A democratização da comunicação e a expansão da participação e da representatividade da sociedade no universo da saúde pública são alguns dos focos do Conselho Estadual de Saúde (CES-MG), que apresentou para a imprensa, nesta segunda-feira (13/7), a 8ª Conferência Estadual de Saúde, que será realizada de 1º a 4 de setembro, no Expominas, com a participação de cerca de 3 mil pessoas de todas as regiões do Estado. O lançamento ocorreu na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

 

O CES formou uma comissão para elaborar a “Conferência da inclusão”, que pretende levar para os debates grupos que geralmente ficam fora das discussões e da construção do sistema público de saúde: jovens, mulheres, idosos, negros, indígenas, movimentos estudantis e GLBT, quilombolas, pessoas com deficiência, populações do campo e de assentamentos urbanos, ciganos e movimento da luta antimanicomial, entre outros. O objetivo é levar em consideração a diversidade étnica e racial.

 

A Conferência Estadual é o resultado de uma série de discussões já realizadas nas edições municipais, desde o início deste ano, para a elaboração de propostas para o aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS). As conferências municipais acontecem até está quarta-feira (15/7). A última etapa e a 15ª Conferência Nacional de Saúde, de 1º a 4 de dezembro, em Brasília. O tema principal em todas as etapas é “Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro”.

 

Conceição Rezende, assessora da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), lembrou a trajetória do debate sobre a saúde pública no Brasil, que teve ápice na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, considerada um marco – a ideia do SUS foi construída a partir das discussões nela levantadas. Ela entende que 15ª Conferência também pode fazer história.

 

“É preciso trazer para a discussão de política de saúde no país todas as facetas da nossa sociedade para, efetivamente, representá-la, com suas diferenças étnicas, de orientação de gênero e sexual, religiosa e tantas outras. Esse é o momento para refletir se os conselhos de saúde estão mesmo representando a sociedade”, ressaltou.

 

Outro aspecto é como a imprensa mostra o SUS. Segundo ela, geralmente são noticiados somente casos negativos. “Não haverá participação e controle social se a comunicação não for ampla, para que todos fiquem sabendo como é o SUS. O sistema tem problemas, mas possui indicadores fantásticos.”

 

Para o presidente do CES-MG e secretário de Estado de Saúde, Fausto Pereira dos Santos, a perspectiva de ampliação do público é uma estratégia importante. “Vamos dialogar com um conjunto maior. E a imprensa é importante. Estamos falando de toda a imprensa. A mídia é concentrada, mas hoje temos uma capilaridade mais ampla, com novos processos de difusão da comunicação”, afirmou o secretário.

 

Ele destacou a importância da 8ª Conferência, mas ressaltou que várias questões discutidas na época não foram absorvidas pela Constituição Federal de 1988. “Foi um momento de formulação importante. Depois, cada conferência foi deixando suas marcas ao longo do tempo. Foram momentos importantes de resistência a mudanças no SUS. Essa de agora também ocorre num momento importante. Temos que defender o SUS, ressaltar que o sistema avançou. Não é uma defesa cega, pois temos dificuldades de gestão e outros problemas, mas os indicadores do país mostram que nas políticas universais o sistema avançou muito”.

 

Renato Almeida de Barros, do Conselho Nacional de Saúde, também ressaltou a importância da imprensa e do diálogo “para defender o sistema. “O Congresso está tentando quebrar a estrutura do SUS, com alguns projetos, como o da terceirização e o da entrada de planos de saúde no SUS. É preciso reafirmar o Sistema Único, pelo qual tanto lutamos, e impedir a entrada do capital. Outra demanda é formar profissionais com interesse no sistema público de saúde.”

 

Lourdes Machado, secretária de Comunicação e Informação do CES, apresentou o plano de comunicação da 8ª Conferência, que enfatiza a diversidade da população, “das minorias que não têm espaço no SUS”. Trinta por cento da vagas na Conferência serão destinadas para esses grupos. “O objetivo é saber como o SUS pode atender esse público. Por isso, a democratização da comunicação é importante, para ampliar essa discussão.”

 

Para Florence Poznanski, representante do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), as leis que regulamentam a comunicação são da época da ditadura e precisam ser modificadas. Ela defende a regulação da mídia. “Regular a comunicação não é censurar, mas democratizar. Noventa e cinco por cento do sistema de comunicação é controlado pelo setor privado, e só 3% é público. Ele não contempla toda a realidade do país. O desafio que temos pela frente é democratizar a comunicação, e o período é propício, com o crescimento das plataformas gratuitas da internet. Meios alternativos estão encontrando lugar.”

 

Além do debate sobre a importância e a urgência da comunicação e informação no universo da saúde pública, os eixos temáticos da Conferência abordam assuntos fundamentais para promover avanços no SUS, como participação social, valorização do trabalho, financiamento, tecnologia, inovação, garantia de acesso, entre outros. Esses temas serão norteados pela discussão de mobilização e inclusão social, como a paridade de gêneros.

