou que o PT não pode "brigar" com as bases: “Estamos em conflito com a CUT e as centrais sindicais. Precisamos equilibrar isso, para que os mais ricos paguem essa conta”.

 

Tentativa de politização
As centrais têm novo encontro com o governo no próximo dia 25 parta discutir os textos. As MPs 664 e 665 alteram regras para concessão de seguro-desemprego, pensão por morte, abono salarial, seguro-defeso (para pescadores) e auxílio-doença.

 

No final do dia, alguns parlamentares criticaram uma movimentação isolada da Força Sindical, num momento em que as ações das centrais vêm sendo articuladas conjuntamente desde o início do ano. A iniciativa, por causa disso, foi vista por determinados integrantes da base do governo como uma tentativa de “politização da causa” por parte do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força.

 

Sem tocar no assunto, o deputado elogiou o trabalho realizado ao longo do dia e disse que as centrais contribuirão com as comissões, discutindo o teor das MPs no Congresso, daqui por diante.

 

Fonte: RBA

Composição conservadora no Congresso, com ampla bancada empresarial deve favorecer a aprovação do projeto que pode ampliar a precarização de direitos trabalhistas

 

Terceirização pode representar precariedade das condições de trabalho e redução de direitos

 

São Paulo – O Projeto de Lei 4.330/04, que expande a terceirização, foi desarquivado ontem (10). De autoria do ex-deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), o PL está pronto para votação no plenário da Câmara dos Deputados. A votação em plenário depende do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que precisa incluir a matéria na ordem do dia. Essa decisão é tomada no âmbito do Colégio de Líderes.

 

O requerimento para desarquivamento pedia o retorno à tramitação do PL 1.621/07, do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), anexado ao 4.330. Dessa forma, todas as proposições que versam sobre terceirização são resgatadas para iniciar a tramitação de onde pararam no encerramento da legislatura no dia 31 de janeiro de 2015.

 

 

Nesta fase do debate sobre o tema, o movimento sindical precisa ficar atento, pois há forte tendência de o projeto ir à frente, tendo em vista a composição da Câmara empossada no dia 1º de fevereiro de 2015.

 

Trata-se de uma composição mais conservadora, com uma bancada empresarial que manteve sua força e poder, com 220 representantes na Câmara. A bancada sindical, que na legislatura passada tinha 83 representantes na Casa, agora tem 51.

 

Senado

Além da investida a favor da terceirização na Câmara, pode voltar à tramitação no Senado projeto idêntico ao PL 4.330. Trata-se do PLS 87/10. Assim, a atenção e  mobilização dos trabalhadores se volta também para o Senado.

 

De autoria do ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o texto aguardava parecer para discussão e votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso retorne ao debate na CCJ ainda será apreciado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.

 

O PLS 87 foi arquivado no final da legislatura, mas poderá ser desarquivado mediante requerimento de qualquer senador, com apoio de 27 colegas.

 

Fonte: Rede Brasil Atual, com reportagem da Agência Diap

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