A Gerência-Geral de Saneantes, está realizando uma ampla revisão de todos os informes, alertas ou recomendações sobre saneantes, emitidos desde a criação da Anvisa até o momento. Alguns documentos foram revogados por conta da perda do objeto ou inadequação aos regulamentos atuais, enquanto outros foram revisados ou estão em processo de atualização.

 

A lista completa dos informes técnicos emitidos pela área de saneantes, e que se encontram vigentes, assim como os respectivos documentos, pode ser acessada  na página de Saneantes no próprio portal da Anvisa.

 

O trabalho faz parte da implementação do sistema de gestão da qualidade que vem sendo conduzido desde 2013 na área de saneantes da Anvisa. O objetivo é melhorar a gestão da documentação, no gerenciamento dos processos de trabalhos, e a padronização de ações e informações divulgadas pelo setor.

 

Acesse os documentos:
http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Saneantes

Fonte: Imprensa Anvisa

Fiocruz mostra os riscos da interação medicamentosa e a importância do uso racional dos medicamentos.


Na próxima vez em que você estiver num consultório médico, ou em outro estabelecimento de saúde, e um profissional lhe perguntar se está fazendo uso de algum medicamento, procure responder o mais detalhadamente que puder. Não se esqueça de relatar o uso de chás, pomadas ou até mesmo aquele comprimido habitual para dor de cabeça. Essa é uma chance de tentar prever e prevenir um evento ao qual geralmente não se dá muita atenção, até que ocorra: a interação medicamentosa. Ela acontece quando os efeitos de um remédio são alterados pela presença de outro, bem como pela mistura com fitoterápicos (os chamados remédios naturais), alimentos, bebidas ou algum agente químico ambiental — como o calor emanado pelo chuveiro de casa.

 

 

O Sistema Nacional de Informações Toxico Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz) registrou, só em 2011, cerca de 30 mil casos de intoxicação por uso de medicamentos. Embora não seja possível afirmar quais deles ocorreram por interação medicamentosa, em três circunstâncias específicas a possibilidade é muito extensa: pelo uso terapêutico errado, pela prescrição médica incorreta e por automedicação. “Às vezes a pessoa está fazendo uso de determinado medicamento e não informa isso ao médico, durante a consulta. Em outras, o próprio médico desconhece o potencial de interação dos remédios. E há ainda os casos em que o paciente usa medicamentos que tem em casa, seguindo palpites de amigos ou parentes, sem ter noção se eles podem realmente ser misturados”, descreve a coordenadora do Sinitox, Rosany Bochner.

 

 

Embora nem toda interação medicamentosa seja ruim, é preciso estar atento aos riscos de reunir, sem intenção prévia, dois ou mais efeitos terapêuticos. As consequências variam de dores pelo corpo, sangramentos e até problemas cardíacos, podendo, no extremo, ser fatal. No artigo Interações medicamentosas: uma contribuição para o uso racional de imunossupressores sintéticos e biológicos, disponível na base Scielo, os autores apontam duas questões que reforçam a necessidade de atenção ao assunto. A primeira delas é que a incidência de reações adversas causadas por interações medicamentosas não é totalmente conhecida, especialmente devido à dificuldade de sistematizar, num amplo banco de dados, os números e os tipos de pacientes aos quais foram e são prescritas as combinações com potencial para problemas. E a segunda é que “não é possível distinguir claramente quem irá ou não experimentar uma interação medicamentosa adversa”. Alguns cuidados, contudo, reduzem sensivelmente as surpresas indesejáveis. O primeiro deles é optar pela informação.