 

No caso da paridade no SUS, atualmente, a divisão entre os conselheiros eleitos nas conferências municipais, estaduais e nacional e nos conselhos de saúde é de 50% de usuários, 25% de gestores e prestadores de serviços e 25% de trabalhadores. Esses números serão mantidos. A mudança, para que de fato haja mais representatividade da população que usa diariamente o serviço de saúde no processo de debate e construção das políticas públicas de saúde, começará pela representação das mulheres. Nas conferências estaduais, serão eleitas, no mínimo, 50% de delegadas para participar da etapa nacional.

 

Fonte:  Sindicato dos Jornalistas do Estado de Minas Gerais

Ajuste que desajusta não passa confiança à sociedade nem a empresários. Caberia, no lugar do atual programa, retomar a combinação de democracia com crescimento e distribuição de renda

 

O diagnóstico de que a economia brasileira não cresceria mais sem antes haver a recuperação do grau de confiança dos empresários levou a equipe econômica do segundo governo da presidenta Dilma Rousseff a defender um conjunto de medidas definidas como ajuste fiscal. Isso porque a queda nas expectativas dos empresários foi entendida pelo governo federal como decorrente de piora na situação das contas públicas.

 

Como somente o ajuste fiscal causaria um novo contexto nacional de finanças saudáveis, plenamente satisfatório à elevação das expectativas dos empresários, a retomada do crescimento econômico brasileiro se tornaria mera consequência. Justificável, portanto, a centralização do funcionamento do governo federal – neste início de 2015 – em torno das políticas de ajuste fiscal de curto prazo.

 

Mas, junto com isso, passaram a surgir contradições importantes, talvez inesperadas inicialmente. De um lado, a posição dos ministérios da Fazenda e do Planejamento comprometida com a adoção do programa de austeridade fiscal, que atinge valor próximo de R$ 106 bilhões e se compõe de três partes, a saber. A primeira a ser anunciada foi a de cortes nos benefícios sociais (abono salarial, seguro-desemprego, seguro-defeso, pensão por morte e auxílio-doença), impulsionada pela expectativa da economia de cerca de R$ 15 bilhões.

 

A segunda parte do programa de austeridade fiscal implementado compreendeu a alta nos tributos sobre combustíveis, cosméticos, operações financeiras e produtos importados, entre outros. A arrecadação adicional esperada pelo governo federal foi de quase R$ 21 bilhões.

 

Por fim, a terceira parte foi a retenção das despesas orçamentárias (contingenciamento), que limitaram os gastos nos ministérios. Para 2015, por exemplo, o governo federal contingenciou a soma de R$ 69,9 bilhões, o que equivale a reter R$ 1 de cada R$ 4 que havia previsto despender no orçamento deste ano – os cortes serão nas despesas chamadas discricionárias (aquelas que não obrigatórias, definidas pela Constituição federal, o piso mínimo para educação e saúde, por exemplo).

 

A maior parte da retenção orçamentária veio do Programa de Aceleração do Crescimento, que contribuiu com R$ 25,7 bilhões (39% do total contingenciado), seguida de outras despesas como saúde, educação, transporte, ciência e tecnologia, entre outras, representando R$ 22,8 bilhões (33% do total retido). As emendas parlamentares contingenciadas envolveram a somatória de R$ 21,4 bilhões (31% do total contido).

 

Com esse esforço gigantesco, a equipe econômica acreditou ser possível garantir a realização de superávit fiscal equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto de 2015. Ou seja, terminar o ano com um saldo positivo de R$ 55 bilhões, resultado de receita líquida federal esperada de R$ 1,158 trilhão para uma despesa primária (sem contar gastos com juros) fixada em R$ 1,103 trilhão.

 

Combinação contraditória
De outro lado, está a postura do Banco Central comprometida com a elevação das taxas de juros. Somente nos primeiros seis meses do ano, a taxa de juros subiu dois pontos percentuais (de 11,75% anuais em dezembro de 2014 para 13,75% em junho de 2015).

 

Considera-se que a cada aumento de um ponto percentual na taxa de juros o custo total anual da rolagem da dívida do setor público indexada à Selic eleva-se em torno de R$ 13 bilhões. Com isso, o Banco Central sozinho contribuiu para o aumento das despesas públicas em R$ 26 bilhões por força da alta nos juros somente neste primeiro semestre.

 

A combinação do programa de austeridade fiscal com a elevação das taxas de juros provocou inexoravelmente o encolhimento da economia brasileira. Diante da queda na renda nacional, a diminuição da arrecadação tributária torna-se simples consequên­cia. Estimativas iniciais apontam a possibilidade de redução da arrecadação tributária em até 3% em termos reais, o que poderia equivaler a algo próximo de R$ 50 bilhões a menos nos cofres governamentais deste ano.

