Deputados contrários ao projeto alertam para precarização. ‘Maior agressão aos direitos trabalhistas do país desde a CLT’, disse Alessandro Molon. Senado fala em alterações e CUT, em greve geral

Brasília – Apesar da expectativa em torno do tema e dos debates acalorados, governo e centrais sindicais sofreram mais uma derrota no plenário da Câmara na noite de ontem (22), com a aprovação do Projeto de Lei (4.330), que regulamenta a terceirização em todos os setores das empresas. Os parlamentares não acataram vários pedidos feitos pelo Executivo para modificação do projeto e aprovaram uma emenda aglutinativa que modificou alguns itens do texto base. Um destes foi a ampliação dos tipos de empresas que podem atuar como terceirizadas, abrindo a possibilidade de associações, cooperativas, fundações e até empresas individuais se oferecerem para prestar serviços como terceirizados.

O projeto segue agora para o Senado, onde há a expectativa de trâmite com um pouco mais de tempo para a discussão em plenário do que na Câmara. Ainda na manhã de ontem, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou que irá trabalhar para que naquela Casa, a terceirização não seja aprovada "de forma ampla, geral e irrestrita" e que trabalhará para "evitar a supressão de direitos dos trabalhadores".

Os partidos contrários ao projeto, PT, PCdoB, Psol e Pros, preveem ainda uma dura disputa e uma campanha para que a presidenta Dilma Rousseff vete os pontos mais prejudiciais aos trabalhadores, como a liberação de terceirização inclusive das atividades principais das empresas, casa não venham a ser alterados pelos senadores.

O movimento sindical também anuncia a continuidade das atividades de denúncias contra os parlamentares que cederam ao lobby empresarial e a realização de protestos, que podem, segundo a CUT, chegar a uma greve geral. “A luta não acaba com a votação na Câmara, o projeto ainda passará no Senado. Nós estaremos na rua e teremos um 1º de maio de muita luta e mobilização em todo o País. Vamos ampliar as mobilizações, fazer novos dias de paralisações e, se necessário, uma greve geral para barrar esse ataque nefasto e criminoso aos direitos da classe trabalhadora brasileira”, diz o presidente da central, Vagner Freitas.

A presidenta do Sindicato dos Bancários, Juvandia Moreira, acrescenta que o movimento sindical não dará trégua. "Um possível veto da presidenta Dilma, se necessário, só virá com o respaldo das ruas", afirma.

"Foi a maior agressão aos direitos dos trabalhadores depois da criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943)", afirmou o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) após o final da sessão, que durou mais de quatro horas e terminou depois das 22h. Para o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), a emenda apenas piorou o projeto original aprovado há duas semanas.

"Essa terceirização não é para regulamentar, é para ampliar total. Essa emenda embute a contratação de toda e qualquer cooperativa. Isso é um retrocesso em relação ao que prevê a legislação trabalhista brasileira", criticou Guimarães. Segundo o líder, o governo se esforçou para buscar um equilíbrio, como forma de fazer com que a proposta não viesse a favorecer só empresários ou trabalhadores, mas sem sucesso.

Emenda
A grande derrota para o grupo que atuou intensamente nos últimos dias pela retirada de itens considerados prejudiciais aos trabalhadores do texto-base do PL, sobretudo a terceirização das atividades-fim das empresas, foi a emenda aglutinativa apresentada pelo relator do projeto, deputado Arthur Maia (SD-BA), e pelo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ).

A emenda também reduz de 24 para 12 meses o tempo que ex-empregados da contratante têm de cumprir como funcionários contratados para depois poderem passar a ser terceirizados, caso sejam donos ou sócios de empresa de terceirização. E autoriza a chamada quarteirização – que é a possibilidade de uma empresa terceirizada repassar para outra empresa os serviços para os quais foi contratada –, com a condição de que ocorra somente em caso de serviços técnicos especializados.

A votação foi encerrada após aprovação de uma última emenda, de autoria do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que determina a aplicação da cota de contratação de pessoas com deficiência para todos os trabalhadores da empresa, somando os próprios e os terceirizados.

Insatisfações e embates
O resultado gerou insatisfações e embates entre os parlamentares. Perondi, que defendeu a aprovação sem modificações do texto, usou o repetido argumento de que o Brasil precisa de mais competitividade e produtividade, e que o projeto vai dar segurança jurídica com às terceirizações. "Apesar das críticas, é uma matéria que chega em boa hora para o Brasil", acentuou.