 


Ler a bula

 

Seja pelo tamanho ou pela linguagem, ninguém nega: ler a bula é uma tarefa difícil. Mas é ela que contém todas as informações úteis a respeito do medicamento a ser administrado, inclusive se ele pode, ou não, ser consumido junto a outros remédios, com água ou outros líquidos, em jejum ou alimentado etc. Um fato que preocupa é que, dependendo do canal através do qual se dá o acesso ao medicamento, o cidadão nem chega a ter a bula em mãos. Mas ela é um direito. Desde 2009 a Anvisa determinou que devem existir três tipos de bula: a do profissional de saúde, a do usuário (de linguagem mais simples e no formato de perguntas e respostas) e a bula em formato especial (destinada aos portadores de deficiência visual, e que deve ser solicitada no estabelecimento, caso a caso). Quando a dispensação se dá em farmácias comerciais, a bula que vem dentro da caixa do medicamento já é a do paciente. E, quando o medicamento é disponibilizado na rede pública de saúde, podendo vir fracionado, o cidadão pode solicitar a bula impressa. É obrigação do serviço de saúde fornecê-la.

 

 

No site da Anvisa existe o Bulário Eletrônico, onde uma busca simples — até pelo nome comercial do medicamento — já aponta as bulas disponíveis. Uma impressora que funcione e um profissional consciente podem estimular a maior busca por informação. É o que defende o farmacêutico do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) José Liporage: “Em muitas unidades assistenciais os profissionais não entregam as bulas. Em alguns casos, porque acreditam que, assim, estão evitando que o cidadão comercialize o medicamento que recebeu no Sistema Único de Saúde. Em outros, porque fazem questão de controlar a informação sobre o remédio, de manter o seu poder como profissional.”

 

 

Além de informar, a bula é importante porque pode ser um mecanismo de proteção do cidadão. “Ela é extensa justamente porque precisa orientar sobre todas as possibilidades de ocorrência daquele medicamento, além das interações. Ela precisa dizer o que pode acontecer ao paciente. Se alguém ingere um remédio que causa determinado efeito que não foi previsto nem na bula, o paciente pode recorrer judicialmente, exigindo reparação”, diz Liporage. Mas nem sempre vai estar escrito neste documento a expressão interação medicamentosa. Na maioria das vezes a informação será algo do tipo “este medicamento não pode ser usado em tais situações”, lembra o farmacêutico.

 

Automedicação

 

Profissionais de diferentes unidades da Fiocruz têm um relato em comum: um dos maiores geradores de interação medicamentosa é a prática da automedicação. O Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para Farmacêuticos (ICTQ) realizou uma pesquisa que revela este cenário: 76,4% da população brasileira faz uso de medicamentos a partir da indicação de familiares, amigos, colegas e vizinhos. São pessoas que consomem qualquer tipo de remédio quando necessitam e dispõem, inclusive aumentando suas dosagens afim de obter um efeito mais acelerado. O estudo foi realizado em 12 capitais brasileiras e a cidade do Rio de Janeiro ficou acima da média nacional, com 91% de sua população se automedicando.

 

“Sempre alertamos para a necessidade do uso racional de medicamentos. As pessoas não fazem ideia dos riscos que estão correndo ao tomar esses fármacos aleatoriamente, por conta própria. Em nossa cultura um medicamento se tornou tão usual quando uma blusa, uma calça ou qualquer coisa já naturalizada no cotidiano. As famílias estocam medicamentos, não têm muito cuidado com o prazo de validade, fazem combinações baseadas em efeitos ocorridos com terceiros, enfim, agem de forma muito arriscada. E sequer têm noção desse risco”, alerta Rosany.

 

Para discutir a prática da automedicação é preciso, contudo, discutir também o acesso aos medicamentos e aos serviços de saúde, lembra Liporage. “Mesmo com todo o avanço do SUS, ainda temos uma grande dificuldade de garantir o direito à saúde. Temos uma parcela muito significativa da população que se automedica especialmente porque a farmácia comercial é sua porta de entrada ao acesso. E esse processo não vem com o suporte de informação necessário para garantir a segurança do uso do medicamento.”

 

Na farmácia comercial o profissional que pode assegurar todas as informações com relação à interação medicamentosa é o farmacêutico. No SUS, a luta é para que esse profissional seja parte de uma equipe multiprofissional, trabalhando desde a Atenção Básica, onde a orientação farmacêutica será parte fundamental do atendimento ao paciente. “Evitar a interação medicamentosa começa no atendimento, que deveria ser multiprofissional em todos os serviços. No primeiro contato do paciente com o medicamento, ele deveria receber uma atenção especial sobre como administrá-lo. Quando a pessoa é adulta e a consulta é para si, já há essa necessidade. Mas, quando é uma cuidadora, sua responsabilidade duplica. Quando se trata de um medicamento que deve ser manipulado, o processo se torna ainda mais complexo”, aponta Liporage.