 

Eis aqui a contradição das políticas de curto prazo em 2015: o programa de austeridade fiscal dos ministérios da Fazenda e Planejamento visa à economia de R$ 106 bilhões, enquanto a ação do Banco Central, com a elevação dos juros, e a recessão contaminando o caixa do governo envolvem cerca de R$ 76 bilhões. Ou seja, o imbróglio de seis meses do segundo governo Dilma encontra-se entregue a uma batalha de R$ 30 bilhões capazes de fazer emergir o grau de confiança dos empresários e, por assim, dizer, o retorno do crescimento da economia nacional com base em investimentos do setor privado.

 

Sem superar essa armadilha de curto prazo, o horizonte do crescimento dificilmente voltará a aparecer. Mas outra agenda é possível, uma vez que o papel dos governos é o de trazer para o valor presente o que o povo imagina ser apenas possível na forma de sonho.

 

O Brasil é um país em construção. Falta ainda de tudo, da infraestrutura básica (saneamento, rodoviá­rias, ferrovias, entre outros) à pesquisa científica e tecnológica. Essa deveria ser a agenda retomada, em que o segundo Programa de Investimento em Logística recentemente anunciado poderia se constituir em nova direção a seguir.

 

Na esteira desse rumo, a implementação de uma política pública democraticamente negociada em defesa da produção e do emprego nacional se colocaria essencial. São milhões de ocupações ceifadas pelo curso da recessão que, acrescida da queda dos rendimentos do trabalho, aprofunda o desgaste no interior da estrutura social e ameaça combinar-se com as faces política e econômica da crise aberta.

 

Estancar o sofrimento humano, que resulta de um programa que em vez de ajustar desajusta, deve ser prioridade, alcançável por meio da adoção de outra agenda. O crescimento de uma economia como a brasileira não se constitui de uma simples e natural confiança dos empresários, ainda que fundamental, mas não o suficiente.

 

O sentido, a direção e a motivação geral que definem o crescimento econômico dependem da confiança da sociedade no seu governo. O programa atual de austeridade fiscal não tem conseguido estimular a maior confiança tanto da sociedade como dos empresários. Para que outra agenda se mostre capaz de recuperar a força do desenvolvimento, a combinação da democracia com crescimento econômico e distribuição de renda deve seguir sendo a principal força motriz.

 

Fonte: Rede Brasil Atual – Publicado em 11/07

Relatório divulgado hoje (13) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em comemoração aos 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mostra que entre 1995 e 2013, no Brasil, o número de crianças com menos de 5 anos que contraíram aids das mães caiu pela metade. Em 2013, foram detectados 374 casos de transmissão vertical da doença – últimos dados disponíveis, e o relatório não menciona quantos foram os casos de 1995.

 

Em contrapartida, o levantamento da Unicef aponta que, seguindo tendência mundial, entre 2004 e 2013 a incidência de aids em meninos entre 15 e 19 anos aumentou 53%, o que se mostra um desafio para o país. Nessa faixa etária, a incidência do vírus em meninos é 30% maior do que em meninas, além disso, meninos que fazem sexo com outros meninos têm dez vezes mais chances de contrair o vírus da imunodeficiência humana (HIV) do que aqueles que não recorrem à prática homossexual.

 

Para o Unicef, o Brasil ainda precisa melhorar o acesso à prevenção, à testagem e aos serviços de atendimento e tratamento direcionados para o público adolescente. O Ministério da Saúde tem usado em campanhas de conscientização a estratégia de falar diretamente com os jovens.

 

Segundo o relatório, a Rede Cegonha, implantada em 2011 pelo governo, tem melhorado a assistência às gestantes e aos recém-nascidos, o que pode ser visto na queda da transmissão de HIV entre mãe e filho, mas o aumento dos números relacionados a sífilis congênita mostra que os cuidados ainda precisam ser fortalecidos. Entre 1998 e 2013, a taxa de incidência de sífilis congênita em menores de um ano subiu de 1,1 para 4,7 a cada mil nascidos vivos, o que mostra deficiência no atendimento pré-natal. A doença pode provocar aborto, morte neonatal, parto prematuro e má formação do bebê.

 

Fonte: Agência Brasil - Aline Leal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária concedeu o registro para o medicamento Xofigo® [cloreto de rádio (223 Ra)], classificado como um radiofármaco novo pronto para o uso, de acordo com a RDC 64/2009.

 

Segundo a Agência, a publicação desse registro representa mais um passo no compromisso da entidade para adequação dos radiofármacos às normativas sanitárias vigentes.

 

Xofigo® é um medicamento terapêutico emissor de partículas alfa com efeito antitumoral direcionado à metástase óssea. As partículas alfa são um tipo de radiação ionizante para terapia com Radiofármacos.

 

A parte ativa do produto é o isótopo de rádio-223, que mimetiza o cálcio e se direciona seletivamente aos ossos, especificamente às áreas de metástase óssea. A alta energia linear transferida dos emissores alfa provoca quebras da fita dupla de DNA em células adjacentes, resultando no seu efeito antitumoral.

 

O medicamento Xofigo®possui indicação terapêutica para o tratamento de pacientes com câncer de próstata resistente à castração (CPRC) com metástases ósseas sintomáticas e sem metástases viscerais conhecidas.



Fonte: Imprensa Anvisa

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