Molon, por sua vez, reforçou que "o problema não é só precarizar ainda mais o trabalho de 12 milhões de trabalhadores terceirizados, e sim, prejudicar esses trabalhadores e outros 33 milhões de trabalhadores diretos".

"Infelizmente, apesar do aceno para recuo democrático dos parlamentares em atendimento a tantos pedidos dos trabalhadores e centrais nos últimos dias, o que se viu foi um recuo das negociações tratadas", disse Guimarães. Ele acentuou que foi nítido o retrocesso observado em relação à última semana na discussão do tema.

Fonte: RBA, Hilda Cavalcanti

Depois de três meses consecutivos em queda, a geração de empregos formais no país voltou a crescer em março com a criação de 19.282 novos postos de trabalho formal. O dado representa um crescimento de 0,05% em relação ao mês anterior, quando havia sido registrado fechamento de 2.415 vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgado hoje (23) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

 

No acumulado do ano o resultado ficou negativo (-0,12%) com queda de 50.354. No acumulado dos últimos 12 meses, o Caged registrou em março a redução de 48.678 postos de trabalho formal. O resultado do mês de março de 2015 é melhor do que o obtido no mesmo mês do ano passado (13.117).

 

O resultado positivo para o mês de março deste ano decorre da diferença entre o total de trabalhadores admitidos (1.719.219) e o total de demitidos (1.699.937). No ano, foram admitidos 5.088.689 trabalhadores com carteira assinada e 5.139.043 demitidos.

 

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que o resultado negativo no acumulado do ano preocupa. Ele ressaltou, no entanto, que o país começa a se recuperar da crise. “No nosso entendimento estamos vivendo uma crise política que também impacta a economia. Isso posterga a compra de um automóvel, de um apartamento e o investidor deixa de investir. O que nos mostra o resultado de março é que nós começamos uma recuperação e abril será melhor do que março”, analisou Dias.

 

Fonte: Agência Brasil

A Anvisa suspendeu a fabricação, distribuição, divulgação, comercialização e uso do saneante Solução X Brasquil, alto poder de limpeza, 5 litros fabricado pela empresa Brasquil Química Brasileira Ltda.


Foi comprovada a comercialização do produto sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. A empresa promoverá o recolhimento do estoque existente no mercado.

A medida está na Resolução nº 1244, publicada nesta quinta-feira (23/4) no Diário Oficial da União (DOU).

Fonte: Imprensa Anvisa

Ato no Dia do Trabalho dará ênfase à defesa da Petrobras e à batalha contra o PL 4.330

 

Proposta é um dia de luta com as mesmas bandeiras pautadas nas ruas desde o início de março

 

São Paulo – “Esperamos que o 1º de Maio seja marcado pela continuidade da luta pelos direitos, pela democracia e pela defesa Petrobras”, disse Julio Turra, diretor executivo da CUT, nesta quarta-feira (22), em entrevista para a Rádio Brasil Atual. A central realiza reuniões para organizar os atos.

 

“Desde a manhã, estamos em Brasília para uma reunião da executiva nacional da CUT com os presidentes estaduais das centrais. Durante a tarde, iremos ao Congresso acompanhar a votação do PL 4.330, da terceirização, em vários estados e já começou a operação para cercar deputados nos aeroportos, visando a pressionar o voto do projeto de lei”, afirmou Turra.

 

Para o dirigente, o dia 1º será o ponto culminante das manifestações, que tiveram início em março. “Será um dia de luta, levantando as mesmas bandeiras que são pautadas pela CUT no último período, em conjunto com os movimentos populares parceiros”.

 

Diferente de outros anos, a comemoração do Dia do Trabalho enfatizará a luta e a manifestação. Segundo Turra, poderá haver atividades culturais, porém, com apoio de artistas engajados com as causas do movimento. “Estamos orientando as sedes estaduais a organizarem atos de rua e pela luta. O eixo é a mobilização de rua em massa levantando as reivindicações.”

 

“Essa manifestação será importante e vai nos turbinar para as próximas lutas, porque no atual quadro de crise política, nós não temos dúvida que o dia não será um ponto final de uma jornada”, afirmou.

 

Fonte: RBA

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