 

Fonte: Portal Fiocruz

Qual a importância do brincar como mecanismo promotor de saúde para as crianças internadas? Para responder a essa questão, a aluna do mestrado em Saúde Pública da ENSP, Ligia Maria Rocha Rodrigues buscou entender como o brincar auxilia no bem-estar dessas crianças identificando resultados e mudanças que permitem à criança mais autonomia e participação durante a hospitalização, além de compreender como age sobre as interações sociais ocorridas entre elas, os profissionais de saúde e os acompanhantes, e analisar como pode vir a contribuir para uma ampliação do cuidado em saúde. Sob orientação da pesquisadora da Escola Regina Cele de Andrade Bodstein, foi acompanhado pela aluna, durante três meses, o Programa Saúde e Brincar, do hospital Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

 

 

Os resultados obtidos mostraram que o brincar, enquanto recurso terapêutico, possibilita a criança ocupar um papel mais ativo, com bem-estar, autonomia e participação, agindo também sobre o fortalecimento das relações ocorridas entre os stakeholders e contribuindo para um tratamento que perpassa os limites físicos do adoecimento, fazendo com que a criança modifique suas percepções acerca das experiências vivenciadas dentro do hospital.

 

 

Foram entrevistados pela aluna 9 profissionais (integrantes do Programa Saúde e Brincar e gestores da enfermaria pediátrica) e 9 acompanhantes sobre a execução das atividades com as crianças internadas. Para ela, pensar em promoção da saúde no ambiente hospitalar é extremamente pertinente, especialmente quando neste espaço existem crianças que permanecem internadas durante longos períodos ou que sofrem com internações seguidas ao longo de suas vidas. “O hospital, nesse caso, transforma-se no único ou no principal cenário onde transcorrem suas vidas e onde suas atividades diárias são realizadas.” Além disso, acrescenta Lígia, as brincadeiras contribuem para que ela saia da condição passiva de objeto de tratamento para ocupar um papel mais ativo perante a hospitalização.

 

 

O estudo no IFF permitiu observar in loco a importância e o papel da brincadeira dentro de um ambiente hospitalar complexo, explicou Lígia. “Ao criar ou recriar um ambiente familiar das crianças e de seus acompanhantes, são inúmeros os benefícios, como relaxamento e prazer, facilitando e fortalecendo interações e cuidados, permitindo que as crianças vivenciem esse ambiente de outra perspectiva.” Ainda traz uma compreensão ampliada da saúde, disse ela, não como a ausência da doença, mas como um conjunto de aspectos psíquicos, sociais, culturais e ambientais, ampliando o olhar dos profissionais para estas questões e fazendo com que a criança perceba a sua saúde de uma forma mais positiva.

 

 

O Programa Saúde e Brincar do IFF completou 20 anos de sua existência em 2014 e, atualmente, desenvolve atividades referentes à assistência, ensino e pesquisa, voltadas para a saúde da criança e adolescente em situação de adoecimento crônico e hospitalização, onde o brincar é identificado como principal elemento. São muito os avanços nesse aspecto.

 

 

No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) reconheceu como um direito da criança o brincar. Portanto, observa Lígia, um valor a ser sustentado de forma efetiva pela sociedade e pelas instituições brasileiras, dentre eles todos os hospitais públicos e privados. Já em 2005, por meio da Lei nº 11.104, tornou-se obrigatório a criação de um espaço com desenvolvimento de atividades lúdicas dentro dos hospitais brasileiros que ofereçam tratamento pediátrico.

 

 

A Organização Mundial da Saúde criou, em 2004, por meio da Rede Internacional de Hospitais Promotores da Saúde (HPH-Children and Adolescents), o projeto "Respeito dos Direitos da Criança Hospitalizada" que tem o intuito de avaliar se os hospitais e serviços de saúde cumprem com os direitos das crianças internadas com base no que foi proposto na Convenção das Nações Unidas de 1989.
 

 

 

Ligia Maria Rocha Rodrigues é graduada em Fisioterapia pela Universidade de Fortaleza, com experiência na área de Saúde Pública em hospitais, ONGs e comunidades carentes de Fortaleza - CE. Sua dissertação foi apresentada em dezembro na ENSP.


Fonte: ENSP

Desde dezembro do ano passado Leo Heller é relator especial da ONU sobre o direito à água potável e ao saneamento


O pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Leo Heller afirma que é um equívoco pensar que estiagem significa necessariamente falta de água nas torneiras. "Estiagem é baixo volume de chuva; escassez é acesso limitado à água", diz o brasileiro, que é o atual relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o direito à água potável e ao saneamento.


Depois de 2014, considerado o ano mais seco e mais quente em décadas na região Sudeste, o estudioso faz questão de diferenciar estiagem de escassez, explicando, assim, que a culpa da atual crise de falta de água não é da meteorologia.


Para Heller, que está na função desde 1º de dezembro do ano passado, é possível ter pouca chuva e abastecimento de água regular para a população. "A estiagem não deve se converter em escassez no sistema de abastecimento. [Para isso] é necessário haver planejamento para pensar em medidas que evitem a falta de água", afirma Heller, que foi escolhido para a função para um período de três anos, prazo que pode ser prorrogado por mais três.


Segundo ele, é necessário projetar qual será o consumo futuro e a disponibilidade de água e pensar em alternativas aos reservatórios, como uso de água de chuva e de aquíferos, além do reúso. "A oferta deve ser sempre superior à demanda. Nesse período que estamos vivendo isso não está acontecendo", alerta.

 

Vilões da crise

 

A crise de falta de água vivida por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo foi causada, na opinião do professor, pelo "planejamento inadequado do sistema de água", que não leva em conta as variações climáticas.

 

Ele discorda de quem aponta o desperdício dos consumidores domésticos como vilão da crise. "Nós sabemos que não são eles. Existe um uso perdulário da água em outras atividades econômicas, como agricultura e mineração, além das perdas excessivas na distribuição de água", fala.

 

Relatório do governo federal divulgado no mês passado revelou que 37% da água tratada no país é desperdiçada por falhas nas tubulações, fraudes e ligações clandestinas.

 

Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), de cada cem litros de água consumidos no Brasil, 72 são usados na agricultura.

 

 

Lições

 

O relator da ONU vê lições que a falta de água pode ensinar tanto para os consumidores quanto para os prestadores de serviço de água.

"A crise não deixa de ser uma oportunidade para estabelecer um processo educativo para que as pessoas gastem [água] com mais responsabilidade porque sem dúvida existe espaço para reduzir o consumo. É inadmissível que hoje em dia pessoas lavem o passeio com mangueira", critica.

 

Heller chama a atenção, no entanto, que essa redução no consumo tem limite. "É preciso haver cautela para que não implique em redução excessiva aquém das necessidades básicas", destaca.

 

 

Multa por desperdício

 

Questionado pela reportagem do UOL sobre a validade das medidas que têm sido tomadas pelos governos para lidar com a crise, o pesquisador preferiu não fazer comentários, com exceção do caso da multa que começou a ser aplicada em São Paulo para quem aumentou o consumo.

 

"[Essa questão da multa] deve ser olhada com mais cuidado, sob a perspectiva dos direitos humanos. Se ela for aplicada de maneira pouco cuidadosa, pode gerar injustiças", diz.

 

Heller se mostra preocupado especialmente com quem mora na periferia. "Os mais pobres já gastam pouca água. Se por alguma razão aumentaram o consumo, serão multados e obrigados a reduzir o uso da água a um nível que talvez prejudique suas necessidades básicas e isso pode ter impacto na saúde", adverte.

 

A ONU estima que uma pessoa precisa de 110 litros de água por dia para atender às suas necessidades básicas.

 

Fonte: UOL / 12/02

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